domingo, 9 de janeiro de 2011

Vários vídeos dos velhos carnavais de Cajazeiras


Vídeos do YouTube mostram como era o carnaval do passado na cidade de Cajazeiras. Pelo perfil das imagens gravadas, a festa era dividida entre os bailes nos clubes sociais - com destaque para os dois principais que havia no município: O Cajazeiras Tênis Clube e o Clube 1º de Maio. Além disso, a folia era extensiva ao tradicional Carnaval de Rua.

Nos clubes, eram realizados dois grandes bailes por dia, um pela manhã - matinê direcionada as crianças, que sempre terminava em festa para adultos, já que a frequência dos grandões era bem maior; e outro a noite que rolava a noite toda e ia até o nascer do sol, com os foliões deixando as dependências dos dois sodalícios e indo em forma de cordões até a Avenida Presidente João Pessoa, sempre puxados pelas duas orquestra que animava o baile. Durante a tarde, toda falia se concentrava no centro comercial da cidade, nas avenidas Padre José Tomaz e Presidente João Pessoa.

Como em toda sociedade economicamente ativa, o carnaval antigo de Cajazeiras se caracterizava pela divisão social de seu povo. De um lado o Clube 1º Maio que era um espaço popular, obviamente destinado para um publico social de poder econômico mais baixo, com decoração simples, animado geralmente por charangas improvisadas com alguns instrumentos de sopro e ingresso "barato" que facilitava o acesso de todos.

Por outro lado, o Tênis Clube - Clube destinado à elite, que durante os bailes o ingresso era "caro", a decoração era luxuoso e as orquestras que animavam a festa eram as melhores da região - Como, por exemplo, a Orquestra Chaverom do maestro Zeilton Trajano. O curioso de tudo isso é que durante as tardes, pobres e ricos; pretos e brancos; feios e bonitos se emaranhavam entre confetes e serpentinas; suor e cerveja; aguardente e zinebra gato e, se misturavam em meio ao "Pó e água" e o alumbramento da “lança-perfume” do Carnaval Mela-Mela da Av. Presidente João Pessoa.

Era assim o nosso carnaval de rua! Um momento em que as diferenças eram esquecidas e todos se viam em formato igual. Cara a cara; peito a peito; pé em cima, pé em baixo. Mostrando que a festa acontecia sem a presença de qualquer preconceito. Sem nenhum pudor, vergonha ou diferenças sociais. 

Cleudimar Ferreira



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Carnaval no Cajazeiras Tênis Clube em 1987. 
Nesse vídeo há uma pessoa que parece ser ou "João de Deus Quirino" ou o Bancário "Jatobá". 
 

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Carnaval no Cajazeiras Tênis Clube em 1988. 
Nesse segundo, podemos ver o jornalista Gutemberg Cardoso, os irmãos Bosquinho e Diá do Cartório, 
o jogador de futebol Neném Mãozinha, Dedé e o bancário Jatobá.

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Carnaval no Cajazeiras Tênis Clube em 1990. 
Nesse outro vídeo, aparece o nosso sempre vereador José Lopes - Dudu e sua família, Jamilton e outros.

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Abertura do Carnaval de Rua - Praça João Pessoa em 1987. 
Nesse quarto vídeo, podemos ouvir as vozes de Ubiratam di Assis e do Jornalista Josival Pereira que na ocasião faziam comentários para a Rádio Vele do Salgado. Podemos ver os radialistas Wilson e Amauri Furtado, também o teatrólogo e artista plástico Salvino - filho de Major Chiquinho. O mais, propaganda da Carlos Center e dos filmes do Cine Éden.

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Carnaval de Rua - Praça João Pessoa em 1988. 
Nesse último vídeo, podemos ver as fachadas da Ótica Big Bem e da lanchonete Café Asa Branca. 
Também é possível ver o radialista Francisco Alves - o Tatico e o Maestro Esmerindo Cabrinha.





Referências dos vídeos. Canais do YouTube:

domingo, 19 de dezembro de 2010

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Bela foto feita pelo fotógrafo Galdino Vilante. Os dois pássaros, o da direita - mais distante e o da
esquerda - bem próximo, dão um equilíbria a composição fotográfica. Bonito não é?


Irmãs Cajazeiras

Pela orden: Judicéia (Dirce Migliaccio) Dulcinéia (Dorinha Duval) e Dorotéia (Ida Gomes)


Cajazeiras, com a ascensão do seu nome na mídia nacional, se tornou um nome tão comum que talvez alguém desinformado pense que as personagens da novela 'O Bem Amado' (que estreou pela TV Globo em 1973 - entre 24 de janeiro a 9 de outubro) e depois transformada em seriado, na década de 80, tenha algo haver com a nossa cidade. Não!... A história das duas versões, novela e seriado, é fictícia e se passa numa cidadezinha do litoral baiano - Sucupira (se bem que no Estado da Bahia também há uma cidade denominada de Cajazeiras). As personagens, Dorotéia (Ida Gomes), recalcada e geniosa; Dulcinéia (Dorinha Duval), submissa, de temperamento romântico; e Judicéia (Dirce Migliaccio), a mais nervosa; As três que são solteironas hipócritas e sexualmente reprimidas, são aliadas do corrupto Prefeito Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo) em suas tramoias. 

Seduzidas por promessas de casamento, cada uma delas mantém um relacionamento amoroso com ele, sem desconfiarem umas das outras. Entretanto, é bom refrescar a memória de quem assistiu o seriado na década de 80, que a novela "Saramandaia" exibida originalmente pela primeira vez em 1976, também pela Globo, escrita por Dias Gomes, foi inspirada na novela "O Bem Amado". A novela Saramandaia, segundo dizia o cantor e compositor cajazeirense Zé do Norte (In memoriam), autor das canções populares “Lua Bonita”, "Meu pião" e “Mulher Rendeira”, parece ter sido um plágio do livro romance "O Lobisomem de Cajazeiras", de sua autoria, que só veio ser lançado em 1985, no Rio de Janeiro, pela Continental Editorial Ltda.
Cleudimar Ferreira

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sábado, 18 de dezembro de 2010

TV Ceará - Rede Tupi em Cajazeiras

por Cleudimar Ferreira

Quando a TV Chegou? 

"TV Ceará em Cajazeiras". Anunciava um letreiro aberto no início dos anos 70, em uma das vigas na ponte que liga o Estádio de Futebol Higino Pires Ferreira ao Colégio Diocesano e Bairro Belo Horizonte - antigo do Alto Cabelão. A emissora de TV instalada pelos Diários Associados nos anos 60, só foi inaugurada definitivamente em Fortaleza em 1974 e logo em seguida, foi implantada pelos seus dirigentes, as atividades de produção da programação local e a expansão do seu sinal para o interior do Estado, bem como, parte do vizinho Estado da Paraíba.

Em Cajazeiras as imagens da Tv Ceará chegaram um ano depois, graça a instalação de uma antena repetidora implantada no morro do Cristo Rei. Na época havia poucos TVs na cidade e a disputa por um espaço nas janelas das residências era grande, só para assistir os seriados que compunha a vasta grade da programação da Rede Tupi de Televisão.

Para ver Bat Masterson, o Zorro, Perdidos no Espaço, Tarzan, Terra de Gigantes, Túnel do Tempo, a Feiticeira, Gin das Selvas, Daniel Boone ou mesmo, Viagem ao Fundo do Mar, os garotos da época faziam de tudo para disputar uma "frexinha" nas janelas das poucas casas que havia TV e, muitos, andavam de bairro em bairro sem importar para o cansaço a procura de TVs ligadas ou mesmo, queimar aulas sem o consentimento dos pais, para assistir um dos seriados acima.

Programas como "Almoço com as estrelas" aos sábados, com Airton e Lolita Rodrigues, o polêmico "Flávio Cavalcanti" aos domingos, com seus quadros: "Um Instante Maestro" e "A Grande Chance". Novelas de grandes sucessos, como Simplesmente Maria, O Direito de Nascer, Meu Pé de Laranja Lima, A Barba Azul e a campeã de público e de crítica Mulheres de Areia, comoveram e encheram de lágrimas os olhos dos telespectadores cajazeirenses. Um tempo que apesar de preto e branco, emocionou a todos e deixou muitas saudades.





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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Nos Tempos do Ouro Branco

por Cleudimar Ferreira

Bizé Bandeira ao lado de amigos, mostra a sua grande safra. (foto: acervo da familia)



Nos tempos do algodão - período farto e sobrepujante da economia regional nordestina, o interior sertanejo assistiu o crescimento assustador de vilas e povoados, que mesmo esquecidos pelo poder público, se transformaram da noite para o dia em progressivas cidades industrializadas - conforme os padrões socioeconômicos da época. Espaço de um tempo em que muitos viram surgir também pelo interior do Nordeste, empresas de porte médio de beneficiamento e prensagem do algodão.

A ascensão dessa cultura algodoeira de outrora, veio contribuir para o aparecimento de grandes magnatas do algodão, como foi o caso do Sr. André Gadelha em Souza e o patriarca da família Abrantes em Cajazeiras. Esses senhores - muitos deles coronéis e agropecuaristas a exemplo de Bizê Bandeira, que a foto acima mostra, fizeram fortunas, esbanjaram poderes, mandaram e desmandaram nas decisões políticas de suas cidades; se elegeram vereadores, prefeitos e até deputados estaduais e federais.

Com tanto poder assim, passaram a receber isenção de impostos do governo federal, e investiram maciçamente em instalações de usinas de descaroçamento e extração do óleo do algodão. Um exemplo disso foi à firma J. Matos e Cia, instalada em Cajazeiras no final da década de 20 - entre 1928 a 1929, pelo coronel Joaquim Matos.

A Usina Santa Cecília - como era conhecida, era uma fábrica moderna que chegou a exportar fardos de algodão e seus subprodutos para países importantes como: França, Alemanha, Inglaterra e Dinamarca. Os produtos da Usina Santa Cecília, viajava para Europa no trem o dinheiro desse continete, chegava a Cajazeiras pela linha desse mesmo trem, que passava quase na calçada da usina, depois era trocado pela moeda brasileira em bancos de Fortaleza.

Os documentários, 'O País de São Saruê' de Wladimir Carvalho e 'O que eu conto do sertão é isso' de Romero Rodrigues, fazem uma abordagem do início da industrialização, progresso e queda da comercialização do algodão na Paraíba.



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LEITURA DAS IMAGENS:
Foto 01. Bizé Bandeira ao lado de amigos, mostra a sua grande safra. (foto: acervo da familia)
Foto 02. Hoje, onde era a Usina Stª Cecília é uma unidade do Atacadão Rio do Peixe
Foto 03. Antiga Usina de Algodão da Firma Anderson Cleyton e Cia Ltda
Foto 04. Outro ângulo da antiga Usina Stª Cecília, hoje uma unidade do Atacadão Rio do Peixe.


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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Um pouco sobre o GRUTAC (Grupo de Teatro Amador de Cajazeiras)

Logomarca oficial do Grutac. Acervo: Cleudimar Ferreira



O Grutac foi durante duas décadas seguidas a principal porta da produção teatral de Cajazeiras. Organizado e comprometido com a cultura cajazeirense, o Grutac fez história produzindo um teatro engajado de cunho ideológico, assumido com as questões sociais e políticos dos anos 70 e início dos 80 - período de repressão, perseguição e censura as produções culturais no país. Foi também um grupo canalizador de talentos e a vitrine da luta para a construção de um teatro na cidade. Um alicerce bem plantado que culminou na edificação em 1985, do hoje Teatro Íracles Pires.

Das tantas atividades encampadas pelo Grutac - além das inúmeras peças de sucessos montadas, como: 'A mulher e Paula', 'Fé - Ré' e outras, o Grutac fez também diversos recitais de poesias. Uma marca do seu compromisso com a sociedade da terra do Padre Rolim - principalmente o seguimento identificado com a arte e com a cultura. Foram vários recitais feitos e um deles mereceu destaque, foi o II Recital Grutac.

No II Recital Grutac, seus idealizadores deixou bem claro na contra capa da plaquete lançada, o objetivo que o grupo queria com a realização dos recitais: 

"É uma forma de manter viva uma arte nossa; manter acesa a chama do teatro; reafirmar um ponto de vista; valorizar e promover valores artísticos; descentralizar a arte; voltar às origens da terra; propor novos rumos para a cultura; reunir, unir e discutir Arte-Cultura; refletir sobre uma proposta que se tem como base, para um perfeito clima de trabalho, que lhe é vital."

O Grupo de Teatro Amador de Cajazeires - Grutac, tinha no seu elenco destacadas figuras, como: Ubiratan Assis (diretor), Antônio Carlos Vilar, Beto Montenegro, Cliselite Assis, Waliomar Rolim e outos"

porCleudimar Ferreira

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domingo, 5 de dezembro de 2010

A Turma da Zona Sul.




(direita da foto) Sinézio - o néro, Hilton - o cobra, Leto,
Naldinho - o índio, Cleudimar (eu) e Paulo - o mina.


Na Rua Samuel Duarte - no Bairro da Esperança, nas proximidades do Monte Carmelo, no início da década de 70, esse grupo de rapazes bem trajados, óculos pretos no rosto, chapéu quebrado na testa, calça boca de sino, cabelos black power ou compridos (nem tanto) encaracolados, mas com fitas amarradas nas testas - como bem podemos lembrar pela música do Roberto, ditaram, aprontaram e viveram de tudo nos campos de peladas, nas tertúlias das meninas, nas paqueras na praça de Padim Ciço e nas portas dos cines Éden, Pax e Apolo XI. Não eram hippies, nem artesãos; tocavam apenas seus violões. Como será que eles estão hoje? Se você viu algum desses bons rapazes por aí, diga que mandei lembranças.