cleudimarferreira
Cabaré das Mangueiras não era e, nunca foi, o letreiro principal em
destaque na sua fachada. O nome oficial do peixe que era vendido
por Lília chamava-se Dallas Motel - escrito em letras grandes, fonte areal, com
formato itálico, acrescido de singelo sombreamento, estilo comum das legendas
em pontos comerciais ou em equipamentos desse gênero instalados nos beiços das
estradas desse país.
Eclético, ambiente versátil, a área de lazer e entretenimento masculino,
contava com atração feminina de livre escolha; quartos equipados - adaptados
para relaxamento das tenções; serviço de bar completo com música ambientada;
pousada multiuso e outros atrativos conforme a imaginação do cliente.
Um espaço atraente, ordinário, que
ainda está no subconsciente da população de Cajazeiras. Suas lembranças foram regadas até aqui e, o seu crescimento popular
entre todos, se tornou evidente, através das histórias vividas e, outras,
através da oralidade de quem viveu certa vez, o dia a dia desse local.
Hoje, a sua imagem nos remete ao passado, já que as ruinas do lendário cabaré, é ainda, o que melhor espelha esse momento. A existência das lembranças dos
amores perdidos da cidade que não dormia nunca. Através das cortinas cintilantes
do seu salão principal e, dos chiados das radiolas, sucumbia sempre a máscara
da razão, do que foi eternamente a sua função.
Um tempo que ficou obsoleto, que
foi perdendo paulatinamente seus espaços preciosos, para as redes sociais,
depois do advento da Internet e os aplicativos para smartphones. Agora não é mais ponto fixo ou via Sedex, é telepaticamente virtual. Lembro muito bem, que certa vez a convite de amigos, meu pai foi uma
pescaria em um açude que ficava nas imediações dessas instalações e, me levou
junto com ele.
Nem eu, nem ele, sabia que
para chegar no local da pescaria teria que passa ao lado da estalagem de Lilia.
Em direção a pescaria, quando íamos passando de
lado desse mundo de prazer e amor, um gaiato do grupo sugeriu que todos parassem no local
para tomar uma cervejinha.
A tensão já foi logo se apoderando de mim. Meu pai
tentou evitar essa parada, mas a maioria como sempre, é sempre a vencedora.
Paramos no lugar corretamente arborizado, apoderamos de duas mesas
conjugadas debaixo de um sombreiro frondoso. Logo um grupo de mulheres
prestativas e educadas vieram a nós para nos atender.
Depois de umas três cervejas, começou o
atiramento de alguns do grupo e, as meninas com suas cordialidades naturais de
sempre, reciprocamente, deram seus ares das graças, começaram a fazer colo nas
coxas de todos que estavam naquelas mesas.
Para mim um adolescente, tudo aquilo era estranho e novidade, até que
uma veio e sentou no colo de meu pai e começou brincar com o velho, fazendo
cafuné na cabeça dele e dando alguns beijos no seu rosto. Vige maria, eu saí de perto cheio de remoço e com a consciência pesada.
Meu pai ficou encabulado e, aí, a moça deixou o
seu colo. Daí veio a piada de Zé da Onça com a conivência de Zé Nilo da Silva: Zé, tu
também... para onde vai tem que trazer esse teu filho! Meu pai respondeu já com o volume lá em cima: - E eu lá sabia que ia passar no Cabaré de
Lilia! Logo em seguida desfizeram a mesa,
pagaram as despesas e, seguimos direto para a tal pescaria.
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