Cajazeiras, não foi
vocacionada para votar em políticos progressistas, de centro esquerda, ou talvez de coisa parecida com isso. Nem tão
pouco em candidatos de tendência humanista, letrados e abalizados no mundo intelectual das letras, das linguagens artísticas ou das práticas culturais e populares.
Políticos com habilidades no campo da
poesia, dos signos e da literatura. Dotados de certo sentimanto, diferente do convencional, digamos assim. De pefil parecido, Abdiel de Souza Rolim, Raimando Ferreira, Francisco Sales Cartaxo, Cristiano
Cartaxo e Bosco Braga Barreto – de tendência socialista, bem que tentaram, mas não
tiveram sucesso.
Indentificado com esse contexto, em 1951, o poeta,
professor e farmacêutico Cristiano Cartaxo, homem das letras, autor de versos simbólicos e
contemplativos para sua amada cidade, foi levado por um impulso a enveredar pela castra
politica cajazeirense, a disputar um pleito partidário, inclusive, um cargo público de elevado destaque no município. Ele queria ser prefeito, assim como também queria, Bosco Braga Barreto, Farncisco Sales Cartaxo e Raimundo Ferreira.
Na disputada
campanha desse ano a prefeitura de Cajazeiras, pela aliança UDN/PTB, Cristiano
teve como vice, o médico Sabino Rolim Guimarães. Mas do outro lado da disputa,
havia um politico carismático, acostumado a cair facilmente na graça do povo. Uma aparente barreira para Cristiano, difícil de ser escalada, de ser vencida. O
nome dele era Otacílio Jurema, do Partido Social Democrático (PSD), que tinha
como vice de chapa o agropecualista e politico atuante, Acácio Braga Rolim.
O PDS de Otacílio Jurema, nos anos 50, era a principal força política do país, dominando o Congresso Nacional e era simpatizante das elites
ruais. Partido cujo a representação nacional, na sua maioria eram desprovidas de sentimento ideológico e de atração pelas letras, poesia,
literatura e habilidades artísticas. Em 1950, lançou Christiano Machado à presidência
da república. Foi derrotado por Getúlio Vargas, mas mesmo assim, o PSD manteve
ampla maioria na Câmara dos Deputados e elegeu dez governadores.
Talvez
essa força toda, tenha sido o caminho voraz usado para derrotar em Cajazeiras o nosso poeta Cristiano Cartaxo, que obteve 2.259 sufrágios, cerca de 41, 83% dos votos
válidos, abaixo dos 3.142 votos tirados por Otacílio Jurema. Ou seja, 58,17% dos
votos totais. Ficando o poeta de “A Musa Quase Toda” na amargosa segunda
colocação. Revelando já nessa década, o gosto partidário do povo cajazeirense pelos políticos de tendência conservadora, que seria mantida até os dias atuais.
cledimarferreira
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