sexta-feira, 22 de agosto de 2025
TEMPO DE FESTA
quarta-feira, 20 de agosto de 2025
Sala de cinema instalada em Cajazeiras tem nome da atriz Marcélia Cartaxo.
De Macabéa a Pacarrete: homenagem a Marcélia Cartaxo no 53º Festival de Gramado
A imagem de Marcélia mais vaga que me vem à mente é a da garota franzina, branquinha e olhar curioso, à janela da sua casa, na parte mais elevada da rua Higino Rolim, próxima do açude, o nosso mar, em Cajazeiras, Sertão da Paraíba. Além dos banhos dominicais, era o Açude Grande a nossa escola de natação. A menina Marcélia com olhos prenhes de desejos sonhava com a relativa liberdade que nos era concedida por nossos pais. Sua carta de alforria veio a conta-gotas, quando começou a brincar de “drama” no quintal do vizinho Eliezer Rolim.
Fazia parte da trupe infantil,
além do próprio Eliezer Rolim, mentor da artimanha, Soia, Nanego e Paula Lira
(meus irmãos), Suedi, Lincoln, as irmãs Wilma e Wildenir Albuquerque, os irmãos
Lucilda, Luciene, e Leidson Feitosa, entre outras crianças das ruas próximas. O
grupo de teatro, que foi de início batizado de Mickey, fazia pequenas
apresentações no formato de esquetes, primeiro na rua Higino Rolim e depois em
escolas e noutros espaços da cidade. Com o “amadurecimento” dos seus
integrantes (da infância à adolescência), passou a se chamar Grupo Terra de
Teatro, criando textos com temas mais adultos.
Beiço de Estrada, a segunda montagem do grupo nessa nova fase – a primeira foi Os pirralhos – traz Marcélia como Véu de Noiva, a menina tímida e ingênua, reservada para o casamento pela mãe, dona de um cabaré, e fugir do destino de se tornar prostituta como as demais irmãs. Com Os pirralhos o grupo participou de circuitos estaduais de teatro na Paraíba a partir de uma visita à Cajazeiras, do ator, também paraibano, Luiz Carlos Vasconcelos, que se encantou com a maturidade artística dos “meninos”. A hora da estrela de Marcélia aconteceu com Beiço de Estrada.
Foi em 1984, pelas mãos de
Luiz Carlos, que o grupo chegou ao Circuito Mambembão de Teatro encantando e
comovendo o Sudeste e Sul do país. Numa das apresentações, a então aspirante à
diretora Susana Amaral estava na plateia e ficou fascinada com a atuação de
Marcélia. A personagem Véu de Noiva tinha muito da desafortunada Macabéa
de A Hora da Estrela, do romance de Clarice Lispector. Ficou o
convite para um teste que aconteceria um ano depois. Lá vai a menina tímida e
assustada para o estrelato. O orçamento para o longa era tão pequeno que
Marcélia penou dois dias de viagem de ônibus de Cajazeiras a São Paulo, quase
uma travessia pelo país. Os testes antecederam imediatamente as filmagens.
Marcélia Cartaxo virou
Macabéa, Macabéa virou Marcélia. Impossível não ver o rosto de Marcélia ao ler
as desventuras da protagonista na obra-prima de Clarice Lispector. Vieram as
aclamações nos festivais de cinema de Brasília (1985) e Berlim (1986). Marcélia
se torna a primeira brasileira a trazer o troféu de Melhor Atriz (aqui, o Urso
de Prata) de um grande festival estrangeiro. Acompanhei toda essa trajetória de
Marcélia até os dias atuais, vibrando com suas conquistas e solidário aos seus
infortúnios. Foram anos no Rio de Janeiro, sozinha e muitas vezes esquecida,
com grandes dificuldades para sobreviver, aceitando papeis ínfimos em novelas,
muito abaixo do seu grande talento.
Vivíamos numa época em que para a atriz e o ator era uma condição essencial viver no Sudeste do país, se quisessem um lugar ao sol. Nas últimas duas décadas, os atores e atrizes paraibanos mais requisitados para a televisão e o cinema não precisam mais deixar sua terra. E Marcélia se beneficiou dessa mudança: se estabeleceu na cidade que ama ao lado da família e amigos.
O filme Pacarrete (2019), de
Allan Deberton, traz Marcélia no papel da protagonista que dá nome ao filme e
tem Soia Lira como Maria, sua empregada doméstica. Coincidentemente, Deberton
terminou por “documentar” um retrato da relação das duas atrizes na vida real.
Entre tapas e beijos, Soia e Marcélia são amigas de infância e chegam à
maturidade, também artística, juntas, com amor e respeito, numa relação sempre
conflituosa que amiúde nos provoca risos, não só no filme Pacarrete, mas também
na vida. Marcélia recebeu o prêmio de Melhor atriz por encarnar Pacarrete e
Soia o de Melhor Atriz Coadjuvante pela personagem Maria no 49º Festival de
Cinema de Gramado de 2019.
Para quem acreditava que Marcélia Cartaxo estaria colada eternamente à ingênua Macabéa, sua maior performance como atriz até então, percebeu que o talento de cajazeirense é muito maior do que interpretar uma personagem com um physique de rôle semelhante ao seu e com uma história que tem muita coisa em comum com a sofrida jornada de Macabéa. A Pacarrete de Deberton veio provar que Marcélia é uma gigante ao encarnar uma bailarina idosa lutando pelo direito de levar a sua arte ao público de sua cidade natal. Marcélia agora não é apenas Macabéa, é também Pacarrete eternizadas pelo poder mágico do cinema.
sábado, 16 de agosto de 2025
Troféu Oscarito Para Marcélia Cartaxo
ENTRE O ABISMO E A CARNE
sexta-feira, 15 de agosto de 2025
ESCRITOR DE SEGUNDA UNIDADE
A expressão acima não existe.
Acabei de inventá-la, e o fiz em analogia ao cinema. A expressão
cinematográfica é “Diretor de Segunda Unidade”, que preciso explicar para
justificar o título e o conteúdo desta matéria.
Vá lendo, que chego lá.
Hoje nem tanto, porém, nos
velhos tempos da Hollywood clássica o “diretor de segunda unidade” era uma
figura menor, porém imprescindível na produção de um filme. Seu ofício era
filmar trechos considerados mecânicos, acessórios, pouco ou nada criativos, que
apenas servissem para amarrar o conjunto da história. Podia ser: um avião
levantando voo; a tomada geral de uma cidade; um céu nublado, indicando
chuva... Coisas assim.
Era muito comum em filmes de
ação, mais ainda se essa ação se estendesse a campos de batalha. Os combatentes
poderiam ser os índios e a cavalaria americana, ou os nazistas e os aliados, ou
os gregos e os troianos... Tanto fazia.
Vejam bem: mesmo com centenas
ou milhares de figurantes na frente da câmera, tais cenas, normalmente, não
eram filmadas pelo diretor principal – aquele cujo nome aparecia nos créditos
do filme. Não. Ficavam ao encargo do nosso diretor de segunda unidade.
Quantas cenas de batalha nos
filmes de Cecil B. DeMille, Raoul Walsh, Howard Hawks, Michael Curtiz ou mesmo
de John Ford, não foram rodadas na ausência deles, apenas vistas depois em
salas de montagem, onde eram “editadas” para caber bem no fluxo narrativo do
filme.
Um empregado da Companhia com
função bem particular, o diretor de segunda unidade não tinha direito a
crédito, e, em muitos casos, mal era conhecido do pessoal da produção. Até
porque as suas filmagens eram, muitas vezes, rodadas fora de Hollywood - e não
necessariamente ao mesmo tempo da produção.
Devidamente apresentado o
diretor de segunda unidade, vamos à questão: por que dei a esta matéria o
título de “escritor de segunda unidade”?
É que vivo sempre comparando
cinema e literatura, e fico me indagando como poderia ser útil, no âmbito
literário, um profissional desses, que ajudasse o romancista a não perder tempo
com trechos meramente informativos, ou, se fosse o caso, com longas descrições
de batalhas, pois ele mesmo as escreveria.
Convenhamos: todas aquelas
tediosas descrições de fachadas de casas antigas, ou mobiliários cheios de
detalhes inúteis, ou de paisagens intermináveis, teriam, se feitas por outrem,
facilitado a vida de – digamos, Tolstoi, Sthendal, Balzac, Melville, José de
Alencar, Victor Hugo, e até mesmo Proust.
Pois bem, se existisse mesmo
esse tipo de profissional no âmbito literário, acho que eu mesmo iria começar a
me programar para escrever um belo e longo romance. Já que não seria um romance
de guerra, o meu escritor de segunda unidade ficaria responsável pelas longas
descrições das paisagens, das fachadas de residências, e da rotina dos
personagens, coisas que me aborrecem só de pensar em fazer.
Aliás, para o meu escritor de
segunda unidade imagino um monte de funções com mais minúcias do que a do seu
colega cinematográfico. Por exemplo, arranjar um título para o romance a ser
escrito, como se sabe, coisa muitas vezes mais difícil do que escrever o
próprio romance. Inventar os nomes dos personagens também poderia ser muito
útil, nomes em que os futuros exegetas da obra pudessem descobrir relações com
a temática abordada.
Mas, um serviço adicional, com
direito a pagamento extra, que eu iria querer do meu escritor de segunda
unidade seria o seguinte: seria o de transmudar minhas pobres e insossas frases
prosaicas em construções metafóricas, cheias de belas imagens que dessem ao
texto alguma vitalidade, e se possível algum encanto.
O perigo seria, pronto o
livro, o meu escritor de segunda unidade reivindicar uma coautoria.
Ou, pior, a autoria completa.
Em tempo: como não pretendo escrever romances, estou aceitando o trabalho de um escritor de segunda unidade para melhorar minhas crônicas. Pago bem.
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domingo, 27 de julho de 2025
Lembrando Ivan Bichara (II)
Com mais tempo para dedicar-se
à literatura, ao deixar a vida pública, Ivan Bichara produziu os romances
“Carcará”,(1984) Tempo de Servidão (1988) e “Joana dos Santos” (1995). Ninguém
melhor do que ele, narrou as peripécias de uma polícia desaparelhada,
desassistida pelos escalões superiores e armada apenas com a cara e a coragem,
para enfrentar os cangaceiros, que, aos bandos, intimidavam o sertão.
Há alguns anos a Paraíba
reverenciou a memória de Ivan Bichara, quando da passagem do centenário do seu
nascimento. Em um dos eventos em suas homenagens, fui chamado à tribuna e
aproveitei para preencher a lacuna que observei em todos os discursos. A referência
ao fino humor que Ivan Bichara cultivava, quer na convivência com seus pares,
quer nas páginas dos seus romances.
Na ocasião, repeti alguns
fatos que comprovam o mencionado acima. Vou registrá-los mais uma vez nesse
trabalho que se recomenda curto.
O líder do seu governo, (eu
era vice-líder e iniciante na AL) deputado Evaldo Gonçalves, cansou de ouvir as
queixas dos seus liderados sobre fatos do governo Bichara que levaram a bancada
de sustentação ao descontentamento. Resolveu tratar do assunto com o chefe do
executivo
Foi marcada uma reunião em
Palácio. O governador, sentado em amplo sofá sob o quadro da prisão de
Peregrino, tinha ao seu redor cerca de vinte deputados. Cada um apresentou seu
queixume e o paciente Bichara apenas ouvia. “Ele sabia ouvir como ninguém” disse
Germano Toscano, seu chefe de gabinete. Terminada a cantilena parlamentar, foi
a vez do governador falar:
– Vocês não estão satisfeitos
com o meu governo? Pois vou lhes confessar uma coisa: eu também não estou!
Os espíritos foram desarmados
e as armas ensarilhadas…
Em uma de suas visitas ao
Poder Legislativo, ficamos a lhe fazer sala no gabinete da presidência,
enquanto não se iniciava o evento. Eu, Waldir dos Santos Lima, Edvaldo Motta,
Sócrates Pedro e Orlando Almeida aproveitávamos para encaminhar alguns assuntos
do nosso interesse. O deputado Sócrates Pedro, como se sabe, era cunhado do
empresário Walter Brito proprietário da empresa de ônibus Real e intermediário
dos seus assuntos junto ao governo. No meio do papo, o deputado Orlando Almeida
começa a narrar um fato que se passara em Campina Grande. Meio prolixo, Orlando
demorava muito a concluir, buscando detalhes desnecessários. Impacientei-me e
adverti o querido colega:
– Orlando, o governador é
muito ocupado. Apressa essa conversa: para chegar em Campina você está
arrodeando por Princesa Isabel…
O governador riu da minha
pilhéria e fez a dele:
-Fala baixo, Ramalho, se não o
Sócrates vai querer registar essa linha de ônibus…
Na campanha municipal de 1976,
uma vereadora da capital, já sexagenária e sem muita disposição para a luta,
procurou-o para pedir ajuda. Na conversa, lembrou ao governador que sua
principal concorrente era uma linda jovem, quase dois metros e como muita disposição
para pedir votos e, acrescentou:
-É uma luta desigual, Dr.
Ivan!
-Realmente é muito desigual,
respondeu Ivan.
Sua incursão pela literatura
como vimos antes, deixou vários romances e ensaios. Em um deles, o romance
Carcará, um personagem conta a história de um trabalhador, casado com moça nova
e recentemente saída do parto. A mulher procurou o médico levando a criança
raquítica, mas parecendo um produto daqueles países africanos onde a fome é
quem dá as ordens. O médico admirou-se da fragilidade da criança e destacou:
– A senhora com tanto leite e
deixa seu filho nesse estado?
A resposta da aflita mãe,
retrata o humor de Bichara, também presente na sua obra.
quinta-feira, 17 de julho de 2025
ACORRENTADA
quinta-feira, 3 de julho de 2025
A Resistência Cultural: Um Ato de Cidadania
Rui Leitão
terça-feira, 1 de julho de 2025
Rádio Alto Piranhas de Cajazeiras, quase sessentona
2ª. Nessa foto, o sousense Dr. Ananias (Nias) Gadelha, depois Zeilto Trajano e Júlio Bandeira, nos estúdios da Radio Alto Piranhas.
3ª. O radialista J. Gomes (com microfone), numa transmissão de uma partida de futebol. Ao seu lado (com um rádio) o fotógrafo J. G. Vilante. Foto: do arquivo de J. G. Vilante.
6ª Os radialistas Bosco Amaro e Expedito Sobrinho, no início dos anos 80, nos estúdios da Rádio Alto Piranhas.
domingo, 29 de junho de 2025
E lá se foram o bom José; Antônio; seu João; Pedro e Paulo
Cleudimar Ferreira
domingo, 15 de junho de 2025
A VERDADE SEGUNDO LOBÃO
Os fãs! você que é fã; você
que acredita que, quem faz o sucesso é público. Você está sendo enganado. Isso
é pura ilusão. Não é público quem faz o sucesso. O jogo está viciado meu amigo,
as cartas estão marcadas e os talentos reais são descartados como peças
inúteis, não são mais nada. Não existe arte! que arte, que cultura? existe
somente, o dinheiro, o sistema. Você acha mesmo que é o público que decide quem
vai estourar. (risos...) é a máfia quem decide, quem brilha, quem desaparece. Tem
artista aí que nem olha na sua cara. Esquece que foi você, fã, quem colocou ele
lá em cima, no topo. Porque agora só querem dinheiro, fama. fama rápida. mas
passa.
A humildade sumiu, a gratidão
virou pó e aí, está tudo certo. Está tudo bem, mas até quando? e quantos
talentos já morreram na praia, porque ninguém deu oportunidade. Quantos
artistas estão aí, anônimos. E quanto famosos hoje se recusam, até a tirar uma
simples foto com quem sempre esteve ao lado dele. Já virou rotina. A arrogância
tomou conta. O sucesso subiu a cabaça e o respeito, esse foi embora. Você fã de
verdade, (risos...) merece mais do que isso. E os músicos, merecem respeitos,
dignidade, reconhecimento, porque música de verdade se faz com respeito e não
com humilhação. Pense nisso!
quarta-feira, 4 de junho de 2025
DO SITE 'OS GUEDES'
rádio que desafiou a ditadura militar
Em plena ditadura militar, um dos períodos mais sombrios para a imprensa brasileira, um programa de rádio em Cajazeiras ousou desafiar o regime e levar informação aos trabalhadores rurais. Apresentado pelo padre Gervásio Queiroga na Rádio Alto Piranhas, emissora pertencente à diocese, o programa “Verdade e Vida” tornou-se um marco ao explicar para os ouvintes o Estatuto da Terra, assinado pelo Marechal Castelo Branco.
“O Marechal Castelo Branco pensou em fazer a Reforma Agrária, mas foi barrado. O Estatuto da Terra não intencionou fazer a Reforma Agrária, mas, quase como prévia a ela, promulgou uma legislação específica para as relações entre os senhores da terra e os que, não sendo os proprietários, trabalham na terra alheia. Antes do Estatuto da Terra, as pendências específicas das relações entre proprietários da terra e os que nela trabalhavam eram resolvidas segundo o Código Civil de então. Difícil para um simples trabalhador rural entrar com uma ação, tanto mais quando, antes de Goulart, juridicamente não havia sindicatos rurais que o apoiassem e ajudassem”, esclarece padre Gervásio.
Ele ressalta que pela primeira vez, na região nordestina, camponeses e meeiros encontraram amparo legal para levar os proprietários de terra à Justiça, enfrentando uma estrutura jurídica tradicionalmente atrelada às elites rurais. “Deve-se aqui nesta área à coragem maluca de um advogado, filho de latifundiário, João Bosco Braga Barreto, esse feito histórico. Como se deve a outro advogado, filho de senhor de engenho, Francisco Julião, a organização das Ligas Camponesas. Como se deve a D. Zacarias, filho de grande proprietário de fazendas, promover a formação dos sindicatos dos trabalhadores rurais em toda a diocese”.
O impacto do programa “Verdade e Vida” foi imediato e provocou reações violentas. Padre Gervásio chegou a receber ameaças de morte. Um episódio marcante ocorreu em Jaguaribe, no Ceará, quando um latifundiário sofreu um infarto após ser chamado à Justiça por um meeiro. A família do fazendeiro culpou a Rádio Alto Piranhas pelo ocorrido e ameaçou o padre. Diante do perigo, ele leu a carta com as ameaças ao vivo e declarou que, se algo lhe acontecesse, todos saberiam os responsáveis. “Tô vivo, graças a Deus”, relembra com humor.
Apesar
da pressão de setores conservadores, incluindo a União Democrática Ruralista
(UDR), que tentou encerrar o programa, “Verdade e Vida” se consolidou como um
dos mais importantes veículos de conscientização social da época. A história do
padre Gervásio e seu programa representa um testemunho de coragem e resistência
em tempos de censura e repressão.