Frutuoso Chaves
Afinal, o 22 de agosto é dia do aniversário do Padre Rolim,
ou da cidade? Não importa, porquanto Cajazeiras merece festa todo santo dia.
Além do mais, há que se celebrar o êxito editorial da Arribaçã, dos Irmãos
Guedes, como disso dá conta Linaldo, o mais novo deles (quero crer), ao
divulgar, via Facebook, o invejável catálogo da sua editora, ela mesma,
portanto, por justa razão, em clima festivo.
Um passeio rápido pela Wikipédia permite-nos a anotação das
seguintes datas: em 29 de agosto de 1859, Cajazeiras torna-se distrito de Sousa
pela Lei Provincial nº 5. Em 23 de novembro de 1863, é desmembrada e elevada à
condição de Vila. Em 20 de junho de 1864, ali se instala o governo municipal.
Em 10 de julho de 1876, é elevada à condição de cidade. O 22 de agosto, feriado
municipal, assinala a data do desembarque do impressionante Padre Rolim neste
mundão de Deus. A Wikipédia toma essas informações do historiador Deusdedith
Leitão, como indica o verbete sobre Cajazeiras, “A Cidade que Ensinou a Paraíba
a Ler”. Eis, a propósito, um emblema que enche de orgulho o peito de qualquer
cajazeirense.
O topônimo advém da árvore cujo fruto contribui para exaltar
os sabores e aromas do Nordeste brasileiro. Abundantes no sítio onde o povoado
começou a se formar, na segunda metade do Século 18, as cajazeiras
incorporaram-se, definitivamente, à existência de um dos mais destacados
núcleos populacionais da Paraíba.
Os primeiros desbravadores chegaram ao local atraídos pela
fama aurífera dos Sertões. Em fevereiro de 1767, o pernambucano Luiz Gomes de
Albuquerque obtinha do governador Jerônimo José de Melo a sesmaria que tomou o
nº 63 e onde passou a criar gado, lavoura, família e raízes.
Ana, a filha, casou-se com Vital Rolim, união da qual
nasceria, em 1800, o menino Inácio, o futuro padre a quem Cajazeiras deve o
lema que a consagra como berço paraibano da educação e da cultura. Trata-se de
título oriundo da tradição de abrigar colégios de renome em todo o Nordeste.
Dali sairiam personagens de importância nos meios políticos e jurídicos.
É o caso de nomes como o do historiador e deputado provincial
Irineu Joffily e os dos desembargadores Peregrino de Araújo e José Manoel de
Freitas. O primeiro foi governador da Paraíba e deputado pelo Rio Grande do
Norte. O segundo chegou a presidir as Províncias do Piauí, Pernambuco e
Maranhão.
Fortemente identificada com as manifestações culturais,
Cajazeiras não se cansa de exibir os seus talentos. Inscrevem-se, entre eles, a
atriz Marcélia Cartaxo, ganhadora do Prêmio “Urso de Prata” por sua atuação no
filme “A Hora da Estrela”. Mas a dramaturgia e cinematografia nacionais ainda
conheceriam e aclamariam outros cajazeirenses. Citem-se Soia Lira (Central do
Brasil) e Sávio Rolim (Menino de Engenho). Há outros de igual quilate, entre os
mais jovens, a serem citados.
As artes plásticas projetaram o escultor Modesto Maciel,
conhecido em outros países, sobretudo na Itália, onde se especializou na
restauração de imagens sacras. Pinturas de João Braz e seus temas para grandes
eventos como o carnaval e as festas juninas são conhecidos, enquanto isso, em
recantos diversos do Brasil.
E assim tem sido com Cajazeiras, sempre
orgulhosa de suas origens, suas tradições e sua gente. A cidade é, hoje, um dos
elos de ligação dos grandes centros regionais e polo comercial com um mercado
consumidor de dezenas de milhares de pessoas. Parabéns, então, para Cajazeiras
e sua Arribaçã.
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