quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Otacílio Jurema: Um Senador por Cajazeiras.





Filho de Joaquim Victor Jurema e Cecília Guimarães Jurema, o Dr. Otacílio Jurema - como era conhecido e chamado, não era cajazeirense de nascimento, pois nascera na cidade vizinha de São João do Rio do Peixe em 8 de março de 1900.

Era Médico e foi Secretário da Saúde do Estado; Prefeito de Cajazeiras entre 1951 a 1955; Suplente de Senador da República em 1954 e Senador eleito pelo PSP de 1955 a 1959; Deputado Estadual em 1962 pela legenda PSB com 2.203 votos obtidos. Teve alguns trabalhos de destaques publicados, como por exemplo, os livros Aspectos do Nordeste - abordagem política e questionadora dos problemas nordestinos eTerapêutica dos Fibromiomas Uterinos - com conteúdo relacionados a literatura médica.

Na Prefeitura de Cajazeiras, entre tantas obras realizadas na sua administração e que até hoje podemos ver ainda na cidade, se destaca a construção das pontes sobre o sangradouro do Açude Grande e a que liga o Estádio de Futebol Higino Pires Ferreira ao antigo Colégio Diocesano Padre Rolim. No setor educacional Dr. Otacílio fundou a Escola Técnica do Comércio e instalou o ensino técnico comercial. Construiu a que podemos chamar de principal obra de sua administração, o Edifício Sede da Prefeitura Municipal.

Como representante da Paraíba no Senado, Otacílio Jurema teve uma atuação marcada na denúncia de abandono e busca de soluções para os problemas da região nordestina. Num discurso proferido no dia 03 dedezembro de 1957, o mesmo deixou bem claro os seus objetivos no Senado Federal, quando fez um forte apelo às autoridades constituídas, no sentido acabar com os entraves que impediam o crescimento econômico do Nordeste, causados - segundo ele, pela ausência de planejamento do antigo DNOCS, secas consecutivas, miséria e analfabetismo da população. Ainda no mesmo discurso, o Senador Jurema já profetizava a necessidade de investimento do governo Federal no setor de ferrovias e rodovias, construções de açudes, porto para escoamento da produção, mais recursos para agricultura e pecuária. Um plano de desenvolvimento regional bem estruturado que tirasse o Nordeste do atraso.

Em outra investida do Senador na tribuna do Senado, deste feita em 19 de fevereiro de 1957, ele denunciou a crescente migração - na época, do povo nordestino para a região sudeste, uma prática que para o Senador não melhorava a vida do nordestino, más que só causava prejuízos a economia do sofrido nordeste..Pediu a construção de canais de irrigação para estimular a agricultura. Outra participação do Senador Otacílio Jurema que merece destaque, foi em 14 de abril de 1958. Usando da palavra ele chamou atenção dos seus pares para gravidade do problema da seca e conseqüentemente o crescimento da tensão social no interior do nordeste. Criticava a insuficiente providência do Governo de agir com rapidez na liberação de verbas para o atendimento da população carente e finalizava agradecendo ao Prefeito Adhemar de Barros, de São Paulo, pela remessa de gêneros alimentícios, medicamento e auxilio ao povo sofrido do interior do Nordeste.

Sendo um conhecedor abalizado dos problemas sociais de sua região, foi um política atuante na defesa do Nordeste e da Paraíba no Senado Federal. Fez história, talvez, nem tanto entrou para história, pois apesar de ter feito muito por Cajazeiras numa época onde os recursos públicos era quase nada, envelheceu e morreu em sua mansão na Rua Victor Jurema, desprestigiado e esquecido por todos.


                                Álbum  Fotográfico   

Cartaz da campanha leitoral  
     para Prefeito em 1962. 
    
     Foto 1. Durante a formatura em Medicina em 1923.
Foto 2. Retrato institucional
     
Foto/retrato institucional

     Solenidade de pose como Prefeito de Cajazeiras 
em 1962.
     
       Ao lado Presidente da Repúblico 
Juscelino Kubitschek. 
     
      Sendo homenageado por 
Juarez Távora
     
O Senador Otacílio Jurema visitando 
os flagelados da Seca em 1958
     
     Com o Governador Pedro Gondim durante a pose 
do segundo mandato em 1959 
  
     Um dos grandes comícios de campanha 
nas ruas de Cajazeiras
   
      Inauguração da Sede do Fórum - instalada no 
pavimento superior da Prefeitura.
     
     Com Pedro Gondim na pose do segundo 
mandato em 1959 
    
    O Dr. Otacílio Jurema durante a velhice.
     
    O Dr. Otacílio Jurema e o seu inseparável cão.
     


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fontes: Aquivos do Senado Federal e Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Patrimônio Histórico Ameaçado




As fotografias acima, mostra como a ‘visão equivocada’ dos que agiram (e age ainda) em nome da modernidade, do progresso ou por interesses econômicos, vem influenciando e produzindo mudanças estéticas na paisagem urbana da cidade de Cajazeiras. As duas fotos foram produzidas em épocas opostas, porém mostra o mesmo espaço, onde antigamente existiu um belo solar de características ecleticas com linhas neoclássicas, que infelizmente, diante da força bruta, sofreu várias intervenções, quase levando a sua demolição, descaracterizando o seu desenho original. A história da agressão começou com a sua adaptação, para dar lugar a um hotel - o Grande Hotel. Depois numa segunda intervenção mais agressiva ainda, passou por modificações totais, sendo adaptado para se tornar hoje em salas comerciais. Um verdadeiro tiro de misericórdia na velha arquitetura da cidade e no patrimônio histórico de Cajazeiras.



Belo postal. "Coreto" da Praça da Cultura, localizada em frente a Igreja Matriz Nossa
Senhora de Fátima - Cajazeiras/PB. Se você ampliar a foto, vai ver que não
está tão conservado assim, pois algumas das colunazinhas
que dá apoio ao peitoril, estão quebradas ou faltando.


É Chaveron... dizia o refrão da música no carnaval.

Foto produzida nas escadarias da parede do açude grande .................................................................................................................................................................................
Orquestra Chaveron do maestro e radialista Zeilton Trajano - em pé no alto da foto. Podemos ver ainda algumas figuras bastante conhecidas dos cajazeirenses, como por exemplo, no canto direito o cantor Daniel e abaixo dele, o seu parceiro de serestas, o também cantor Timbú. O sétimo da direita para a esquerda da foto é o maestro Rivaldo Santana. O primeiro da esquerda para direita é Caveirinha e o segundo, depois dele é Dede. Na fila de baixo, o barbudo - segundo da esquerda para a direita é o nego Ivan e sétimo é contrabaixista Mago. A orquestra de fervo Chaveron era composta pelos melhores músicos de Cajazeiras e foi por vários anos a principal atração dos bailes de carnaval dos clubes da cidade.





sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Hoje no Cine Teatro Éden, The Black Rose


Hoje, somente hoje. O Cine Teatro Éden apresenta: The Black Rose. A história de um jovem saxão que em tempo de guerra é forçado a fugir da Inglaterra com seu fiel escudeiro que leva consigo sua longa flecha britânica. Os dois vão para a china, onde acabam se envolvendo em intrigas na corte de Kubla Kahn. Uma extraordinária realização de Henry Hathaway e argumento de Talbot Jennings e Thomas B. Costain. Produção de 1950; Duração: 120 min. Com: Tyrone Power, Orson Welles, Cécile Aubry e Jack Hawkins. Hoje, a partir da 20h na tela panorâmica do seu Cine Éden. Você não deve perder essa fantástica e extraordinária aventura de capa e espada. Veja abaixo o ‘trailer’ do filme.

Foto original da internet

Cartaz original do filme



Casarão da Boa Vista: Virando as Páginas do Tempo


 


Virando as páginas do tempo, esse é o suntuoso Casarão da Boa Vista, onde no passado, foi residência do Coronel Zuca Peba. O prédio tem muito que o contar para justificar a sua sobrevivência. Ainda não demoliram, mas já foi bastante modificado, com a sua área encurtada para abrigar outras instalações, outros equipamentos empresariais e comerciais, obedecendo de certa forma a lógica do tempo e o rito moderno do crescimento urbano das Cajazeiras de hoje. 

O casarão que é símbolo do que foi um dia coronelismo cajazeirense, segue varando o tempo e lutando contra os que já fizeram de tudo para ver a sua destruição, foi construído num passado remoto, onde a economia algodoeira e a pecuária bovina, puxava o progresso da cidade e contribuía para o fortalecimento ainda mais, do poder político dos coronéis e fazendeiros da região. Período áureo que alimentou o ego das oligarquias em Cajazeiras e que praticamente mandou e veio mandar no município por quase dois séculos. 

Basta ver as duas fotos acima e comparar as mudanças ocorridas. Da sua construção original só resta hoje a Casa Grande - a esquina, pois os equipamentos de serviços, como, armazém, depósito, dispensa e área de serviços que compõe os fundos do casarão, boa parte já foram modificados ou demolidos. Uma prova que se dependesse dos que não tem o passado como referência para contar a sua história, ele já estaria no chão há muito tempo.

by. Cleudimar Ferreira

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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Ele gostava de Cajazeiras, mas a cidade não gostava dele

Cleudimar Ferreira


Panfleto de uma das campanhas de Raimundo Ferreira a Prefeito de Cajazeiras


Conhecido popularmente como o “Homem da Brasília”, o empresário Raimundo Correia Ferreira quando chegou a Cajazeiras, sentiu uma forte atração pela cidade que na época já apresentava um comércio em franca expansão e uma acanhada vocação para o setor industrial. 

Alimentado pelo trem que facilitava o acesso às cidades do cariri cearense de onde vem sua origem; atraído pelo movimentado centro comercial e pelas indústrias e algodoeiras, como a J. Matos S.A; a firma da família Abrantes; Representação da SAMBRA e outras pequenas empresas de extração de óleo do algodão e torrefação de Café; Raimundo Ferreira viu na terra dos Rolins a possibilidade de fazer bons negócios. E fez! Primeiro construiu na zona de expansão, onde havia a maior concentração de empresários do ramo algodoeiro, o primeiro edifício vertical da cidade - que já foi à rodoviária e hoje é um hotel. 

Bem mais cajazeirense do que nunca, Raimundo queria mais, criou a “Viação Brasília” que fazia a linha Cajazeiras - Brasília. Depois vieram a Viação Rápido Juazeiro, Viação Rio Negro, Viação Varzealegrense e VB Express.

Na sua rápida passagem pela política, tentou duas vezes sem sucesso, ser prefeito de Cajazeiras. Em 1963, pelo PSB, entrou numa disputa ferrenha com Chico Rolim, Acácio Braga Rolim e José Leite Furtado, amargando um 3º lugar com 2.120 votos obtidos. Após o golpe militar de 1964, Raimundo Ferreira se filiou ao MDB e na eleição municipal de 1969, travou mais uma vez, uma guerra pela prefeitura cajazeirense com o candidato da ARENA Epitácio Leite Rolim. O resultado foi uma esmagada derrota sofrida, com o seu opositor obtendo 6.548 votos e Raimundo Ferreira apenas 2.324 votos. Uma maioria prol Epitácio de 2.324 sufrágios. Uma humilhação e vergonha para um homem que modestamente, vinha investindo tanto no progresso da cidade

Desgostoso por não ter da população cajazeirense uma resposta positiva e um reconhecimento pelo muito que vinha fazendo pela cidade, Raimundo Ferreira deu adeus a política partidária e passou a se dedicar exclusivamente a atividade empresarial. Fixou residência na região cearense e só aparecia em cajazeiras para ver como andava as suas empresas. 

Raimundo gostava de Cajazeiras, mas a cidade não gostava dele. Obcecado e determinado em crescer mais ainda, “o Homem da Brasília” se enveredou pelas atividades da comunicação. Nos anos 70, passou a sonhar com a possibilidade de explorar os serviços de radiodifusão. Em suas primeiras investidas, o empresário tentou conseguir a concessão de uma emissora para Cajazeiras, onde definitivamente voltava a residir. Em seguida, voltou-se para a cidade de Juazeiro do Norte, sem sucesso. O entrave maior que Raimundo Ferreira enfrentou foi o fato de as duas cidades já terem emissoras de Rádio funcionando. Aconselhado por pessoas próximas, resolveu então, tentar conseguir a liberação de uma emissora para Várzea Alegre. 

Finalmente, no ano de 1974, contando com o apoio do então Deputado Mauro Sampaio, que por sua vez, contou com o apoio de um irmão que na época trabalhava no Ministério das Comunicações, Raimundo finalmente viu o seu sonho se realizar. Os esforços não foram em vão e desta vez, a concessão para explorar os serviços de radiodifusão, foi concedida. E assim, ele criou a Rádio Cultura de Várzea Alegre, inaugurada em 05 de junho de 1978. Hoje com 79 anos, Raimundo Ferreira reside em Juazeiro. Boa parte de suas empresas foram vendidas, as que restaram, são bem administradas por parentes e familiares na região de Juazeiro e Crato - Ceará.


Anos 50, 60, 70. Ônibus da Viação Brasília.  Linha de Cajazeiras/São Paulo, depois, 
Patos/São Paulo, passando por Pombal, Sousa e Cajazeiras
 
Autoretrato de Raimundo Ferreira 
Raimundo Ferreira no seu escritorio em Cajazeiras
Tabela da Copa do Mundo de 70


TODAS AS FOTOS DE RAIMUNDO FERREIRA
Acervo: Borracha e Eduardo Pereira e outros
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Raimundo Ferreira integrou um grupo de rotarianos que foi recebido pelo Presidente 
João Goulart, no início dos anos 60, em Campina Grande (PB). O grupo de Rotarianos 
de Cajazeiras foi reivindicar o abastecimento de água para cidade.
Na foto, seu Leitão e Dr. Aldo Matos.
Raimundo Ferreira e Maestro Esmerindo Cabrinha
Raimundo Ferreira e Arruda Neto em uma solenidade da Viação Brasília

Raimundo Ferreira no Programa Irapuã Lima 
da TV Ceará-Rede Tupy
Raimundo Ferreira, ao lado da cantora Ângela Maria em um 
Baile Show no Clube 1º de Maio, em Novembro/1979.
Foto: Bosco Fotógrafo, acevo: Geraldo Rolim.

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