quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A imagem e a poesia.


Pôr do Sol
Cristiano Cartaxo

Que queres tu, viajor, olhando para trás?
O que vês é á distância, é a estrada percorrida,
é o pó das ilusões da vida já vivida,
é o tempo que passou, e que não volta mais.

Porventura não vês, opós tamanha lida,
que tudo nesta vida é efêmero e falaz?
Inexoravelmente, um dia, záz, a morte
sorrateira, sutil, corta o fio da vida

Que queres mais, viajor, ó espírito enfermo?
Não vês que longe vais, quão perto estrá do termo?
De que valem as cãs que te ornam a cabeça?

Desfita, pois, o olhar dos longes do horizonte,
volta as costas do mundo, eleva a Deus a fronte,
antes que o sol se ponha, antes que a noite desça.


Crédito da Foto: Pôr do Sol em Cajazeiras.
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Fotografia: Luciano Jordan.
Segundo Jordan, a foto foi tirada em 24/dezembro/2009,
usando uma câmera Sony DSC-H20.


sábado, 12 de fevereiro de 2011

Ponte para o Alto Cabelão



Ponte que liga a Praça José Guimarães - popularmente conhecida como Praça do Pirulito ao Antigo Colégio Diocesano Padre Rolim e a Rua Padre Ibiapina. É uma passagem bem antiga que facilitou por muito tempo o acesso da população que se deslocava do centro da cidade aos bairros da zona norte, principalmente para o Alto Cabelão. Na primeira metade dos anos 50, no governo de Otacílio Jurema, a ponte passou por uma reforma total, tanto nos pilares de sustentação, como no mezanino e corrimãos. Ainda hoje, segue sendo a principal via de acesso sobre o sagradouro do açude grande, para os bairros da zona norte da cidade. 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

26 anos, depois

Antiga fachada do Teatro Ica, antes da reforma

Você sabe de imediato - sem recorrer a arquivos mofados, calendários e datas, qual é a idade do Teatro Íracles Pires? Construído pelo Governador Wilson Leite Braga, em 26 de janeiro de 1985, o teatro foi um dos primeiros projetos da arquiteta Jeanne Pires (Filha da própria Íracles Pires), com a participação da também arquiteta Vera Pires. No mês de janeiro passado, a casa de espetáculos cajazeirense completou 26 anos que foi construída.

As bases para sua edificação começaram a ser cravadas nos anos 50, através das constantes reivindicações do TAC - Teatro de Amadores de Cajazeiras, encampadas nos primórdios pelos seus dirigentes, Hildebrando Assis e depois nos anos 60 e metade dos anos 70, com teatróloga Íracles Blocos Pires. A pelejada luta pela sua construção não parou aqui, deu seqüência na segunda metade dos 70 - 1976, encabeçada a partir da campanha pela construção de uma sala de espetáculo para a cidade, feita pelo GRUTAC - Grupo de Teatro Amador de Cajazeiras.

Elenco do TAC - Teatro de Amador de Cajazeiras - Década de 60

Com a formação na década de 80, de novos grupos como: Mandacarú, Grutebraz, Boiada, Terra, GTE e Grutepazeú que puncionou a idéia e a fundação da ATAC - Associação de Teatro Amador de Cajazeiras e a meteórica ascensão do Grupo de Teatro Terra, a sua construção já não era mais uma hipótese argumentada e cobrada pela classe teatral cajazeirense, e sim, algo de concreto a ser realizado com urgência e definitivamente.

Passados 26 anos, o tempo nos leva a uma reflexão: que frutos a construção do Teatro Ica Pires deu a cidade, já que historicamente, a grande produção das artes cênicas de Cajazeiras se deu até o ano de sua inauguração, com a participação do Grupo Terra no projeto Mambembão e seguida de Marcélia Cartaxo no filme “A Hora da Estrela”.

De lá para cá, não se tem na história recente, nenhuma notícia de que surgiu na cidade um grande grupo de teatro, um mega espetáculo foi montado ou mesmo uma grande estrela foi revelada. E olhe, só para refrescar a memória, até aquela época, época de sua inauguração se fazia teatro de baixo custo, teatro amador, sem patrocinador, sem incentivo nenhum. Bem diferente de hoje, onde as leis de incremento a produção estão por ai, de uma forma ou de outra facilitando a produção.

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domingo, 6 de fevereiro de 2011

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foto: Daladier Marques

Uma, Duas, Três, Quatro, Cinco, Seis, Sete, Oito,
Nove... Ufa! Cadê o Cristo, Cajazeiras?

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

No futuro saberemos entender, sim!

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Em tempos de Inacim, onde comunidades de cajazeirenses espalhadas em diversos locais da federação, vislumbrantemente, batem no copo, no peito e orgulhosamente regozijam, aplaudem a iniciativa de um grande feito para a história da dramaturgia e sua cidade; ou até então, sem nenhum pudor, parecem jogar nas gavetas empoeiradas do esquecimento, os legados que em épocas adversas, os primórdios tão bem fizeram pela arte e pela cultura da terra de Padre Rolim. Será que no futuro não saberemos mais entender ou codificar o significado da criação artística dos que vieram antes de nós e para justificar enaltecemos o aqui e agora.

A amnésia não pode apagar da história aquilo que a própria história foi testemunha ocular. Uma aldeia não deve riscar do mapa a trajetória feita pelos seus agentes culturais - ancestrais, pois os caminhos traçados - muitas vezes tortuosos a exaustão, servirão de exemplos para as gerações futuras. Ai vem uma pergunta: Porque Cajazeiras e seu povo costumam ser um divisor de águas quando se quer, festivamente, homenagear aqueles que fizeram algo importante pela sua cultura. Porque esquece tão fácil o legado deixado por estes artistas.

Será que Zé do Norte morreu feliz, quando na década de 80, já doente e esquecido no Retiro dos Artistas, no Rio, recebeu a tardia visita de representantes de sua terra, convidando-o, depois de velho para retornar a Cajazeiras e receber as honrarias em um Festival de Arte. Será que não foi difícil voltar a uma cidade que a ele negou quase tudo, até mesmo a oportunidade de aprender a ler e escrever. A diferença que há entre Zé do Norte e Sávio Rolim e os demais destacados personagens da arte cajazeirense hoje, é que vieram de baixo e fizeram arte em preto e branco, portanto, não são merecedores de aplausos e nem de pomposas medalhas acompanhadas de foguetões para marcar o feito.

Cajazeiras não pode, não deve apagar e jamais esquecer os artistas que no passado, sem nenhum incentivo, arregaçaram as mangas e em retiradas fugiram para o estrelato. Eles não receberam benesses de nenhum governo para fazer a sua arte. Foi assim com Marcelia Cartaxo, Bá Freire, Sávio Rolim e outros, que nos dias de hoje os cajazeirados não referenciam, não sabem dizer o que estão fazendo, se são estão vivos ou mortos.

Sávio Rolim, através do seu esforço, aos 14 anos já era ator consagrado de teatro e cinema. Nas telas destacou-se interpretando o personagem Carlinhos - papel principal do filme Menino de Engenho. Participou ainda de vários documentários no apogeu do cinema novo e fez parte de filmes como Vidas Secas, O Leão do Norte, Bonitinha mais ordinária, Memória do Cárcere. Foi premiado em festivais pelo Brasil a fora e até em Portugal. Mas na década de 80, em Cajazeiras, na estréia do Filme "O Leão do Norte" no Cine Apolo XI, passou por um constrangimento quando na porta do cinema não foi reconhecido pelos cinéfilos presentes, como um dos atores do filme.

Zé do Norte, por exemplo, nunca fez show na cidade. O povo de Cajazeiras conhecia e escutava no “Forró do Varandão” (programa musical de uma das rádios local) as suas músicas, mas não sabia que elas eram de sua autoria. Uma prova da desinformação que a cidade e seu povo tinham do artista e sua obra. Diferente de cidades como Salvador, Campina Grande e Aracajú, que fizeram questão de mandar fazer e colocar em praça pública, esculturas gigantes, em bronze, para referenciar os seus artistas.

Zé do Norte e Sávio Rolim - em vida, bem que mereciam terem suas réplicas em bronze na entrada da cidade. Não só pelo conjunto de suas obras realizadas, mas pelo direito de serem cajazeirenses e terem gravado o nome da cidade no universo artístico nacional.

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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011


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O pôr do sol nas águas poluidas do Açude Grande
produz nas tardes, encanto e magia
são cores que contagiam
olhos contempladores


fotos - cleudimar ferreira

Otacílio Jurema: Um Senador por Cajazeiras





Filho de Joaquim Victor Jurema e Cecília Guimarães Jurema, o Dr. Otacílio Jurema - como era conhecido e chamado, não era cajazeirense de nascimento, pois nascera na cidade vizinha de São João do Rio do Peixe em 8 de março de 1900.

Era Médico e foi Secretário da Saúde do Estado; Prefeito de Cajazeiras entre 1951 a 1955; Suplente de Senador da República em 1954 e Senador eleito pelo PSP de 1955 a 1959; Deputado Estadual em 1962 pela legenda PSB com 2.203 votos obtidos. Teve alguns trabalhos de destaques publicados, como por exemplo, os livros “Aspectos do Nordeste” - abordagem política e questionadora dos problemas nordestinos e “Terapêutica dos Fibromiomas Uterinos” - com conteúdo relacionados a literatura médica.

Na Prefeitura de Cajazeiras, entre tantas obras realizadas na sua administração e que até hoje podemos ver ainda na cidade, se destaca a construção das pontes sobre o sangradouro do Açude Grande e a que liga o Estádio de Futebol Higino Pires Ferreira ao antigo Colégio Diocesano Padre Rolim. No setor educacional Dr. Otacílio fundou a Escola Técnica do Comércio e instalou o ensino técnico comercial. Construiu a que podemos chamar de principal obra de sua administração, o Edifício Sede da Prefeitura Municipal.

Como representante da Paraíba no Senado, Otacílio Jurema teve uma atuação marcada na denúncia de abandono e busca de soluções para os problemas da região nordestina. Num discurso proferido no dia 03 dedezembro de 1957, o mesmo deixou bem claro os seus objetivos no Senado Federal, quando fez um forte apelo às autoridades constituídas, no sentido acabar com os entraves que impediam o crescimento econômico do Nordeste, causados - segundo ele, pela ausência de planejamento do antigo DNOCS, secas consecutivas, miséria e analfabetismo da população. Ainda no mesmo discurso, o Senador Jurema já profetizava a necessidade de investimento do governo Federal no setor de ferrovias e rodovias, construções de açudes, porto para escoamento da produção, mais recursos para agricultura e pecuária. Um plano de desenvolvimento regional bem estruturado que tirasse o Nordeste do atraso.

Em outra investida do Senador na tribuna do Senado, deste feita em 19 de fevereiro de 1957, ele denunciou a crescente migração - na época, do povo nordestino para a região sudeste, uma prática que para o Senador não melhorava a vida do nordestino, más que só causava prejuízos a economia do sofrido nordeste..Pediu a construção de canais de irrigação para estimular a agricultura. Outra participação do Senador Otacílio Jurema que merece destaque, foi em 14 de abril de 1958. Usando da palavra ele chamou atenção dos seus pares para gravidade do problema da seca e conseqüentemente o crescimento da tensão social no interior do nordeste. Criticava a insuficiente providência do Governo de agir com rapidez na liberação de verbas para o atendimento da população carente e finalizava agradecendo ao Prefeito Adhemar de Barros, de São Paulo, pela remessa de gêneros alimentícios, medicamento e auxilio ao povo sofrido do interior do Nordeste.

Sendo um conhecedor abalizado dos problemas sociais de sua região, foi um política atuante na defesa do Nordeste e da Paraíba no Senado Federal. Fez história, talvez, nem tanto entrou para história, pois apesar de ter feito muito por Cajazeiras numa época onde os recursos públicos era quase nada, envelheceu e morreu em sua mansão na Rua Victor Jurema, desprestigiado e esquecido por todos.

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  ÁlbumFotográfico                           

   

       
MOSAICO FOTOGRÁFICO
01. Cartaz da campanha leitoral para Prefeito em 1962. 
02.  Durante a formatura em Medicina em 1923.
03. Retrato institucional
04. Foto/retrato institucional
05. Solenidade de pose como Prefeito de Cajazeiras em 1962.
06. Ao lado Presidente da Repúblico Juscelino Kubitschek. 
07. Sendo homenageado por Juarez Távora
08. O Senador Otacílio Jurema visitando os flagelados da Seca em 1958
09. Com o Governador Pedro Gondim durante a pose do segundo mandato em 1959
10. Um dos grandes comícios de campanha nas ruas de Cajazeiras
11. Inauguração da Sede do Fórum - instalada no pavimento superior da Prefeitura.
12. Com Pedro Gondim na pose do segundo mandato em 1959
13. O Dr. Otacílio Jurema e o seu inseparável cão.
14. O Dr. Otacílio Jurema durante a velhice. 






fontes: Aquivos do Senado Federal e Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba.