segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Lampião assustou Cristiano Cartaxo

escreveu: Francisco Cartaxo



Parte desse grupo que atacou Mossoró, atacou também Cajazeiras




Cristiano Cartaxo
Cresci ouvindo meu pai narrar, vez por outra, o susto que passou ao ver-se frente a frente com Lampião. Cristiano Cartaxo contava sempre a mesma versão, quase com as mesmas palavras a indicar a veracidade do episódio por ele vivido. Certa ocasião, noite alta, ele se dirigiu à Farmácia Central, fundada pelo seu pai, o major Higino Rolim, para aviar uma receita, a pedido de pessoa amiga. Nessa época, década de 20 do século passado, a farmácia ficava na Rua Sete de Setembro, hoje Avenida Presidente João Pessoa. Cristiano entrou na botica, deixando a porta entreaberta, e foi preparar o remédio. Com pouco tempo, apareceu um desconhecido em trajes estranhos, arma de fogo e punhal. Meu pai apressou-se em procurar atendê-lo àquela hora da noite:

- O senhor deseja alguma coisa? Precisa de algum remédio?

Disse mas não obteve resposta. O estranho esboçou apenas um leve sorriso, deu alguns passos, lentamente, parou para espiar melhor as prateleiras, voltou a caminhar pelo pequeno corredor até os fundos da loja, sem uma palavra, por mais que meu pai insistisse em oferecer-lhe seus serviços profissionais de farmacêutico. O visitante saiu pela porta, não sem antes fazer breve reverência de cabeça. Meu pai, sem pestanejar fechou a porta com ferrolho e voltou à sua tarefa. Claro que teve medo, sobretudo, porque isso se deu após o ataque do cangaceiro Sabino Gomes que, segundo meu pai, tinha como um dos seus objetivos ao invadir Cajazeiras “agarrar o enxu do major Higino”, numa referência ao cofre da farmácia do meu avô.

Pharmácia Hygino Rolim-antiga Botica do Major Hygino, 
fundada em 1875. Pela ordem: Cristiano Cartaxo, Betinha, Joaquim
Antônio, Maria, Marechal e clientes 

Sabino Gomes conhecia bem Cajazeiras. Fora guarda-costas de Marcolino Diniz, um cidadão que residiu em Cajazeiras, pouco depois de assassinar o bacharel Ulisses Wanderley, juiz de direito da cidade de Triunfo (PE), em 30 de dezembro de 1923. Preso em flagrante, foi solto pelos cabras de Sabino, a mando de Lampião, que era amigo e protegido do coronel Marçal Florentino Diniz, pai de Marcolino. Em Cajazeiras, Marcolino fundou e manteve, junto com o advogado Praxedes Pitanga, o jornal O Rebate, que circulou entre 1925 e 1928. Marcolino era irmão unilateral de Sabino Gomes, pois este nascera de relação sexual do coronel Marçal com sua cozinheira, em Abóboras, município de Serra Talhada (PE), perto de Princesa Isabel, terra do famoso coronel José Pereira, aliás, sogro de Marcolino Diniz. Sabino chegou a trabalhar nas obras de construção do açude de Boqueirão e desfilava armado pelas ruas de Cajazeiras, na qualidade de capanga de Marcolino Diniz.

Como o poeta Cristiano soube que o cangaceiro misterioso era Lampião? Meu pai o identificou numa foto que correu mundo, batida pelo fotógrafo profissional, Francisco Ribeiro, em Limoeiro do Norte, quando o bando ali estacionou, ao regressar da frustrada invasão a Mossoró. Em Limoeiro, os cangaceiros foram recebidos sem hostilidade. Ao contrário, tiveram direito a banquete, fizeram compras no comércio e até rezaram na igreja em companhia do padre.

Revejo, agora, a foto histórica, inserida no livro de Frederico Pernambucano de Mello: Guerreiros do sol - Violência e banditismo no Nordeste do Brasil -, talvez o melhor estudo acerca do fenômeno social do cangaço nordestino. Revejo com saudade do meu pai que, em 2013, completa 100 anos de formado na antiga Faculdade de Medicina e Farmácia do Rio de Janeiro.




fonte: Diário do Sertão

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013


Vídeo postado no youtube, com data de 8 janeiro de 2013, mostra reportagem veiculada pela TV Cultura de São Paulo em dezembro de 2012, sobre os problemas administrativos no final do mandato do Prefeito Carlos Rafael a frente da Prefeitura de Cajazeiras.



terça-feira, 15 de janeiro de 2013

ruínas de piranhas velha

  Bela imagem das ruínas da antiga cidade de "Piranhas Velha".  
  Submersa pelas águas do açude de Boqueira. 
  Foto by: Vandilson Lima  


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

JOANA dos SANTOS

Capa do romance Joana dos Santos  
do escritor cajazeirense Ivan Bichara Sobreira

O livro editado em 1995, pela a editora Bertrand Brasil S.A. conta a história de Joana dos Santos, nome da heroína e personagem-título do romance. Ela representa a imagem da menina adolescente criada no meio rural, recatada e temente a Deus. Esta fé, no entanto, é abalada pela morte do pai, de forma violenta e injusta.
Época do arbítrio contra todo e qualquer direito, Arthur Bernardes governava o país. Tempo da Coluna Prestes, que percorre o Brasil numa marcha épica, conclamando os brasileiros a lutar contra os desmandos e prepotência do presidente em exercício.
Joana fica sob a proteção dos "revoltosos", que a acolhem e protegem. Jovem, bela, em pleno desabrochar da vida, enamora-se de um dos integrantes da coluna. Breve interregno de amor e paz.
Mas eram tempos difíceis. No Nordeste, onde se desenrola a história, mais do que em qualquer outra parte, o colapso da autoridade favorecia toda sorte de desmandos e as pessoas viviam se prevenindo contra toda forma de opressão.
É num desses momentos dramáticos que Joana defronta bandidos dispostos a tudo, fugindo e buscando refúgio numa fazenda de onde se torna agregada. De imediato, a todos conquista.
A partir de então, sua existência passa a ser menos atormentada e seus pensamentos vivem centrados no reencontro do único e verdadeiro amor de sua vida: o Ex-seminarista, de quem se tornou noiva em situação imprevista.
O quadro histórico que se esboça da época inclui nomes de preeminentes brasileiros integrantes da Coluna Prestes, lembrados com respeito e admiração, a figura mitológica do padre Cícero, os cangaceiros, espalhado horror e morte, e um encontro com o legendário Virgulino Ferreira da Silva, o famoso Lampião.
A história é cativante e prende da primeira à última página. Os personagens estão bem vivos em seus contornos, e o flashback se mistura com a narrativa presente sinalizando o futuro.
O desfecho surpreende e é de grande impacto, deixando em quem lê a idéia de um Autor de extraordinário poder criativo, comprovando a extrema maturidade de sua obra.

  Sinopse do Romance  

A Coluna Prestes passou pela Vila de Piancó, a Paraíba, no dia 9 de fevereiro de 1926, às 7 horas da manhã. Tinha o objetivo de abastecer-se de gêneros alimentícios para a marcha direta até o rio São Francisco. Para defender a vila, contava-se com trinta soldados e igual número paisanos, estes liderados pelo padre Aristides Ferreira da Cruz, de ex-deputado estadual, ex-vigário e chefe político influente na região sertaneja.

Os "revolucionários" foram surpreendidos, na rua larga, pelas balas disparadas da cadeia pública e de algumas residências. A surpresa da reação local, segundo relato de escrivão da Campanha, se deveu ao fato e que cobriam a frente das casas, simbolizando a paz, panos e bandeiras brancas.

Morreram, nesse primeiro choque, um sargento e seis soldados. Indignados, os soldados recolheram os corpos e, quando retornaram, portavam metralhadoras. A polícia retirou-se, em seguida. Restou, ainda, como único ponto de resistência, o "sobrado" do padre Aristides. Foi este cercado e incendiado, depois de algum tempo, por latas de gasolina.

O padre e seus amigos, ao se entregarem, foram amarrados e fuzilados na frente da casa, jogados seus corpos numa vala aberta perto da calçada. Depois, fugindo da conduta normal que vinham mantendo, os rebeldes rasgaram com facões e baionetas os prisioneiros executados. O corpo do padre era o alvo predileto. Joana dos Santos se desenrola nesse tempo e à sombra dessa maldição.
 
fonte:
SOBREIRA, Ivan Bichara. Joana dos Santos: Romance, Editora Bertrand Brasil, Rio de Janeiro,  1995. 

Sai o edital de convocação para eleição dos representantes de entidades culturais para formação do Conselho Municipal de Cultura de Cajazeiras.



O Secretário Executivo da Cultura, no uso de suas atribuições legais, FAZEM SABER, a todos interessados, que nos termos da Lei Municipal Nº 1.597/2005 será realizada, no Centro Cultural Zé do Norte, na Biblioteca Pública Municipal Dr. Castro Pinto, localizado na Rua Padre Rolim, SN - Centro, às 19 horas do dia 30 de janeiro de 2013, a ELEIÇÃO para escolha dos 05 (cinco) representantes de Entidades Culturais, e seus respectivos suplentes, para comporem o Conselho Municipal de Cultura, para o biênio 2013/2015, observadas as seguintes disposições.

I - DAS INSCRIÇÕES DE CANDIDATOS AO PLEITO
1.1- As inscrições estarão abertas no período de 14 a 30 de janeiro do corrente ano, a serem realizadas na SECULT - Biblioteca Pública Municipal Dr. Castro Pinto, localizado na Rua Pe. Rolim, Sn - Centro, das 8 às 13 horas.
1.2- Poderão inscrever-se à eleição: os representantes das Entidades Culturais, devidamente legalizadas, com atuação na área cultural no âmbito do Município de Cajazeiras-PB.
1.3- Cada entidade indicada no item 1.2 poderá inscrever apenas 01 (um) representante para concorrer à eleição.
1.4- A inscrição do candidato deverá ser apresentada em formulário próprio, assinado pelo representante legal da entidade.
1.5- São condições para a inscrição como candidato:
a) comprovar a filiação à entidade que o indicou através de declaração do representante legal da instituição;
b) ter pelo menos dezoito anos completos;
c) residir no município de Cajazeiras-PB;
d) estar em gozo dos direitos políticos.
1.6- Serão exigidos no ato da inscrição os seguintes documentos:
a) ficha de inscrição devidamente preenchida;
b) cópia e original do Estatuto Social da Entidade Cultural suas alterações, devidamente registrado em Cartório, cópia da inscrição no CNPJ, Certidões Negativas de Débito na Receita Federal, Estadual e Municipal;
c) cópia e original da ata de eleição e posse do representante legal;
d) cópia do documento de identidade, CPF, título de eleitor e comprovante de residência do candidato.
1.7- A entidade é responsável pelas informações prestadas no formulário de inscrição.
1.8- Não serão aceitos requerimentos de inscrições por procuração, por via postal, fax, e-mail, condicionais e/ou extemporâneos.

II - DAS ATRIBUIÇÕES DOS CONSELHEIROS
Nos termos do artigo 3º da Lei 1.597/2005, ao Conselho Municipal de Cultura compete:
a) Participar da elaboração e implementação da política de cultura;
b) Elaborar o Regimento Interno;
c) Elaborar o Plano Municipal de Cultura;
d) Aprovar, acompanhar e avaliar a execução do Plano Municipal de Cultura;
e) Participar da elaboração de programas orçamentários anuais da área de cultura procedendo posteriormente sua devida aprovação;
f) Deliberar, supervisionar e avaliar a aplicação dos recursos destinados a cultura municipal;
g) Estimular a participação comunitária incentivando a criação de comitês de cultura para fomentar esta atividade sustentável no âmbito local;
h) Acatar e dar cumprimento aos atos e resoluções de interesse da cultura que fixam doutrinas ou normas emanadas do poder competente;
i) Divulgar atividades deste Conselho e assuntos ligados à área, através da criação de um boletim, jornal ou qualquer outro veículo de comunicação;
j) Promover ou incentivar a integração das atividades produtivas locais, oportunizando contatos e aprendizagem com práticas culturais de interesse municipal;
k) Zelar pela observância das leis e/ou normas no âmbito da cultura;
l) Fiscalizar os programas e execução de normas específicas da cultura, dentro dos limites do município;
m) Promover e cooperar na defesa e conservação do Patrimônio Histórico Artístico-cultural do Município;
n) Apoiar atividades que vise à dinamização da cultura local como instrumento gerador de emprego e renda no âmbito local;
o) Participar e propor eventos culturais que visem à reciclagem, aperfeiçoamento e qualificação local;
p) Executar outras atividades correlatas;

III - DA ELEIÇÃO
a) A eleição ocorrerá no dia 30 de janeiro de 2013, às 19h00 nas dependências do Centro Cultural Zé do Norte, na Biblioteca Municipal Castro Alves, situada à Rua Padre Rolim S/N – Centro – Cajazeiras/PB;
b) A eleição será coordenada pelo Secretário Executivo da Cultura e/ou seu representante;
c) O processo eletivo será por escrutínio aberto e democrático;
d) Cada Entidade Cultural será representada por um delegado;
e) O Conselho será formado por 10 (dez) membros, sendo 05 (cinco) indicados pelo Poder Executivo Municipal e 05 (cinco) eleitos democraticamente pelas Entidaes Culturais legalizadas;
f) Antes da instalação da Assembleia cada participante, representante legal da entidade, conforme item 1.2 deste edital, deverá apresentar-se ao mesário, portando documento de identidade, assinar o livro de presença e receber a cédula de votação.
g) A inscrição de votantes será encerrada imediatamente após a instalação da Assembleia por ordem do Secretário Executivo da SECULT, ou seu representante.
h) Somente terão direito a voto, aqueles indicados pelas Entidades Culturais representadas que assinarem o livro de presença;
i) Instalada a Assembleia proceder-se-á a chamada para conferência da presença dos presentes.
j)  As Entidades que inscreverem candidatos terão 03 (três) minutos para apresentá-los à Assembleia.
k) A apuração dos votos dar-se-á logo após o encerramento da votação;
l) Serão eleitos como conselheiros titulares os 05 (cinco) candidatos mais votados, sendo os suplentes indicados pela Entidade que terá o conselheiro eleito.
m) Em caso de empate será eleito o candidato com maior idade;
n) Os trabalhos e os resultados da eleição dos representantes das instituições serão lavrados em ata, que deverá ser obrigatoriamente assinada pelo Secretário Executivo da Cultura e/ou seu representante, pelos candidatos e pelos dirigentes das Entidades com candidatos inscritos que estiverem presentes. .

IV - DISPOSIÇÕES FINAIS
4.1 - A função de Conselheiro não gera relação de emprego com a municipalidade.
4.2 - Os membros do Conselho não serão remunerados, sendo a função de conselheiro considerada de interesse público relevante.
4.3 - Os casos omissos relativos ao processo eleitoral ou em relação às normas do presente EDITAL serão resolvidos pela SECULT.

Para que chegue ao conhecimento de todos os interessados, expediu-se o presente EDITAL que será afixado nos quadros de avisos da SECULT, Prefeitura de Cajazeiras-PB e demais Secretarias Municipais e publicado através da imprensa com antecedência mínima de 15 (quinze) dias.

Cajazeiras-PB, 14 de Janeiro de 2013.
  
Aguinaldo José Cardoso
Secretário Executivo da Cultura

domingo, 13 de janeiro de 2013

Inaugurações - Fotos Históricas


  

LEITURA DAS FOTOS

01. Solenidade de inauguração da nava agência da Caixa Economica Federal de Cajazeiras. Presença do governador do Estado Ivan Bichara Sobreira e do prefeito Francisco Matias Rolim. A nova sede da caixa foi construida no local onde antes funcionou a primeira cadeia pública da cidade, até então demolida para construção da instituição bancária.

02 e 03. Evento que marcou a inauguração do Fórum Cível de Cajazeiras. O Fórum foi instalado no primeiro andar ou pavimento superior do prédio da Prefeitura Municipal de Cajazeiras. No microfone, o professor José Pereira ladeado por José Guimarães. Fotos restauradas ou com pequenos retoques.

04. Festa de inauguração do Cajazeiras Tênis Clube. Presença de representantates da alta sociedade cajazeirense da época e uma delegação da cidade de Campina Grande. O Cajazeiras Tênis Clube, foi construido onde antes ficava a antiga casa de taipa da família Souza/Rolim - Albuquerque. Ou seja, do casal Vital de Souza Rolim e Ana Francisca de Albuquerque - pais do fundador de Cajazeiras, Padre Inacio de Sousa Rolim.

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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Secretário de Cultura de Cajazeiras convida para uma reunião proponentes do FUMINC - Edital 2011/2012.



O novo Secretário de Cultura de Cajazeiras Aguinaldo José Cardoso convida proponentes de projetos do FUMINC, relativo ao Edital 2011/2012 para uma reunião, que ocorrerá no dia 15 de janeiro deste ano, às 19h00, no auditório do Centro Cultural Zé do Norte, situado à Rua Victor Jurema, s/n - Centro, A reunião acontecerá com a presença do Secretário de Cultura de Cajazeiras e equipe da Secult.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Pontos Pitorescos de Cajazeiras

por: Cleudimar Ferreira


tradicional Pedra do Galo, hoje na Rua Vitória Bezerra.

"... em ter acesa a lâmpada sagrada / e gloriosa tradição 
de luz / lembra Anchieta, lembra Coimbra / um livro 
aberto os braços de uma cruz."

Cristiano Cartaxo


   Pedra do Galo:   
Antiga pedra arredondado com cruzeiro. O cruzeiro possui uma armação de metal com formato de galo e uma seta abaixo. O objeto artesanal é uma réplica do galo que decora as torres dos conventos da ordem religiosa dos franciscanos. Ficava na antiga estrada - saída de Cajazeiras para a cidade de Jatobá - São José de Piranhas, atualmente bairro de São Francisco. 

Segundo o historiador José Antônio da Albuquerque, nos idos de 1950, houve embate entre as Ligas da Mulheres Cristãs de Cajazeiras e o poder público municipal a frente o prefeito Otacílio Jurema, com o objetivo de retirar o cabaré de Cajazeiras que ficava por trás do Cemitério Coração de Maria, na época conhecido como Ferro de Engomar. Essa querela inflamou mais ainda, com o grito de Frei Damião que declarou que só voltaria a pregar as Santas Missões em Cajazeiras depois que o prefeito mudasse velho meretrício de local. 

Acrescente José Antônio, que para comemorar a vitória da luta pela retirada do cabaré das imediações do Cemitério, foi celebrada uma missa por Frei Damião. A comunidade católica tomou como base uma pedra existente mesmo em frente ao novo local do cabaré da cidade, que ficou conhecido como 'A Palha' e construiu uma cruz e no seu ápice, colocou um galo. 

Por muito tempo a Pedra foi um ponto de espera de transportes para as pessoas que se deslocavam ao Município de Jatobá, atual São José de Piranhas. Com o crescimento da cidade, esse ponto foi sucumbido pela urbanização e o cruzeiro com o galo foram transferidos para a Rua Romualdo Rolim e depois levados para a Rua Vitória Bezerra, onde passou a ser visitado por quem vêm a cidade. 

Todos os anos, a Pedra do Galo é o ponto de referência para partida da tradicional Via Sacra que tem como término a Igreja de São João Bosco, na Praça Camilo de Holanda. Um poema intitulado 'Pedra do Galo' do poeta Irismar di Lyra, descreve as particularidades desse objeto urbano de Cajazeiras.

PEDRA DO GALO 
Irismar di Lyra

Que poesia há na estrada de Jatobá,
além do lúgubre das faces desdentadas
gentes e roupas desbotadas
vícios, ócios e duros ofícios!

A Pedra do Galo, inerte, contrasta
com o ruge-ruge dos cabarés,
o frenesi das mariposas,
o zum-zum nervoso dos cafés.

Os Sete Candeeiros resistem à luz elétrica
Uma, quem sabe, Dora esquelética
por um talvez, Beto sifilítico
mata-se a golpes de faca peixeira. 

Suposições suscitadas ante o fato:
ciúmes ou coisa de quem perde a estribeira?
Como diria Zefinha de Alfredo:
- vã filosofia, coisa sem eira nem beira

Furna da Onça - Localizada no morro do Cristo Rei.

    Furna da Onça:    
Os mais antigos habitantes da cidade costumava contar que por volta do século XVIII e começo do século XIX, vivia no local uma onça feroz do serrado que atacava as pessoas que passava nas proximidades, até que certo dia um senhor de nome Zé Preto, caçador bastante conhecido na cidade, juntamente com o seu irmão, capturaram e mataram a mesma. Não há comprovação oficial dessa história ou se a onça existiu. Porém a lenda permanece viva até os dias hoje. A furna da Onça é caracterizada por três pedras escoradas e está localizada no morro do Cristo Rei, antigamente chamado de Serrote do Jatobá.

Conjunto de residências onde foi os Sete Candeeiros

   Sete Candeeiros  : 
Era o antigo bordel da cidade, vulgarmente 'folclorizado' de Frejo. Os Sete Candeeiros funcionava em um sequencia de sete casas conjugadas, formadas por botecos e ponto de prostituição. Praticamente isolado do plano habitacional da cidade, o local era praticamente esquecido pelo poder público, quase não havia luz elétrica. 

A maioria das sete casas que compunha os sete candeeiros eram iluminadas por candeeiros e as demais, luz elétrica vermelha. Numa remota Cajazeiras onde os índices de violência eram praticamente zero, os Sete Candeeiros vez por outra quebrava essa rotina e o silêncio advindo dela, com ocorrências de casos de violência, que geralmente eram divulgadas nas emissoras de rádios da cidade. Os Sete Candeeiros localizava-se nos arredores do Bairro de Capoeiras, saída para a cidade de Jatobá - São José de Piranhas.

Parte do que restou das residencias dos 'Deischalé'

   Os Deischalé:    (10 chalés) 
Conjunto de dez pequenos chalés conjugados situados na Rua Sebastião Bandeira de Melo, próximo ao centro da cidade. As pequenas casas conjugadas eram habitadas por pessoas de baixa renda e artífices como sapateiros, marceneiros, flandeiros e feirantes. Com o passar do tempo veio o crescimento da cidade e 'Os Deischalé' foram desaparecendo, dando lugar a construções de residências mais modernas e pontos comerciais.

RUA DOS 10 CHALÉS
Irismar di Lyra

Meio dia,
o Cristo cochila.
O sol castiga
o homem que passa
abraçando à mochila.

Feito boca banguela,
casa sim, casa não,
a rua espia pela janela
o insólito, a desolação.

À boca da noite,
cadeiras nas calçadas,
das poucas casas
que um dia foram dez...

Sebastião Bandeira de Melo,
Nome imponente, majestoso...
Mas não tão singular
quanto os 10 chalés.

Trecho do 'Alto Cabelão' - hoje Bairro Belo Horizonte

   Alto Cabelão:    
Nos finais dos anos 60, a moda ainda era ter cabelos compridos. Seguindo essa moda, comenta-se que esse nome surgiu, pelo fato de residir no lugar um folclórico cidadão que tinha os cabelos bastantes compridos; e que por conta disso, a artéria teria sido batizado pela população de Alto Cabelão. O alto Cabelão era uma média de 300 casas, construídas em duas fileiras e uma larga avenida no meio, que se deslocava sobre uma colina indo até a zona rural da cidade. 

Por ter também essas características e parecer com um cabelo comprido, muitos acham que a população folclorizou o espaço urbano batizando com o nome de 'Alto Cabelão'. Por iniciativas do senhor Emídio da Cunha Rolim, comerciante estabelecido no local, o trecho urbano passou a se chamar depois de Alto Belo Horizonte. Nos anos 70, houve um crescimento rápido da cidade na direção da zona norte. Ruas foram abertas e a urbanização se alastrando. Para firmar esse feito, o poder público construiu no local um conjunto habitacional em uma área de terra que ficava por trás do Colégio Diocesano e Estádio Higino Pires Ferreira. Descaracterizando o traçado geográfico que havia antes.   

Vista panorâmica do 'Rabo da Gata' ainda em formação

    Rabo da Gata:    
Conjunto urbano que se formou na região nordeste da cidade ao longo da antiga estrada de ferro. As terras pertencentes à união (RFC - Rede Ferroviária Cearense), foram invadidas no final dos anos 70 por comunidades de sem teto e humildes famílias de agricultores, que fugindo da seca, deixaram suas terras na zona rural para morar na cidade. A formação do Rabo da Gata começou entre o Cemitério Coração de Maria e a velha estrada de trem que ligava a cidade de Cajazeiras ao vizinho Município de São João do Rio do Peixe, seguindo o trajeto da desativada linha férrea, indo em direção à zona rural.

Imagem mais recente da formação rochosa Pedra do Sapo

   Pedra do Sapo:    
Na região sul de Cajazeiras, mais precisamente na parte sudeste da cidade, a natureza nos presenteou com a Pedra do Sapo. A formação rochosa, natural, está localizada na periferia do Bairro da Esperança. São duas pedras. Uma sobre a outra sendo a segunda (a de cima) bastante parecida com um batráquio. Ou seja, tem um formato de um sapo. A pedra foi no passado um local de lazer para os habitantes do bairro da Esperança, principalmente para as crianças e a juventude, que usava o local para se divertir nos finais de semanas. 

Era um local ideal para soltar pipa, brincar de cawboy ou mesmo de cima da pedra, observar a linda visão do toda zona sul da cidade. Entre as duas pedras há um espaço bastante estreito e um pouco longo, onde o desafio entre os frequentadores, era atravessar pela fenda de um lado para o outro. Muitos que enfrentava esse desafio, passava com facilidade, porém, havia outros que ficava enroscado e precisava da orientação de outras pessoas presentes, para sair do enroscado. 

Imagem antiga da Pedra do Sapo vista de outroângulo.
Foto/autor: Bosco Pinto
 

PEDRA DO SAPO
Irismar di Lyra

Pedra do sapo,
sem verde, sem cacto,
arca ancorada
na croa do serrote

Pedra do sapo
sem mufumbo ou velame
entregue ao destino
maldito, infame.

Pedra do sapo
sem beleza estética,
batráquio em birrado,
marco sul da cidade.

(...)


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