segunda-feira, 6 de junho de 2011

O quebra-queixo

Mariana Moreira - escreveu


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De repente, numa rua da cidade um flagrante do passado teima em manter-se vivo. Uma singela barraca de quebra-queixo remota há um tempo em que as ruas eram povoadas por inúmeros vendedores ambulantes que, com inúmeras estratégias, tentavam convencer os consumidores sobre as qualidades e propriedades de suas mercadorias. Assim, espalhava-se por becos, ruas e avenidas, vendedores de cavaco chinês, alfenim, cuscuz, pão, quebra-queixo. Todos se movimentando no ritmo tranqüilo da cidade pequena que apreciava, com espontaneidade, os sabores, odores e prazeres da vida.

A pequena barraca do vendedor de quebra-queixo destoa das modernidades que a vida contemporânea imprime como sequência da existência. As barracas que, atualmente, se espalham por calçadas e vielas da cidade, vendem bugigangas e parafernálias tantas vindas de terras distantes do Oriente e que fazem o deleite dos consumidores médios que se fartam de relógios e de tantas novidades outras que estimulam a curiosidade e se esvaem na curta duração da efemeridade.

São produtos seriados, repetindo o ritmo de padronização da vida moderna. Os espaços da criatividade e da inventividade são sufocados. O artesão capaz de imprimir sua marca ao produto ou ao repertório de divulgação desaparece na poeira de um tempo em que moderno é ser antenado com as demandas da tecnologia da informática e da comunicação. Em que torpedos e mensagens cifradas de textos ganham espaço e dimensão negligenciando a afetividade e a sinceridade de um bilhete escrito a mão, com as marcas, imprecisões e imperfeições de seu autor. Não um endereço eletrônico, mas uma pessoa de carne e osso que, em muitos e inesperados momentos, deseja a afetuosidade de um abraço, a sinceridade de votos de saúde, paz e bem, escritos com a tinta da emoção e da verdade. Não mensagens pré-elaboradas que variam apenas de emissores e destinatários, mas com conteúdos semelhantes e impessoais.

A barraca de quebra-queixo traz um ar de extemporaneidade a cidade que se anuncia moderna, com suas ruas tumultuadas de trânsito, com suas fachadas históricas desfiguradas por letreiros e amplos painéis divulgadores de comércios e negócios, com sua gente apressada e negligente em perceber o singelo que se esconde e se revela em pequenos episódios.

A barraca de quebra-queixo faz ecoar a saudade dos velhos carrinhos de chapeados que, nas madrugadas de sábado, desciam a ladeira de paralelepípedo do Cemitério Coração de Maria produzindo uma estranha e barulhenta sinfonia. Carrinhos que transportavam mercadorias para abastecer as barracas da feira livre que se espalhava pelas ruas centrais da cidade com seus cachimbos de açúcar, suas bonecas de pano, seus currulepes de couro cru, suas botinas ringideiras.

Saudades de um tempo esgotado na inexorável cadência da história? Não é isso! Apenas a constatação de retalhos que ainda atrelam ontem e hoje, como a confirmar a instigante relação entre as lembranças e o cotidiano. Amanhã, novas gerações farão das lembranças de hoje tema para divagações. E o tempo se move entre o som estridente do despertar do relógio chinês colorido e consumido aos montes e o sabor do quebra-queixo de coco e de castanha que se espraia no tabuleiro da barraca.





domingo, 5 de junho de 2011

Oficina de Montagem revela novos atores.


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A foto acima mostra cena do espetáculo de teatro "As Malditas". A encenação é fruto da Oficina Montagem, promovida através do Projeto “2º Ato”, premiado na Ação Microprojetos - Mais Cultura no Estado da Paraíba, que visa a inserção de jovens do município de Cajazeiras e Região Sertaneja, na área teatral, como alternativa na formação de novos atores, técnicos, produtores culturais e formação de plateias, que atuarão na área do desenvolvimento artístico-cultural.

O projeto possibilitou uma real oportunidade de conhecer e descobrir as potencialidades artísticas das pessoas envolvidas na capacitação, que contou com noções básicas de teatro, produção executiva de eventos, técnicas em operação de luz e som e formação de plateias.

“As Malditas”, é uma comédia de costumes e tem um contexto cheio de surpresas, no tocante ao jogo dramático, conta a história de duas irmãs , Rosa e Margarida, as personagens que criam uma interação inteligente entre o espetáculo e o público, que durante sua ação vivem o limiar da lucidez e a obsessão do sonho, conquistando risos e aplausos de um povo que ri de sua própria miséria.

Com texto de Saulo Queiroz e direção de Francisco Hernandez, “As Malditas”, estreou nos últimos dias 03,04 e 05 de junho, às 20 horas, no palco do Teatro Íracles Pires. O espetáculo que tem no elenco os atores Mayara Hernandez - Rosa e Walther Nunes - Margarida, partirá para apresentações em outras cidades do Estado e Nordeste brasileiro, onde se apresentará em teatros, Centros Culturais, Universidades, Mostras e Festivais de Teatro.

Fonte: folhavipdecajazeiras.blogspot.com


No reino do rubacão, cultura pode ser qualquer coisa

Cleudimar Ferreira

Rubacão, delicioso prato tradicinal da culinária cajazeirense

A cultura, como conjunto de conhecimentos artísticos culturais, típica manifestação espontânea de um povo, sempre foi objeto de admiração e atenção não só nas sociedades desenvolvidas, mas também, nas camadas populares identificadas com a sua linguagem. É algo elementar e necessário para se entender a história de uma comunidade. Suas crenças e costumes; sua arte e seu folclore. Porém, até quando suas instituições estiveram sob a gestão de grupos e lideranças comuns, afinadas como suas raízes, ela esteve bem guardada. Mas quando passou a se cobiçada e assediada por políticos oportunistas e por um estado inoperante interessado no seu uso como forma de aproximação das massas, as suas origens aos poucos foram desmoronando e sua história também.

O Estado como parte integrante de uma sociedade, era para ser um exemplo a ser seguido no que se refere ao tratamento da cultura, já que os seus gestores receberam do povo uma titulação, que lhes garante ser chamado de representantes do povo, de seu povo e jamais essa representação faltaria a esse povo, principalmente as suas manifestações artísticas e culturais, considerado pelos estudiosos como algo sagrado transmitidos de gerações passadas para gerações futuras. Mas a coisa se revela o inverso e a cultura sempre foi tratada, como algo a parte, elevada a segundo plano, ou praticamente sem importância nenhuma.

No que se refere às administrações municipais, "ela" - Cultura, foi encarada como atividade de prioridade menor no famoso leque de ações administrativas e, portanto, esquecida do orçamento anual. Mas, péra aí, não vamos fazer tempestade em copo d’água. Há exceções e bons exemplos a ser seguidos de prefeitos que faz jus ao mandato emanado pelos seus súditos e entendendo que cultura atrai o turismo e turismo atrai dinheiro, investe - mesmo pouco, na preservação de seus monumentos históricos; consegue organizar aqui e ali um museu em suas cidades, algumas bibliotecas, parques temáticos com teatros, cinemas e até galeria de arte. Numa tímida preocupação em resgatar focos de culturas adormecidas, chegam a tirar do anonimato grupos folclóricos e musicais.

Entretanto não é o caso de Cajazeiras. Em Cajazeiras, há um foco de poeira destruidora nos céus da cidade que o elevou a categoria de cidade que mais dívidas tem com a falta de preservação das raízes culturais e com a conservação de seu passado-histórico. A avalanche destruidora começou com a derrubada da casa de Mãe Aninha que se ainda estivesse no local seria hoje, juntamente com pôr do sol um dos locais mais vistos pelos nossos visitantes. Depois, veio aquele golpe fatal na velha ponte do sangradouro do Açude Grande. Em seguida, a destruição de vários casarios - vide as antigas sedes da prefeitura, cadeia pública e correios. Esses monumentos que simbolicamente representava a remota arquitetura de Cajazeiras, foram derribados e os que ficaram em pé, esquecidos, maquiados com modernas placas publicitárias, outros abandonados ou em ruínas.

Aí vem uma pergunta. Por que a cidade ainda não teve o seu museu? Cidades menores de orçamentos curtos destinados a cultura, como Poço de Zé de Moura conseguiu organizar o seu museu e manter uma política de preservação de prédios antigos identificados com a sua história. Porque Cajazeiras que tem uma gama de recursos bem mais avantajado do que cidades como: Poço de Zé de Moura, Pombal e Aparecida não tem uma política de amparo a sua cultura e sua arte? Os grupos de reisados que encantava a todos, há tempo que não se houve falar; a banda cabaçal praticamente também; o carnaval tradição, com suas troças e charangas foi sucumbido pelos trios elétricos, uma verdadeira destruição de nossas formas de brincar advindas de nossos antepassados.

Cajazeiras não têm o que mostrar ao turista e não vai ter nunca, isso porque os seus administradores não foram moldados de sensibilidades e, portanto, não parece gostar de cultura e arte. E os que foram colocados na cadeira de Prefeito nos últimos anos, demonstraram com seus atos que cultura é trio elétrico nas ruas com pessoas alienadas, bombadas, com copo de cerveja na mão num tremendo ‘rebolation’ ao som do Axé Music ou uma banda de forró eletrônico como mulheres seminuas, de bundas de fora e uma multidão em baixo a contemplar. Um péssimo conceito de cultura exposto em praça pública para uma população desinformada. Desaculturados, descompromissados em preservar os valores culturais e históricos de sua gente, deitam-se em berço esplêndido no reino do rubacão; acham que cultura é qualquer coisa e sem nenhuma justificativa plausível, em atos de burrice, distrata a nossa cultura e a nossa arte com se elas fossem algo irrelevante e insignificante a história do seu povo.


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domingo, 29 de maio de 2011

Tradicional Colégio de Cajazeiras chega aos 50 anos de fundação





Fundado em 1961, o Colégio Estadual Professor Crispim Coelho, foi o primeiro educandário público estadual fundado em Cajazeiras, responsável pelo ensino de 1º e 2º graus dos alunos da cidade e cidades vizinhas.

A sua instalação só foi possível graça a luta dos estudantes e da ação política do vice-prefeito (na época) Abdiel de Souza Rolim e do então Deputado Estadual Acácio Braga Rolim, autor do projeto de criação da escola, aprovado na Assembleia Legislativa e sancionado pelo Governado Pedro Moreno Gondim

Até 1963, o estabelecimento funcionou nas depend
ências do Colégio Dom Moisés Coelho, quando o prefeito Francisco Matias Rolim, sensibilizado com necessidade de a escola ter uma sede própria, doou ao governo do Estado um terreno, que possibilitou a construção pelo governador João Agripino Filho do prédio onde até hoje está instalado. Em 1978, um Decreto-Lei de autoria do deputado estadual Edme Tavares, modificou o nome da escola de Colégio Estadual para Escola Professor Crispim Coelho.

Decorridos 50 anos, a tradicional instituição de ensino
cajazeirense, entre na história recente, como uma casa que mais contribui para a formação política e ideológica dos que passaram pelas suas salas de aulas. Muitos foram os seminários e debates políticos, festivais de poesias, de músicas e feiras de ciências e artes realizadas nas suas dependências, que ficaram marcados na memória do movimento estudantil sertanejo.

Hoje, diferente de épocas passadas, onde os
objetos facilitadores dos professores eram praticamente o giz e quadro, a escola dispõe de 12 (amplas) salas de aulas, uma biblioteca, sala de audiovisual, laboratórios de ciências e informática, salas para diversos setores administrativos, auditório, ginásio de esportes e uma área para recreação disponível para atender os seus mais de 1.000 alunos matriculados.

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fonte: Cristiano Moura. Blog: coisasdecajazeiras.blogspot.com

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Vídeo mostra o Carnaval Moderno de Cajazeiras
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Zé Paraíba - Forró em Cajazeiras

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Zé Paraíba - O Rei da Sanfona, ficou conhecido de todos cajazeirenses e de boa parte dos nordestinos, depois que gravou a música "as cocotinhas", chagando a vender na época - decada de 80, mais de 500 mil cópias do LP que continha a música. Com 50 anos de forró e com a marca de 61 discos gravados (entre LPs e Cds), o forrozeiro irmão do ex-vereador Sinval Leite, ainda está em atividade - fazendo pequenos shows. O mesmo reside hoje na região de Brasília.


terça-feira, 17 de maio de 2011

Lúcio Vilar, Geraldo Vandré e Fest-Aruanda

Encontro de Lúcio Vilar e Geraldo Vandré
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A mais de quatro décadas em pleno isolamento, o compositor Geraldo Vandré, aos poucos vai ressurgindo das cinzas. O primeiro aceno de Vandré para a civilização pós 64, aconteceu no ano passado, quando o mesmo aceitou ser entrevistado pelo repórter da Rede Globo Geneton Moraes Neto. Agora ele vislumbra aos paraibanos, prometendo voltar à Paraíba no mês de dezembro proximo, para ser homenageado no 7º Fest-Aruanda do Audiovisual Brasileiro. Lúcio Vilar, que é coordenador do Fest-Aruanda, esteve com o compositor em um restaurante no centro da capital paulista, onde foi oficializado o anúncio da homenagem que “sensibilizou o artista”. Para Lúcio, se tudo correr bem, essa vai ser a primeira vez em que o artista será agraciado por um festival de cinema no país.