terça-feira, 25 de novembro de 2025

O Cabaré das Mangueiras

 cleudimarferreira

Ruinas do Cabaré das Mangueiras. Imagem retirada do Google Maps


Cabaré das Mangueiras não era e, nunca foi, o letreiro principal em destaque na sua fachada. O nome oficial do peixe que era vendido por Lília chamava-se Dallas Motel - escrito em letras grandes, fonte areal, com formato itálico, acrescido de singelo sombreamento, estilo comum das legendas em pontos comerciais ou em equipamentos desse gênero instalados nos beiços das estradas desse país. 
Eclético, ambiente versátil, a área de lazer e entretenimento masculino, contava com atração feminina de livre escolha; quartos equipados - adaptados para relaxamento das tenções; serviço de bar completo com música ambientada; pousada multiuso e outros atrativos conforme a imaginação do cliente.
Um espaço atraente, ordinário, que ainda está no subconsciente da população de Cajazeiras. Suas lembranças foram regadas até aqui e, o seu crescimento popular entre todos, se tornou evidente, através das histórias vividas e, outras, através da oralidade de quem viveu certa vez, o dia a dia desse local.
Hoje, a sua imagem nos remete ao passado, já que as ruinas do lendário cabaré, é ainda, o que melhor espelha esse momento. A existência das lembranças dos amores perdidos da cidade que não dormia nunca. Através das cortinas cintilantes do seu salão principal e, dos chiados das radiolas, sucumbia sempre a máscara da razão, do que foi eternamente a sua função.
Um tempo que ficou obsoleto, que foi perdendo paulatinamente seus espaços preciosos, para as redes sociais, depois do advento da Internet e os aplicativos para smartphones. Agora não é mais ponto fixo ou via Sedex, é telepaticamente virtual. Lembro muito bem, que certa vez a convite de amigos, meu pai foi uma pescaria em um açude que ficava nas imediações dessas instalações e, me levou junto com ele. 
Nem eu, nem ele, sabia que para chegar no local da pescaria teria que passa ao lado da estalagem de Lilia. Em direção a pescaria, quando íamos passando de lado desse mundo de prazer e amor, um gaiato do grupo sugeriu que todos parassem no local para tomar uma cervejinha.
A tensão já foi logo se apoderando de mim. Meu pai tentou evitar essa parada, mas a maioria como sempre, é sempre a vencedora. Paramos no lugar corretamente arborizado, apoderamos de duas mesas conjugadas debaixo de um sombreiro frondoso. Logo um grupo de mulheres prestativas e educadas vieram a nós para nos atender.
Depois de umas três cervejas, começou o atiramento de alguns do grupo e, as meninas com suas cordialidades naturais de sempre, reciprocamente, deram seus ares das graças, começaram a fazer colo nas coxas de todos que estavam naquelas mesas.
Para mim um adolescente, tudo aquilo era estranho e novidade, até que uma veio e sentou no colo de meu pai e começou brincar com o velho, fazendo cafuné na cabeça dele e dando alguns beijos no seu rosto. Vige maria, eu saí de perto cheio de remoço e com a consciência pesada.
Meu pai ficou encabulado e, aí, a moça deixou o seu colo. Daí veio a piada de Zé da Onça com a conivência de Zé Nilo da Silva: Zé, tu também... para onde vai tem que trazer esse teu filho! Meu pai respondeu já com o volume lá em cima: - E eu lá sabia que ia passar no Cabaré de Lilia! Logo em seguida desfizeram a mesa, pagaram as despesas e, seguimos direto para a tal pescaria.

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