domingo, 21 de fevereiro de 2010

JOÃO DE MANEZIM, 55 ANOS DE CARNAVAL.




















“Eu sinto falta dos antigos carnavais nos clubes de Cajazeiras". Assim falou João de Manezim, uma das figuras mais alegórica do carnaval de Cajazeiras, que neste ano de 2010, completa 55 anos de participação na festa mais popular do calendário cultural e folclórico brasileiro. 

Nesse mais de meio século de vida dedicada à folia momesca, João recorda muito bem os antigos concursos de batucadas e sua maior alegria, foi quando viu pela primeira vez, por iniciativa do empresário Raimundo Correa Ferreira, um trio elétrico chagar à Cajazeiras para animar o carnaval de rua da cidade. 

Fundador da mais antiga escola de samba da cidade e do hilariante bloco "o jaraguá" - que ao som de uma charanga, desfilava nos três dias de festas, conduzindo uma espécie de boneco de chita feito a partir de uma queijada de jumento. Ele lamenta o esquecimento e o pouco apoio dos poderes público ao carnaval tradição da cidade. 

Autor da marchinha "Ei, olhe pra mim, eu sou o João de Manezim", João, além do carnaval, foi dirigente do mais tradicional clube de futebol do Bairro de Capoeiras - o já instinto São Cristóvão Futebol Clube. Na sua rápida carreira política, João de Manezim chegou a se eleger vereador na década de 80, e como bom religioso que era, organizou juntamente com Suplente de Senador Bosco Braga Barreto, uma romaria de Cajazeiras a cidade de Juazeiro do Norte-Ceará. 

Ainda nos anos 80, o folclórico João, protagonizou uma façanha que marcou a sua vida e também a da cidade, foi ter passado 12 horas - sem parar, rodando numa bicicleta para marcar a inauguração da reabertura e alargamento da Av. Padre José Tomaz - trecho que começava da Praça Coração de Jesus até o Cine Pax.



Nesse espaço pública que o vídeo mostra, nos carnavais das décadas de 60 e 70, 
João de Manezim reinava de forma plena, fazendo a sociedade cajazeirense 
cair na folia nos três dias festas.






sábado, 20 de fevereiro de 2010

O Bar do Fuba ou o Fuba's Bar

por Cleudimar Ferreira




Era rimando que todos se comunicavam. Quem não lembra do antigo Fuba's Bar? No Fuba's Bar tinha de tudo. E se não tivesse, a gente inventava. Tinha pinga com limão, com laranja, rolinha assada e sardinha coqueiro com cebola na farinha. Tinha até uma sinuca que todo mundo jogava e dava palpites também. No Fuba`s Bar era assim! Um lugar muito bacana, ornamentados com fotos de Roberto, Erasmo, Jerry Adriano e Martinha. Velhos pôsteres de Tostão, Pelé, Gerson e Jairzinho fardados com camisas da seleção de 70.

A gente ia para lá, esperar o dia passar. Tomar aquela “meiota” e umas e outras afins, ao som de Fernando Mendes, The Fevers e José Augusto. E se ainda sobrasse tempo, pegava aquele cineminha, seja no Cine Eden, Cine Apolo ou Cine Pax. Não importasse aonde fosse, a gente chegava lá. Mesmo chapado ou tambelendo, a gente chegava lá.

Era no bar do Fuba que a boemia cajazeirense se encontrava. Gíria pra lá, gíria pra cá. E rolava aquele papo. De política; de mulher à futebol, nas noites das quartas-feiras. Era Flamengo e Vasco; Botafogo e Fluminense. Uma loa a Jorge Cury; Waldir Amaral, Mário Viana e João Saldanha, sempre de orelha colada no inseparável Motorádio. 

Bons tempos do velho Fuba's. O nosso "Bar dos Penetras", um lugar feliz da vida, onde antigos camaradas nas tardes de sextas-feiras, jogavam conversas fora. Era Dedé Bundão, Neném Labirinto e Célio Vilar. Marcílio lá do Detran e o mecânico Guilherme. Ferreirinha, Gilson de Seu Nô e o filho de Pedro do Rádio.

Tinha até o Constantino que virou vereador. Era tanta gente boa nas mesas do "Fuba`s Bar" que até esqueço o nome. Uma eterna confraria, birinight com limão, que com seu jeito simples de ser, fez história, fez fuxico; fez lorota e foi legal. Virou a página do tempo e deixou muitas saudades.

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Foto (em preto e branco) site: http://www.defatosefotos.hpg.com.br

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

SEU NÔ, NONATO e WALDEMAR



Início da década de 80. Aqui o jovem jornalista Nonato Guedes - que nessa época já era um dos grandes talentos do rádio cajazeirense. Destacado intelectual da cidade, conhecedor dos problemas politicos da Paraiba e do Brasil, o mesmo, no finalzinho do período repressor, já era gerente da sucursal do jornal "A união" e o âncora principal do jornalismo da "Rádio Alto Piranhas". A foto acima, mostra o mesmo ao lado de Waldemar Matias Rolim, entrevistando o Vereador Aldenor Rodovalho de Alencar - Seu Nô, então Presidente da Câmara dos Vereadores de Cajazeiras. Nonato foi o primeiro profissional do rádio em Cajazeiras a se transferir para João Pessoa e atuar com sucesso na impresa pessoense. Foi editor do jornal "A união", comentarista político da TV Cabo Branco e colunista do Jornal "O norte". Atualmente "Nonato" faz parte do "cast" da Rádio CBN - João Pessoa.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

LINDEZA PRESERVADA



Coisa linda... /Eu nem posso acreditar/Coisa linda... /Quando o mundo te oferece/e enfim te das tens lugar/... sinal novo sob o sol, vida mais real/Coisa linda... /...pluma tela pétala/Coisa linda... /ter-te agora um dia e sempre, uma alegria pra sempre. Trecho da letra e Música "LINDEZA" de Caetano Veloso e Pedro Aznar

Está de parabéns a consciência que durante longas décadas manteve em pé essa histórica árvore (uma figueira), que compõe o complexo arquitetônico do antigo Colégio Diocesano Padre Rolim. Atitude assim dá mais um pouco de alento para a tão destruída historiografia cajazeirense, já que ao longo do tempo, a cultura da derrubada discriminada de árvores típicas da região - algumas delas já centenárias; como por exemplo: as oiticicas da Praça Mãe Aninha, os juazeiros e as aroeiras do entorno da cidade e as "cajazeiras" - que deu nome a cidade, que praticamente dentro da zona urbana não existe mais. Talvez, a sua conservação, seja um sinal que ainda existem pessoas preocupadas com a preservação da história da cidade. Parabéns o fotógrafo que fez a foto. Imagine só, se você chegasse cansado, suado e não tivesse "ela" aí, "bonitona" para você descansar do calor!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

3ª Coletiva Cajazeirense de Artes Plásticas: Um grito contra o isolamento.

por Cleudimar Ferreira

Capa do Catálogo. Acervo Cleudimar Ferreira


Revendo o catálogo da III Coletiva Cajazeirense de Artes Plásticas - realizada em 1983, uma reflexão me veio à tona quando li o primeiro parágrafo da apresentação feita, na época, pelo diretor do Campus V da UFPB, José Antônio de Albuquerque. "Porque a divulgação na mídia paraibana da produção de artes no estado, esteve restrita durante várias décadas, a apenas pequenas notas; a algumas colunas assinada por jornalistas (sem pouco embasamento teórico no assunto) e as raríssimas matérias de meia página publicadas nos principais periódicos da Paraíba!?"

Uma produção que aos olhos dos que ousaram escrever, só existia na grande João Pessoa e vagamente na cidade de Campina Grande. Visivelmente esquecendo o bom trabalho dos artistas do interior, como: Chica Egípcia - Santa Luzia; Ely Perazzo em Areia; Maria Araújo e José Alves - Pombal; José Carlos e Murilo Santos - na cidade de Patos; Miguel Guilherme em Sumé; Modesto Maciel, Marcelo Braga e Telma Rolim Cartaxo em Cajazeiras. Seria preconceito com a produção sertaneja?... Discriminação aos artistas do resto da Paraíba que nunca estiveram no consenso dos circuitos das galerias da capital ou falta de reconhecimento a uma arte que retratou muito bem a liberdade e a força do povo do interior, como bem escreveu José Antônio: "Esta pode ser a forma de um grito contra o isolamento do espírito criativo, gerador, construtivo - cuja sonoridade pode despertar para o ato de pensar."

Veja na íntegra o texto do Professor José Antônio de Albuquerque:


"Esta III Coletiva Cajazeirense, representa a continuidade do esforço de todos aqueles que lutam penosamente para o desenvolvimento das artes plásticas no interior paraibano. Esta pode ser a forma de um grito contra o isolamento do espírito criativo, gerador, construtivo - cuja sonoridade pode despertar para o ato de pensar. Não importa o conteúdo - o que vale é o fenômeno, é inventar as formas de crescimento é dar vitalidade. Não pretendemos mudanças ou transformação de formas, mas buscar uma linguagem nova, capaz de atingir uma verdadeira busca interior dos nossos artistas que retratam a exterioridade de nossa cultura, os momentos fundamentais do homem diante da vida. O nosso meio, a nossa condição, o nosso espaço são fatores arbitrários de limitações imposta à liberdade de criar, mas cada obra de arte desta Coletiva pretende recomeçar a arte a partir da ideia de que a liberdade criadora anseia por mais espaço para poder voar, criar, libertar-se. A arte cria significações e torna inteligível a realidade sensível."

A curadoria da III Coletiva Cajazeirense de Artes Plásticas foi de Telma Cartaxo, com apoio técnico de Cleudimar Ferreira, Domingos Sávio (Salvino Lira), João Braz, Marcos Pê e Onireves de Castro.

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sábado, 23 de janeiro de 2010

Quem vai abrir o Cineclube Vladimir Carvalho?

porCleudimar Ferreira

Identidade do Sócio Contribuinte do Cineclube Vladimir Carvalho. Acervo Cleudimar Ferreira


Se o Cineclube Vladimir Carvalho estivesse ainda com as suas atividades em movimento, estaria completando este ano 34 anos de fundação. Criado em 1976, por grupo formado por jornalistas, gente do setor cultural e intelectuais cajazeirenses, a exemplo de, Marcos Luiz, Ubiratan di Assis, Waliomar Rolim, Nonato Guedes e outros seguimentos da vanguarda cultural de Cajazeiras nesse tempo, o cineclube foi uma opção na época, para quem gostava de filmes com um conteúdo mais profundo e questionador, diferente daqueles que rolava na programação dos cinemas da cidade - vide os Cines Éden, Pax e Apolo XI, que praticamente só exibiam filmes de bang-bang e as pornochanchadas produzidas com apoio e, em certos casos, com fomento patrocinado pela Embrafilme. 

As sessões do Cineclube Vladimir Carvalho aconteciam sempre às sextas-feiras, na biblioteca pública da cidade, onde após as exibições, o público presente participava ativamente dos debates que no local eram realizados. O cineclube, sem dúvida, foi durante um bom tempo, o responsável pelo desenvolvimento cultural cinematográfico da região - embora não tenha construído um patrimônio que lhe desse aval para voar mais alto e que assegurasse a continuidade dos trabalhos que vinham sendo realizados até a metade do ano de 1977, quando definitivamente paralisou as suas atividades. 

No início da segunda metade do ano 1976, no auge da sua fundação e, ainda, sob o comando do jornalista Nonato Guedes, o cineclube em parceria com o crítico de cinema e cineasta Jean-Claude Bernadet, professor da USP, promoveu um curso rápido, aberto, de cinema para os interessados na prática do audiovisual. Dos participantes, a maioria eram alunos e professores dos colégios da cidade. No final do curso, os participantes realizaram um exercício, que culminou com a produção de ‘Gestos’, um pequeno filme gravado na antiga ponte de madeira do sangradouro do Açude Grande.  

Em 1979, antigos sócios, reabriram o referido cineclube. A rentrée do cineclube para o público apaixonado por cinema de arte em Cajazeiras, teve a colaboração significativa do Instituto Goethe do Recife, que doou dois projetos de 16mm e colocou à disposição do cineclube, como empréstimo, vários documentários com temas variados sobre a cultura alemã. Pela primeira vez o cineclube, passou a ter um patrimônio, os dois projetos, essenciais paras exibições dos filmes     

A reabertura oficial do cineclube Vladimir Carvalho, aconteceu com a exibição do Filme: "O estranho Caminho de São Tiago", (Lá Voie Lactée - título original do filme), do diretor espanhol Luiz Buñuel, adquirido em uma distribuidora de cinema no Recife. Depois vieram as inúmeras exibições do documentário "O que eu conto do sertão é isso", dirigido por José Umbelino Brasil e Romero Azevedo, (que tratava das questões fundiárias no sertão da Paraíba), cujas exibições, na maioria, foram realizadas nas associações de bairros, sindicatos rurais e escolas da periferia de Cajazeiras.

Nos dias de hoje, com a inclusão da tecnologia digital; com uma maior abertura da produção audiovisual no país e, com vários festivais de cinemas acontecendo por aí a fora, o soerguimento do Cineclube Vladimir Carvalho, abriria as cortinas do passado no presente, possibilitando, quem sabe, o fomento  volta de uma atividade que no passado fez história na cidade, trazendo mais movimento e contribuição para cultura cinéfila de Cajazeiras.

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Alunos do curso de cinema no interior da Câmara dos Veredores de Cajazeiras.
Em pé: Jean-Claude, Nonato Guedes, Ronaldo Martins, Jonh Lennon, Gutemberg Cardoso, 
Irismar Di Lira, Josival Pereira, Raimundo Júnior, Chico Antônio e Dvane Assis Diniz. 
Sentados: Jamilton Farias, Leão Moreira, professora Lourdes, José Alves, Clizelite Assis, 
Fátima Elias. Embaixo: professora Viana, Videlma e Leda Guimarães.


Abaixo, cena e cartaz do filme "O Estanho Caminho de São Tiago"








quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O DIA EM QUE BOSCO BARRETO FOI BOSCO TENÓRIO














Certa vez, em sua página na internet, o competente colunista Sebastião Nery, que muito bem conhece a memória folclórica da história política nacional, escreveu assim sobre Bosco Barreto: “Rio - Às 20 horas de 13 de dezembro de 1968, em Recife, no auditório da Universidade Católica, o estudante de Direito Bosco Barreto (João Bosco Braga Barreto), paraibano, orador da turma, começava o discurso de formatura fazendo comovida e entusiástica saudação ao “grande comandante revolucionário Ernesto Che Guevara”, que morrera um ano antes”. 

E segue o colunista narrando os desdobramentos do discurso de Bosco: “Muito azar. Naquele exato momento, em todas as rádios e TVs, Costa e Silva apavorava o país, lançando o AI-5 (Ato Institucional nº 5), jogando a nação no mais fundo porão da ditadura. De manhã cedo, o Exército mandou buscar em casa “o Bosco da PUC”. Erraram de Bosco. Em vez do Bosco Barreto, o orador da turma de Direito, levaram o Bosco Tenório, também “Bosco da PUC”, aluno da PUC, jovem vereador recém-eleito de Recife”. 

Segundo conta Sebastião Nery, Bosco Tenório foi recebido, no quartel, pelo major Raimundo Sá Peixoto, que com o discurso feito por Bosco Barreto na mão, lia uma frase e em seguida interrogava o outro Bosco: “- Senhor Bosco, o senhor confirma este elogio desbragado a Che Guevara que o senhor fez ontem no seu discurso?” Respondeu Bosco Tenório ao major “- Não confirmo não, major”. “- Como não confirma?” indaga o major Raimundo Sá Peixoto. E segue o interrogatório: “- O senhor está louco? O senhor falou ontem à noite e hoje de manhã já não confirma? E este trecho aqui, o senhor confirma?”. 

Segundo Nery, o major Peixoto leu mais um longo pedaço do discurso e perguntou: “- E isso, confirma ou não confirma? Não sustenta o que disse ontem? Acuado e sem ter como convencer o interrogante, Bosco Tenório responde: “- Major, eu até concordo com o discurso que o senhor está lendo. Mas não confirmo nem sustento, porque não fui eu que disse isso. Quem falou foi o orador da formatura. Como é que eu podia ser orador de formatura, se não me formei e ainda sou estudante? Esse Bosco aí é outro Bosco, major.” E assim termina Sebastião Nery: “O major quase esganou o Bosco número 2”.







Referência (texto): www.sebastiaonery.com.br
Fotos: (preto e branco) site: http://www.defatosefotos.hpg.com.br