segunda-feira, 13 de julho de 2026

Cristiano queria apenas ser prefeito





Cajazeiras, não foi vocacionada para votar em políticos progressistas, de centro esquerda, ou talvez de coisa parecida com isso. Nem tão pouco em candidatos de tendência humanista, letrados e abalizados no mundo intelectual das letras, das linguagens artísticas ou das práticas culturais e populares. 

Políticos com habilidades no campo da poesia, dos signos e da literatura. Dotados de certo sentimanto, diferente do convencional, digamos assim. De pefil parecido, Abdiel de Souza Rolim, Raimando Ferreira, Francisco Sales Cartaxo, Cristiano Cartaxo e Bosco Braga Barreto – de tendência socialista, bem que tentaram, mas não tiveram sucesso.

Indentificado com esse contexto, em 1951, o poeta, professor e farmacêutico Cristiano Cartaxo, homem das letras, autor de versos simbólicos e contemplativos para sua amada cidade, foi levado por um impulso a enveredar pela castra politica cajazeirense, a disputar um pleito partidário, inclusive, um cargo público de elevado destaque no município. Ele queria ser prefeito, assim como também queria, Bosco Braga Barreto, Farncisco Sales Cartaxo e Raimundo Ferreira.

Na disputada campanha desse ano a prefeitura de Cajazeiras, pela aliança UDN/PTB, Cristiano teve como vice, o médico Sabino Rolim Guimarães. Mas do outro lado da disputa, havia um politico carismático, acostumado a cair facilmente na graça do povo. Uma aparente barreira para Cristiano, difícil de ser escalada, de ser vencida. O nome dele era Otacílio Jurema, do Partido Social Democrático (PSD), que tinha como vice de chapa o agropecualista e politico atuante, Acácio Braga Rolim.

O PDS de Otacílio Jurema, nos anos 50, era a principal força política do país, dominando o Congresso Nacional e era simpatizante das elites ruais. Partido cujo a representação nacional, na sua maioria eram desprovidas de sentimento ideológico e de atração pelas letras, poesia, literatura e habilidades artísticas. Em 1950, lançou Christiano Machado à presidência da república. Foi derrotado por Getúlio Vargas, mas mesmo assim, o PSD manteve ampla maioria na Câmara dos Deputados e elegeu dez governadores.

Talvez essa força toda, tenha sido o caminho voraz usado para derrotar em Cajazeiras o nosso poeta Cristiano Cartaxo, que obteve 2.259 sufrágios, cerca de 41, 83% dos votos válidos, abaixo dos 3.142 votos tirados por Otacílio Jurema. Ou seja, 58,17% dos votos totais. Ficando o poeta de “A Musa Quase Toda” na amargosa segunda colocação. Revelando já nessa década, o gosto partidário do povo cajazeirense pelos políticos de tendência conservadora, que seria mantida até os dias atuais.

cledimarferreira

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