sexta-feira, 22 de agosto de 2025

TEMPO DE FESTA

Frutuoso Chaves


Afinal, o 22 de agosto é dia do aniversário do Padre Rolim, ou da cidade? Não importa, porquanto Cajazeiras merece festa todo santo dia. Além do mais, há que se celebrar o êxito editorial da Arribaçã, dos Irmãos Guedes, como disso dá conta Linaldo, o mais novo deles (quero crer), ao divulgar, via Facebook, o invejável catálogo da sua editora, ela mesma, portanto, por justa razão, em clima festivo.

Um passeio rápido pela Wikipédia permite-nos a anotação das seguintes datas: em 29 de agosto de 1859, Cajazeiras torna-se distrito de Sousa pela Lei Provincial nº 5. Em 23 de novembro de 1863, é desmembrada e elevada à condição de Vila. Em 20 de junho de 1864, ali se instala o governo municipal. Em 10 de julho de 1876, é elevada à condição de cidade. O 22 de agosto, feriado municipal, assinala a data do desembarque do impressionante Padre Rolim neste mundão de Deus. A Wikipédia toma essas informações do historiador Deusdedith Leitão, como indica o verbete sobre Cajazeiras, “A Cidade que Ensinou a Paraíba a Ler”. Eis, a propósito, um emblema que enche de orgulho o peito de qualquer cajazeirense.

O topônimo advém da árvore cujo fruto contribui para exaltar os sabores e aromas do Nordeste brasileiro. Abundantes no sítio onde o povoado começou a se formar, na segunda metade do Século 18, as cajazeiras incorporaram-se, definitivamente, à existência de um dos mais destacados núcleos populacionais da Paraíba.

Os primeiros desbravadores chegaram ao local atraídos pela fama aurífera dos Sertões. Em fevereiro de 1767, o pernambucano Luiz Gomes de Albuquerque obtinha do governador Jerônimo José de Melo a sesmaria que tomou o nº 63 e onde passou a criar gado, lavoura, família e raízes.

Ana, a filha, casou-se com Vital Rolim, união da qual nasceria, em 1800, o menino Inácio, o futuro padre a quem Cajazeiras deve o lema que a consagra como berço paraibano da educação e da cultura. Trata-se de título oriundo da tradição de abrigar colégios de renome em todo o Nordeste. Dali sairiam personagens de importância nos meios políticos e jurídicos.

É o caso de nomes como o do historiador e deputado provincial Irineu Joffily e os dos desembargadores Peregrino de Araújo e José Manoel de Freitas. O primeiro foi governador da Paraíba e deputado pelo Rio Grande do Norte. O segundo chegou a presidir as Províncias do Piauí, Pernambuco e Maranhão.

Fortemente identificada com as manifestações culturais, Cajazeiras não se cansa de exibir os seus talentos. Inscrevem-se, entre eles, a atriz Marcélia Cartaxo, ganhadora do Prêmio “Urso de Prata” por sua atuação no filme “A Hora da Estrela”. Mas a dramaturgia e cinematografia nacionais ainda conheceriam e aclamariam outros cajazeirenses. Citem-se Soia Lira (Central do Brasil) e Sávio Rolim (Menino de Engenho). Há outros de igual quilate, entre os mais jovens, a serem citados.

As artes plásticas projetaram o escultor Modesto Maciel, conhecido em outros países, sobretudo na Itália, onde se especializou na restauração de imagens sacras. Pinturas de João Braz e seus temas para grandes eventos como o carnaval e as festas juninas são conhecidos, enquanto isso, em recantos diversos do Brasil.

E assim tem sido com Cajazeiras, sempre orgulhosa de suas origens, suas tradições e sua gente. A cidade é, hoje, um dos elos de ligação dos grandes centros regionais e polo comercial com um mercado consumidor de dezenas de milhares de pessoas. Parabéns, então, para Cajazeiras e sua Arribaçã.

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