sexta-feira, 18 de setembro de 2020

CABÍRIA

João Batista de Brito
Escritor e critico de cinema e literatura

Noites de Cabíria: Foto Giulietta Masina

Tenho contado histórias minhas, mas acho sadio abrir a porta para os outros. Esta quem me contou foi um amigo bem mais velho que eu, aliás, já falecido, Ademar, que foi, no Jaguaribe dos anos cinquenta, um dos boêmios mais conhecidos e divertidos do bairro

Naquela época eu era criança, mas, através de meus irmãos mais velhos, gostava de acompanhar – de longe, claro – as notícias das aventuras dessa rapaziada animada que, entre um trabalhinho e outro, vivia de cerveja, serenatas e outras peripécias. Amigo de meus irmãos, Ademar fez parte dessa turma que, com o passar dos anos, perdi de vista. Ele, inclusive. 

Muito adiante, já nos anos oitenta, num evento da API, eis que me deparo com Ademar, agora enrugado e grisalho. Eu, que dele não tinha notícias havia tanto tempo e que nunca o associei a nada que tivesse a ver com o âmbito cultural da cidade, fiquei surpreso em saber que me lia na imprensa. Contou-me também a emoção que sentiu ao descobrir que aquele crítico de cinema que mantinha coluna semanal em O Norte, e que ele tanto admirava, era o garotinho de Jaguaribe que vendia pão.

Após o evento, descemos para a orla e fomos ao restaurante Gambrinus festejar o reencontro, e foi então que ele me contou a história.

Ocorreu, segundo ele, num sábado qualquer de 1958. Ele e uns amigos marcaram de se encontrar no Ponto de Cem Réis para um programa improvisado. Bateram uns papos por ali, e logo que o sol se pôs, pensaram num cineminha. Depois só Deus sabia o que poderia vir provavelmente umas cervejas na Maciel Pinheiro.

Como os cartazes do Plaza e Rex não prometessem, desceram para o Brasil, aliás, cinema mais barato. O filme do dia era italiano, e não acharam isso muito animador, mas entraram assim mesmo.

Era sobre a vida de uma pobre prostituta e, de fato, no começo pareceu chato, sem graça, ganhando resmungos e vaias da plateia, quase toda composta de homens. Um dos amigos até sugeriu que saíssem.

Pois, na medida em que o filme foi rolando, o personagem da infeliz prostituta, com seu heroísmo miúdo e sua bravata ingênua, foi ganhando vulto e sentido para ele.

Contou-me Ademar que, da metade do filme em diante, embora seus amigos continuassem indiferentes e aborrecidos, ele já estava completamente tomado por Cabíria. De tal modo que, no desenlace, quando a pobre mulher sofre aquele golpe fatal, junto ao precipício escuro, ele quase não conteve as lágrimas. Ela arrastando-se no matagal feito um bicho ferido, implorando ao seu algoz pelo golpe de misericórdia (“mata-me, mata-me, mata-me”) e Ademar sufocado, quase sem fôlego. No final, quando Cabíria, rodeada pelos jovens que cantam e dançam na estrada, deixa transparecer aquele sorriso teimoso, feito de pura dor, ele, Ademar, correu para o banheiro, e, escondido de todos, simplesmente chorou. Baixinho, mas chorou.

Os amigos deram graças a Deus que “aquela merda” acabara, e ele, envergonhado, escondeu sua reação ao filme o quanto pôde.

Do cinema, desceram para a Maciel Pinheiro e, no Cabaré de Hosana, encheram a cara como faziam de costume. Já tarde da noite, deveriam escolher, cada um em sua vez, uma “menina” e se dirigir ao quarto que estivesse vago, poucos numa noite concorrida como aquela.

Ao chegar sua vez, Ademar, sem muita convicção, puxou pela mão umas das “meninas” disponíveis, mas, no quarto, a sós com ela, não sentiu nada. Olhava para aquela mocinha pobre, com certeza maltratada pela vida, e, não tinha jeito: via Cabíria. Deitaram-se e conversaram por algum tempo, ele perguntando e confirmando sua impressão de pobreza e sofrimento. Faxineira de profissão, a moça morava numa tapera nos arrabaldes, era mãe solteira de uma criança doente de um mal congênito grave, cujo tratamento médico ela pagava com os fins de semana em Hosana.

Ao sair, sem nada haver ocorrido entre os dois, ele beijou-a na testa e pagou o tempo que ela perdera com ele.

Achei sublime quando, naquela mesa do Gambrinus, Ademar findou seu relato confessando que, naquela noite num quarto sujo do Cabaré de Hosana, com todo vigor de seus vinte e um anos de idade, sentiu-se orgulhoso de haver brochado.

Ao nos despedirmos, não resisti: abracei-o e lhe beijei o rosto. Foi a última vez que vi Ademar. Foi, mas toda vez que revejo “Noites de Cabíria” (Fellini, 1957) me lembro dele... E também choro.

 


fonte: https://www.facebook.com/profile.php?id=1827430791

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Esqueceram de Sávio Rolim e de Macaulay Culkin (que faz 40 anos hoje)

por Jãmarri Nogueira



Não é uma tarefa fácil lidar com o sucesso. O estrelato é capaz de fazer girar a cabeça dos mais equilibrados… Agora, imagine o sucesso chegando ainda na infância (quando ainda não estamos preparados para lidar com as exigências do ego…).

Nesta quarta-feira, o ator e cantor Macaulay Culkin está comemorando (tomara!) 40 anos de idade. Verdade que - como artista - parece que já morreu, mas Macaulay já fez imenso sucesso.

Com apenas 10 anos de idade, protagonizou a franquia ‘Esqueceram de mim’, o que lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro (na categoria de melhor ator - comédia/musical). Também estrelou o fofíneo ‘Meu primeiro amor’, ‘Riquinho’ e o interessante ‘Anjo malvado’.

Entre 1990 e 1994, Macaulay Culkin ganhou grana de rodo e palmas a granel! Nem ele nem a família tiveram estrutura para tanto… Parou de atuar em 1994 e mergulhou nas drogas (lícitas e ilícitas)… Até tentou voltar ao estrelato nos anos 2000, mas não deu lá muito certo…

Escreveu sua própria biografia e montou uma banda de rock. Acumulou fracassos e esquecimentos da indústria de massa. Atualmente, ele tem um site satírico de cultura pop e podcast chamado Bunny Ears.

A trajetória de Macaulay tem alguns pontos em comum com a do paraibano Sávio Rolim, ator que fez sucesso ao estrelar o longa-metragem ‘Menino de engenho’, em 1965, sob direção do cineasta Walter Lima Jr, baseado na obra de José Lins do Rêgo.

Sávio teve projeção nacional com o seu papel. Trocou a Paraíba pelo Rio de Janeiro, onde ficou aos cuidados de ninguém menos que Glauber Rocha, o maior nome do Cinema Novo. Na época das gravações de ‘Menino de engenho’, Sávio tinha apenas 12 anos de idade.

Não soube lidar com a situação. E, embora tenha feito alguns filmes nas décadas de 1970 e 1980, caiu no ostracismo e teve problemas com drogas, o que teria disparado o gatilho de sua esquizofrenia paranoide. Passou a viver por esquinas e becos.

Em 2004, a vida de Sávio foi retratada no documentário ‘O Menino e a Bagaceira’, dirigido por Lúcio Vilar. O filme foi exibido no Festival de Cinema de Pernambuco, premiado na categoria Vídeo Nordestino, considerado a melhor pelo júri e pela crítica



fonte: https://blog.portalt5.com.br/clapeclapeclape

domingo, 23 de agosto de 2020

As lições de Padre Rolim 220 anos depois de seu nascimento

porJosé Antonio Albuquerque

Padre Rolim. Pintura/autor: Deusdedit de Abreu Seixas


A cidade de Cajazeiras celebra hoje, dia 22 de agosto, 220 anos do nascimento do Padre e Mestre Ignácio de Sousa Rolim, filho mais insigne da terra, que a projetou pelos brasis afora e a fez reconhecida pela educação e o saber.

Sempre dedicamos as nossas pesquisas pelo lado professoral e do vasto saber que possuía o Padre Rolim, porque é através deste ângulo que ele conseguiu se projetar e tornar ponto de referência a cidade que ele definitivamente escolheu para exercer, não só sua vocação maior que era a sala de aula, mas também sua vida sacerdotal, muito embora tenha sido convidado para exercer seu magistério em outras cidades, mas saiu apenas uma vez para a cidade do Recife onde ensinou Grego e publicou uma Gramática Grega, sob as expensas do governo de Pernambuco, mas logo retornou ao seu velho e amado rincão. Em algumas ocasiões, devido a seca, migrou para o cariri cearense, aonde tinha um Sítio e no Crato uma escola, mas sempre com os olhos e o coração voltados para a sua cidade

Pesquisas mais recente têm sido dirigidas para o lado sacerdotal e religioso e alguns fatos já citados pelo Padre Heliodoro Pires, seu primeiro biografo, e posteriormente por Deusdedit Leitão veem se confirmando, a exemplo de sua posição com relação ao abolicionismo e de seu relacionamento com os negros: primeiro alforriou os escravos herdados do pai e depois, mesmo com posição contrária a da igreja, se deslocava para outras cidades da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará para batizar negros filhos de escravos. Tem inúmeros registros deste fato.

Outra faceta do Padre Rolim que necessita ter um estudo mais aprofundado é o da sua preocupação com as secas e a fome que ela provocava e para isto fez um livro de ciências e outros documentos para ensinar aos seus alunos como produzir alimentos e o exemplo maior, entre os seus discípulos, foi o do Padre José Thomaz de Albuquerque, que através de seus ensinamentos foi plantar trigo na Serra da Meruoca, no vizinho estado do Ceará, a partir das sementes doadas pelo Padre Rolim, que era seu tio. O padre José Thomaz, que foi o primeiro prefeito de Cajazeiras, chegou inclusive a importar de Portugal um equipamento para fabricar a farinha de trigo. Nas terras cajazeirenses o padre Rolim, armazenava água para fazer irrigação e fazia parte do currículo de sua escola, além da introdução de novas culturas com sementes que ele conseguia com os seus amigos espalhados por todo o Brasil.


Padre Rolim. Pintura/autor: Deusdedit de Abreu Seixas


Outro fato que merece também ser melhor estudado era a da sua preocupação com os mortos e isto o levou, ao lado do povo e do próprio Padre José Thomaz, a construir o primeiro cemitério público da Paraíba e já 1849 consta do relatório ao Presidente da Província o seu inicio, mas sua pedra fundamental foi lançada em 30 de junho de 1851 e bento pelo Padre Rolim em 16 de setembro de 1851 e no seu interior tinha uma capela dedicada ao Coração de Jesus, onde foi sepultada Ana de Albuquerque, em 1854, cujos restos mortais foram transladados em 22 de agosto de 1937, para a Praça Mãe Aninha e se encontram no pedestal da estatua erguida para o Padre Rolim. A capela e o cemitério foram destruídos e deu lugar a Praça Coração de Jesus.

A influência do Padre ficou tão arraigada e sedimentada na vida do povo de Cajazeiras, que no ano de 1948, por proposta do vereador Geminiano de Sousa, por sugestão do professor e historiador Antonio José de Sousa, foi aprovada uma Lei tornando o dia 22 de agosto, o “Dia da Cidade” e ao longo do tempo se consolidou como o dia para comemorar a data da sua Emancipação Política.

É este assunto: a data da comemoração da Emancipação política de Cajazeiras, que a Academia Cajazeirense de Artes e Letras, vai debater no dia de hoje, junto a sociedade, se devemos além do dia 22 de agosto, incluirmos também no calendário de feriados municipais o dia 23 de novembro, data da emancipação da cidade de Cajazeiras.

Este tema eu já venho defendendo há algum tempo e agora, com a adesão da ACAL, quem sabe poderemos obter êxito nesta empreitada?

Viva Padre Rolim!

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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

DIREÇÃO MADE IN CAJAZEIRAS: Longa paraibano representa o Brasil no 10º Cinefantasy


Entre os 20 filmes de vários países que competem na mostra de longas-metragens, O seu amor de volta (Mesmo que ele não queira), dirigido pelo paraibano Bertrand Lira, é uma das duas produções exclusivamente brasileiras que representam o país no 10º Cinefantasy – Festival Internacional de Cinema do Fantástico, cuja abertura acontece no dia 08 de setembro próximo, no drive in do Cine Bellas Artes, na cidade de São Paulo.

Concorrem ao Troféu José Mojica Marins (O Zé do Caixão), filmes do Japão, Suécia, Canadá, França, Israel, Grécia, Itália, Alemanha, Reino Unido, Argentina, Panamá, Uruguay, entre outros, que serão exibidos on line de 8 a 13 de setembro.

O Festival é uma Realização da FlyCow Produções Culturais e Petra Belas Artes à la Carte.



fonte: http://noticiaspb.com.br/

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

CONVERSAS DE CINE ÉDEN (Um Homem Chamado Cavalo)

  Memórias       

Richard Harris - Ator protagonista do filme "Um Homem Chamado Cavalo"


por: Cleudimar Ferreira

Nos corridos anos oitenta em Cajazeiras, a rotina de muitos jovens cinéfilos da cidade, era destacada pela paixão visceral pela telona e os devaneios vividos a partir das películas que eram exibidas nas salas dos três cinemas de rua que havia no município. Era uma magia, refletida pelas lentes ilusionarias, C
inemascope e Scope dos projetores desses cinemas, que só o cinema podia proporcionar a uma juventude ainda inocente, porém, já sonhadora. Por isso penso: “como era gostoso os encontros e as conversas que o Cine Éden nos ofertava”. Parece até que os mitos da sétima arte facilitavam os argumentos e as camaradagens. Os encontros eram inevitáveis, independentemente se o prato do dia era uma ficção ou era baseado em fatos reais.

O Cine Éden era o principal cinema de Cajazeiras, e o fluxo corrente a partir das esquinas da “Karlos Center” e da Lanchonete “Café Asa Branca”, afunilavam em direção à calçada do cinema de Carlos Paulino. O objetivo era chegar mais cedo e pegar os melhores lugares, as cadeiras da frente, nada confortáveis do auditório do Éden. E foi em uma dessas viagens, aos fins de semana, que embarquei. Meu objetivo era ser um dos primeiros a chegar ao cinema, comprar o ingresso e ser o primeiro da fila a entrar, para ver o filme de estreia daquela noite “Um Homem Chamado Cavalo”. Com Richard Harris.

Era um domingo, e geralmente o cinema lotava quando muita gente chegava da missa do padre Antônio Luiz, que terminava às dezenove e trinta, meia hora antes do inicio do filme que sempre começava as vinte horas. Mas nesse dia, não sei o que ocorreu para bilheteria do cinema ter sido aberta as dezessete e trinta da tarde, pois quando cheguei ao cinema já havia umas quinze pessoas na fila com ingresso na mão esperando um sinal da portaria para adentarem no interior do cinema. Era cedo demais! 

Cheguei, cuidei logo de comprar o meu ingresso e antes de entrar na fila, foi à portaria me certificar com do porteiro que estava ao lado do Saldado Zé Maleiro, o porquê da venda de ingressos e da formação daquela fila tão cedo. O porteiro olhou para mim respondeu que o filme naquela noite seria exibido em duas sessões e que a primeira já havia começado às dezessete horas. Na resposta, o porteiro ainda adiantou que o cinema estava lotado e que a segunda seção teria inicio às vinte horas. 

Depois da resposta do funcionário do cinema, coloquei o ingresso no bolso e subi a Praça João Pessoa em direção a Karlos Center, matar as horas e esperar o momento certo de voltar ao Cine Éden e assistir “Um homem Chamado Cavalo”. Na Karlos Center, distraído entre uma conversa e outra com alguns amigos que encontrei lá e que já haviam comprado seus ingressos bem antes de mim; vi o tempo passar num piscar de olhos. Quando resolvemos voltar ao Cine Éden, a Praça João Pessoa estava lotada de gente que havia descido da Catedral depois da missa em direção ao cinema.

Durante o percurso que fizemos entre a “Karlos Center” e o cinema, o tom da conversa entre nós, era a preocupação de chegar e ter que enfrentar uma fila gigante. E foi o que aconteceu! A fila já estava dobrando a esquina do cinema, indo em direção a Praça Aldo Matos, e um aglomerado de pessoas que não queriam enfrentar a fila, já se formava em frente à portaria aos olhos do soldado apaisana Zé Maleiro, o responsável por ordenar e organizar as filas, todas as noites na entrada do cinema.

Naquela noite de verão, de temperatura em queda, amena, resfriava um pouco o mormaço de mais um dia quente em Cajazeiras. Em todo caso, eu tinha duas opções: enfrenta a fila quilométrica em pé e esperar o final da sessão, que imaginara terminar logo; ou sentar em um dos bancos que ficava em frente ao cinema no canteiro central que dividia as duas faixas da Praça João Pessoa. Optei pela segunda opção e fiquei observando a movimentação que aumentava a cada minuto na portaria do cinema. Era tanta gente que fiquei achando a quantidade de cadeiras do cinema insuficiente para aquele povo todo. Distraído com fluxo de pessoas na frente do cinema, senti quando um vento frio e rasteiro começou a varrer as imediações do Éden trazendo com ele um cheiro de terra molhada.

Dentro do cinema, a primeira a seção de “Um homem Chamado Cavalo” parecia não ter fim, quando os primeiros pingos de chuvas na praça começaram a cair e logo depois, o toró também. O público que esperava na fila, numa correria só, se deslocou em direção a portaria comprimindo os que já estavam lá, fazendo pressão em direção ao portão sanfona do cinema. Ninguém ali queria se molhar! O soldado Zé Maleiro, com toda brutalidade que lhe era peculiar em lidar com aquele tipo de situação, quase nada conseguiu fazer para evitar uma tragédia com patrimônio do cinema.

Para não deixar nossas roupas se molhar, eu e meus colegas cinéfilos tivemos que deixar os bancos da Praça João Pessoa debaixo de uma chuva forte que já caia. Às pressas, corremos para portaria do cinema, aumentando a pressão sobre o porteiro e o soldado Zé Maleiro, que não conseguindo mais segurar a pesada força daquele público, entraram no cinema numa tentativa de fechar o portão. Mas não adiantou! A força e o empurra-empurra do publico, deslocou a sanfona dos trilhos, provocando a queda do portão sobre algumas tabuletas com cartazes que ficavam próximo da portaria.

Com a porteira escancarada, a multidão invadiu o cinema em direção ao auditório, no momento exato que a primeira sessão estava terminando. Já não se sabia quem estava fora ou dentro; quem tinha assistido a primeira e quem estava ali para assistir a segunda. Quem tinha ingresso ou não; quem havia pagado ou quem não tinha pagado. Moral da história, nesse dia “Um Homem Chamado Cavalo” deu prejuízo a Calos Paulino e o Cine Éden aceitou nas suas dependências gato e cachorro e, exibiu a contragosto, uma sessão especial para o público que estava na Praça João Pessoa, e o melhor, de graça.

Fachada do prédio onde funcionou do antigo Cine Teatro Éden

Prédio da antiga Boate, Bar e Petiscaria Karlos Center


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créditos das imagens 1 e 2: Blog Histórias de Cajazeiras - Claudiomar Mathias

quarta-feira, 29 de julho de 2020

“Arte em Cena Digital” seleciona mais de 80 artistas paraibanos para mentorias com alunos da Rede Estadual



Projeto “Sivuc@thon: Arte em Cena Digital nos acordes do Mestre Sivuca, o Poeta do Som”, desenvolvido pela Secretaria de Estado da Educação e da Ciência e Tecnologia (SEECT-PB), está selecionando 84 artistas em todas as Gerências Regionais de Ensino do Estado para realizarem mentorias especializadas com alunos que irão participar das etapas escolar, regional e estadual do projeto, auxiliando os estudantes no desenvolvimento das propostas artísticas a serem apresentadas de maneira remota. As inscrições dos interessados começaram nesta quinta-feira (23) e seguem até o dia 31 deste mês. 

Serão selecionados artistas das seis áreas artísticas nas quais os trabalhos dos estudantes serão direcionados: Produção Audiovisual, Dança, Literatura, Artes Visuais, Música e Teatro. Um mentor de cada eixo artística será selecionado em cada uma das 14 Gerências Regionais de Ensino, totalizando 84 profissionais. Os profissionais selecionados receberão uma bolsa no valor de R$ 800,00 por cinco meses.

Inscrições - Para participar da seleção, o artista deverá preencher formulário eletrônico disponível no endereço eletrônico www.paraiba.pb.gov.br/paraibaeduca, anexando os seguintes documentos: portfólio de comprovação de experiência artística, RG, CPF e comprovante de residência.  O edital com os detalhes da seleção está disponível no mesmo endereço.

Requisitos - Os artistas interessados devem ter mais de 18 anos e serem paraibanos ou radicados na Paraíba há mais de um ano; precisam ter residência comprovada em município de alguma Gerência Regional de Ensino; e não ser servidor público das administrações direta ou indireta do Governo do Estado ou de municípios. Além disso, serão selecionados, preferencialmente, artistas ainda não contemplados em editais emergenciais do Governo da Paraíba.

Etapas - O “Arte em Cena” se configura em um conjunto de vivências educativas e culturais e mostras competitivas, envolvendo estudantes e professores da Rede Estadual de Ensino. Será realizado em três etapas, sendo a primeira no contexto de cada unidade escolar inscrita, a segunda desenvolvida a partir das Gerências Regionais de Educação a qual a escola está vinculada, culminando na terceira etapa, de caráter estadual. Ao fim de todas as fases, os participantes vencedores receberão premiação e certificados.

Sivuc@thon - Em 2020, por conta da pandemia do novo coronavírus, o Festival vai contar com atividades remotas, em plataformas digitais. O investimento total do projeto é de R$ 588 mil. O edital completo do projeto pode ser conferido no site: www.paraiba.pb.gov.br/paraibaeduca





fonte: paraíba.pb.gov.br

sábado, 18 de julho de 2020

LEMBRANDO A ATRIZ LACY NOGUEIRA

por Cleudimar Ferreira (cleudimar.f.l@gmail.com)


A atriz Maria Lacy Nogueira Alves da Silva ou simplesmente Lacy Nogueira (in memoriam), teve atuação marcante na década de 60, dividindo a arte de representar com a da comunicação no rádio, sendo considerada a percussora da voz feminina na radiofonia cajazeirense. 

Nessa atividade, em 1966, a atriz dividiu com o radialista Pedro Gomes, a apresentação do programa "Forró do Varandão"- um marco na programação diária do radio cajazeirense, que ia ao ar, sempre, nos finais das tardes na Difusora Rádio Cajazeiras. Nesse programa radiofônico, ela vivenciou por muito tempo e com muito humor, à personagem "Comadre Desejo". 

No teatro Lacy viveu várias facetas, sendo assim, criadora de diversos personagens de destaques nas encenações que participou. Em seu trabalho como atriz na dramaturgia de sua época, ela teve participação marcante em diversas peças montadas, seja elas do gênero dramántico ou mesmo a coméndia e seu subgênero, a tragicomendia.

Mais recentemente, em 1993, Lacy foi vencedora do prêmio de melhor atriz na II Mostra Estadual de Teatro e Dança da Paraíba, com a interpretação da personagem “Dona Sindá”, na peça “A Incelencia", espetáculo que ficou marcado por ser o que mais tempo ficou em cartaz na cidade, sendo também a produção teatral de maior público do teatro em Cajazeiras, além de ter se tornada vencedora de importantes prêmios em festivais de teatro. 

Sob a direção de Íracles Pires, Lacy participou do elenco da peça “O Auto da Compadecida”, do dramaturgo paraibano Ariano Suassuna, vivendo a personagem da “Mulher do Padeiro”, produção dirigida pela teatróloga Íracles Pires, montada nos anos 60, pelo TAC - Teatro de Amadores de Cajazeiras.

INFORMAÇÕES  das  FOTOS

Foto 01. Autorretrato de Lacy Nogueira
Foto 02. Anos 60, Praça João Pessoa. Lacy Nogueira ao lado de Gláucia Holanda. Festa da Difusora Rádio Cajazeiras.
Foto 03. Anos 60, Praça João Pessoa. Lacy Nogueira ao lado de Gláucia Holanda. Festa da Difusora Rádio Cajazeiras.
Foto 04. Teatro de Amadores de Cajazeiras (TAC) "O Auto da Compadecida", texto de Ariano Suassuna, direção de Íracles Pires. Década de 60. O elenco da direita para esquerda da foto: Lacy Nogueira, Judivan, Solidônio, Sebastião e Marcos Bandeira.
Foto 05. Teatro de Amadores de Cajazeiras (TAC) "O Auto da Compadecida", texto de Ariano Suassuna, direção de Íracles Pires. Década de 60. O elenco da direita para esquerda da foto: Zenilto Alcântara, Pedro Gomes (João Grilo), Maílson da Nóbrega (Chicó), Lacy Nogueira e Judivan.
Foto 06. Praça Maria Lacy Nogueira Alves da Silva - Área externa do Teatro Ica. Propositura da Deputada Estadual Estela Bezerra, Leia 11.137/2018, assinada pelo então governador Ricardo Vieira Coutinho.
Foto 07. Foto que consta da placa e inauguração da Praça Lacy Nogueira, na parte externa do Teatro Íracles Pires.
Foto 08. Nos anos 60 em um desfile cívico de 7 de Setembro na Rua Juvêncio Carneiro. 
Foto 09. Confraternização em família e amigos. 
Foto 10. Em uma festa no Tênis Clube com seu irmão Tim