quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Padre Rolim no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria

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Concepção, estilo e tecnica: Cleudimar Ferreira. execução: caneta pico de pena (IA - Gamini)

Há almas que transitam pela terra envoltas em uma aura de santidade inabalável, cuja existência se converte em um constante cântico de virtude, resignação e amor ao próximo. Assim foi a trajetória terrena do Padre Inácio de Sousa Rolim. Na memória dos homens e nas crônicas do tempo, não há mácula, desatino ou rasgo de cólera que possa ensombrar a pureza de seu espírito. Ele encarnou, na essência mais sublime, a figura do justo: aquele que caminha com sobriedade e retidão, desvencilhando-se das veredas tenebrosas dos ímpios para seguir, irrestritamente, os preceitos do Altíssimo.

Todavia, o maior milagre perpetrado por essa alma iluminada não se deu por prodígios místicos, mas pelo milagre do saber. Sensível às dores de sua gente, o sacerdote enxergou nas vastidões áridas do sertão paraibano o terrível fardo da ignorância. Foi no ensino que ele encontrou sua missão santa: erguer a primeira escola de ensino secundário do sertão, estendendo aos jovens daquelas terras ressequidas a luz da sabedoria.

Pois o legado do virtuoso presbítero jamais se ateve apenas ao sacerdócio ou às paredes da sala de aula. Padre Rolim trazia consigo o gênio invulgar dos sábios, cuja curiosidade abraçava os segredos do mundo natural e as ciências de seu tempo. Na célebre obra Noções de História Natural, seu mais luminoso projeto pedagógico, catalogou a fauna e a flora sertanejas, legando às futuras gerações um relicário de conhecimento. Humanista formidável e um dos maiores latinistas e helenistas de sua época, compilou o Extracto de Gramática Grega para conduzir com suavidade seus alunos através dos encantos do idioma clássico.

Relatos de biógrafos e velhos documentos revelam ainda uma profusa produção didática de circulação interna: compêndios de Gramática Portuguesa, Retórica, Filosofia e Moral Educacional. Meticuloso e zeloso por sua obra, o sacerdote recusou-se a publicar muitos desses manuais em escala comercial, indignado com os erros e as imperfeições das tipografias de seu tempo. Admirável poliglota, transitava com elegância singular entre dez línguas vivas e mortas: dominava o português, o latim, o grego, o francês, o alemão, o inglês, o italiano, o espanhol, o hebraico e o milenar sânscrito.

Até mesmo a arte soprou suavemente sobre a alma do religioso. Registros históricos atribuem-lhe delicadas gravuras e desenhos trançados como preces nas páginas de missais antigos. O Cônego Florentino Barbosa encontrou, entre os folhetos de um missal manuseado pelo sacerdote – com o qual por vezes se refugiava no silêncio contemplativo de Cococi, no Ceará –, um singelo desenho a lápis representando a Agonia de Cristo, guardado pelo olhar piedoso de São João e da Virgem Maria.

Cajazeiras, nascida sob a benevolência de suas lições, gravou na história o título inesquecível de "a cidade que ensinou a Paraíba a ler". Dali brotaram mentes brilhantes que moldaram a pátria, a exemplo de figuras veneráveis como o Padre Cícero e o Cardeal Arcoverde.

Hoje, enquanto a nação volta seus olhos para o seu legado, o nome de Inácio de Sousa Rolim (1800 - 1899) ascende finalmente ao cume da memória brasileira. A aprovação de seu nome no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria nada mais é do que a justa e tardia consagração nos altares cívicos do país daquele que dedicou cada batida de seu coração a educar, amar e santificar o sertão.



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