quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Programação Completa do Cine Açude Grande


Confira a programação oficial, completa, do VII Cine Açude Grande. Prepare-se para dias de cinema, cultura, encontros e muita arte. O Cine Açude Grande chega com uma programação especial, reunindo filmes, atividades e experiências que celebram o audiovisual e fortalecem a cultura em nossa região. Marque na agenda os seus momentos favoritos! Vem viver o cinema paraibano com a gente!
  
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O CONTO DO CACHORRO

By cledudimarferreira

 


Os fantasmas dos caminhos do sertão eram presepadas contadas pelos antigos. Meu bisavô Jerônimo contava; meu avô Tiantônio, também; e meu Pai José, mesmo sendo um atrapalhado narrador de histórias, era um excelente roteirista das histórias do Cachorro. Nas noites novas dos meses que marcavam o fim da estiagem e o início dos primeiros salpicos de inverno naquele remoto Nordeste onde o lampião era a divindade que clareava, à custa do querosene jacaré, as veredas de muita gente e os malcaiados cômodos das salas onde aconteciam as sessões de contação –, a namorada de Jorge, mesmo distante, lá de cima, com todo seu atrevimento, ofuscava o venerado lampejo do lendário lampião, impondo sua luz prateada, iluminando os passos de quem ia e de quem vinha pelos caminhos do Sítio Barra do Catolé.
Por aquelas paragens, só o Cachorro dispensava qualquer luz. Essa quase potestade não se incomodava com o claro ou o escuro, pois, em confronto com as adversidades da vida, aprendera e se adaptar, à força, às duas condições, sem fazer escolha por nenhuma delas. Por esses trajetos, Nonato de Ana era rei. E, sendo rei nesse ofício, toda a veneração adquirida contribuía ainda mais para sua ilibada reputação na arte de contar causos de assombração ocorridos pelo interior nordestino. Quando a boca da noite chegava, aquela mesma gente saía de suas vivendas à procura dos lugares onde a amante do centurião melhor se mostrava, pois, certamente, ali haveria um contista de bom repertório para narrar os fatos sobrenaturais que ouvira falar ou que tivesse presenciado.
Os causos do Cachorro eram os preferidos os mais solicitados, assediados e aclamados. Além dessa virtude e desse prestígio adquirido, também era o Cachorro o senhor das presepadas, das artimanhas, das enrolações e das caçadas de pebas nas primeiras chuvas do ano. Junto de Niceta, Nonato de Ana, Praxedes e Militão, a cachorrada era sempre certa... até surgir no grupo um “entrão” indesejado; um não convidado; um intruso metido a besta. Mesmo que fosse parente, um aderente, amigo ou conhecido de todos. E foi naquela noite quando o céu dera dado uma trégua, recolhendo todas as torres, barras e pesadas nuvens de vento que, por três dias seguidos, haviam desenhado o cenário das chuvas que o sertão se preparou para receber a inspiradora noiva dos poetas, abrindo sua luz sobre as noites sombrias daquelas pradarias sertanejas.
O Cachorro e os quatros amigo caçadores, resolveram aproveitar as alvejantes noites “jorgeanas”, para colocar em prática aquilo de que mais gostavam: caçar peba. Ao saber da atividade programada para aquela noite pelo coletivo do Cachorro, Chico Novo procurou Praxedes e falou do seu interesse em compor o grupo na caçada em perseguição aos parentes do tatu. Praxedes, sujeito encabulado, porém astuto e malvado, não deixou sequer o rapaz terminar de falar e já foi logo cortando a sua conversa:
Não! Não vai dar certo, Chico. Já tem gente demais. E você sabe que peba é um bicho difícil de pegar. Tem o ouvido aguçado e o faro afinado. Qualquer barulho que se faça ele ouve e, logo, sente o cheiro da gente e nem sai do buraco.
Ouvido os argumentos de Praxedes, Chico Novo rebateu:
Ora, Praxedes, me deixa ir. Garanto que vou ficar afastado. Prometo também ficar de bico calado e não atrapalhar a caçada.
Homem... Tu não garantes! Porque promessa, Chico, é uma coisa difícil de pagar.
Eu dou minha palavra! replicou Chico Novo.
Bom! Se é assim, por mim tudo bem. Mas o problema agora é o Cachorro. Será que ele vai se sentir bem com sua presença? Será que vai querer você junto nessa caçada? De qualquer forma, vou conversar com ele sobre esse seu interesse em se juntar a nós. Vamos ver o que ele acha.
Mais tarde, ao avistar o Cachorro vagando na ribanceira do Rio, Praxedes foi ao encontro da sombra e expôs o desejo de Chico Novo de participar da caçada. Entre dúvidas e certezas da participação do rapaz na caça ao peba, ficou acertado que Chico iria, mas seria o responsável pelos mantimentos dos caçadores, enquanto os demais estivessem com os cães na mata. No fim do dia, a noite caiu, e o grupo saiu em direção às capoeiras de Nhô Pereira. Depois de andarem por um bom tempo, encontraram um descampado calçado por um lajeiro cercado por um capinzal fino, rasteiro e seco lugar ideal para um bom descanso, esticar o corpo e tirar uma soneca.
Naquela noite o vento não soprava tanto. A temperatura estava amena e as estrelas do céu pareciam estar sobre a cabeça de todos. Só a lua reinava; era a dona absoluta da luz e da noite. O Cachorro parou por alguns minutos, observou a circunferência formada pela vegetação ao redor do descampado, ouviu o silêncio do lugar e mandou que todos parassem para descansar. Em seguida, isolou-se num ponto a poucos metros do grupo. Quando todos já estavam num estado pré-letárgico, entregues a um relaxamento quase eterno, ouviu-se a voz do Cachorro chamando Praxedes para uma conversa. Praxedes, com um bom obediente, dirigiu-se ao amigo e, ao chegar, ouviu do Cachorro a seguinte interpelação:
Tô com mau pressentimento. Acha que esse rapaz que tu arranjaste aí vai atrapalhar a caçada.
Será? ... respondeu Praxedes.
Vai! E, para nós não perdermos a viagem, reúna todos e comece a contar as histórias que precisam ser contadas, pra ver se ele volta pra povoado.
Será que ele vai temer a oralidade do uivo? Será que vai voltar mesmo? rebateu Praxedes. 
Alguma coisa tem que ser feita. Fiquei sabendo que esse rapaz, além de atrapalhado, é frouxo, medroso e carrega energias negativas.
Ao recompor o grupo, Praxedes convida os companheiros de caçada para uma boa conversa de trancoso e causos de assombração ocorridos nas circunvizinhanças do Sítio Barra do Catolé, muitos deles presenciados e vividos pelos próprios moradores da região. Chico Novo, ao perceber as intenções de Praxedes, interrogou:
Homem, não acredito nessas coisas. Isso não existe. É melhor a gente conversar sobre outros assuntos!
Não. Foi o Cachorro quem mandou. É ele quem comanda a caçada nesta noite, e é melhor a gente obedecer... porque, senão...
Senão o que? – respondeu Chico Novo
Senão, ele vai virar naquela coisa horrível que todos nós já sabemos o que é... inclusive você, Chico Novo!
Nesse momento, movimentadas nuvens escuras começaram a se formar no céu em direção à namorada de Jorge, numa animação frenética de tons cinzentos, enfraquecendo o clarão da noite, justamente em perfeita coerência com o início da contação das histórias, tal como o Cachorro previa e mandara. Nonato de Ana, como bom contador de histórias, usava de artifícios para impor medo aos ouvintes. Começava com causos de menor relevância, que não provocavam tanto temor assim. Depois, introduzia de forma dramática, no meio dessas narrativas, outros contos de maior tensão, capazes de causar arrepios, levantar os cabelos dos ouvintes mais destemidos e provocar “inscorrença de tiririca” naqueles mais medrosos como era o caso de Chico Novo.
Quando já estava no quarto conto, Chico Novo mal se segurava nas calças. A tremelica era grande e o mau cheiro também. Para piorar, as nuvens intensificavam o ofuscamento da iluminação lunar, quando, de repente, os cães começaram a uivar como lobos no cio. Era um gemido agoirente que, conforme a velocidade do vento aumentava ou diminuía, parecia estar ora perto, ora longe do grupo. Uma “anunciação nervosa” ecoava sobre o lajeiro, sinalizando que os caninos haviam acuado um peba em algum buraco próximo de onde estavam o Cachorro e seu grupo de aventureiros. Um sinal de que o medo de Chico estava apenas começando e de que coisas piores ainda viriam pela frente.
O grunhido aumentava, e o vento, por um capricho, acelerava seus assovios, oscilando entre altos e baixos numa velocidade constante de meter medo, expondo os galhos das árvores numa disputa por espaço entre as copas da vegetação escura, que se contorciam e se arranhavam umas nas outras. Os minutos passavam, e aquela situação parecia não ter fim.
Foi quando Nonato de Ana e os demais companheiros perceberam que Chico Novo estava deitado, com as mãos tapando os ouvidos. Mesmo assim, Nonato não deu importância ao rapaz e continuou verbalizando seu repertório de portentosas histórias de malassombro. Quando a ventania baixou, o Cachorro tomou uma atitude e chamou todos para uma conversa. Era hora de ir ao encontro dos caninos e descobrir qual era a presa que haviam acuado.
Todos vieram, menos um. Chico Novo permaneceu encolhido no meio do lajeiro. Nesse momento, ao perceber o comportamento do novo integrante, o Cachorro teve uma ideia que marcaria para sempre a vida do pobre Chico Novo. Ao notar que ele dormia, a entidade do mal reuniu-se a Nonato de Ana, Praxedes, Militão e Niceta e ordenou:
Vamos fazer um aceiro em volta desse lajeiro.
Mas como? Para quê esse aceiro? rebateu Nonato de Ana.
Cada um de nós vai pegar um pedaço de pau e sair rasgando o capim, fazendo uma espécie de círculo ao redor do lajeiro. Depois, vamos raspar o terreno até ele ficar limpo como uma laje.
E assim fizeram. Quando o serviço terminou, os companheiros passaram a olhar para o Cachorro. Precisavam saber qual era o objetivo de tanto trabalho. Foi então que veio a resposta:
Agora vamos tocar fogo no capim em volta do lajeiro. Essa parte raspada é justamente para que o fogo não se alastre mata adentro.
Naquele instante, cada um pegou sua caixa de fósforos e acendeu o aro de capim seco que circulava o lajeiro onde Chico Novo roncava. Quando o fogo se espalhou ao redor da pedreira, fechando todo o círculo de labaredas, o Cachorro gritou:
É fogo, Chico! É fogo, Chico!
Chico, atarantado, acordou assustado com o calor nas ventas. Aterrorizado com a situação em que se encontrava, pulava de um lado para outro em gritos de desespero sobre as labaredas. Quando olhou ao redor, pedindo socorro sem saber por onde sair, só via fumaça e o silencio da noite. Nesse instante, o Cachorro reuniu sua turma e, seguindo o faro dos cães caçadores, fugiu em direção à mata sombria e densa à procura dos lugares onde “os pebas” estavam acuados.
No Sítio Barra do Catolé, até hoje dizem os seus habitantes que Chico Novo só não virou cinza porque o medo deu a ele pernas de corisco – correu tanto que só parou no povoado. E lá, por muito tempo, ainda se conta que o Cachorro não caçava apenas peba: caçava também o medo dos homens.
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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

O QUE MEUS OLHOS VIRAM NA ENTRADA DO CINE TEATRO PAX.

By cleudimarferreira

Portaria (hoje) do Cine Teatro Pax, em Cajazeiras, com suas intalações bem preservadas.


Esse cinema – só na descrição – hoje desativado, foi, da segunda metade dos anos 70 até o início da segunda metade dos anos 80, o único ponto de convergência, de divertimento audiovisual da população da Zona Sul de Cajazeiras. Mas, como tudo está na ordem do tempo, esperando do tempo o destino que deve tomar, infelizmente a crise dos cinemas nos anos 80 – que saiu fechando salas pelo país a fora – numa cadeia de destruição de sonhos que a tela grande proporcionava – alcançou o Pax. Ele não ficou de fora dessa hecatombe, sucumbiu à crise e encerrou suas atividades também.

Passeando por Cajazeiras, estive em sua portaria e fixei meus olhos nas suas escadarias até a porta de entrada. O que meus olhos viram foi um prédio com suas instalações físicas repletas de boas lembranças deixadas pela garotada e jovens que viveram o seu período áureo. Seu hall com as caixas de bilheteria e os gradis, está como antes – ou quase nada mudou. Não sei se igual está o seu salão, onde se alojava o auditório com cerca de mais de 300 cadeiras longarina da marca Cimo. Assim também, não sei bem como está a estrutura que segurava a sua tela panorâmica: se ainda permanece lá, no vazio das lembranças, esperando um dia a volta dos equipamentos que a compunham para o seu devido lugar.

De toda a região, era só Cajazeiras que, nesse período, ostentava o orgulho de ter três salas devidamente equipadas, que recebiam um público apaixonado pela imagem do cinema – público esse vindo de diversos pontos da cidade. Só Cajazeiras tinha esse privilégio. Agora, com a volta e a abertura de muitos cinemas de rua, outrora fechados pela essa crise dos anos 80, bem que a nossa cidade poderia ter a benevolência de honrar a atuação de tantos atores e atrizes que brilham no cinema, reabrindo o único cinema na cidade – dos três que havia – com condições plenamente perfeitas para essa empreitada épica. Somos capazes sim, porque realizamos, produzimos e consolidamos a criação do Festival do Audiovisual Açude Grande e o surgimento do Cineclube Avoador com sua mostra de cinema itinerante, revelando a nossa capacidade de estar à frente de uma iniciativa assim.

A possibilidade de transformar desse sonho em realidade está, bem ali, na nossa frente. Parcerias com o setor privado; somadas à contrapartida do poder público – amplamente assegurada pela as leis de incentivo e pela política de fomento à cultura e a arte do Ministério da Cultura, que tem favorecido a reabertura de salas pelo país – seriam o nosso poço de mel, nossa fonte de esperança para ver, num futuro próximo o nosso popular Cine Pax de portas abertas novamente.

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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Projeto de R$ 1 milhão para restaurar o Cajazeiras Tênis Clube

Foto Reprodução: Luiz Fernando Mifôr 


O projeto de reforma, ampliação e requalificação do tradicional clube de lazer da cidade de Cajazeiras - o Cajazeiras Tênis Clube, no Sertão da Paraíba, alcançou um importante marco com a aprovação e captação de R$ 1 milhão junto à Secretaria de Cultura do Estado da Paraíba (Secult-PB). 

A novidade foi detalhada no programa “Olho Vivo”, da TV e Rede Diário, pelo empresário e membro da presidência do sodalício, Rubismar Galvão, que ressaltou o empenho da diretoria em viabilizar a recuperação do espaço sem alterar suas linhas arquitetônicas históricas.

Concorrendo com quase 40 propostas do Estado, o projeto assinado pelo arquiteto Wallace Rolim, ficou entre os 16 contemplados. A reformulação foi idealizada originalmente pelo ator Buda Lira e contou com investimento direto do próprio clube para a elaboração do projeto arquitetônico.

A proposta aprovada foca em intervenções em duas áreas específicas: no espaço atual da academia e na área da antiga piscina, desativada há mais de duas décadas. As mudanças preveem a criação de um núcleo de artes e de uma área de convivência livre.

“Entendemos que não vai ter nenhum problema pelo fato da gente não ter mexido em nenhum momento na estrutura original do Cajazeiras Tênis Clube”, assegurou Rubismar.

“Naquela área da piscina, que não funciona mais há mais de 20 anos, que foi desativada, a gente vai construir uma estrutura extremamente bonita. Onde hoje é a academia, vai ficar uma área livre” explicou ainda o empresário.

A próxima etapa do processo consiste na análise e emissão do parecer do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep), prevista para meados de setembro.

A requalificação do Tênis Clube dialoga com um plano urbanístico mais amplo para a cidade de Cajazeiras, que busca revitalizar todo o entorno do Açude Grande. O projeto soma-se a obras estruturantes, como as ações de esgotamento sanitário no manancial.

“Esse processo de requalificação faz parte do conjunto da obra, ou seja, do projeto maior que é o projeto do entorno do Açude Grande para se tornar uma área extremamente aprazível aqui em Cajazeiras.”, afirmou.

“A comunidade de Cajazeiras merece ter um espaço muito bonito, um espaço arejado, um espaço de convivência, e esse novo Tênis vai propiciar justamente isso”, garantiu.

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fonte. (facebook) José Pereira de Souza Júnior, por Diário do Sertão

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Ilustres alunos do Padre Inácio de Sousa Rolim



José Peregrino de Araújo                                                             Padre Cícero Romão Batista 

Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque                                                 João Gualberto Gomes de Sá 


Joaquim Lopes de Alcântara Bilhar                                         Irineu (Joffily) Ceciliano Pereira da Costa 


Monsenhor José Antero de Lima                                               Padre Nasário David de Sousa Rolim



Os alicerces implantados no século XIX pelo Padre Rolim no setor educacional do sertão paraibano – em um tempo remoto em que a educação era um privilégio de poucos – regiam-se por regras rígidas e conservadoras. Embora, por meio da bondade do padre, sua escola fosse aberta a quem quisesse aprender, ela exigia que os alunos cumprissem sagradamente tarefas básicas e disciplinares. Era uma educação que focava em resultados satisfatórios para justificar o perfil profissional que os alunos deveriam ter no futuro.

Segue abaixo o perfil de alguns nomes de ex-alunos do Padre Rolim, que se tornaram no futuro pessoas importantes do direito e de jurisprudência do país, bem como, do setor eclesiástico – religioso – mantendo a tradição até então em moda, que passaram pelo clive educacional do padre, adotado na sua escola no período oitocentista no sertão de Cajazeiras.

JOSÉ PEREGRINO DE ARAÚJO (Santa Luzia/PB, 18 de nov. de 1840 – João Pessoa/PB, 05 de out. de 1913). Foi um político, magistrado, proprietário rural e bacharel em direito. Formado pela Faculdade de Direito do Recife, exerceu diversas funções públicas, incluindo os cargos de promotor público, juiz municipal, juiz de direito, desembargador, deputado provincial, deputado federal e governador do estado da Paraíba entre 1900 e 1904.

PADRE CÍCERO ROMÃO BATISTA (Crato/CE, 24 de mar. de 1844 – Juazeiro do Norte/CE, 20 de jul. de 1934). Foi sacerdote e líder político. Tornou-se o primeiro prefeito de Juazeiro do Norte, em 1911. Liderou a política regional no estado do Ceará e apoiou a República Velha. Guiou o povo do Nordeste e transformou a cidade de Juazeiro do Norte, em um grande centro de fé e peregrinação.

DOM JOAQUIM ARCOVERDE DE ALBUQUERQUE CAVALCANTI (Pesqueira/PE, 17 de jan. de 1850 – Rio de Janeiro/RJ, 18 de abr. de 1930). Foi um sacerdote católico brasileiro e o primeiro latino-americano a ser elevado a cardeal, nomeado pelo Papa São Pio X em 1905. Estudou em Roma no Colégio Pio Latino-Americano e na Universidade Gregoriana; ordenado em 1874. Antes de ser arcebispo do Rio, atuou com bispo em Goiás e em São Paulo. Fez história ao ser o primeiro brasileiro a participar de um conclave, O que elegeu o Papa Bento XV.

PADRE MANUEL MARIANO DE ALBUQUERQUE (Lavras da Mangabeira/CE, de 1852 – Cajazeiras/PB, 23 de fev. de 1896). Foi sacerdote ordenado em Olinda, no ano de 1869. Exerceu atividades eclesiásticas como Vigário de Piancó, de Misericórdia e de Pombal. Político militante, teve destacada participação na vida pública da Província como integrante da Assembleia Legislativa e foi Deputado à Assembleia Estadual Constituinte de 1892.

JOÃO GUALBERTO GOMES DE SÁ (São José da Lagoa Tapada/PB, 14 de jan. de 1850 – Sousa/PB, 19 de ago. de 1898) Foi magistrado. Se destacou como juiz de direito na comarca de Piancó, na Paraíba, e acumulou grande influência regional ao atuar como deputado à Assembleia Legislativa Provincial da Paraíba durante o Império.

FRANCISCO DE PAULA E SILVA PRIMO: (Piancó/PB, 1833 – Piancó/PB). Foi político, era formado em direito e uma das principais lideranças do Partido Liberal na Paraíba, assumindo a chefia da agremiação na província. Foi Deputado Provincial e Deputado Geral, chegando à Câmara dos Deputados do Império. Sua atuação política alcançou diferentes regiões do sertão paraibano, especialmente o Vale do Piancó e áreas próximas, mantendo também relações políticas que ultrapassavam os limites da província.

JOAQUIM LOPES DE ALCÂNTARA BILHAR: (Crato/CE, 27 de fev. de 1848 – Fortaleza/CE, 9 de mai. de 1905). Foi músico, magistrado, jurista, professor e um dos fundadores da Academia Cearense. Bacharelou-se pela Faculdade de Direito do Recife em 1871 e exerceu importantes funções na magistratura cearense. Foi professor de Direito Civil da Faculdade Livre de Direito do Ceará e juiz de direito aposentado. Faleceu em Fortaleza, aos 57 anos, vítima de tuberculose pulmonar.

LEONARDO SALGADO GUARITA: (Alegrete/RS, 06 de nov. de 1891 – Alegrete/RS, 10 de mai. de 1968), destacou-se no cenário jurídico gaúcho como jurista de notável prestígio e emérito magistrado. Com uma trajetória pautada pela ética, cultura jurídica e rigor técnico, integrou o Tribunal de Apelações do Rio Grande do Sul no cargo de Desembargador, deixando um expressivo legado de integridade e dedicação à justiça do seu estado.  

IRINEU (JOFFILY) CECILIANO PEREIRA DA COSTA: (Pocinhos/PB, 14 de novembro de 1843 – Campina Grande/PB, 01 de março de 1902) foi um destacado magistrado, político, historiador e jornalista paraibano. Formado pela Faculdade de Direito do Recife, atuou como juiz e presidiu a província do Rio Grande do Norte. Deixou expressiva contribuição intelectual ao fundar periódicos e escrever obras fundamentais para a historiografia regional, como a Notas sobre a Parahyba. Sua sólida formação inicial teve origem no Colégio do Padre Rolim, em Cajazeiras. 

MONSENHOR ANTERO JOSÉ DE LIMA (Arneiroz/CE, 31 de dezembro de 1845 – Manaus-AM, 11 de outubro de 1924) proeminente sacerdote católico, educador e político. Estudou no Colégio do Padre Rolim antes de seguir a carreira eclesiástica. No Ceará, destacou-se como orador, deputado provincial e presidente da Assembleia Legislativa. Assumiu interinamente a presidência da província do Ceará no período da Proclamação da República. Posteriormente, fixou residência no Amazonas, onde exerceu o sacerdócio até o fim da vida.  

PADRE NAZÁRIO DAVID DE SOUSA (Cajazeiras/PB, 28 de julho de 1836 – Cajazeiras/PB, 08 de janeiro de 1910) foi um destacado sacerdote, educador e figura política paraibana. Sobrinho do Padre Mestre Inácio de Sousa Rolim, estudou no famoso Colégio de Cajazeiras e no Seminário de Olinda, vindo a suceder o tio na liderança educacional e eclesiástica do Sertão. Atuou ativamente na vida pública como deputado provincial e vigário da paróquia local, consolidando a tradição de ensino do clero sertanejo.

bycleudimarferreira

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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Padre Rolim no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria

cleudimarferreira

Concepção, estilo e tecnica: Cleudimar Ferreira. execução: caneta pico de pena (IA - Gamini)

Há almas que transitam pela terra envoltas em uma aura de santidade inabalável, cuja existência se converte em um constante cântico de virtude, resignação e amor ao próximo. Assim foi a trajetória terrena do Padre Inácio de Sousa Rolim. Na memória dos homens e nas crônicas do tempo, não há mácula, desatino ou rasgo de cólera que possa ensombrar a pureza de seu espírito. Ele encarnou, na essência mais sublime, a figura do justo: aquele que caminha com sobriedade e retidão, desvencilhando-se das veredas tenebrosas dos ímpios para seguir, irrestritamente, os preceitos do Altíssimo.

Todavia, o maior milagre perpetrado por essa alma iluminada não se deu por prodígios místicos, mas pelo milagre do saber. Sensível às dores de sua gente, o sacerdote enxergou nas vastidões áridas do sertão paraibano o terrível fardo da ignorância. Foi no ensino que ele encontrou sua missão santa: erguer a primeira escola de ensino secundário do sertão, estendendo aos jovens daquelas terras ressequidas a luz da sabedoria.

Pois o legado do virtuoso presbítero jamais se ateve apenas ao sacerdócio ou às paredes da sala de aula. Padre Rolim trazia consigo o gênio invulgar dos sábios, cuja curiosidade abraçava os segredos do mundo natural e as ciências de seu tempo. Na célebre obra Noções de História Natural, seu mais luminoso projeto pedagógico, catalogou a fauna e a flora sertanejas, legando às futuras gerações um relicário de conhecimento. Humanista formidável e um dos maiores latinistas e helenistas de sua época, compilou o Extracto de Gramática Grega para conduzir com suavidade seus alunos através dos encantos do idioma clássico.

Relatos de biógrafos e velhos documentos revelam ainda uma profusa produção didática de circulação interna: compêndios de Gramática Portuguesa, Retórica, Filosofia e Moral Educacional. Meticuloso e zeloso por sua obra, o sacerdote recusou-se a publicar muitos desses manuais em escala comercial, indignado com os erros e as imperfeições das tipografias de seu tempo. Admirável poliglota, transitava com elegância singular entre dez línguas vivas e mortas: dominava o português, o latim, o grego, o francês, o alemão, o inglês, o italiano, o espanhol, o hebraico e o milenar sânscrito.

Até mesmo a arte soprou suavemente sobre a alma do religioso. Registros históricos atribuem-lhe delicadas gravuras e desenhos trançados como preces nas páginas de missais antigos. O Cônego Florentino Barbosa encontrou, entre os folhetos de um missal manuseado pelo sacerdote – com o qual por vezes se refugiava no silêncio contemplativo de Cococi, no Ceará –, um singelo desenho a lápis representando a Agonia de Cristo, guardado pelo olhar piedoso de São João e da Virgem Maria.

Cajazeiras, nascida sob a benevolência de suas lições, gravou na história o título inesquecível de "a cidade que ensinou a Paraíba a ler". Dali brotaram mentes brilhantes que moldaram a pátria, a exemplo de figuras veneráveis como o Padre Cícero e o Cardeal Arcoverde.

Hoje, enquanto a nação volta seus olhos para o seu legado, o nome de Inácio de Sousa Rolim (1800 - 1899) ascende finalmente ao cume da memória brasileira. A aprovação de seu nome no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria nada mais é do que a justa e tardia consagração nos altares cívicos do país daquele que dedicou cada batida de seu coração a educar, amar e santificar o sertão. 

O processo para inscrever o Padre Inácio de Souza Rolim no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria avança no Congresso Nacional. O Projeto de Lei nº 4.159/2025, de autoria do deputado federal Luiz Couto, recebeu aprovação em comissões da Câmara dos Deputados em 2026, mas ainda depende de trâmites adicionais de votação e sanção presidencial para efetivar a inclusão

O Projeto de Lei e a tramitação, propositura de autoria do deputado petista (padre) Luiz Couto, busca homenagear o legado educacional e religioso do sacerdote. O texto obteve aprovação na Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados com parecer favorável. A matéria segue em andamento nas comissões temáticas e plenário antes de ir para análise do Senado Federal. 

Inácio de Sousa Rolim nasceu em 1800 e faleceu em 1899, atuando fortemente no Sertão da Paraíba. Fundou a base de ensino que deu origem a Cajazeiras, consolidando a fama do município como a "cidade que ensinou a Paraíba a ler". Foi mestre de figuras históricas importantes do Nordeste e do país, como o Padre Cícero e o Cardeal Arcoverde.                         

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domingo, 9 de agosto de 2026

Mostras Paraibanas de Teatro começam por Cajazeiras, movimentando a cena teatral no Sertão



A Federação Paraibana de Teatro (FPTA) e o Grupo Teatro Oficina (GTO) realizarão de 17 a 21 de agosto, na cidade de Cajazeiras, a primeira etapa das Mostras Paraibanas de Teatro. A FPTA e o GTO retomam, após vários anos, as antigas Mostras de Teatro que foram palco de uma grande efervescência cultural nas décadas de 80 e 90 no Sertão da Paraíba e propiciaram o desenvolvimento, a expansão e o fortalecimento do movimento teatral sertanejo.

A partir de ações como essas janelas potentes se abrem para o intercâmbio entre os grupos, o aperfeiçoamento da produção cultural e a abertura de diálogos entre os territórios que compõem a região do Sertão.

Cajazeiras, que carinhosamente e merecidamente recebeu o título da cidade que ensinou a Paraíba a ler, principiará a primeira etapa das Mostras regionalizadas e se transformará na capital sertaneja do teatro, catalisando dentro do seu universo 10 apresentações teatrais e duas oficinas de teatro. Sendo essas: “Jogo da Cena”, ministrada pela atriz e produtora Kalline Brito e “Direção Teatral”, ministrada pelo ator, diretor, dramaturgo Márcio Marciano.

Além disso, haverá bate-papo com os grupos após as apresentações e inúmeras rodas de conversa que acontecerão de 18 a 21 no Centro Cultural Zé do Norte, com exceção do dia 19, com os seguintes temas:
  • A Gestão Cultural e a Sua Importância na Democratização, e o Acesso a Cultura. Facilitador: Pedro Santos – Secretário de Estado da Cultura da Paraíba.
  • Os Conselhos Culturais e a Criação de Políticas Públicas. Facilitadora: Rejane Nóbrega – Coordenadora do Escritório do MINC na Paraíba, no Teatro ICA.
  • Organização e Fortalecimento dos Grupos de Teatro da Paraíba. Facilitador: Buda Lira – Ator, Produtor e Ativista Cultural.
A solenidade de abertura da Mostra acontecerá no dia 17 de agosto de 2026 às 19h, no Teatro ICA. E contará com falas das autoridades presentes e as apresentações dos seguintes espetáculos:
19h30 – A Grande Arenga do Circo Sem Lona – Associação Cultural de Teatro João Balula. Procedência: Sousa – PB. 20h30 – Paz para quem? – Artistas Independentes. Procedência: João Pessoa – PB.

P R O G R A M A Ç Ã O: (clique nas imagens para ver melhor)











Realização:
Grupo Teatro Oficina
FPTA (Federação Paraibana de Teatro)
Governo da Paraíba - Secretaria de Estado da Cultura
Apoio:
Prefeitura Municipal de Cajazeiras - Secretaria de Cultura e Turismo

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