quarta-feira, 12 de junho de 2013

Quatro imagens que nos faz voltar ao passado.

     Essa Imagem foi produzida em 1928. Mostra um trecho da   
   antiga estrada (hoje BR 230) que ligava Cajazeiras a Cidade de Sousa   

     Ponte de Cimento Armado da Estrada de Ferro da RFC -    
    Rede Ferroviária Cearense - Trecho entre Cajazeiras e Sousa   

   A fé do povo de Cajazeiras e a devoção pelos ícones da Igreja   
   Católica demonstrada em procissão com a presença de    
   Frei Damião pelas ruas da cidade nos anos 70.   

   Faixa colocada no centro da cidade anuncia o segundo ano de aniversário   
   da Difusora Rádio Cajazeiras. Os serviços radiofônicos da emissora,    
   começaram em 5 de agosto de 1938, através de Alto-falantes    
   instalados em postes estratégicos na cidade, sendo    
   oficializada depois, em 1° de maio de 1964.   


A arte de um cajazeirense em São Paulo

porCleudimar Ferreira

O artista Carlos Cardozo em seu ateliar em São Paulo/SP

Cajazeiras sempre fez a diferença entre as cidades do sertão paraibano, quando o assunto é a produção artística-cultural. Porém entre todas as linguagens da arte desenvolvidas na cidade, as artes plásticas e os seus agentes executores - os artistas, não tiveram o reconhecimento pública, por exemplo, como teve a dramaturgia e a música.

Mas isso não quer dizer que os motivos do não aparecimento da produção dessa linguagem, e da mesma não ter ofertado a cidade um volume de artistas, como ofertou o teatro, a música e o cinema; tenha sido a causa da escassez de talentos nas artes visuais de Cajazeiras. Um argumento que cai por terra quando se vislumbra a produção de Mardem Rolim, Natércia Marques, da onipresente Telma Cartaxo, das magistrais esculturas de Modesto Maciel, das xilogravuras de Marcus Pé, dos trabalhos em pinturas de João Braz e de Carlos Cardozo.

O problema é que as artes plásticas por ser uma linguagem menos popular do que o teatro e cinema e, por se reservar ao interior das galerias e salões, não chegam facilmente ao público como as demais linguagens. Entretanto, no caso de Cajazeiras, as artes visuais sempre estiveram presentes como umas de suas manifestações mais autênticas da sua cultura.

É evidente que foi a partir de 1987, com realização do Salão Oficial de Arte Contemporânea e pouco mais tarde, com a criação do Atelier do NEC/UFPB e as sucessivas exposições realizadas por esse; que as artes plásticas cajazeirense começaram a aparecer na produção paraibana e como reconhecimento, passou ter mais espaço nas páginas dos jornais de maior circulação no Estado.

Mas isso é outra história que eu não quero estender, pois o que importa é que a cidade, com sua energia e atmosfera cósmica para arte, revelou e continua revelando e exportando talentos nessa linguagem. Uma prova disso é o Artista Plástico Carlos Cardozo.

Nascido em Cajazeiras, filho de um torneiro mecânico de umas das usinas de algodão que existia na cidade, Cardozo com oito anos de idade já dava os primeiros passos no desenho. Apegado às formas, o garoto observava as coisas, desenhava animas, paisagens e encarava as cores como alimento de suas criações primárias. Sobre as cores nesse período, o artista costuma dizer que: “dava vontade de comer”.

Em 1970, cinco anos após a morte de sua mãe, Carlos Cardozo depois de um longo período de recluso e falta de interesse pelo desenho, voltou a desenhar, motivado pelo seu irmão que desenha também. Mas uma decisão em 1972, faz mudar tudo em sua vida. Ele deixou a cidade de Cajazeiras e rumou para São Paulo, seguindo o trajeto de seu irmão, que há dois anos já residia naquela cidade. Sua primeira moradia na "Paulicéia Desvairada" foi numa pensão na Rua Amaral Gurgel, no centro, numa localidade boêmia em que existe muitas boates. A chamada “Boca do Lixo”.

Em São Paulo, trabalhou como entregador de roupas, bancário e digitador.  Atividades que não tirou de Cardozo o gosto pela arte, pois sempre achava um tempinho para se dedicar ao desenho. Em 1974 foi morar no Rio de Janeiro. No Rio começou a frequentar cursos livres de pintura na escola de Belas Artes. Três meses depois, já estava participando de exposições coletivas em locais como Palácio de Cristal em Petrópolis e em Hotéis da Zona Sul.

Empolgado com a produção que realizava e achando que poderia viver só da arte, saiu de um emprego que exercia na área de computação, para se dedicar só a pintura de quadros. Porém, diante de situações adversas que o mundo da arte proporciona, principalmente aos artistas em início de carreira, voltou em 1976 para São Paulo e vai morar numa travessa na Rua Augusta e passa a frequentar as Galerias de Artes da região. Nesse mesmo período, Carlos Cardozo passou a levar seus quadros para a cidade de Embu das Artes, uma maneira encontrada de divulgação do seu trabalho.

No ano de 1978, Cardoso se encontrava numa agência de empregos com vários quadros debaixo do braço, aguardando ser entrevistado para uma vaga de digitador na cidade de Brasília. Ao ser chamado, o entrevistador vendo os seus trabalhos de arte, nem fez entrevista, preencheu o verso de um cartão de visita com algumas recomendações ao seu amigo, que era o dono de uma Agência de Propaganda e falou para ele, que fosse no dia seguinte se apresentar a esse amigo. Esse foi o seu primeiro serviço em que se sentiu feliz. Estava colocando em prática o que mais gostava: desenhar, criar, pintar, e principalmente ganhar dinheiro. A partir daí, tornou-se ilustrador, trabalhando em várias agências conceituadas de São Paulo e Salvador. Carlos Cardozo ganhou vários prêmios com ilustrador.

Depois de dois casamentos, o pintor cajazeirense, em 1992, decide morar com a sua família no Nordeste, na cidade de Recife, onde passou a trabalhou em agências de propaganda, ficando um ano na capital pernambucana. Entretanto por problemas de adaptação, o pintor volta em 1994 a São Paulo, onde até hoje se dedica exclusivamente a pintura.

Mais experiente e recuperado dos problemas renais que lhe incomodava, o artista já participou de exposições em locais importante da cidade de Osasco, como as de 2003 - no Osasco Plaza Shopping; 2004 e 2007, no Clube ACM e no Teatro Municipal de Osasco. Carlos Cardozo é um artista completo, pois é escultor, desenhista, pintor e caricaturista. Seu trabalho é um resultado da intenção dedicação as artes plásticas; da perseverança e experimentalismo estético que essa linguagem artística oferece. Demandas comuns em artistas comprometidos com a sua arte e, com o prazer que essas lhes proporcionam.  

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fonte: www.facebook.com/carloscardozo.cardozo. Todas as imagens dessa postagem são do acervo do artista Carlos Cardozo

Cordel Político ao Vivo

João de Manoelzinho X Chiquinho de Moisés - em "O Grande Duelo"

Vídeo postado no YouTUBE mostra o debate político, que parece bem um cordel da nossa folclórica politica do interior do Nordeste, realizado no ano de 1991 - há 22 anos atrás, no estúdio da Norte Publicidades Radiofônicas (NPR) entre João de Manoelzinho e Chiquinho de Moisés, pré-candidatos a vereadores de Cajazeiras. Este foi verdadeiramente um "duelo de titãs".




F i c h a  T é c n i c a:

Edição de Vídeo
HERACIEL DE SOUZA
Vídeo Original
LASER VÍDEO FILMAGENS
Gravado e realizado nos estúdios da NPR
1991






terça-feira, 11 de junho de 2013


A vila de Cajazeiras
Francisco Sales Cartaxo

A Paraíba possui hoje 223 municípios num território pequeno, superfracionado em comparação com os vizinhos Ceará e Pernambuco, bem maiores em extensão e com número muito menor de municípios. No ocaso do Império, tínhamos apenas 40 municípios, com suas vilas ou cidades como sede urbana. Criado em 1863, Cajazeiras foi o 21º município paraibano e o 6º do sertão, considerado aqui o espaço situado entre a Serra de Santa Luzia e a divisa com o Ceará. Neste sertão, Sousa, Pombal, Piancó, Catolé do Rocha e Teixeira são vilas mais antigas do que Cajazeiras, enquanto as nossas vizinhas São João do Rio do Peixe (1881) e São José de Piranhas (1885), são também do tempo da Monarquia.

E antes de ser vila? Como povoação, às vésperas de tornar autônoma, Cajazeiras já exibia ares de vila. Além do colégio de ensino secundário do padre Rolim, tinha escolas de instrução primária, uma concorrida feira semanal, subdelegacia de polícia e comissariado de instrução pública, além de “uma capela com proporção de matriz, um cemitério decente e murado, em cujo recinto existe outra capela”, segundo registrou em 1854 o presidente João Capistrano Bandeira de Mello no Relatório à Assembleia Legislativa. A paróquia de Nossa Senhora da Piedade foi criada em 1859.
A independência de Cajazeiras, desmembrada do município de Sousa, teve origem formal em projeto de lei do deputado João Leite Ferreira Júnior, advogado, filho de poderoso chefe político liberal do vale do Piancó. Genro de Felizardo Toscano de Brito, que foi presidente da província e chefiou o Partido Liberal na Paraíba, durante muitos anos, João Leite herdou também o comando daquele partido na Paraíba. Lembro isso para realçar que nossa autonomia político-administrativa sofreu a influência dos liberais, então chefiados em Cajazeiras pelo Comandante Vital Rolim. A emancipação trouxe de imediato a chance de ter um representante legítimo de Cajazeiras na Assembleia Provincial, já no ano seguinte à criação do município, com a eleição do bacharel Antônio Joaquim do Couto Cartaxo para a legislatura de 1864/1865.Foi ele o primeiro deputado a representar Cajazeiras.

Antes dele, porém, um cajazeirense, o bacharel Manuel de Souza Rolim, (irmão do padre Rolim), fora deputado provincial, mas representando o município de Sousa. Como assim? Simples. Após sua formatura, em 1839, ele foi ser professor em São José da Lagoa Tapada, onde casou com uma jovem da família Sá, filiando-se ao Partido Conservador, cujo chefe em Sousa era o Comandante da Guarda Nacional, José Gomes de Sá Júnior. Logo depois de Couto Cartaxo, outro bacharel, Manuel Rolim de Alencar representou Cajazeiras na Assembleia Provincial (1866-1867), também ligado à facção liberal. Como se nota, essas conquistas decorreram da criação da vila/município de Cajazeiras em 23 de novembro de 1863, data muito mais significativa do que a transformação da vila em cidade. 

Com a criação do município, Cajazeiras instalou a câmara municipal que então desempenhava funções administrativas; passou a ser termo judicial, ocupado por um juiz municipal; sediou uma delegacia de polícia com três subdelegacias: uma na vila, outra em Santa Fé e a terceira em São José de Piranhas. Em 1875, criada a comarca, teve seu primeiro juiz de direito, Manuel da Fonseca Xavier de Andrade. Todas essas conquistas aconteceram antes da elevação de Cajazeiras à categoria de cidade, em 10 de julho de 1876, no curto período de 13 anos.

fonte: diariodosertão.com.br



sábado, 8 de junho de 2013

Entrevista de Bosco Maciel


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Dois vídeos de Bosco Macil onde ele fala da Paraíba; de seus primeiros passos na música ainda em Cajazeiras; de sua primeira banda "Os Rebeldes"; sua ida a São Paulo; da cidade de Guarulho; do seu trabalho em defesa da cultura popular. Vale apenas ver.
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Quer saber mais sobre o trabalho desse cajazeirense? acesse o site:
 http://www.boscomaciel.com.br/



Patativa em Cajazeiras


UMA RARIDADE: Fotografia tirada no Coreto da Matriz Nossa Senhora de Fátima, mostra o poeta popular cearense Patativa do Assaré, considerado pelos estudiosos da poesia matuta, o maior de todos os poetas do gênero dos sertões do Nordeste.  Ladeado por Joel e pelos professores Elionita e José Antonio, a foto mostra o velho poeta autor do antológico “cante lá que eu canto cá” em um evento cultural realizado pelo antigo Campus V da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), durante as festividades da semana da cidade de Cajazeiras, ocorrida no dia 12 de agosto de 1979 - há a quase 34 anos atrás. Foi sem dúvida numa bela noite de poesias que encantou todos nós (eu estava lá) e demais pessoas que estiveram naquele momento único na Praça da Cultura.

fonte: Blog oultimodosmoicanos-claudiomar.blogspot.com.br   

quarta-feira, 5 de junho de 2013

E o brincante se foi...


Cajazeiras se despede de seu maior e mais irreverente personagem. Defensor do folclore de sua gente e baluarte na preservação da cultura popular da cidade, João de Manezim, o brincante, o carnavalesco, já não está entre nós, partiu com suas peripécias, espertezas e inteligência. E foi descontrair outras vidas em um plano mais espiritual. Sua morte vai deixar saudades. Saudades de uma “Cajazeiras” antiga, arcaica onde João com suas charangas, Jaraguás e cabrochas da Camilo de Holanda era nosso rei na folia e na avenida. Quem não sambou com João, quem não brincou com João e quem não sorriu com João, não trazia nas veias o sangue bom dos cajazeirenses. Que os céus façam festas, pois o brincante se foi... E a sua acolhida, deve se reverenciada com festa. Como era uma festa a sua vida entre nós. 

Abaixo dois artigos escritos por Nonato Guedes e Valiomar Rolim que caracteriza bem o perfil de João de Manezim.
 

Morre João de Manezim, Figura Popular em Cajazeiras
porNonato Guedes

Figura popular na cidade de Cajazeiras, o funcionário público João Rodrigues, conhecido como “João de Manezim”, morreu na noite de ontem aos 72 anos de idade, depois de lutar durante meses contra um câncer no fígado. O portal “Diário do Sertão” revela que João ainda foi levado para o Hospital Regional da cidade, mas não resistiu e veio a óbito, tendo passado, também, por vários exames em João Pessoa, com a ajuda de amigos. Folclórico, ex-dono de circo, de um clube popular, de um time de futebol e de uma escola de samba num bairro pobre de Cajazeiras, “João de Manezim” foi vereador na década de 80 e apelou para um recurso criativo para se tornar elegível: condenado a oito meses de prisão por ter agredido o ex-coletor estadual Inácio Brito dentro da repartição, foi beneficiado com “sursis” por dois anos, mas resolveu cumprir a pena. Disputou o mandato pelo PDS e ficou recolhido em sala livre na cadeia pública, onde fez campanha, recebendo visitas e encaminhando pedidos de favores a líderes políticos.

Animador de campanhas, de candidatos do governo ou da oposição, ele criou um slogan original para sua candidatura: “Ruim por ruim, vote em João de Manezim”. O incidente com o ex-coletor ocorreu quando João, que era auxiliar de serviço do Colégio Estadual, foi à repartição receber seu salário e “furou” a fila. Os dois se desentenderam e brigaram. Antes, ele havia sido detido outras vezes por se envolver em incidentes, geralmente sendo solto graças à interferência de políticos e amigos. Filho de pais pobres, ele conseguiu ter livre trânsito na sociedade local, à qual recorria para suas variadas promoções. Não tinha sequer o curso primário, mas se achava em condições de ser vereador por ter observado “o baixo nível” de alguns oradores com assento na Câmara Municipal. O então governador Tarcísio Burity ajudou-o a renovar o instrumental da escola de samba de sua propriedade, que desfilava anualmente no carnaval. Imprevisível e irreverente, João inaugurou o equipamento numa passeata de protesto contra o governador, liderada pelo então suplente de senador João Bosco Braga Barreto, do PP. 

A ideia de ser candidato surgiu quando, a pretexto de comemorar a saúde de um integrante da sua escola, que escapou de um tiro no olho, João fez uma passeata com quase três mil pessoas, em que distribuiu duas mil velas e mil estátuas pequenas de Padre Cícero, doadas por políticos e pessoas ilustres da cidade. Na disputa de 82, “João de Manezim” tentou repetir uma tática usada pelo deputado Genival Tourinh, do PP de Minas Gerais, para continuar elegível. Tourinho fora processado com base na Lei de Segurança Nacional e condenado com direito a “sursis”, mas se fosse beneficiado pelo “sursis” ficaria inelegível em 82, o que não aconteceria se cumprisse a pena de seis meses a que fora condenado. Genival Tourinho reafirmou, na época, a disposição de se apresentar para cumprir a pena, desprezando o “sursis”.

No livro “Cajazeiras e minhas lembranças”, Irismar Gomes da Silva traçou um perfil de João, afirmando: “Quem não conhece João? De quem é filho? Como foi criado? Onde nasceu? João é uma pessoa que pelo seu poderoso senso de humor e pelo extraordinário espírito de criação e decisão, tornou-se uma figura folclórica, importante e conhecida não só em Cajazeiras, mas em toda a região e, por que não dizer, nacionalmente, quando foi manchete num conhecido canal de televisão. João Rodrigues, nome de batismo dado pelos seus pais Manoel Rodrigues e Sebastiana Maria da Conceição, é natural de Cajazeiras, precisamente da zona sul da cidade. 

As Aventuras de Pedro Manoelzinho ou João Malazarte.
porValiomar Rolim.

João de Manoelzinho, homem simples, semianalfabeto, provido de toda brutalidade, esperteza, valentia, criatividade e até delicadeza que a universidade da vida pode dotar, marcou presença como um Pedro Malazarte da Cajazeiras dos anos sessenta e setenta. Enfrentando a lâmina tênue da vida como um verdadeiro sobrevivente da pobreza, da fome e da violência, fez de sua vida um verdadeiro desafio, uma provocação ao otimismo, um brinde à perseverança, ocupou-se sempre em “empreendimentos” marcantes, nunca sobrou tempo para lamentações.

Nas proximidades da Praça Camilo de Holanda, onde seria construída a igreja de São João Bosco, aproveitava a saída dos fieis da missa campal que se celebrava nas tardes de Domingo, num circo mambembe, anunciou a sensacional “mulher que vira peixe”, casa lotada. A jovem artista, que nas horas de trabalho fazia ponto na palha, ao ver tamanho público, não teve coragem de apresentar-se e forçou João de pedir a Zefa dos Peitão um soutien e uma calcinha emprestados para fazer, ele mesmo, a apresentação.

A entrada da figura no picadeiro já provocou uma gargalhada geral, maior ainda quando o baixinho Zé Baleia, o assistente, entrou empurrando um carrinho com os objetos de cena. A plateia estava totalmente entregue à risada quando a “artista”, tirou do carrinho uma frigideira com um peixe dentro e balançou-a com movimentos em que o peixe virava de um lado para outro. A assistência foi à loucura. Homens, mulheres, meninos e até o padre, que saíra da missa direto para o circo, faziam do ambiente a maior balbúrdia, mas a “mulher” estava virando o peixe e foi o prometido. Restou da história a saída de todos, rindo ou reclamando, e a descrença no circo do J. Manoelzinho.

Não havia de ser nada, o circo foi a Jatobá, cidade a 30 quilômetros de Cajazeiras, lá a atração foi o homem que entrava em quatro garrafas. Casa cheia, depois que João, à hora da atração máxima, disse que só um louco acreditaria naquilo e , para cumprir o prometido, colocou um dedo em cada uma das quatro garrafas, a turba destruiu o circo.

Sem circo e sem dinheiro, João foi a Ipaumirim/CE, alugou o cinema local e anunciou o show da noite: o homem que desaparece. Casa cheia e público impaciente, passadas duas ou três horas sem que começasse o espetáculo, alguém da plateia foi à bilheteria informar-se sobre o início da função, soube-se então: o homem desaparecera.

De saco cheio do mundo dos espetáculos, fundou um clube que ficou famoso, pelo episódio de um pai, que perguntando se sua filha moça ali estaria.
-Moça? Aqui não tem, pode até entrar, mas não sai moça.

Voltou-se para o futebol, foi a Juazeiro do Norte - CE e acertou um jogo entre a seleção da cidade e o Botafogo de Cajazeiras, que estava na liderança do campeonato matutão na Paraíba. No acerto, comprometeu-se em levar a filha do prefeito de Cajazeiras para dar o pontapé inicial. Levou seu velho time, o Íbis, como se fora o Botafogo, e uma das meninas da palha para posar de filha do prefeito.

Aos dois minutos do primeiro tempo o “Botafogo” fez um gol, foi só isso. O jogo terminou com o placar de 9x1, para o time da casa. Não deu outra, saiu do estádio debaixo da maior chuva. Copos, garrafas, chupas de laranja, tudo que se podia jogar. Foi preciso proteção policial para a equipe sair do estádio. Ficou barato, João recebera o pagamento antecipado.

Quando Chico Rolim assumiu pela primeira vez a prefeitura da cidade, pressionado pela falta do produto, aumentou o preço da carne e provocou a maior grita na cidade. As difusoras fizeram o maior estardalhaço, a população não falava em outra coisa e a oposição, ainda não refeita da derrota recente, aproveitou a deixa para começar a campanha seguinte. A cidade fervia tudo o que acontecesse era creditado (ou debitado?) ao aumento da carne.

O prefeito, para diminuir o estrago, negociou com os açougueiros, beneficiários da medida, a doação de toda a carne com osso à população carente. Foi uma festa, era pirão com cachaça por tudo que era lugar. 

d e i x e   o   s e u   c o m e n t á r i o    



d e i x e   




fonte: ac2brasilia.blogspot.com
fonte: oultimodosmoicanos-cludiomar.blogspot.com.br