quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Saiu a lista dos espetáculos selecionados para o VI CAJAZEIRATO.

 


A Comissão Organizadora do VI CAJAZEIRATO - FESTIVAL ESTADUAL DE TEATRO DE CAJAZEIRAS divulgou a lista com os nomes dos espetáculos selecionados que participarão da programação do festival. São eles:
Travesseiro Branco - Direção de Júlio César Rolim (Campina Grande);
O Pequeno Príncipe - Direção de Letícia Rodrigues (João Pessoa);
De hoje eu não passo - Direção de Girlene Moreira e Thainara Gonçalves (Cajazeiras);
A Revolta dos Bichos - Direção de Vladimir Santiago (João Pessoa);
O Palhaço - Direção de Frank Burity (Cajazeiras);
Eternamente Bibi - Direção de Maria Rita (João Pessoa);
Os demais espetáculos inscritos, não selecionados, que não foram contemplados, ficaram na condição de suplentes, podendo ser chamados pela comissão do evento, caso algum espetáculo selecionado desista da participação no festival.  Lembrando que o VI CAJAZEIRATO, acontecerá entre os dias 28 e 30 deste mês de Janeiro, no Teatro Íracles Brocos Pires (Teatro ICA), com apresentações à tarde e a noite, sendo os horários ainda a ser definidos, quando a programação oficial do evento for elaborada pela comissão organizadora. 

H I S T Ó R I A

O CAJAZEIRATO foi criado em 2002, pelo teatrólogo Francisco Hernandez e é realizado pela Associação Cajazeirense de Teatro (ACATE). A primeira edição do evento homenageou ao grande autor e diretor paraibano, Leonardo Nobrega (in memoriam). Na sua segunda edição, em 2007, prestou uma justa homenagem ao ativista multicultural, Joao Balula. No ano seguinte, 2008, durante sua terceira edição, foi à vez de homenagear o maior articulador e colaborador do teatro no sertão paraibano, o autor, o diretor, advogado e jornalista, Chico Cardoso. Já em 2009, o homenageado foi o ator Fernando Mercês, um grande baluarte apaixonado pela arte de representar. Na sua ultima realização no ano de 2019, antes da crise sanitária, o escolhido para ser homenageado foi o dramaturgo, ator, diretor e escritor, Tarcísio Pereira. Um incansável guerreiro da escrita e da cena teatral paraibana. 

Agora em 2021, depois de dois anos paralisado, apostando na recuperação e no retorno das atividades culturais, mesmo com as incertezas ainda nos rondando, os promotores do festival, imbuídos de sentimento e de esperança, acreditando na resistência cultural, escolheu um ícone das artes sertanejas para ser o homenageado nesta sexta edição do CAJAZEIRATO. Trata-se de Laercio Ferreira - ator, cineasta, roteirista, articulador cultural, consultor, exímio elaborador de projetos, esperançoso e amante das artes paraibana e de um modo geral. 



informações colhidas no facebook de Francisco Hernandes. https://www.facebook.com/Hernandezteatro

EU VIVI!

   Aconteceu em uma escola 
   no bairro dos Bancários, em João Pessoa.   

Imagem: Reprodução da obra de Salvador Dalí. "Livro se transformando em mulher nua", 
Óleo sobre tela de 1940. Acervo: Fundação Gala-Salvador Dalí.


Ultimamente tenho dormido com o improvável. Nesse estado de incerteza e até ambíguo que me tem roubado o sono, as noites sempre tem sido moribundas. E aí o pouco de sono que me é permitido pelo olhos profundo da insônia, as avalanches de sonhos inesperados, muitos irregulares, abstratos, surreais e psicossomáticos das minhas trevas, têm revelado imagens que eu não precisei sentir e nem tão pouco imaginei viver ou ter como referência para o meu convívio material ou espiritual.

Esse tal comportamento dimensionado e ilógico, foi quebrado nesta noite de quinta-feira passada para a sexta-feira seguinte, quando embora não tinha tido um sono normal, como deveria ter, pelo menos os sonhos que insistia em povoar meu sono, não tiveram no final um desfecho fantasmagórico com dantes. Eles vieram! Mas vieram com luz; com cores; coisas só do bem. Coisas de um Espirito Santo com todos os Arcanjos do céu. De Deus mesmo.

Amanheci com o sol bonito da manhã iluminando o mundo e, com disposição para enfrentar a mesmice do dia-a-dia. Então eu me preparei com todo gás possível, para desenhar a minha passagem por aquela sexta. É que eu tinha um trabalho para começar numa escola pública e assim, saí de casa a pé, por que na real, professor pobre que não teve oportunidade ainda, vive um incômodo cotidiano a margem da vida, andando muitas vezes a pé mesmo, oferecendo a cara, de graça, aos ardentes raios solares do dia-a-dia.

E foi para esta escola... Chegando lá, foi até a biblioteca aonde ia me encontrar com os alunos, em número de doze, inscritos na atividade previamente programada. Entretanto tal foi a minha surpresa, só compareceu uma aluna. Dei uma volta pela escola, procurando mais alunos para compor um número maior que possibilitasse dar início a essa atividade. Toda minha procura foi em vão, nada encontrei. Porém quando voltei à biblioteca, já havia três alunas na mesa a minha espera. Tirei o notebook da bolsa e comecei mostrar um vídeo para eles.

Quando dei início às explicações das etapas do trabalho que ia fazer com os mesmos, uma das alunas em condição social bastante carente - pois morava em uma comunidade próxima a escola desprovida da ação do poder público, começou falar da sua situação, onde morava e, das dificuldades de se deslocar até aquela unidade escola, já que cuidava dos seus irmãos menores na ausência da mãe. Disse também que apesar de todo, fazia um esforço para participar do programa "Mais Educação", além de frequentar as aulas de violão, cuja atividade já havia proporcionado a ela, tocar o instrumento e, que já estava tocando muito bem.

Fiquei contente com seu esforço e dedicação da aluna as aulas de violão. E aí eu perguntei: Você não tem violão não? Ela respondeu: Não! Aprendi com os da escola. Senti uma seriedade extrema na fala naquela aluna. Seu modo de vestir; de falar; das dificuldades da sua condição de ser carente humilde e, da vontade em ser gente, mas gente decente. De ter um futuro melhor.

Parei a conversa e em um instante olhei nos seus olhos e vi que nos seus relatos, havia verdades. De repente veio uma contração no coração e uma quase voz martelando a cabeça, os ouvidos, pedindo que eu desse um violão aquela garotinha. Aí eu disse: vou te dar um violão e quando terminar a aula você já vai pegar.

A menina foi no céu e voltou de tanta alegria. A nossa interação foi interrompida com barulhos e quebra-quebra produzidos dentro daquela unidade de ensino e, em seguida, crianças desesperadas gritando, vindo em direção à biblioteca onde estávamos. Corri para fora, para ver o que estava acontecendo. Ninguém dizia nada, professores corriam para todos os lados. Funcionários desesperados fechavam as salas de aulas.

Procurei me fixar em algum ponto da escola, onde poderia vim aquela barulheira toda. Uma criança corre em minha direção e grita: Professor é naquela classe, não entra lá não, por favor. Eu, mesmo ouvindo o pedido daquela criança, corri em direção a sala e me deparei com uma professora em desespero tentando proteger duas alunas que ainda se encontrava naquela sala de aula.

Quando entrei, vi uma desordem e uma desarrumação na sala e um menino em desespero gritando, derrubando, quebrando tudo: cadeiras, mesas, materiais escolares pelo chão. A professora correu e eu tentei acalmar aquele garoto, que aparentemente estava com uma força sobrenatural.

Agarrei-me com ele e segurei forte. Ele começa a me morder e, quando se soltava jogar cadeiras e que estivesse próximo dele, em minha direção. A força do garoto era algo incomum que senti dificuldades de conter a sua fúria. E assim tentando, dá uma de exorcista, tirei com toda dificuldade o garoto da sala para o corredor com ele gritando "eu não sou doido", "eu não sou doido". Segurei e pedi que trouxesse água. Como! Os funcionários da escola não tiveram coragem de se aproximar do garoto.

Como socorro nenhum chagava para me ajudar, com todo esforço que tive naquele momento, levei garoto até o bebedor e aí, ele foi se acalmando, se acalmando. Depois de estar com ele praticamente no colo, um pouco mais calmo, a professora do garoto apareceu e levou o mesmo para uma sala reservada.

Senti que naquela sexta-feira, fiz duas boas ações: A de ter dado um dos dois violões novinho que tinha em casa - o que estava autografado por Zé Ramalho e que eu não estava usando, a uma aluna que necessitava de um. Doei pesando no futuro daquela aluna. Quem sabe a mesma não se tornaria uma grade musicista. E a outra a ação, foi a de ter contido, não sei como, aquele aluno enfurecido, descontrolado, que estava quebrando tudo dentro da sala de aula.

Em casa, quando cheguei, lembrei-me dos sonhos positivos que havia sonhado na noite anterior. Ou seja, depois de uma sequência de sonhos inspirados nas telas de Salvador Dalí e outros experimentados nas práticas freudianas, acabei colocando em xeque-mate naquela sexta-feira, o que a razão determinou como deveria ser o meu dia, para aquele sexta-feira.

Cleudimar Ferreira



Texto publicado no Facebook, em 23.Ago.2015

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022



Não vou ser prolixo. 1971 mudamos para este local. Em cima, duas casas coladas. Quase interligadas. Abaixo, uma casa maior. Até 1979 ficamos na casa de cima, à direita (abaixo da casa maior). Na foto preto e branco, estou com minha mãe. Dá para ver que o muro era baixo, a escada, com falhas e difícil de subir. Aqui, tinha que ter ajuda. Se quebrasse o fêmur, ficava atrás. Na última sala, onde tinha única televisão. Para subir com gesso até abdômen, era tortura. O radinho de pilha era companhia.
Em 1973, voltando do Rio para grande cirurgia, passei um ano de cadeira de rodas. Para descer a escada e subir, quatro amigos. E, eu imaginando queda fatal.
Para subir... Pior. Mas, não ficava trancado. A turma de amigos e amigas era sensacional. Citaria cada pessoa. Mas, com constância, Carlinhos, Coriolano, Raquel, Patrícia, Alexandre e "o gordo". Grande Tuca que já se foi em acidente de carro. A turma da rua era muito unida. Carlinhos assoviava e; todos sabiam. Não me sentia só. E, era parte do todo. Tinha ainda Maurício... João Celso, Flaviano, meu primo.
Dr. Genival Veloso já morou na casa de baixo.
O dinheiro era curto. Éramos felizes com kitute Wilson e pão. Tinha música , dança , bagunça... E, minha mãe trabalhando de 7 as 19 h. Ficava uma "República de crianças e adolescentes". Luiza não estava mais conosco. Mas, o coletivo ajudava. Não era "o senhor das moscas". Rolava afeto e, quase nenhuma hierarquia. Sem assaltos, roubos e violência.
Comprávamos na bodega do seu Salvador. Fiado.
Foi nesse local que vimos, pela TV, o terrível desastre na lagoa. Quem é da época lembra. Um barco virou e matou muitas pessoas na nossa querida lagoa. Tive pesadelos.
A morte em acidente da jovem Cristina, aos 15 anos. Jovem bela e cheia de vida. Cortejada pelo meu irmão e, os meninos da rua. Fizemos um assustado (lembram como era?), para homenagear Cristina.
A morte dela mexeu com finitude. Volta Shakespeare na minha vida. Hamlet atormentando pelo fantasma do pai morto... A morte assassinou Cristina muito cedo. Era a quase Julieta de muitos Romeus. Inclusive meu irmão.
O luto era coletivo. A morte trazia luto. Nunca banalidade. Como o acidente da lagoa. A morte cruel da Ana Limeira e Pedro... Essas mortes traziam tristeza, amargura e comoção para o coletivo...
Passávamos dias calados.
São muitas estórias. Dá um livro. As mortes do Elvis, Leila Diniz, John Lennon...
Eu, com fratura, ficava no fundo da casa. Dormia, brincava de boneco, lia gibis... Via TV. A paisagem da rua era utopia. Só imaginava. Nem ao quarto tinha acesso.
Mas, amigos e amigas vinham ver Tv comigo. Só dois canais. Sem controle remoto.
Hoje me sinto muito mais solitário. Nas gaiolas chamadas edifício, reina a incomunicabilidade. Antonioni e seus filmes... Bergman. Godart.
Sim. Eu assistia quando raramente passava filmes desses diretores.
Pouco entendia, mas, sentia.
O "Desprezo”, do Godart com Brigitte Bardot, me marcou muito. Vi que estávamos caminhando para uma sociedade do "desprezo", inclusive nas redes sociais...
Uma vitrola velha fazia a festa. Rod Stuart em início de carreira, a fase boa do Roberto Carlos... Rita Lee... Barry White... Caetano, Gal, Chico e Gil...
A discoteca. Crise do petróleo... Regime militar.
Eu escrevia muito sobre atualidades. Com olhar crítico. Sim. Ou, Quixotesco? Tanto faz.
Meu avô morreu nessa fase. Outra bomba H no meu coração. E as fraturas não davam trégua. Via o marquês de Sade me visitar com constância. Sem Justine...
Mas, a turma era unida. Um pão com doce de goiaba e, música, era a norma de um comunismo primitivo e sem jogos de poder. Uma salsicha dividida para 10 era a redenção.
Ontem (02/01/2022), ao tirar fotos do local, senti o “Deserto vermelho” do Antonioni... A solidão mórbida do velho ex-professor em “Morte em Veneza“...
A rua não existe mais. Só bares e lanchonetes...
Não vou repetir o que já coloquei.
A nova fase da revolução industrial vai além da anomia do Durkheim... Zumbis perambulando no nada guiado por mercadorias e; virando mercadorias.
O capitalismo venceu? Talvez. Até em Cuba...
Prefiro comer kitute Wilson com grapette ouvindo um disco arranhado de Rita Lee...
Ovelha negra? Melhor do que ser branca servil e guiada por pastores...
Como sinto falta da "falta" que desejava o "nirvana” de gente comendo um chocolate baton dividido para dez pessoas...
E, brincando de "adedonha"...
Hoje, dígito a mercadoria que sou... Selfie do desejo sem fim... "Machuca"!

Hermano Almeida




segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

A cidade de Bananeiras poderá reabrir seu antigo cinema de rua. E Cajazeiras?!...

por Cleudimar Ferreira

Antigo Cine Teatro Excelsior, Bananeiras. Foto: Google Maps


Os cinemas de rua num passado não muito distante foram sem nenhum pré-requisito, os principais espaços de entretenimentos; de convergências, onde por falta de outras opções, as pessoas distantes dos grandes centros, que moravam nas cidades de porte médio ou até nas pequenas, se encontravam para conversar sobre filmes, trocar as tais revistinhas em quadrinhos e ficar mais próximo dos amigos e brotinhos de seus interesses. Comportamento associativo de relevância comum de uma época, que tanto ilustrou as calçadas, os frontões dessas casas de exibições, espalhadas por aí a fora, hoje quase todas desativadas, em ruinas, apenas espelhando um tempo que marcou gerações.
   
O intrigante fator de extinção dessas salas de exibições da paisagem urbana, são diversas. Mesmo assim, ainda é um compendio não muito entendido e discutido. Até por que historicamente, a produção de cinema no mundo, não tem passado por crises tão profundas que justificasse ser um dos aditivos nesse contexto, causadores do fechamento dos cinemas de rua no mundo e, cá entre nós, aqui no Brasil também. 

A verdade do problema que extinguiu nossas salas de rua, até parece coisa inexplicável, já que em algumas cidades bem menores, de um publico relativamente pequeno, elas resistiram esse surto existencial desfavorável e, permaneceram abertas, enfrentando todos os momentos adversos que ocorrem até aqui, na indústria do audiovisual, que poderiam ser uma das causas da sua extinção. Porém, em outras cidades consideradas grandes centros onde os cinemas viviam lotados, esse desmantelamento aconteceu, até prematuramente, em tempo curto, surpreendendo muitos apaixonados pela sétima arte. 

Mas apesar de tudo, vivemos outros tempos e novos horizontes com luzes de esperança, começam a surgir acenando para as possibilidades de aberturas desses cinemas, cheios de saudosismos, fechados há décadas. Se formos fazer um levantamento até aqui, em nível de Brasil, muitos deles em escombros foram restaurados, reabertos e colocados outra vez em atividade. Na Paraíba, tivemos como exemplos a abertura do Cine São José, em Campina Grande, pelo governo do estado. Uma iniciativa do ex-governador Ricardo Coutinho que transformou o antigo cinema em um centro cultural, com uma sala multiuso que é ao mesmo tempo Cinema e Teatro.


Atuais Cinemas de Rua na Paraíba. 1. Cine Garden, em Catolé do Rocha. 
2. Cine RT, em Remígio. 3. Cine São José, em Campina Grande

Tivemos também como iniciativa bem sucedida, a instalação na cidade de Catolé do Rocha do Cine Garden. O Garden, montado no subsolo do Complexo Mirante da Praça Prefeito José Sérgio Maia, no coração de eventos da cidade, tem uma programação com três sessões diárias de terça a domingo, às 17h15, 19h15 e 21h15, com preço acessível para o grande público. 

Porém, nenhuma outra história de abertura de cinema de Rua na Paraíba, foi mais fascinante quanto à do Cine RT, na cidade de Remígio. O Cine RT foi criado em 2012 pelo mecânico e exibidor Regilson Cavalcante, no prédio onde antigamente funcionou o Cine São José. Fora a programação diária, o cinema já foi espaço para diversos festivais de cinema. Em 2018, o local foi homenageado na Expocine, que é considerada a maior convenção da indústria cinematográfica da América do Sul e segunda maior do gênero no mundo, em número de participantes.
 
Agora, uma noticia ganhou espaços nos sites e nas redes sociais, anunciando a provável revitalização do fechado Cine Teatro Excelsior, de Bananeiras. A iniciativa que abriria o velho cinema viria através de um projeto criado pelo grupo de escotismo da cidade, chamado Guardiões da Serra, que concorre a financiamento do Fundo de Direitos Difusos do Ministério Público da Paraíba.

As expectativas para que essa iniciativa seja concretizada são carregadas de positividade, não só pela população de Bananeiras, mais por todos os cinéfilos do estado; saudosistas dessa atividade de rua, que ver outras possibilidades de salas fechadas serem abertas nas ruas das cidades paraibanas.

E Cajazeiras, conhecida como a terra da cultura; a cidade polo educacional da Paraíba; centro formador do pensamento sertanejo; das artes cênicas, da música e das artes visuais; que foi no passado detentora de três cinemas de rua e um cineclube atuante, já devia está colocando no centro das discussões culturais, propostas, ideias de abertura da sua sala de rua ou iniciativas como estas. 

Afinal, somos talvez no nordeste uma das cidades que mais formou atores e atrizes para o cinema nacional e para a TV. Além de termos em nosso curriculum, cineastas, diretores, produtores; pessoas gerenciadoras de grandes festivais de cinemas, sem contar com o festival de cinema que a cidade promove anualmente. Portando, uma das almas dos cines Éden, Apolo ou Pax, já devia ter sido transfigurada ou manifestada se houvesse boa vontade do poder público e daqueles que lidam com a cultural na cidade.  

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quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Vida, uma viagem experimental.

Imagem sem referência de autoria















De repente, me dei conta que o tempo passou rápido demais. Na minha subida degrau por degrau, fui 
longe, e cheguei ao topo... Incansável, quase sempre ofegante pela pressa tropecei e levei muitos tombos. Queria ser sempre a primeira.
Que tolice! Tudo é em seu tempo.
Descobri que o meu tempo agora é muito menos do que eu já vivi ao longo de minha vida. O tempo é efêmero, agora, com cautela tenho que descer a escalada que fiz devagarinho para não tropeçar denovo.
Não preciso mais de tanta pressa, quero viver com mais sabedoria e menos ambição, conhecer melhor as pessoas que são verdadeiras e amigas. Os títulos? Esses, o tenho muitos; sou grata por todos os que me honraram.
Quero embalar a essência de minha alma que é o amor, a paz, aprender ensinando e, sentir a eterna busca do conhecimento.
A beleza da vida encontrarmos nas pequenas coisas úteis que podemos proporcionar aos nossos irmãos.
Nessa sociedade imediatista, quero descartar tudo que é supérfluo.
Posso sonhar de Sonhar, mesmo assim, quero ver mais claro a objetividade de tudo e sentir com mais conforto o sentimento externo da vida.
Se gosto de escrever é porque também gosto de servir. A escrita é serviço do conhecimento ao dispor do leitor. No trabalho literário, sou sua serva. Quem não gosta não me lê. Meu espírito de crítica própria, não me permite falar só do perfeito.
Somos imperfeitos, a vida é vivida beirando os dois polos: O certo e o errado. Portanto, no pouco que escrevo sou imperfeita também. Mas vale apena, porque a obra é mais valiosa do que a ausência de palavras, pois é no silêncio da alma que se reconhece a incapacidade de agir e ajudar.
E nessa caminhada, agora, descendo os degraus, quero caminhar firme, construir sonhos, espalhar e essências para os que vierem depois de mim. Quero deixar amor, deixar escrita, deixar saudades, pois não "Ah saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram".
E o não gostar de ler, é o não gostar do conhecer.
Nessa minha meditação só sei que: somos quem somos e, muitas vezes, somos quem não somos, quando perdemos a nossa essência.
Isso é a vida pronta e misteriosa.

Vilma Maciel 22.12.2021. 


sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

BIBLIOTECA CASTRO PINTO

Sede da Biblioteca Castro Pinto depois da reforma


Depois de quase dois anos de ausência por causa da Covid cheguei à minha estimada Cajazeiras. Soube que a Biblioteca Pública Municipal Castro Pinto foi revitalizada e seria, como de praxe, reinaugurada com todas as pompas oficiais. Estive presente nesse evento segunda-feira última, 13/12, pois fui seu usuário assíduo.  Inaugurada em 1974, ir à Biblioteca Castro Pinto era um dos grandes prazeres meus e de amigos adolescentes. À noite era um dos points para deleite de leitura de livros, jornais e pesquisas para tarefas escolares do Colégio Estadual de Cajazeiras.

Agora temos o conforto da climatização em vários ambientes. Naqueles idos, como hoje, o calor era intenso, tanto quanto nossos interesses por livros. Tinha livro de Jorge Amado que chegava e tínhamos que entrar na lista de espera de empréstimo.

As enciclopédias Delta-Larousse e Barsa eram o Google de então como fontes de pesquisas. As orientações dos professores eram para que fizéssemos os trabalhos com nossas interpretações do que pesquisássemos. Não se aceitava nada de copiar textos das enciclopédias. Se fosse feito o Ctrl+C e Ctrl+V de hoje, simplesmente teríamos nota zero!

 A estrutura física básica da biblioteca ficou intacta, o que faz preservar a história. Do acervo de então foram mantidas muitas obras. A novidade é o espaço reservado para criançada e a sala adaptada para os tempos atuais com computadores conectados à internet. O mundo virtual para pesquisa é a modernidade inevitável.

O grande quadro a óleo “Fundação de Cajazeiras”, pintado em 1964 pelo artista plástico e escritor W. J. Solha está no corredor da entrada, como sempre esteve. Foi à primeira obra de arte em tamanho grande que vi em minha vida. Para mim, é uma marca registrada da biblioteca.     

O criador da Castro Pinto foi o prefeito Antônio Quirino de Moura em sua administração 1973-1977. Presente ao evento, Quirino historiou o motivo da criação da biblioteca. Disse ele que no primeiro dia como prefeito chegou ao seu gabinete e viu um bocado de livros largados numa sala dita como “biblioteca”. No mesmo instante disse que iria construir uma biblioteca para cidade. E assim cumpriu sua palavra, registrando um grande feito.

Como se vai à igreja agradecer promessas alcançadas, toda vez que venho a Cajazeiras vou à Castro Pinto reverenciá-la por ser fonte primária de minha simples formação cultural e de estudo.

Eduardo Pereira


fonte: Facebook, Eduardo Pereira / foto: blog Ângelo Lima

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

O MUSEU DO FUTEBOL DE CAJAZEIRAS É COISA NOSSA E DEVE SER PRESERVADO.

Museu do Futebol de Cajazeiras. Sala dos troféus e taças

Cajazeiras é uma cidade com um diferencial em destaque se comparada com as demais do seu entorno. Sendo uma das mais antigas do sertão, logo ela tem importância na história dos desbravamentos que consequentemente contribuíram para a formação dos primeiros conglomerados urbanas do alto sertão paraibano. Com essa vitrine ao seu favor, era para ter nos dias atuais, equipamentos que referendasse essa sua posição de realce. 

No entanto, pouca coisa ou quase nada há para oferecer de atrativo a quem caminha pelas suas ruas. E o que tem, mesmo feito por mãos particulares; por esforço de alguns abnegados; amantes da história e da cultura, não tem recebido com devido aplauso, incentivos que ajudasse a melhorar sua qualificação ou que pudesse a manter em pé o que minguado a cidade ainda tem. 

Em se tratando de museus, os que existem, em numero de dois, o do futebol e o da diocese, mais parecem pequenos memoriais, já que os mesmos apresentam acervos resumidos, ainda em formação, sem muitas novidades em exposição para os visitantes. Mesma assim, já é grande coisa para uma cidade que esqueceu seu passado. E o que tem, precisa ser preservado e apoiado, não só pela população, como também pelas autoridades constituídas do município. 

Segundo se comenta entre as bocas e bastidores do futebol e, agora ganhou destaque também na imprensa local, o Museu do Futebol - fruto do esforço quase particular do seu fundador, o professor Reudismam Lopes, está sendo ameaçado de despejo da sede onde hoje está instalado - a Rua Epifânio Sobreira, 263, centro. Para uma cidade que quase não tem, o pouco que temos era para ser conservado, melhorado e apoiado e não desalojado como falam as línguas ou quer os que ameaçam as suas instalações. 

Cleudimar Ferreira.