segunda-feira, 6 de julho de 2015

A passagem e a prisão do cangaceiro "Moreno" em Cajazeiras.

Cleudimar Ferreira


Moreno quando era integrante do bando de Lampião 


Outra imagem de Moreno
Na história recente, Cajazeiras não foi, nem pareceu ser muito, uma daquelas cidadezinhas no interior do Nordeste que nas primeiras décadas do século XX, teve costumeiramente o seu nome marcado como um entreposto para ações delituosas de grupos de cangaceiros.

Fora a frustrada investida do seu ex-inquilino - o lugar tenente de Lampião, Sabino Gomes de Gois, em 28 de setembro de 1926; ação essa, interpelada bravamente pela força de sua população; rumores da circulação, baseados na oralidade, de personagens como Lampião e Luiz Padre pelos Sítios Cipó e Baixa Grande, na região da Catingueira, atual cidade Cachoeira dos Índios - que no passado pertenceu ao município de Cajazeiras ou a prisão do cangaceiro Chico Pereira, na porta de entrada do Cine Moderno de Cajazeiras, em 28 de outubro de 1928. 

Fora isso, o que restou para complementar a sua passagem por esse ciclo, talvez nem tenha tanta relação com essa prática, mas mereceu destaque. Além disso, marcou também outros fatos, que não tão muito importantes, se em resume em apenas algumas isoladas emboscadas pelas suas cercanias. Muitas dessas, sem a consumação do ato ou outras, esporádicas, com sucesso; como foi a emboscada que produziu a morte do Coronel Manoel Gonçalves Dias, no Sítio Catolé dos Mangueiras.

Ademais, somente rumores produzidos pela imaginação visionária do seu povo, que dormindo com o medo e a expectativa de ataques de bandos de cangaceiros, alimentava os boatos pela cidade, que visitante esse, visitante aquele, estava ou esteve rondando pela sua zona rural, saqueando, causando prejuízos a donos de terras e fazendeiros. Se bem que o próprio Sabino, na sua condição de residente na cidade e antes de entrar no cangaço, tinha dúbia personalidade. Pelas ruas de Cajazeiras ele parecia ser um cidadão comum, mas pelas terras e sítios que rodeavam a cidade naqueles idos de 22 a 24, ele se vestia de malfeitor e afrontava, extorquia e vivia no obscurantismo da lei, a desafiar a paciência das autoridades constituídas do município. Fora isso, o que restou para ser contado, a história ainda não revelou.

Entretanto, como a pesquisa me parece ser um instrumento mais preciso para se chegar a história, há fatos na história social cajazeirense desse período, que talvez ainda não foram revelados. Se foram, também não foram bem esclarecidos e que precisam serem investigados com mais profundidades pelos nossos historiadores. Um desses, foi a passagem pela cidade de Antônio Ignácio da Silva, de alcunha por “Moreno”, que se tornaria mais tarde um dos mais destacados cangaceiros do bando de Lampião. 

A direita, da foto - Antiga cadeia da cidade, onde talvez Moreno ficou preso.
Foto aérea da antiga cadeia, Esquina da Rua Juvêncio Carneiro 
com Rua Coronel Peba.



Natural de Tacaratu/PE, onde nasceu em 01 de novembro de 1909, Moreno, chegou à Cajazeiras, após ter fugido às pressas de Brejo do Santo/CE, onde havia se envolvido em confusão e ter cometido várias mortes. Saindo daquela cidade cearense onde vivia com a família, ele acabou desembarcando em Missão Velha/CE, onde pretendia realizar um sonho antigo que era seguir a carreira de policial. Como isso não foi possível ser realizado, pois ainda era menor de idade, ele deixou Missão Velha, e partiu sem rumo e sem direção, entrou no Estado Paraíba, chegando até Cajazeiras.

Em Cajazeiras, nos primeiros dias de sua estadia, Moreno passou a ser visto e tratado pelos seus habitantes, como um estranho, pois não se sabia de onde via, para onde o mesmo ia; se estava de passagem ou se veio para ficar; se morava, se tinha algum parente morando na cidade. Essas dúvidas, fez as autoridades da terra do Padre Rolim, desconfiar de suas intenções e do seu real caráter. Por essas razões, acabou sendo preso para averiguações e por ter sido confundido pela polícia com outro temido cangaceiro - o “Volta Seca”, pertencente na época ao bando de Lampião.

Cangaceiro "Volta Seca"
Preso e encarcerado na cadeia pública da cidade, começam as interrogações e a conclusão final da polícia é que o forasteiro Moreno, por mais esquisito que fosse, não pertencia ao cangaço e nem era o cangaceiro “Volta Seca”. Após a constatação do equívoco, dias depois ele foi liberado. Saindo de Cajazeiras sem saber para onde ia, Moreno ondou cerca de trinta e seis quilômetros, até encontrar ainda no território cajazeirense, uma fazenda onde pediu guarida; conseguindo em seguida um emprego para trabalhar de serviços gerais. Ou seja, no roçado.

Quando tudo parecia correr bem, um fato inesperado envolvendo Moreno aconteceu nessa fazenda, fazendo com que ele, por circunstâncias da confusão que foi gerada, colocasse um pé dentro do Cangaço. É que após um desentendimento com um casal de trabalhadores da referida fazenda; motivado por um “fuxico” que envolveu uma sobrinha do seu patrão, Moreno cometeu um crime, gravando uma faca no peito do seu desafeto, que morreu de imediato no local. Moreno, "acuado", foge para o Estado de Pernambuco e de lá para Sergipe, onde anos depois acabou entrando definitivamente no cangaço - no Bando chefiado por Virgulino Ferreira da Silva - Lampião. 

Moreno - Foto da Carteira de Trabalho  

Moreno com 99 anos, antes de sua morte em 2010.




GOSTOU? DEIXE O SEU COMENTÁRIO OU COMPARTILHE




fontes: 
Blog do Mendes.
https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/regiao/morre-cangaceiro-moreno-aos-100-anos-1.499997   

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Sítio onde nasceu o Padre Rolim é doado a instituto missionário.


Parte do Sítio Serrote dos Cavalos, localizado na porção norte do município e apontado como o local de nascimento do grande benfeitor de Cajazeiras, o Padre Inácio de Souza Rolim, foi doado ao instituto missionário dirigido pelo Padre Gervásio Fernandes de Queiroga. A doação foi feita pelos herdeiros da cajazeirense Marilda Sobreira Rolim, como forma de preservar um marco da história cajazeirense e sertaneja.


Em sua página no Facebook, Sarah Rolim, neta de Marilda Sobreira e representante dos demais herdeiros assim se expressou:

         “É com muita honra, e gratidão a Deus …que estou aqui, nesse momento, registrando aos caro (a) s, um fato, de fundamental importância na história, na religião, e cultura… a transmissão oficial de um legado, deixado por Marilda Sobreira Rolim, ao Instituto Missionário, dirigido por Padre Gervásio Fernandes Queiroga, no qual o teor se fundamenta ao Santuário de Nossa Senhora da Piedade, com três tarefas de terra localizado no Sítio Serrote dos Cavalos. Tal marco, é de fundamental importância para a história, pois lá nascera o Pe. Inácio de Souza Rolim…
       Nesse referido lugar, Marilda Sobreira Rolim, reergueu o altar onde o Padre realizava as celebrações…hoje, tradicionalmente, todos os anos se faz lembrada com uma missa no dia 22 de agosto.
         Com profundo respeito à vontade da matriarca, os herdeiros Sávio Max Sobreira Rolim, Fabio Rolim, Nielson Rolim, Sarah Rolim, Bethânia Rolim, Ana Carla Rolim, Ana Carina Rolim, Ana Cristina Rolim, Nadja Rolim, João Arthur Rolim, vestiram a resolução tomada, com muito orgulho e admiração.
         À Cajazeiras um presente do passado a ser entregue, para as mãos do grande e estimado amigo de Marilda Sobreira Rolim, o imortal Padre Gervásio Fernandes Queiroga…”



fonte: Chistiano Moura - Coisa de Cajazeiras

domingo, 28 de junho de 2015

ACONTECEU:












Vem aí o festival de música “Canto Pela Vida”

Representação da cultura do município de Cajazeiras - Secretaria de Cultura de Cajazeiras, 9ª Gerência Regional de Cultura e da Câmara Municipal, se reuniram na última quarta-feira, dia 25/06, com o 6º BPM, objetivando traçar o planejamento da versão 2015, do Festival de Música Canto Pela Vida. O festival é uma atividade da segunda fase do movimento “Cajazeiras sem Drogas” e é aberto com suas inscrições de forma gratuita para o público em geral dos quinze municípios polarizados por Cajazeiras. O regulamento já foi elaborado e será divulgado na próxima terça-feira, dia 30/06.




ACONTECEU:


A Diocese de Cajazeiras, apresentou em uma solenidade que contou com a presença de autoridades políticas e religiosas da região que compõe a sua mitra diocesana, o monumento alusivo ao seu centenário. A esfinge está edificada no lado esquerdo da Catedral Nossa Senhora da Piedade, e conta com a imagem da peregrina Piedade; brasão de fundação da diocese e a logomarca dos seus cem anos. O monumento ficou imponente e passa a ser mais um equipamento a compor aos já existentes na cidade, no seguimento cristã; se tornando para aqueles que visita Cajazeiras, em um atrativo a mais, no chamado turismo religioso. O que se espera, é que a comunidade católica cajazeirense o preserve, não deixando que seja depredado ou pinchado, já que em torno do mesmo, como as imagens abaixo mostra, aparenta não haver segurança ou proteção nenhuma contra a ação de vândalos e dos inimigos da coisa pública. 









fotos: José Antônio de Albuquerque    

sexta-feira, 26 de junho de 2015

A Boa Música de Ba Freyre

MÚSICAS DE QUALIDADE QUE NÃO TOCAM NAS RÁDIOS DE CAJAZEIRAS. 

Algumas músicas autorais do compositor cajazeirense Ba Freyre (posso dizer assim, pois embora tenha nascido em Sousa/PB, chegou a Cajazeiras quando era criança), que fez história nos festivais de músicas da Região de Cajazeiras, nos anos 70 e 80, e que até hoje continua compondo belas canções, como as que abaixo segue. Bá Freyre, reside em Fortaleza/CE, onde exerce suas atividades na área musical. Para ouvir melhor as músicas, deligue a rádio/link vitrola, na coluna ao lado. 



Bate Rebate - Ba Freyre

Tambor que Bate Rebate mãe África
Chicote que Açoita da mão desumana
Escuta o eco do grito na Noite
No canto do galo um novo amanhã 

No toque do teu atabaque a Magia
Capoeira na roda de Samba Irradia
Teu som, tua arte feita em cores
Envoca teus deuses Oxóssi, Iansã

É de meu pai xangô
É festa, é o rei nagô
Maculelê, Olodum, Oxumaré




Esse é o meu Rio - Ba Freyre
Um instrumental-bossa em homenagem ao Rio de Janeiro


Partiu - Ba Freyre


DEIXE O SEU COMENTÁRIO





LEITURA DA FOTO:  
(da esquerda para a direita) Pachelly Jamacaru, Paulinho Chagas, Rosemberg Cariry, Abidoral Jamacaru, Ba Freyre, Cleivan Paiva, Audisinho (Tapioca), numa Manhã de som! - Com Cleivan Paiva e Tapioca Gomes.

quinta-feira, 18 de junho de 2015


Prefeitura de Cajazeiras divulga 
Programação Cultural do São João/2015
.................................................................................................................................................


Festival Regional de Quadrilhas Estilizadas 

A Prefeitura de Cajazeiras, através da Secretaria Executiva de Cultura realizará nos dias 22 e 23/06 (segunda e terça-feira) o II Festival Regional de Quadrilhas Estilizadas. 

Para tanta, descriminou a programação da seguinte forma: No dia 22/06, se apresentarão as quadrilhas das escolas do município e bairros da cidade na Avenida Padre Rolim. Já no dia 23, apresentará as quadrilhas profissionais participantes do Festival Regional de Quadrilhas, na Avenida Padre Rolim. 

As inscrições poderão serem feitas até o dia 19/06 (sexta-feira), das 08h00 às 12h00 na Secretaria Executiva de Cultura. Terão direitos a participar do festival, escolas das redes públicas e privadas, bem como representação de bairros, vilas, distritos ou qualquer outro município que se interessar. Acesse o site da Prefeitura e veja o regulamento. 

Programação Cultural de São João do Arraiá nas Praças 

Quinta, 18/06 - Praça do Ronaldo Cunha Lima
18h00 - Apresentação da Quadrilha da Ginástica na Praça
18h30 - Forró do Pankadão
* Terá ainda distribuição de comidas típicas.

Sexta, 19/06 - Praça do Leblon
18h00 - Apresentação da Quadrilha da Ginástica na Praça
18h30 - Apresentação do Casamento Matuto: O Casamento de Vicente - Grupo UTI
19h00 - Apresentação da Quadrilha Estilizada de Cajazeiras Labacê
18h30 - Forró Neide Amaro e Banda
* Terá ainda distribuição de comidas típicas.



Fonte: Secom 
Imagem: Cavalcante Fotógrafo

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Memorial instalado pela Diocese de Cajazeiras, guarda importantes objetos da história da cidade.

Palácio Episcopal de Cajazeiras, sede do Bispado. Cosntruido por Dom Moisés Coelho


Fotos publicadas na página da ac2brasilia, pelo Professor José Antônio Albuquerque, revelam como é ambiente de um memorial instalado na Cúria Diocesana de Cajazeiras ou Palácio do Bispo, que segundo José Antônio, “se constitui no mais importante evento comemorativo do centenário de nossa diocese”. 

A Cúria Diocesana, conhecida também por Palácio Episcopal, foi construída no bispado de Dom Moisés Coelho, entre os anos de 1915 e 1932. A sede diocesana, formada pelo Palácio do Bispo e a Capela, compõe um conjunto arquitetônico imponente, tornando em um dos exemplares mais bem preservada da arquitetura histórica de Cajazeiras, no que se refere aos aspectos originais interno, como também, externo. Segundo informações, o palacete passou recentemente por uma restauração.

A designação edificada na sede bispal cajazeirense, pode ser as primeiras cortinas a serem abertas para a fundação do tão sonhado Museu Histórico de Cajazeiras. É bom lembrar, que parte do que restou dos objetos e móveis pertencentes ao Padre Rolim, foram doados ao Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, e que misteriosamente, desapareceram daquele órgão sem deixar referências nenhuma. 

Cabe a sociedade de Cajazeiras e a sua diocese, cobrar do IHGP, a responsabilidades pelo sumiço dessas peças de valor histórico para cidade e a Paraíba. Se esse material desaparecido do Instituto Histórico, fosse encontrado e devolvido à Cajazeiras; juntando com esses que a diocese tem, que as imagens abaixo mostram, já daria para a concretização - um passe importante na definitiva instalação do Museu Histórico ou Diocesano da cidade.

Portanto, já que por enquanto isso não acontece, faço minha as palavras do Professor José Antônio, “Louvamos o empenho de Dom José de resgatar as relíquias e objetos que representam e contam a história da diocese de Cajazeiras”.

por Cleudimar Ferreira


 


leitura das imagens em anexo:
...........................................................................................
01. Cadeiras antigas da sala de visitas do Palácio do Bispo e a Serafina da Matriz
02. Oratório e Chapéu que perteceram, respectivamente a Mãe Aninha e Padre Rolim.
03. Cruz Episcopal do Cardeal Arco Verde e Carimbos com Brasão de Dom Zacarias Rolim de Moura
04. Fechadura da primitiva igreja de Cajazeiras construida por Mãe Aninha

DEIXE O SEU COMENTÁRIO






fonte: ac2brasília.