Bela foto feita pelo fotógrafo Galdino Vilante. Os dois pássaros, o da direita - mais distante e o daesquerda - bem próximo, dão um equilíbria a composição fotográfica. Bonito não é?
Bela foto feita pelo fotógrafo Galdino Vilante. Os dois pássaros, o da direita - mais distante e o da
"TV Ceará em Cajazeiras". Anunciava um letreiro aberto no início dos anos 70, em uma das vigas na ponte que liga o Estádio de Futebol Higino Pires Ferreira ao Colégio Diocesano e Bairro Belo Horizonte - antigo do Alto Cabelão. A emissora de TV instalada pelos Diários Associados nos anos 60, só foi inaugurada definitivamente em Fortaleza em 1974 e logo em seguida, foi implantada pelos seus dirigentes, as atividades de produção da programação local e a expansão do seu sinal para o interior do Estado, bem como, parte do vizinho Estado da Paraíba.
Em Cajazeiras as imagens da Tv Ceará chegaram
um ano depois, graça a instalação de uma antena repetidora implantada no morro
do Cristo Rei. Na época havia poucos TVs na cidade e a disputa por um espaço
nas janelas das residências era grande, só para assistir os seriados que
compunha a vasta grade da programação da Rede Tupi de Televisão.
Para ver
Bat Masterson, o Zorro, Perdidos no Espaço, Tarzan, Terra de Gigantes, Túnel do
Tempo, a Feiticeira, Gin das Selvas, Daniel Boone ou mesmo, Viagem ao Fundo do
Mar, os garotos da época faziam de tudo para disputar uma "frexinha"
nas janelas das poucas casas que havia TV e, muitos, andavam de bairro em
bairro sem importar para o cansaço a procura de TVs ligadas ou mesmo, queimar
aulas sem o consentimento dos pais, para assistir um dos seriados acima.
Programas
como "Almoço com as estrelas" aos sábados, com Airton e Lolita
Rodrigues, o polêmico "Flávio Cavalcanti" aos domingos, com seus
quadros: "Um Instante Maestro" e "A Grande Chance". Novelas
de grandes sucessos, como Simplesmente Maria, O Direito de Nascer, Meu Pé de
Laranja Lima, A Barba Azul e a campeã de público e de crítica Mulheres de
Areia, comoveram e encheram de lágrimas os olhos dos telespectadores
cajazeirenses. Um tempo que apesar de preto e branco, emocionou a todos e
deixou muitas saudades.

A arte produzida no interior do Estado da Paraíba, sempre foi
tratada como algo irrelevante, desconhecido, sem definição estética necessária
para o circuito das galerias e espaços oficiais. Isolada durante décadas, sem
força, discriminada pelos poderes públicos que poderia servir de porta, para
sua promoção e aproximação social com as camadas menos esclarecidas, ficou
apenas restrita a espaços alternativos sem público, servindo de privilégio para
poucos apreciadores identificados com o contexto de sua problemática.
Tentativas de mudar esse quadro foram feitas. No ano 1978, com o
aval do Governo do Estado e apoio da UFPB, foi realizado nas dependências do
Grêmio Artístico Cajazeirense, o I Salão Oficial de Arte Contemporânea. Uma
manobra arrojada que arrebanhou e sedimentou nas paredes do Grêmio Artístico,
artistas vindos de todos os lugares do estado. Uma forma de incentivar e
encorajar a produção - principalmente a da cidade de Cajazeiras e alto sertão.
Anos depois - início da década de 80, no reitorado de Berilo Ramos
Borba, veio à criação do Núcleo de Extensão Cultural do Campus V da UFPB, com a
tarefa de promover e difundir a arte na cidade e região. Na coordenação de
Artes Visuais do NEC, ficou a artista plástica Telma Rolim Cartaxo,
recém-chegada de São Paulo. Durante o período em que esteve à frente do setor
de artes, Telma realizou várias exposições com trabalhos produzidos pelos
artistas cajazeirenses no Atelier de Artes do NEC.
As coletivas feitas por ela, duas mereceu destaque. A primeira,
realizada na cidade de São João do Rio do Peixe, durante a realização da Semana
Universitária daquela cidade. A outra - talvez a mais importante de todas, pela
quantidade dos trabalhos expostos e pelo caráter emblemático e importância
regional, foi realizada entre os dias18 e 25 de novembro de 1981, na cidade de
Campina Grande, no Museu de Arte Contemporânea da antiga Fundação Universidade
Regional do Nordeste (FURNe).
A exposição coletiva foi um desencantamento e ao mesmo tempo uma
resposta a imprensa paraibana, principalmente para os que escreviam sobre arte
e cultura; que defendiam e achavam que arte na Paraíba só existia em Campina
Grande e João Pessoa, como bem frisou Antônio Serafim Rêgo Filho no cataloga da
exposição: “É sempre com imenso prazer que tomo conhecimento de novos
valores no campo da expressão artística. Sobretudo quando, numa mesma
oportunidade, expõem seus trabalhos artísticos de várias cidades paraibanas”. As
palavras de Antônio Serafim expressavam a 29 anos atrás a mais profunda falta
de conhecimento da existência da produção artística do interior Paraíba.
Nessa escuridão, uma luz precisava ser acesa para se ver melhor o
futura da arte no interior paraibana. E foi a partir dessa exposição coletiva -
chamada de Intercâmbio de Arte Cajazeiras - Campina Grande, que os promotores
de cultura passaram a enxergar melhor e a dar mais importância a produção
artística do interior do Estado, principalmente a produzida em Cajazeiras.