terça-feira, 6 de setembro de 2022

UM CLIQUE PARA A ARTE

por: Mariana Moreira

O olhar sensível e educado consegue enxergar a vida pelas lentes e focos das câmeras que manuseia para além de cliques e imagens. Lugares e espaços da cidade revelados por outra dimensão mostrando passados vivos e esquecidos em frontais de casarões e beirais de casas modestas. Rostos singelos e expressões comuns de gentes que transitam ou vivem em ruas, praças, esquecimentos sociais ganham beleza na pujança de imagem que revela e esconde dramas e dores de uma realidade que exclui e esconde. Ontens e hojes no mesmo enquadramento de personagens e cenários capturados por olhos talhados de arte e afeto para enxergar o detalhe, traduzir o silencio, silenciar murmúrios e sons, que apenas se somam a uma fotografia.

Assim nos acostumamos a ver o trabalho do fotógrafo cajazeirense José Carlos Cavalcante Junior, mas que a intimidade da cidade o rebatizou apenas e afetuosamente Cavalcante Fotógrafo. Em várias exposições já realizadas ele traduz em imagens e recortes toda a sensibilidade do olhar que enxerga além da retina.

Mas, agora, ele nos surpreende com uma exposição sobre a história dos cem anos da fotografia em Cajazeiras. Em um minucioso e cuidadoso trabalho de pesquisa, Cavalcante Fotógrafo resgata imagens, biografias, equipamentos e câmeras, fotos e perfis daqueles que, neste percurso histórico, foram registrando avida da cidade e da região. Um registro que traz momentos de emoção com a identificação de cenários, com o reconhecimento de pessoas, com o rememorar de fatos ocorridos, com o recordar de lembranças que se fazem vida e viva.

Ali encontramos Nogueirinha e Chiquitita cobrindo os eventos sociais requintados da cidade em suas celebrações de bodas, batizados, aniversários, e nas festas de debutantes onde as “sinhazinhas” se mostravam para a vida adulta. Mas ali também estão outros tantos que, usando a fotografia e seu fascínio como ferramenta de sonho e memórias, vão registrando o cotidiano da cidade em suas variadas nuances.

E como me encantei e me emocionei com o relato do Cavalcante Fotógrafo sobre as peripécias de seu pai, também fotógrafo, e um dos que estão presentes na exposição. Ele relata que o pai, ao observar e se inteirar da montagem e funcionamento das câmeras sacos, aquelas usadas pelos famosos lambe lambe, passa a fabricá-las e também promover cursos de fotografias. O estúdio, sua própria residência. Os alunos pessoas simples, comuns, gente da roça e da cidade que, além das aulas, muitos ainda gozavam da hospitalidade do metre durante o curso, que durava entre um e dois meses.

A exposição do Cavalcante fotógrafo, portanto, não é apenas um amontoados de imagens e utensílios antigos. Mas histórias, que pulsa e vive como a repetir os versos do poeta: (...) abrir o ângulo, fechar o foco sobre a vida. Transcender pela lente do amor. Sair o cético, entrar num beco sem saída. Transcender, pela lente do amor. (Lente o Amor – Gilberto Gil)




fonte: Jornal A União

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

ELA FOI EMBORA

por: João Batista de Brito

direitos da Imagem: es.123RF.com

Abri os olhos, espreguicei-me, respirei fundo, e me virei de lado para curtir só mais um pouquinho a maciez da cama.
Foi aí que vi. Ela não estava do meu lado. Ela que sempre acordava depois de mim. Bem depois.
Tudo bem. Devia estar no jardim, tomando sol, ou na cozinha, beliscando alguma fruta.
Lutando contra a preguiça, levantei-me, troquei de roupa, e saí do quarto no encalço dela. Na cozinha não estava, nem no jardim, nem no quintal, nem em parte alguma da casa. Estranho.
Será que fora caminhar no quarteirão? Ou tomara o rumo da praça do bairro, ou talvez mesmo da praia? Fosse o que fosse, era estranho: ela nunca fazia isso. Pelo menos sem me avisar, não.
Sem respostas, tomei meu banho de sol habitual, depois o de chuveiro, fiz o café de costume, e me dirigi ao gabinete.
Sentei-me à frente do computador, com a intenção de escrever minha crônica semanal, mas não saía nada. E eu sabia: sem ela, não conseguiria escrever uma única palavra, muito menos um texto.
Tristonho, deixei a manhã passar, na esperança de que, de repente, ela poderia retornar. Na verdade, passei o resto do dia nessa angústia, esperando que ela batesse no portão, de volta para o meu espírito limitado.
E nada. Uma vez bateram no portão: era o rapaz da Energisa, com a conta da luz, aliás altíssima. Outra vez foi a catadora de lixo, que pegou o vício da minha ajudinha. Outra vez, foi o motoboy, para entregar um livro que eu pedira à Livraria do Luiz, a Antologia de Luiz Fernando Veríssimo.
Mas, dela nem notícia.
Pois é. Dona Inspiração fora embora e me deixara assim, vazio, perdido, inútil.
Por que será que Dona Inspiração me abandonara, assim, sem mais nem menos, nessa quinta-feira ensolarada, justamente o dia em que mais preciso dela, o dia em que redijo minha crônica da semana para o Facebook e outros lugares? Por que desaparecera daquele jeito? Pura falta de consideração. Ou de misericórdia. Ela sabia muito bem que os meus leitores me aguardavam. Sabia que eles iriam estranhar se, na sexta-feira, bem cedo da manhã, não recebessem a notificação da minha crônica.
Acho que a fuga de Dona Inspiração tem a ver com esse ilusório momento de pós-pandemia em que estamos.
Por certo, Dona Inspiração deve estar achando – e, iludida ou não, é direito dela achar o que quiser - que não vale a pena ficar trancado em casa, a bunda pregada numa cadeira, a cara focada numa tela de computador, fazendo esforços mentais e físicos para redigir textos tolamente pretensiosos que deem a impressão de que sou inteligente e criativo.
Imagino que a essa altura ela deva estar curtindo o mundo lá fora, faceira, maliciosa, cheia de si, alheia ao covid e outros vírus, gozando da minha cara, e de meu espírito medroso.
A depender da hora, eu a vejo em locais diferentes, sempre bem mais atrativos – reconheço - que a minha monótona e mofada residência.
Daqui onde estou socado na minha tristeza, eu até a vejo, ao meio dia, num daqueles quiosques de Tambaú, de roupa de banho, tomando uma cerveja bem gelada, com tira-gosto de camarão, sentindo o vento nos cabelos soltos, fitando o marzão a sua frente. Ou, à tardinha, naquele terraço do Mag Shopping, lambendo um delicioso sorvete de chocolate suíço banhado com molho de baunilha. Ou, à noite, na calçada da Sapore d´Itália, se deliciando com uma pizza marguerita massa fina e vinho Leon de Tarapacá, divertida em observar o pessoal descontraído que, sem temores, passeia no calçadão...
Enfim, aos meus leitores do Facebook, peço desculpas pela falha, e prometo que, se a sorte me proteger e Dona Inspiração porventura retornar, na próxima semana vocês terão o que ler.
Aguardemos
.



fonte: João Batista de Brito - facebook

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Fotógrafo cajazeirense, José Cavalcante promove exposição em homenagem aos 100 Anos de história fotográfica em Cajazeiras


Cicero Batista no seu Laboratório Fotográfico 
revelando fotos em preto e branco


  ///   Fique Ligado! é dia 31/08 (Quarta-Feira)  

O fotógrafo cajazeirense, José Cavalcante Júnior realizará, na próxima quarta-feira (31), uma exposição fotográfica, com o tema, “Remexendo Memorias: 100 Anos de História fotográfica em Cajazeiras”, onde fará um resgate da história de profissionais que trabalharam em Cajazeiras através de fotos e contando um pouco da história de cada um através de um pequeno perfil de cada profissional.

Segundo José Cavalcante, a exposição que terá início às 18h, finalizará às 22h e conta com o apoio da prefeitura de Cajazeiras. A expectativa é receber familiares e amigos dos fotógrafos homenageados, a fim de gerar comoção com boas lembranças.

“Vamos resgatar a memoria dos profissionais que trabalharam e trabalha com fotografia, fazendo com que os parentes se recordem do grande trabalho realizado por esses profissionais na cidade. Além de gerar comoção, tenho o intuito de fazer com que a memória deles permaneça viva e seus trabalhos não sejam esquecidos”, disse o fotógrafo.

Ainda de acordo com José Cavalcante, o primeiro fotógrafo a ser encontrado pela pesquisa foi José Magalhães, que trabalhou em Cajazeiras na década de 20. Ele foi o primeiro presidente do Grêmio Artístico de Cajazeiras, depois terá muitos profissionais de ótima qualidade como Francisco Aprígio Nogueira o Nogueirinha, Cicero Batista, Nelson Lira entre outros. 

A exposição - que não é a primeira, em 2021 Zé Cavalcante já havia produzida uma paracida com está que será realizada, terá como homenagem a Eduardo Pereira e Família. Eduardo Pereira é um cajazeirense que residente em Brasília. Na exposição também terá amostra de máquinas fotográficas antigas e diversos equipamentos ligados à fotografia.


cartaz da exposição de 2021


DEIXE O SEU C O M E N T A R I O



fonte: postagem publicada em https://www.polemicaparaiba.com.br/

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

A VOLTA DO "ARTE AGOSTO" EM 2022.




  ///   Fique Ligado!  

Assim como vem acontecendo com outros eventos importantes do setor cultural de Cajazeiras, que tiveram suas atividades anuais paralisadas por dois anos consecutivos, mas que nesse ano voltaram com suas atividades normalizadas, o “Arte Agosto”, evento realizado de Secult - cajazeirense, também voltou e vai acontecer entre os dias 19 e 21 deste mês de agosto.

Hoje (19), a partir das 20 horas, será a abertura na Praça da Matriz Nossa Senhora de Fátima - popularmente conhecida como Praça da Cultura. O evento, durante três dias seguidos, reunirá em volta do histórico "Coreto da Praça", artistas locais das diversas linguagens da arte. O acontecimento cultural da Secult, acontecerá para marcar os 159 anos de fundação da cidade de Cajazeiras.

Serão realizadas várias apresentações culturais para o público presente e, na programação de abertura do evento nessa sexta-feira (19), às 20h,  terá como destaque a apresentação da Banda Filarmônica Santa Cecília de Cajazeiras, seguido pela exibição Grupo de Capoeira Ginga Brasil. Na sequencia, fechando a programação desse dia, será apresentado a peça teatral “Trinca, mas não quebra”, com direção de Francisco Hernandes, cujo texto tem com autor o dramaturgo cajazeirense Eliézer Rolim. Depois um  solo de dança com Glemerson Vinícius.

No sábado, dia 20, também a partir das 20h00, as atrações do “Arte Agosto” serão as apresentações da Fanfarra Maestro Rivaldo Santana, em seguida o Balé irmã Fernanda, fechando a programação da noite com um show musical.

Para o domingo (21), a grande atração, também a partir das 20h00, será a final do Festival “Talentos do Sertão 2022”, o maior concurso de voz do sertão paraibano. Portanto, um final de semana recheado de arte e cultura para cajazeirenses e cajazeirados, que moram ou que esteja em visita a cidade.  



Informações: Secult - Cajazeiras

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Paraibanos estão na disputa hoje do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro


Luiz Carlos Vasconcelos em cena de ‘Marighela’

por Jãmarri Nogueira

O 21º Grande Prêmio do Cinema Brasileiro acontece nesta quarta-feira (10), a partir das 20h. Serão entregues 32 prêmios, em quatro grandes categorias: longa-metragem, curta-metragem e séries independentes brasileiras. 
Paraibanos estão na disputa pelas premiações. ‘A fome de Lázaro’, refilmagem de Diego Benevides do filme de Torquato Joel concorre na categoria ‘Curta-metragem Documentário. 
A lista conta ainda com ‘Fogo baixo alto astral’, de Helena Ignez; ‘Foi um tempo de poesia’, de Petrus Cariry; ‘Mãe solo’, de Camila de Moraes; e ‘Yaõkwa, imagem e memória’, de Rita Carelli e Vincent Carelli. 
Quem também está na disputa é o paraibano Luiz Carlos Vasconcelos, indicado na categoria Melhor Ator Coadjuvante por sua interpretação como ‘Branco’ no longa-metragem ‘Marighela’, de Wagner Moura. 
E também tem ‘Chão de estrelas’, do pernambucano Hilton Lacerda, disputando na categoria Melhor Série. O elenco tem vários paraibanos, como Soia Lira, Ana Paula Gaspar, Fernando Teixeira, Ana Marinho e Sebastião Formiga. 
A cerimônia terá Camila Pitanga e Silvero Pereira como apresentadores e será transmitida no Globoplay, no Youtube e no Canal Brasil, direto da Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. 
Na edição de 2020, ‘Bacurau’ e ‘A vida invisível’ foram os vencedores do Grande Prêmio, que é organizado pela Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais.

Cena do curta ‘A fome de Lázaro’

CONVITE


I N A U G U R A Ç Ã O   
E s p a ç o   C u l t u r a l   E l i e z e r   R o l i m


Nesta Quinta-Feira 11/agosto/2022
a partir das 16 horas.



segunda-feira, 8 de agosto de 2022

PROGRAMAÇÃO CULTURAL DE ANIVERSÁRIO DE CAJAZEIRAS





 ///   Fique Ligado!   


Parte (CULTURAL) da Programação dos 159 Anos de aniversário de Emancipação Política de Cajazeiras e de nascimento do Padre Inácio de Souza Rolim, que acontecerá entre os dias 11 e 22 de Agosto desse ano de 2022.


Dia 11/08 (quinta)

Lançamento do Concurso Literário LERARTE
Local: Biblioteca Municipal Castro Pinto, às 10h.
Solenidade de Inauguração do Espaço Cultural Eliezer Rolim
Local: Calçadão da Tenente Sabino, às 16h30.


Dia 13/08 (quinta)
Abertura do Cajá Rock 2022
Local: Calçadão Cultural da Tenente Sabino, às 20h30.
Show do Veterano Sanfoneiro Chico Amaro
Local: Xamegão, às 21h.

Dia 19/08 (Sexta)
Abertura do ARTEAGOSTO
Local: Praça da Matriz Nossa Senhora de Fátima, às 20h.

Dia 20/08 (Sábado)
Abertura da Feira Mulheres Empreendedora, composta por artesãs de Cajazeiras.
Local: Parque do Xamegão, às 18h.
Segunda noite do ARTEAGOSTO
Local: Praça da Matriz Nossa Senhora de Fátima, às 20h.

Dia 21/08 (Domingo)
Encerramento do ARTEAGOSTO. Com a realização da grande final do Show de Talentos 
Local: Praça da Matriz Nossa Senhora de Fátima, às 20h.




informação: Prefeitura Municipal de Cajazeiras