quinta-feira, 30 de abril de 2020

O MISTERIOSO CASO DA BOMBA RELÓGIO DO CINE TEATRO APOLO XI

por: Fernando Carvalho
granfernan2004@hotmail.com

Prédio onde funcionava a Rádio Alto Piranhas e Cine Teatro Apolo XI

Quando a tarde findou-se e, o acender das luzes, prenunciava o inicio da noite de 2 de julho de 1975, na minha querida cidade de cajazeiras, encetei peregrinar por suas bucólicas e deleitáveis avenidas. O ritual, era o de sempre, passara pelo baldo do açude grande, local em que até hoje, misteriosamente, me ocasiona estado de poesia, roubando aqui, a frase do brilhante Chico César.

Ocorria a época grandiosa do cinema, e para mim, um adolescente que acabara de se apaixonar, perdidamente, pela “sétima arte”, era um verdadeiro deleite, a existência de 3 cinemas (era assim que se chamava na época), na cidade berço da cultura paraibana.

Sortudamente, tive a oportunidade de assistir a grandes épicos do cinema mundial a exemplo de: Ben-Hur (1960); Cleópatra (1963); Lawrence das Arábias (1962); Spartacus (1960) e Os Dez Mandamentos (1956), apenas, para não ser prolixo. Os referidos cinemas eram: Cine Éden; Cine Teatro Apolo XI e Cine Pax.

Todos eles exibiam, semanalmente, uma película diferente, o que me proporcionou a oportunidade de, ao longo de 10 anos, ter assistido a um gigantesco número de longas metragens, dos mais variados gêneros, que eu, metodicamente, registrados em meu diário. Determinava e cumpria, meticulosamente, o dia da semana a ir a cada um dos 3 cinemas, fato que não ocorreu (para minha sorte), na noite de 2 de julho de 1975.

Era a vez de ir assistir a película a ser exibido no Cine Teatro Apolo XI, o drama “sublime renúncia” com Romy Schinider no papel principal. Uma forte intuição me fez mudar de ideia, e ir assistir a sessão do Cine Éden, sem saber que este fato marcaria para sempre a minha existência. Só vim a me dar conta da importância da minha decisão, naquela noite, só no dia seguinte, quando as manchetes dos jornais do Brasil inteiro, estampava em suas páginas principais, a seguinte manchete: “bomba explode em cinema da cidade de cajazeiras, tendo como alvo o Bispo Dom Zacarias Rolim de Moura.”

O atentado a bomba, que até os dias de hoje não foram encontrados os autores, matou duas pessoas, mutilou outras duas e destruiu o Cine Teatro Apolo 11. O alvo, Dom Zacarias Rolim de Moura, bispo conservador da diocese de cajazeiras, escapou porque tinha viajado ao Recife.

A bomba relógio encontrava-se dentro de uma pasta tipo 007, e tinha sido colocada embaixo da cadeira em que Dom Zacarias, costumeiramente, sentava-se, para assistir as películas. A tragédia só não foi maior por conta da fita de má qualidade que partira-se inúmeras vezes, fazendo com que o tempo de exibição se encurtar-se em 15 minutos, permitindo que a bomba relógio explodir-se quando encontravam-se no cinema, apenas os funcionários, que já se preparavam para fechar o recinto.

O fato é que toda a pacata cidade de cajazeiras, naquela fatídica noite ouvira uma explosão de grande magnitude. Já a repercussão, foi muito mais longe. o fato de um atentado a bomba contra um bispo da igreja católica, quando a ala progressista da igreja católica tomava forma, e no auge do regime militar, ecoou pelos quatro cantos do mundo.

- Ah, o filme que assistira no Cine Éden, naquela fatídica noite? “Viver” de Akira Kurosawa.






FERNANDO CARVALHO
É natural de Cajazeiras; graduado em Engenharia Mecânica e tem pós graduação em Engenharia de Produção (UFPB). É artista plástico e como hobby, exerce a atividade de mágico. 





 

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Plataforma "Cultura na Paraíba"



Agora ficou mais fácil para você fazer ser reconhecido com agente promotor e transformador de cultura, basta você acessar a plataforma “Cultura na Paraíba” e fazer o seu registro. Para solicitar registro, os agentes culturais devem acessar a pagina: http://PB.mapas.cultura.gov.br/. Nesse endereço, poderão cadastrar seus e-mails. O sistema pode ser alimentado de duas formas: pelo poder público, interessado na inserção de informações sobre os equipamentos culturais, programações oficiais, editais, etc.; e pela população de um modo em geral, que deve se cadastrar como agente de cultura - individual ou coletivo. Podendo assim divulgar suas próprias programações. Na plataforma CULTURA NA PARAÍBA você poderá criar o seu perfil e divulgar suas ações e valores culturais da sua cidade ou da região. Atividades de teatro, música, formação, patrimônio, cultura popular, dança, audiovisual, literatura e outras linguagens. Também poderão disseminar e receber informações sobre editais de fomento que interessem os agentes culturais da Paraíba. CULTURA NA PARAÍBA é uma plataforma livre, gratuita e colaborativa de mapeamento da Secretaria de Estado da Cultura da Paraíba que pretende manter atualizada a cena cultural do Estado.   



fonte: FUNESC

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Cinema Paraibano no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro

Cleudimar Ferreira
cleudimar.f.l@gmail.com 



O cinema realizado hoje na Paraíba aos poucos vai ocupado espaços na produção brasileira e merecidamente, vai conquistando a simpatia do público e de alguns seguimentos da critica especializada. Esse momento fica evidenciado pela constante participação dos nossos atores em importantes produções do cinema nacional e latino, além de alguns desses, terem participados de novelas e minisséries na TV. Espaços conquistados também pelos nossos diretores e técnicos, que cada ano vai crescendo, ganhando destaques na nossa sétima arte, como é caso agora da indicação de três produções paraibana para o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.

Os filmes produzidos em nosso Estado que concorre ao prêmio, são dois longas-metragens e um curta-metragem. Os longas são “Ambiente familiar” e “A noite amarela” respectivamente dos diretores Torquato Joel (estreando em longas) e Ramon Porto Mota. Já o curta é “A ética das hienas”, dirigido por Rodolpho de Barros.

No caso dos longos, o filme “Ambiente familiar” o tema central em discussão é a estrutura familiar e a questão do afeto. O longa tem um elenco composto pelos atores Beto Quirino, Cely Farias, Fernando Teixeira, Suzy Lopes, Kassandra Brandão, Fernando Teixeira e Marcelia Cartaxo, Fagner Costa, Diogenes Duque e Jose Alex Oliveira.

Já “Noite Amarela”, conta a história de um grupo de adolescentes que viaja para uma remota ilha do Nordeste, com objetivo de comemorar a formatura do ensino médio. Mas as brincadeiras e festas são gradativamente interrompidas pela sensação de que o lugar abriga um horror insondável. No elenco: Ana Rita Gurgel, Rana Sui, Caio Richard, Felipe Espíndola, Clara Oliveira, Matheus Martins e Marina Alencar.

O curta “A ética das hienas” conta à história de uma fraude realizada numa perícia de trabalho que é descoberta, mas nada como um bom acordo no Brasil. Com a Justiça, com o mercado, com tudo. Tem um elenco formado por Fernando Teixeira (experiente ator paraibana), Daniel Porpino, Suzy Lopes, Tavinho Teixeira, Servilio de Holanda e Marcelia Cartaxo.

No Grande Prêmio do Cinema Brasileiro tem indicações para diversas categorias e os profissionais desse setor, disputam as premiações de Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Direção, Melhor Direção De Arte, Melhor Direção de Fotografia, Melhor Efeito Visual, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem, Melhor Montagem Documentário, Melhor Montagem Ficção, Melhor Primeiro Longa Metragem, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Roteiro Original, Melhor Som e Melhor Trilha Sonora.




sexta-feira, 3 de abril de 2020

MICRO CONTO - O Visitante

Cleudimar Ferreira
cleudimar.f.l@gmail.com 




A cigarra do “apê” tocou já nervosa. Intuitivamente, sabia ela que os dedos das mãos que provocou aquele ato sonoro, era dele. O marido ensimesmado, mas bem intencionado, fez um movimento voluntário até a porta, tentando antecipadamente atender o ocaso. Um ato já previamente reivindicado pela esposa, que do fundo da despensa havia gritado: - deixa... Que eu atendo! O marido a um pé da porta cortou a cena daquele instante. E estático, esperou a mulher chegar para abrir aquela voluntária entrada. Quando a mesma chegou, olhou pelo visor e se alumbrou na dúvida da imagem que viu lá fora. Para sua segurança e de todos que ali moravam, baixou a cabeça e rodou a chave, deixando a sua dúvida a mercê do “Pega Ladrão”. Devagarinho posicionou a face no pequeno espaço permitido pelo “Pega Ladrão”, aberto entre a porta e a maçaneta, revelando para se, a imagem da inusitada visita. Rapidamente tentou fechar, pois achou que não era o momento. Em vão, já que não suportava mais aquele furor masculino confrontando com sua fragilidade de mulher. Viu que não havia força para segurar ou impedir o acesso daquele homem no seu apartamento. Abriu ligeiramente a porta e o visitante sem pedir licença, entrou bruscamente nervoso disparando a pergunta: - cadê o meu dinheiro? Me pague o que você mim deve? O marido da mulher irresoluto descarregou em cima do estranho o seu vil reação e falou: - qual é o problema cara, isso é jeito de entrar na casa dos outros. Invadindo com violência o recinto alheio. O estranho respondeu: - olha, você fique na sua. Meu negócio é com ela. Voltou para mulher, olhou profundamente nos olhos dela e ela no dele, e com mais calma ele repetiu a pergunta: - quando é que tu vai pagar o que me deve? Ela naquele instante elevou a mão até o umbigo do corpo malhado do rapaz e singelamente falou: - eu já te paguei até demais e você sabe disse. E ainda com a mão no umbigo daquele abdome exposto por uma pequena blusa, olhou mais uma vez nos olhos do rapaz e pediu calma. Calma, calma... E foi conduzindo-o até a porta.

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