quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

CONVERSAS DE CINE ÉDEN. Como foi a exibição simultânea do filme “Scarface” no Cine Teatro Apolo XI e Cine Pax

por Cleudimar Ferreira



A invenção do cinema, desde o feito extraordinário dos irmãos Lumière até os dias presentes, tem exercido um certo fascínio em muita gente e, por certo, continuará fascinando gerações. Parece até que a sua incomum descoberta para o mundo, lá atrás, em 1895 — mesmo que tenha acontecido sob o pretexto do acaso e da curiosidade dos dois jovens franceses —, acentuou a ideia de que o surgimento dessa arte visual já estava traçado na linha do tempo. Em outras palavras: programado para acontecer por uma razão não explicável. Por essa singular força e enigmática forma como surgiu, o cinema passou com todo o brilho rumo ao futuro, indo por aí afora, caindo cheio de graça nas graças de muitos, sem diferenciar ninguém por suas características.


E essa despretensiosa brincadeira dos Lumière — experimento, curiosidade ou qualquer coisa como convier classificar esse momento na história do cinema — foi até certo ponto marcante para mim como admirador, consumidor e venerador dessa magia substancial na minha vida. Não tenho nenhuma feição tanto quanto alguém que vive diretamente ligada à feitura dessa atividade. Mas o movimento das inventivas imagens criadas pelos dois rapazes de Besançon me atraiu desde criança, grudou e fez morada também. Afinal, quem não gosta de um bom filme, de uma história bem contada, aditivada por imagens que encantam nossos olhos?
No presente, tão distante do que foram um dia as salas de rua no sertão paraibano, vivo apenas das lembranças e das poucas visitas que faço aos cinemas da capital quando tenho folga das atividades que exerço como professor. No mais, me deito na cama e, antes de dormir, tiro de dentro de mim os momentos que vivi como frequentador dos cinemas na minha sempre querida terra, Cajazeiras. Aí eu me deleito e construo um sono sereno, pleno de lembranças e sonhos de um tempo que ficou para a eternidade.

Partindo desse pressuposto, dos Lumière guardo apenas as lembranças do que dizem os escritos e o que contam os historiadores. Mas, dos extintos cinemas de Cajazeiras, tenho comigo a vivência e o convívio, o que me dá subsídios para falar e contar o que vi, o que passei e o que presenciei. Um desses instantes marcantes foi quando o filme Scarface foi exibido nos cinemas Apolo XI e Pax — os cinemas da diocese ou “cinemas do bispo”, como muitos se referiam a essas duas casas de exibição que já existiram em Cajazeiras.

De um lado, um exibidor apaixonado por cinema, embora conservador e durão; do outro lado, um divulgador de rua, quase programador, que apenas cumpria ordens, mas recorria às boas relações que havia entre os dois para dar pitacos, sugestões e até intervir nas decisões referendadas pelo primeiro. Indo diretamente ao ponto, falo de Dom Zacarias Rolim de Moura (bispo diocesano de Cajazeiras) e de Cícero Alves (o Cícero do Bradesco). Um, o patrão; o outro, um divulgador com outras atribuições.


Da parte de Dom Zacarias, era quase sagrado: todos os meses ia a Recife — Pernambuco, para fazer duas coisas supostamente necessárias também em sua vida. A primeira era visitar seu médico, que o medicava e o orientava em seu tratamento contra um “germe de barata” que havia adquirido. A segunda, talvez um pouco mais prazerosa para o bispo, era a de percorrer as distribuidoras de filmes, escolher a seu gosto as melhores películas e fechar, com essas empresas de cinema, a programação mensal dos seus dois cinemas.

Sob responsabilidade das distribuidoras ficava a garantia dos repasses e envios a Cajazeiras — pela Viação Gaivota, no dia e hora marcados — dos filmes programados, bem como de todo o material necessário para a divulgação interna e externa das películas.

Do outro lado, era atribuição de Cícero Alves a incumbência de fazer a divulgação de rua dos cinemas. Para que isso acontecesse, ele precisava preparar as tabuletas: cobrir todas primeiramente com papel-jornal, colar os cartazes ou fotos e fazer os letreiros indicativos com data e hora, além da classificação e censura — se era proibido para menores de 14 ou 18 anos. Tudo como mandava a tradição e a cultura cinéfila daquela época.

Cícero não tinha habilidade nenhuma com a pintura de letreiros, e essa parte cabia a mim. Eu usava as minhas habilidades de artista plástico para criar os letreiros estilizados e outros enfeites; ou seja, deixar as tabuletas mais atrativas, com condições de convencer o público a ir aos cinemas.

Era também responsabilidade de Cícero Alves — talvez a mais significativa de todas — ir buscar no Terminal Rodoviário Antônio Ferreira os filmes que chegavam a Cajazeiras vindos da capital pernambucana, por meio da empresa Viação Gaivota; além de, uma vez por outra, revisar os rolos de filmes e, principalmente, assumir a portaria dos cinemas quando de uma inesperada falta ou folga do porteiro titular.

Então, duas vezes por semana saíamos do Cine Pax às nove horas, conduzindo uma carrocinha até o guichê da Viação Gaivota. Depois que as latas com as fitas eram despachadas, nós as pegávamos e nos deslocávamos até a Cúria Diocesana para certificar e mostrar ao Bispo o conteúdo que havia chegado do Recife.

Uma vez passado pelo visto do Senhor Bispo, nos deslocávamos desse local em direção ao Cine Apolo XI. Lá, recolhíamos o material de divulgação e deixávamos, sob responsabilidade dos operadores — Paulo Conrado e Luiz Conrado —, as latas com os rolos de filme. As películas eram revisadas, quadro a quadro, pelos irmãos Conrado e, depois, prontificadas para serem exibidas nas sessões à noite.

O filme Scarface, uma produção de Brian De Palma, era sempre incluído nas programações mensais que Dom Zacarias fazia junto às distribuidoras, no Recife. Porém, nem o bispo e muito menos Cícero Alves sabiam os verdadeiros motivos de essas distribuidoras não enviarem esse filme a Cajazeiras. Muitas vezes, quando eu era convidado por Cícero para ir com ele ao gabinete do bispo, vi Dom Zacarias contrariado, chateado e, em certos momentos, até estressado por conta do entrave provocado pelo não envio da película. Dava a entender que havia um problema de logística com a distribuição de Scarface.

Se havia problema ou falha, as tentativas de correção desse imbróglio eram feitas quase todos os meses por Dom Zacarias, através de reclamações constantes via ligações interurbanas à cidade de Recife. Mas Scarface não chegava aos cinemas do bispo; em seu lugar, eram enviadas outras produções menos destacadas, que chegavam como uma surpresa para todos, já que tampouco haviam sido incluídas nas programações dos Cines Apolo XI e Pax.

Com o passar do tempo, quando o filme de Brian De Palma já estava entrando em um estágio de esquecimento — sendo considerado pelo bispo exibidor uma carta fora do baralho, ou tendo entrado subitamente na rota do esquecimento, tanto por Cícero quanto por Dom Zacarias —, eis que, em um certo sábado, fui com Cícero ao guichê da Gaivota receber os filmes que haviam chegado.



Depois dos trâmites e despachos do pacotão feito por essa empresa de transporte interestadual, colocamos a encomenda na carrocinha e, antes de sair do local, abrimos a estopa para ver que filme havia chegado. Tal foi a nossa surpresa ao ver os cartazes, algumas fotografias, bem como as latas com os rolos de filme, onde se estampava a palavra: Scarface.

Nos alegramos e apressamos o passo em direção ao Palácio do Bispo, para anunciar a Dom Zacarias a grata surpresa da chegada do filme tão aguardado por ele. Quando chegamos ao local, eu fiquei na calçada, sentado na carrocinha, fazendo a guarda do filme, enquanto Cícero se dirigiu ao recinto onde Dom Zacarias estava. Fiquei esperando por quase quinze minutos, ouvindo, mesmo um pouco distante, os murmúrios da conversa entre os dois.

Esperei por um certo tempo a volta de Cícero, até que, de repente, ele apareceu descendo as escadarias da capela anexa ao Palácio Episcopal. Ao chegar junto a mim, manteve-se simplesmente calado; sem dizer palavra, pegou o condutor da carrocinha e saiu deslizando as duas rodas em direção ao Cine Apolo XI. O silêncio era total, até eu perguntar:

— E aí, Dom Zacarias gostou da chegada de Scarface?

Com a cara fechada, meio embirrado, ele respondeu de forma quase inaudível:

— “Home”, não fale não!

Ao se aproximar da esquina da Catedral Nossa Senhora da Piedade, ele abriu a boca e começou a jogar para fora as primeiras palavras rudes, consequência da conversa estressante que teve com o bispo exibidor. Chutando tudo o que via pela frente, Cícero — contrariando o bom senso e o que manda a etiqueta — começou a berrar:

— Cara, o “home” é cruel demais! Um sujeito mau, ruim e duro com a gente. Quer porque quer fazer a estreia simultânea do filme nos dois cinemas! Ele está vendo que isso não vai dar certo.

Confesso que fiquei preocupado e sem entender a ideia encomendada por Dom Zacarias. Afinal, só havia uma cópia de Scarface. Como exibir o filme, ao mesmo tempo, nos dois cinemas? O Cine Apolo XI ficava na Zona Norte e o Cine Pax, na Zona Sul da cidade.

Em se tratando de cidade do interior, o percurso entre os dois cinemas não era lá tão longe assim; dava para ser percorrido em dez minutos. O problema era a logística. Já que o bispo havia estabelecido que a exibição do filme seria feita dessa forma, ficou acertado na conversa entre os dois que a sessão no Cine Apolo XI iria iniciar às dezenove horas e, no Cine Pax, às vinte horas — uma diferença de uma hora de um cinema para o outro, com o objetivo de não haver problemas na exibição.

Uma vez feita a programação de rua, com a colocação das tabuletas contendo os cartazes do filme em lugares estratégicos da cidade — anunciando a exibição paralela e os novos horários —, a expectativa dos operadores dos projetores era aguardar e ver, na prática, se tudo ia dar certo.

Chegou a noite, e o Cine Teatro Apolo XI começou a rodar a primeira parte do filme no horário programado. Assim que terminou a exibição do primeiro rolo, Geraldo Galvão — um voluntário com presença marcada todos os dias no cinema — pegou sem perder tempo a lata com a película, subiu em uma bicicleta e disparou para deixá-la no Cine Pax.

No momento em que Geraldo Galvão chegou no Cine Pax com a primeira parte de Scarface, Zezinho, o operador de projetor, já o esperava na portaria do cinema para levar a película até a cabine. O funcionário pegou o rolo e dirigiu-se rapidamente até o seu espaço de trabalho. Depois de rebobinar o carretel de fita e ajustar no projetor, deu início à exibição.

Tudo ia correndo muito bem, mesmo sabendo que, para satisfazer o ego do bispo Dom Zacarias Rolim de Moura, o esforço do voluntário Geraldo Galvão estava sendo imenso. Ele aceitou a tarefa simplesmente por cultivar uma boa amizade com funcionários, por amar o cinema e por vivenciar — como era de praxe entre alguns jovens de Cajazeiras naquela época — a rotina das atividades que antecediam as exibições dos filmes nos cinemas da sua terra.


Apesar do calor sudorífico e grudento das cabines de projeção dos dois cinemas — principalmente a do Cine Pax, apertada, quente e sufocante demais para os seus operadores, Zezinho e seu filho (que exercia a função de auxiliar de operador) —, até a terceira parte do filme tudo ia transcorrendo sem nenhum problema, ou melhor, ia se dando muito bem.

Porém, fatores abstratos no Cine Teatro Apolo XI — muitos ligados a uma energia externa ou, quem sabe, ao imponderável — interferiram na perfeição da projeção conduzida pelos irmãos Paulo e Luiz Conrado, causando a quebra da película na quarta parte de Scarface. O incidente induziu o público que assistia o filme a ter uma reação imediata, entre assovios e gritos, obrigando todos a suportar quase dez minutos de paralisação.

Passado esse contratempo, a exibição prosseguiu como estava antes. Quando a quarta parte de Scarface foi puxada pelas garras das bobinas do projetor do Apolo XI, Geraldo Galvão imediatamente apanhou o rolo e seguiu em disparada para o Cine Pax. Ao alcançar a portaria do cinema, o filho de Zezinho já o aguardava ansiosamente.

Preocupado com o tempo, o rapaz recebeu a quarta parte das mãos de Geraldo e, às pressas, subiu a escada caracol do Cine Pax rumo à cabine onde o pai o esperava. O jovem entrou como a luz de um relâmpago naquele espaço apertado e rebobinou o rolo contando os minutos e segundos, pois a terceira parte já estava chegando ao fim. Só houve tempo de colocá-la no segundo projetor e, assim que a película anterior terminou, ele acionou a máquina, dando prosseguimento à exibição sem deixar brecha ou “clarão” na transição da terceira para a quarta parte.

No Cine Teatro Apolo XI — com sua cabine mais moderna, ampla e dotada de ar-condicionado —, seguia a projeção da quinta e última parte do filme de Brian De Palma. Enquanto isso, lá no Cine Pax, a quarta parte ainda estava em andamento. Parecia que tudo acabaria com um final feliz — exceto para Geraldo Galvão, que já estava com as “baterias arriadas”, exausto de tanto “pra lá e pra cá” entre os dois cinemas. Foi quando, de repente, da escuridão do céu desceram sobre Cajazeiras as primeiras gotas cristalinas de uma chuva que durou fortes vinte minutos — tempo suficiente para o “The End” anunciar o final do filme.

Em questão de poucos minutos, o operador Paulo Conrado apareceu com a quinta e última parte no hall do cinema para entregá-la a Geraldo Galvão. Ficaram olhando um para a face do outro, em silêncio, até Geraldo Galvão sussurrar:

— E agora? O que faremos com essa chuva?

O segurança, de alcunha Didi, responsável pela ordenação das filas na portaria e na bilheteria, que estava bem próximo, respondeu para Geraldo Galvão:

— E agora? Agora enfrente a chuva! Vá logo, pois a quarta parte do filme no Cine Pax, se não estiver terminando, deve estar por um triz!

Sem dizer palavra ao segurança, Galvão pegou a lata com o rolo de película das mãos do operador do Apolo XI, protegeu-a debaixo da camisa, montou na bicicleta e começou a pedalar sob o temporal em direção ao cinema da Zona Sul da cidade.

Ao se aproximar do Grande Hotel — onde hoje fica o canal da Travessa Joaquim Costa — o toró, antes impiedoso, começou a diminuir moderadamente de volume. Entretanto, as águas escorriam com força, encobrindo o calçamento. Com toda a pressa do mundo, Geraldo jogou-se com bicicleta, rolo de película e tudo no meio do aguaceiro.

Nesse momento, em meio ao esforço desesperado para vencer as águas, ele sentiu um estralo seco na corrente da bicicleta e percebeu, de imediato, que ela havia descarrilado da coroa. Tomado pela preocupação com o tempo e castigado pela chuva que ainda caía, Geraldo encostou a bike no meio-fio e, após alguns minutos de luta contra a graxa e a umidade, conseguiu recolocar a corrente no lugar.

Quando chegou ao Cine Pax com a última parte do filme — visivelmente combalido e completamente encharcado —, a projeção estava parada. No auditório, a plateia permanecia apreensiva e impaciente, aguardando o desfecho de Scarface para saber se o personagem de Al Pacino sobreviveria ou encontraria o seu fim. Logo em seguida, chegaram também os dois operadores do Cine Teatro Apolo XI e o porteiro, unindo-se a Zezinho e a seu filho na força-tarefa final para concluir a exibição naquela sala da Zona Sul, considerada pelos cajazeirenses a mais popular da cidade.

 
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Créditos das imagens:
Imagem 1. (da Internet) Cícero Alves (in memoriam) e Dom Zacarias Rolim de Moura(in memoriam) Bispo Diocesano de Cajazeiras.
Imagem 2. (acervo: Cleudimar Ferraira) Cícero Alves na Cabine de Projeção do Cine Teatro Apolo XI 
Imagem 3. (de um fotograma) O ator Al Pacino em Scarface
Imagem 4. (1. Foto: Borracha) Cine Teatro Apolo XI (2. do Google Map) Prédio onde funcionou o Cine Pax




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sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

O Casarão do Bispo - Umari, Ceará.

por Roberto Júnior
POSTAGEM PUBLICADA EM 26 DE JULHO DE 2018 NO BLOG CARIRI DAS ANTIGAS

Imponente Casarão de beira de estrada, onde nasceu e morreu Dom Zacarias Rolim de Moura 


No sítio Malhada das Pombas, em Umari, a vegetação é ampla e os baixios e morrotes encantam a vista de qualquer um, tal paisagem é completada por uma enorme construção, provavelmente do Séc. XIX, que nas margens de uma das vias rurais da cidade impõe presença, é o Casarão do Bispo.

O bispo a quem o nome faz referência é Dom Zacarias Rolim de Moura, Bispo de Cajazeiras, que aí nasceu em 1914, e seguindo os passos do pai, Bonifácio Gonçalves de Moura, que morreu na casa em 12 de março de 1941, aí também faleceu em 05 de Abril de 1992.

Pouco consegui apurar sobre o passado do imóvel antes de ser adquirido por Bonifácio, a cidade é servida basicamente pela oralidade e algo mais palpável me chegou através de memorialistas de Cajazeiras, onde a família exercia plenamente seu poder econômico e político, tendo sido o patriarca eleito deputado em mais de uma legislatura.

Na falta de documentação cartorial que me desse mais subsídios para falar sobre o imóvel em si, levei em consideração as características arquitetônicas da construção, que tem a cumeeira contando mais de 9 metros de altura, a fachada composta por 4 janelas e 3 portas, todas com arco abaulado, mas que não seguem uniformidade e não chegam a configurar uma fenestração perfeita.

Os elementos construtivos são típicos das arquiteturas vernaculares, e a estrutura do imóvel foi relativamente pouco alterada ao longo dos anos, algo necessário, uma vez que o imóvel ainda é habitado, por “Seu Miguelino”, um senhorzinho simpático que nos recebeu e nos encantou com as histórias do local, algumas fantásticas e que envolvem até causos de botijas.

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sexta-feira, 3 de novembro de 2023

As mulheres não têm coração

por João Batista de Brito

Atriz e Modelo Dita Von Teese. Imagem da internet


Tinha, então, treze anos de idade.
Era final de setembro, começo de primavera, quando o Circo chegou ao seu bairro, Jaguaribe. Foi armado ali no terreno livre que sobrou depois que derrubaram os muros do Clube Cabo Branco.
Por acaso, acompanhou a armação, pois a avenida Primeiro de Maio era o seu caminho para a escola, o Grupo Sto Antônio. Entre idas e vindas, daí a pouco o Circo Parondi já estava de pé, e, no dia seguinte, os cartazes já anunciavam a programação, sem falar no palhaço de pernas de pau, percorrendo as ruas do bairro, divulgando o espetáculo aos gritos, rodeado de crianças.
Naquele fim de semana o Cinema Sto Antônio não o viu. O filme em cartaz não parecia boa coisa e, afinal de contas, o Circo era a grande novidade do momento.
E foi. Mágicos, animais adestrados, malabaristas, palhaços, drama - tudo empolgante, porém, nada mais empolgante que a bailarina.
Ah, a bailarina! Dançando no palco ou girando no trapézio de pernas para o ar, a bailarina era simplesmente maravilhosa, fantástica, luxuriante, a mulher mais linda do mundo. Sua pouca roupa mostrava um corpo perfeito, cintura estreita, seios rijos, coxas roliças, mãos e pés delicados, quadris carnudos, arredondados feito dois balões. Embora delgada, translúcida, vaporosa, também era corpórea, palpável, mais que isso, irresistivelmente sensual, carnal mesmo. O rosto era de uma deusa pagã, e o sorriso aberto, um convite ao amor.
Naquela noite não dormiu bem. Macia, sedosa, sedutora, a figura da bailarina veio para a cama com ele. Inquieto, nervoso, não conseguia conciliar o sono. Até seu cheiro sentia. Virava de um lado para o outro e uma espécie de fogo o queimava por dentro; essa sensação estranha, que nunca sentira, instigava seu espírito e seu corpo e gerava em suas carnes um desejo até então desconhecido, um que cobrava desafogo, fosse como fosse. Foi quando se deu conta de que estava perdidamente apaixonado pela bailarina.
Depois desse dia, o cofre onde escondia suas parcas economias - um porquinho de barro - esvaziou. Espedaçou-o no encalço das últimas moedas, e jogou os cacos no lixo. Inventando mentiras em casa, gastou o dinheiro todo com os ingressos do Circo e, mais grave, passou a gazear as aulas para rondá-lo, brechando sua vida fora das lonas. Fazia isso a manhã toda, na esperança de ter contato com a bailarina.
E teve. Ela terminou notando aquele menino com farda de escola, por ali, espionando, meio disfarçado, e sempre de olho nela. Ao se saber notado por ela, gelou e não teve coragem de falar, mas ela mesma falou: aproximou-se devagar e lhe perguntou o que ele fazia ali, e ele, o coração batendo, suado, trêmulo, gaguejante, disse que queria trabalhar no Circo, fazer qualquer coisa, aprenderia rápido.
“Que idade você tem?” perguntou.
“Treze”, disse, já arrependido de ter dito.
“Seus pais estão sabendo?”
Quis mentir que sim, mas disse “Não”.
“E por que você quer trabalhar no Circo?”
E aí juntou toda a coragem de que dispunha e confessou de uma vez por todas seu sentimento e sua intenção: estava apaixonado e queria estar com ela, queria casar.
Ela respondeu com uma larga risada, o que o deixou tonto e mais perdido que nunca.
E então ela curvou-se para fitá-lo mais de perto, e, ainda rindo, agora suavemente, talvez carinhosamente, foi dizendo que tinha três vezes a sua idade ou mais; que seria muito estranho para todo mundo se casassem; disse que ele esquecesse esse negócio de amor, que afinal de contas ele não tinha idade para assumir compromissos; e, com mais firmeza na voz, ordenou que ele fosse para casa, ou para a escola, que seria bem melhor, e acrescentou que vida de circo era coisa de maluco.
E afastou-se, apressada, em direção a uma das tendas do circo, de lá lhe jogando um beijo de mão. E ele nunca mais a viu.
Foi nesse dia triste que tomou consciência da dura verdade: que as mulheres não têm coração.

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Referência da Imagem: Dita Von Teese - Atriz e Modelo. Produção da imagen: Revista Plastic Deeans

terça-feira, 31 de outubro de 2023

"Oh! Terrinha Boa" agora é Patrimônio Cultural Imaterial da Paraíba

Imagem da Internet - foto para divulgação

Um reconhecimento! E merecido! A peça teatral de gênero humor “OH! TERRINHA BOA”, passará a partir deste ano a fazer parte do seleto grupo de expressões culturais reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do nosso Estado da Paraíba. 

O Projeto de Lei de nº 1.242/2023, de autoria do deputado estadual Chico Mendes, foi apresentado, votado e aprovado na Assembleia Legislativa da Paraíba e, teve como subscrevestes, os parlamentares Paula Francinete e Júnior Araújo. Todos da região de Cajazeiras.

O espetáculo cênico foi montado e vem sendo apresentado a décadas pela Companhia de Teatro Arco Íris de nossa cidade. O elenco é composto pelos atores Francisco Jucinério Félix Filho e José Ricardo Lacerda, os quais interpretam os personagens de “Zé do Vale e Maria Calado”, respectivamente.

Segundo os integrantes do espetáculo, a Cia Teatral Arco Íris nasceu em 1985 e seu surgimento foi fruto do trabalho realizado pelas comunidades eclesiásticas de base da Igreja Católica (CEB’S).

A peça teatral “Oh! Terrinha Boa” tem como eixo temático a cultura nordestina, com destaque para temas sociais como a luta agrária, o êxodo rural e a religiosidade do nosso povo. Recorre a assuntos palpitantes como a xenofobia e a discriminação. Ou seja, um trabalho de pesquisa sobre o universo da cultural regional nordestina.

Sobre a encenação, o espetáculo apresenta um perfil cômico, caricato, mostrando o trejeito nordestino de ser. Na peça as personagens “Zé do Vale e Maria Calado” representa um casal típico do interior sertanejo que vive uma vida simples, mas que diante dos constantes problemas ocasionados pela seca, são forçados a deixar sua terra natal para aventurar-se e enfrentar a dura realidade da cidade grande, com destaque a cidade de São Paulo.


Cleudimar Ferreira

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sexta-feira, 20 de outubro de 2023

CONVERSAS DE CINE ÉDEN. Um encontro com o último exibidor cajazeirense

por Cleudimar Ferreira


Foto do Edificio OK. Ao lado direito, na parte de cima (na marquise), os cartazes do Cine Éden


Quando começou o declínio dos cinemas em Cajazeiras, ocorrido no final dos anos 80, eu já estava alçando outros ares na capital paraibana. Mas nem assim, com o fechamento em 1990 do último espaço de exibições que ainda continuava operando, passei a dormir com outras salas no meu quarto de república estudantil. Não tinha como ser de outro jeito, pois os fantasmas das três salas de cinema que havia na cidade estavam sempre na minha cola.

Ao me deitar para serenar as emoções da convivência de um dia no DAC/UFPB, bastava só um cochilo, e aí eu os via sair das telas dos cinemas Éden, Apolo XI, Pax; por um capricho, eles começavam o ritual comanche ao redor do meu beliche. Um protocolado momento atemporal que mesmo hoje, na condição de sexagenário, ainda permanece vivo nos meus sonhos, embora esporadicamente.

Em se tratando de sonhos, sonhos são relativos! Há aqueles de que você gosta de sonhar e aqueles dos quais você foge da cama; perde uma noite de sono só para não arriscar sonhar. Os meus, com relação às salas de cinema da minha terra, sempre foram bem-vindos e, até hoje, uma vez por outra, recorro a alguns goles de suco de maracujá para melhor relaxar, dormir bem e sonhar eternamente com os bons momentos vividos naquelas salas de projeção.

Mesmo não mais existindo, as suas memórias foram, até aqui, os melhores meios que tive – que têm me prendido à história desses cinemas e à relação que eles tiveram com a minha adolescência, bem como ao acesso psicossomático às últimas imagens que vi serem exibidas nas salas dos nossos cinemas. Principalmente na tela do mais tradicional de todos, o Cine Éden.

Para ser bem claro, as recordações desses locais onde nos divertíamos em Cajazeiras têm sido uma forma de manter viva no tempo a minha remota convivência com esses cinemas, de deixar a chama do passado, do presente e da esperança acesa. Quem sabe um dia veríamos os três voltando a operar como antes, embora, naquele cenário agônico, vivêssemos momentos adversos em que pouca ação relevante contribuiria para esse feito acontecer.

Todavia, enquanto esse sonho, de fato, não se materializava com sua inesperada concretude, o que me contentava eram os pouco mais de um mês de férias que eu passava no início de cada ano. Esse período me fazia voltar a Cajazeiras para rever meus familiares, os amigos e, como praxe, visitar as velhas salas de exibições em crise dos cinemas da cidade — que sempre capengaram com dificuldades, "a duras penas", graças às benevolências dos últimos frequentadores. Por paixão à sétima arte, eles insistiam em estar presentes em algumas das noites de exibição, mesmo vendo o declínio se acentuando e, no meio dessa problemática, ouvindo também as agruras e os chororôs dos proprietários dessas salas.

E foi em uma dessas férias, a de 1991, quando voltava a Cajazeiras, como sempre fazia, que tive a grata satisfação de ter conversado sobre o Cine Éden com um dos seus mais destacados exibidores. Ao pisar em solo cajazeirense, era sagrado: o primeiro tour que eu fazia pela cidade era visitar os frontões desses espaços de entretenimento.

Ver se ainda estavam em pé e, se possível fosse, bater aquele papo com as pessoas próximas a esses locais, procurando saber como iam os cinemas. No caso do tour daquele ano, comecei pela Praça Nossa Senhora de Fátima — a famosa Praça da Cultura. Passei por ela, atravessei toda a sua extensão e me desloquei em direção à Avenida Presidente João Pessoa, pela Rua Joaquim de Souza, até chegar à esquina do Edifício Ok.

Nesse momento, as emoções começaram a cair como aquelas velhas fichas de telefone e, para completar esse sentimento, ouvi, vindo de uma residência ou de um local próximo de onde eu estava, o som, embora distante, da música “Theme from A Summer Place”, de Max Steiner — que foi a trilha sonora original do filme A Summer Place, de 1959. Esse momento pareceu coisa do acaso, ou mesmo uma coincidência digna de cinema. Tocado por esse inesquecível instrumental, que ficou marcado entre os grandes sucessos sonoros da época de ouro das produções hollywoodianas na história do cinema, fui me aproximando do Cine Éden.

Quando cheguei à lacrada portaria sanfonada que ainda estava lá, vi que havia dentro, no hall, muito entulho no chão, restos de tabuletas, pó e cartazes empoeirados — alguns ainda nas paredes, outros jogados no piso. Os sinais ali à minha frente eram de abandono e envelhecimento do local.

Não deu nem para discernir a tristeza, pois nesse momento a sombra de uma pessoa veio até mim e, convincente, disse:
— Aí não tem mais nada não, amigo! Faz uns quatro meses, acho, que fechou! Eduardo, o dono, já vendeu até um dos dois projetores para um homem de Juazeiro.
Eu olhei um pouco de lado para aquele desconhecido e simplesmente respondi:
— Foi?
E ele me replicou:
— Foi!

Depois, esqueci aquela inesperada sombra e saí de fininho. Deixei aquele mortificado local, onde o Cine Éden havia vivido com glamour seu papel de um dos grandes cinemas de sua época. Cruzei a Avenida Presidente João Pessoa em direção à continuidade da Rua Joaquim de Souza, rumando em direção à Rua Epifânio Sobreira.

No traçado irregular do percurso da Rua Epifânio Sobreira — envolvidos com as fachadas e placas das lojas daquela artéria comercial, no vaivém dos transeuntes —, os passos me conduziram à Praça Coração de Jesus, próximo às cerâmicas populares de dona Lourdes Louceira, estiradas a céu aberto no calçamento escaldante da esquina da Danielle Boutique.

Admirado com a beleza daquela arte popular, ali exposta ao chão, a ferro e brasa, porém ainda, em mente, tocado com as palavras da sombra inesperada que apareceu do nada na calçada do Cine Éden, desliguei-me de toda a movimentação daquele sábado de feira livre e voltei a mim. Passada a zonzeira, percebi que estava quase na entrada da Farmácia São Francisco. Dei mais uns passos, olhei para o interior do estabelecimento farmacêutico e me dirigi até o balcão. Prontamente, um dos balconistas me atendeu e perguntou o que eu queria. Então, eu respondi a ele:
— Falar com Eduardo Jorge!
O rapaz olhou para o final do balcão e foi logo dizendo:
— Pois não, ele está ali no escritório, pode entrar.

Ao aproximar-me de forma inesperada do aposento empresarial daquele último exibidor cajazeirense, ele foi logo percebendo a minha chegada, acompanhando com olhar surpreso a minha entrada no seu local de trabalho. Com a mão na maçaneta, fui abrindo a porta e, ao mesmo tempo, pedindo licença para entrar. Dei ‘bom dia’ e ele respondeu:
— Bom dia, pode sentar-se. O que deseja?
Então, eu disse para ele:  
— Falar sobre cinema!
Aí, nesse momento, o homem respeitosamente replicou, dizendo:
— Pois não, pode falar. É sobre o quê?
Indaguei mais uma vez, indo logo ao assunto:
— É sobre o fechamento do Cine Éden. Você lacrou mesmo o cinema, rapaz?
Ele olhou para mim e disparou a sua lábia:
— Rapaz, sabe de uma coisa? Você não é a primeira pessoa que me pergunta sobre o fechamento do Cine Éden.
E acrescentou:
— Não dava mais para mantê-lo aberto.

E continuou:
— Eu vinha fazendo de tudo para manter o cinema aberto. Não havia mais público. Abati o valor da entrada, mas não resolvi a crise! Até filmes pornôs fui obrigado a exibir tentando trazer o público de volta ao cinema, mas foi pior. No início até que deu um pouquinho de gente, mas o tempo foi passando... Você sabe, a Praça João Pessoa é um local bastante popular, muito frequentado. Há ainda ali muitas residências onde os moradores mantêm a tradição de colocar as cadeiras na calçada para conversar com o vizinho e olhar quem vem e quem passa. Muitos que têm suas casas em frente ao cinema ficavam sabendo quem entrava e saía do cinema para ver esse tipo de filme. Por conta disso, o público, na sua maioria do sexo masculino, foi diminuindo. Ninguém queria arriscar passar uma vergonha, pois se fosse visto na porta do Cine Éden para assistir a um filme assim, no outro dia a cidade inteira ficava sabendo — assim relatou o último proprietário do Cine Éden.

A nossa conversa não avançou muito e, nesse instante, tentei fazer uma reflexão a partir do que ele acabara de relatar sobre a história da crise do mais tradicional cinema de Cajazeiras antes do seu fechamento. Lamentei toda a problemática exposta e perguntei por que não buscou socorro da UFPB. E até adiantei que poderia ter feito um tipo de parceria com os professores universitários, ou até mesmo com a Prefeitura, para não ter que fechar o cinema.
Aparentando um certo estresse, antes mesmo que eu terminasse o meu raciocínio, ele cortou a minha fala e disse:
— Amigo, tudo isso eu fiz, mas não deu certo, foi pior ainda. Não tive outro jeito, outra saída.
E acrescentou:
— Você queria que eu fizesse mais o quê? Teve dias em que abri o cinema e tive que fechar por não aparecer uma só pessoa para ver o filme que seria exibido.
Nossa breve conversa parou por aqui. Levantei-me da cadeira, ofereci a mão direita como despedida e disse a ele:
— Está certo! Muito obrigado pela sua atenção.

Depois, saí de fininho em direção à Rua Padre José Tomaz, entre as tarimbas e as barracas daquele dia de feira. Semanas depois, voltei à capital paraibana levando comigo, na cadeira do ônibus, todas as memórias e lembranças possíveis das Cajazeiras do meu tempo, bem como do Cine Teatro Éden e dos grandes clássicos que foram exibidos na sua tela panorâmica.


Trailer com a trilha sonora do filme A Summer Place, de 1959.

Eduardo Jorge César Guedes. Último exibidor e dirigente do Cine Éden
Foto 1, original e Foto 2, melhorada com IA. 



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sábado, 7 de outubro de 2023

Divulgada a Programação da 12ª Mostra Acauã do Audiovisial Paraibano

 



Acontecerá entre os dias 22 e 25 do mês de novembro deste ano de 2023, na Fazenda Acauã em Aparecida, Paraíba, a 12ª Mostra Acauã do Audiovisual Paraibano. O evento de cinema tem como uma de suas principais missões a de promover a produção local e fornecer visibilidade aos cineastas paraibanos, reconhecendo e estimulando o cinema produzido no estado, com o objetivo de fortalecer a identidade cultural da Paraíba. Além disso, a mostra este ano, homenageará Dediu Ferreira, artista aparecidense que possui um histórico de atuações nas artes visuais e no cinema da localidade, ou seja, no cinema sertanejo.

Nessa edição de 2023 da Mostra Acauã, a programação antecipadamente já divulgada nas redes sociais pela produção da mostra, incluirá exibições de curtas e longas metragens, documentários e filmes experimentais. As exibições ocorrerão através das mostras Longa Paraíba; Paraíba Afora e Sertão na Tela, além da mostra Chuva de Cinema, que acontecerá todas as noites, com a exibição dos filmes que não foram exibidos em 2022 por conta da chuva. Além dessa novidade, a Mostra Acauã permanecerá com parte da sua programação para o público infantil/infanto-juvenil, este ano com duas versões da Mostra Moleque.

A mostra de cinema é um projeto que acontece todo ano e é uma realização da Acauã Produções Culturais, com patrocínio do Banco do Nordeste, Prefeitura de Aparecida - através da secretaria de cultura do município, Lei Paulo Gustavo e Governo Federal, através do Ministério da Cultura. A arte do evento é Lasmin Ferreira. Fiquem ligados, pois em breve traremos mais atualizações, mais informaões.



Confira abaixo os filmes selecionados 
para a 12° edição da Mostra Acauã do Audiovisual Paraibano!

Click nas imagens abaixo para ver melhor a programação
      


QUÉM É O HOMANGEADO?



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segunda-feira, 11 de setembro de 2023

PORTFOLIO DO IBGE MOSTRA FOTOS RARAS DE CAJAZEIRAS DO INÍCIO DOS ANOS 60

   [ BÔNUS ]          



Uma equipe do IBGE, parece que desembarcou em Cajazeiras no início dos anos 60. Em provável inspeção na cidade, visitaram ruas, logradouros e pontos destacados de Cajazeiras. Na estadia da terre de Padre Rolim, é o que parece, fotografaram esses trechos e outras vias. Porém não se sabe ainda, se as imagens abaixo foram produzidas pela equipe dessa instituição federal ou se foram cedidas pela Prefeitura de Cajazeiras ao IBGE. O certo mesmo é que elas pertencem ao acervo do IBGE. São datadas de 1962, portanto, produzidas há 61 anos atrás e, são de importante valia para a história do nosso município, pois mostra parte do aspecto urbanos da cidade ainda em desenvolvimento, com ruas que começavam da periferia em terra batida e termina com calçamento no centro. Mostram também, que nos anos 60, ainda era possível usar a água do Açude Grande para cozinhar, beber, lavar roupa e outras necessidades domésticas. Ou seja, nosso açudo parece que ainda não era poluído, com esgotos, dejetos e lixos, como é a realidade do Açude Grande que conhecemos hoje. Click nas imagens para ampliá-las. 

Exposition das Fotos:  



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domingo, 10 de setembro de 2023

Lei Paulo Gustavo destina mais de 1 milhão para 9ª Regional de Cultura em Cajazeiras




O Estado da Paraíba divulgou os editais regionais de cultura referentes à Lei Paulo Gustavo. A 9ª Regional de Cultura, suíte que compõe Cajazeiras e os municípios circunvizinhos, terá mais de R$ 1 milhão de reais em recursos no setor cultural. Como a 9ª Regional engloba 15 municípios e, em alguns deles o volume de produções artísticas e culturais é mais intenso, só como exemplo, temos nesse rol os municípios de Cajazeiras, Poço de Zé de Moura, Monte Horebe e Uiraúna; esperava eu, que para essa região sertaneja de polarizada por Cajazeiras, o valor destinado seria bem maior do que esse percentual anunciado pela gestão estadual. 

Porém, como passamos um jejum de mais de 4 anos com quase nada de investimentos na área cultural, os valores expressos na LPG, já são um bom começo. Os editais são os referentes à Lei Complementar nº 195, Lei Paulo Gustavo (LPG), de 8 de julho de 2022. O propósito dos editais é selecionar e fomentar projetos culturais enquadrados nos artigos 6º e 8º da LPG, submetidos por proponentes residentes no estado paraibano.

Os editais estão divididos por região. Para Regional de Cajazeiras, que corresponde aos municípios de Bernardino Batista, Bom Jesus, Bonito de Santa Fé, Cachoeira dos Índios, Cajazeiras, Carrapateira, Joca Claudino, Monte Horebe, Poço Dantas, Poço de José de Moura, Santa Helena, São João do Rio do Peixe, São José de Piranhas, Triunfo e Uiraúna, está previsto um investimento de R$ 1.666.332,30 em recursos para promoção de atividades culturais nesses municípios.

Cada edital irá abranger projetos nas áreas de produção de seriado, curta-metragem, videoclipe, produção de games, roteiro, instalação, ampliação ou manutenção de cinemas de rua ou cinemas itinerantes, realização de festivais, circulação artística de bandas, grupos, agremiações e coletivos, manutenção ou ocupação de equipamentos culturais, projeto sociocultural, dentre outros.

O investimento total da Lei Paulo Gustavo na Paraíba deverá ser de R$ 48.677.436,90. As inscrições para cada edital, teve início neste sábado (9) às 8h e o encerramento está previsto para o dia 9 de outubro às 18h. Todas as informações para as inscrições estão contidas em cada edital, no site da Secretaria de Cultura, no cultura.pb.gov.br.

Portanto, você que produtor cultural, artista ou brincante, não deve perder as horas e nem o tempo. Tire o seu projeto da gaveta, faça já a sua inscrição e garanta a produção dele. Caso tenha algumas dificuldades no entendimento e na juntada da documentação, procure uma pessoa como mais experiência em lidar com as inscrições nessas leis ou forme grupos de discussão para melhorar o seu entendimento do edital. 

Para facilitar o seu acesse ao edital e os procedimentos, bem como, os documentos necessários para sua inscrição, disponibilizamos os links abaixo:

Acesso ao edital: 
 https://paraiba.pb.gov.br/diretas/secretaria-da-cultura/lpg/9a-regional
Acesso aos ducumentos necessarios: 
Acesso ao procedimento para inscrição: 

NÃO PERCA AS HORAS E NEM O TEMPO. FAÇA JÁ A SUA INSCRIÇÃO!

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