terça-feira, 12 de junho de 2018

REABERTURA DE TEATRO DÁ NOVO FÔLEGO À CULTURA DE CAJAZEIRAS

Linaldo Guedes
linaldo.guedes@gmail.com



Produtores culturais da cidade comemoram o atual momento da cidade e preparam novos projetos


Fazer teatro não é apenas colocar os atores no palco e encenar um texto para um público ávido por bons espetáculos. Uma boa produção é garantia de que tudo vai acontecer dentro dos conformes, para que o resultado final seja convincente. Desde a reabertura do Teatro Íracles Pires, em Cajazeiras, numa ampla reforma do governo do Estado, que a Cajazeira Produtora vem “bancando” a maioria dos espetáculos que se apresentam na região, inclusive de produções nacionais.

Beethoven Ulianov Dantas e Wanderley Figueiredo de Sousa, também atores, são responsáveis por este trabalho. Segundo eles, a Cajazeira Produtora surgiu a partir da necessidade de fomentar a cena teatral e cultural da região. “Nosso foco está inicialmente voltado para a produção teatral, visando a captação e produção cultural de grandes espetáculos com profissionalismo e excelência. Para isso, contamos com uma equipe de grande know-how na área, aliado a vários parceiros e apoiadores. Estamos sempre querendo inovar, no intuito de trazer ao mercado cultural o que há de melhor no âmbito da arte e do entretenimento com ética, respeito e qualidade”, explicam.

Para Beethoven Ulianov, a maior alegria é ver a reação do público. “A nossa intenção é fazer as pessoas rirem, se emocionarem e quando a peça toca as pessoas é muito gratificante! Dificuldades são muitas; cultura não é autossustentável, então precisamos de muita gente envolvida para que as coisas aconteçam”, declara.

Já Wanderley Figueiredo acredita que a maior alegria é ver o crescimento do público no teatro e a expansão intelectual que a arte pode trazer. “Mas claro que só estamos no início e ainda temos muito a evoluir, a fomentar. A maior dificuldade, sem dúvida, seja essa: trazer o público ao teatro, fazer com que ele se apaixone pelos palcos e se aproxime que ele entenda que teatro é muito mais do que entretenimento, teatro é crescimento, educação, é arte. Nosso maior empenho é ver o sorriso de uma pessoa, o choro, ver alguém pensando, questionando, se emocionando durante o espetáculo, essa é a nossa maior conquista”, acrescenta.

Sobre a relação do público cajazeirense com a cena cultural, Beethoven lembra que Cajazeiras é berço de cultura, é exportadora de talentos na arte. “Estamos recriando o hábito na população em frequentar teatro e estamos evoluindo nisso. Mas precisamos tirar esse estigma de ‘só ir ao teatro para ver somente os atores famosos’’. É preciso valorizar os de casa, tem muita coisa boa sendo construída aqui. A programação de maio foi toda com espetáculos de Cajazeiras porque temos grandes talentos aqui”, enfatiza.

Wanderley destaca que o público cajazeirense é interessado, inteligente e exigente no que querem assistir. Mas precisa ainda uma aproximação maior com o teatro, saber que entretenimento também se acha nos palcos. “Ficamos ‘mal-acostumados culturalmente’ com esse intervalo de tempo teoricamente parados pela reforma do Ica. Teatro é mais complexo do que se pensa, e muitas vezes o público associa qualidade à artistas de TV, aos grandes famosos. Isso não é verdade, existe um mundo muito além desses artistas”, frisa.

Atualmente, dois sonhos movem o trabalho da Cajazeira Produtora: produzir espetáculos pela Paraíba inteira, com toda excelência e qualidade que nossa cultura merece e colocar Cajazeiras definitivamente na rota dos grandes espetáculos nacionais, que estão hoje concentrados no eixo Rio/São Paulo, como também levar arte local para além da região.

O ponto de partida das atividades da Cajazeiras Produtora foi a peça “Trinca, mas não quebra”, consagrando a parceria. Dessa forma, o abrir das cortinas dos palcos tornou-se atividade frequente para a dupla. Em pouco tempo, a Cajazeira Produtora já coleciona trabalhos realizados em um portfólio com diversos espetáculos produzidos, atingindo sempre grandes públicos. A produtora tem, ainda, como contrapartida social um Curso de iniciação ao teatro grátis no NEC (Núcleo de Extensão Cultural da UFCG).



fonte: Jornal A União, 10 de junho/18, 2º caderno

sábado, 2 de junho de 2018

SÃO JOÃO EM ZUZA EMÍDIO

porCleudimar Ferreira



Acorda, acorda!
Acorda que hoje é noite de São João.
Ah!... Tão esquecendo que vai ter um grande baile na casa de Zuza Emídio!

Assim falava minha mãe, batendo forte nos punhos das redes onde dormíamos, acordando-nos logo sedo, na manhã daquele dia. Estonteados e desorientados, pulávamos no chão e ainda com os olhos pregados de remelas, corríamos em direção à cozinha. Sentávamos a mesa, repleta de espigas de milho cozinhadas; um bolo de milho assado em de forno de lenha - que meu pai no verão havia instalado no terreiro da cozinha; e pratos de canjicas, que enfeitava de amarelo-ouro aquela nossa primeira refeição do dia.

O meu pai já impaciente - e com razão, resmungava, passando para lá e para cá, quase tirando faísca da mesa, arregalando seus olhos para nós, pois naquele dia fora o primeiro a acordar cedinho e já havia feito a sua habitual tarefa vespertina - a de ir buscar água no riacho, encher os potes do líquido e tirar o leite das cabras. Minutos depois, já estava esperando a nossa chegada no “peituri” da casa. E assim, seguirmos todos em direção ao Rio Santo Antônio, buscar troncos secos de árvores para montagem da fogueira de São João.

Quando despontávamos no alpendre da casa onde morávamos, a cangalha já estava arranchada no inspiaço de jandaíra, que passivo como sempre, aguardava juntamente com meu pai a nossa chegada. Eu era o primeiro a subir no lombo do animal e a minha irmã, se arranchava como podia na garupa. Segurando as rédeas, conduzíamos aquele pobre jumento em direção os baixios onde ficava o rio.

De ladeira abaixo, no sinuoso percurso que traçava aquela formação irregular do solo, ora lajeiro, ora paredão rochoso ou pedregulho que nos levava até o rio, o que se via nas beiradas do caminho além das roças de milho e feijão, eram pessoas que iam e vinham. Muitas delas, trazendo verduras, legumes e frutas frescas colhidas nos roçados. Outras conduzindo nos cambitos dos burros, enormes pedaços de madeiras secas, apodrecidas. Naquela descida que nossos passos trançavam, sempre que cruzávamos com uma daquelas pessoas, o cumprimento já significava uma parada obrigatória. E na conversa ligeira, o assunto era a mesmo:
-      Bom dia compade João.
-      Bom dia compade Zé.           
-      Vai hoje pô baile de Zuza Emídio?
-      Voou!... Respondia meu pai ao amigo João.
E assim continuava a conversa...
-      Parece compadre João, que o tocador vai ser Manel Filipe.
-      Apois não é mesmo, compade Zé!
-      Tomara que seja compade, o home toca muito.
-     É... Compadre. Eu não vi até hoje, um caba pá tocar tão bem como Manel Filipe. E olhe! Só toca Trio Nordestino e Noca do Acordeom.
-      É mesmo, aqui na nossa região, ninguém toca melhor do que ele não!

A conversa não podia ser extensiva, pois o meu pai precisava ser rápido na sua caça os troncos secos e se não agisse assim, poderia até não encontrar mais a tão preciosa madeira, já que a procura era grande.

Casa (com alpendre) onde morávamos no Sitio Catolé (Fuá)

As toras de paus eram trazidas a reboque na correnteza durante as primeiras grandes cheias do ano que o rio dava. Ficavam engasgadas na pequena vegetação que protegia as margens, em toda extensão do rio. Mesmo o rio ainda não estando com muita água, pulávamos todos naquela correnteza, seguíamos em direção aos troncos que estavam na outra margem. Abraçávamos aqueles pedaços de pau e com a ajuda da correnteza levávamos boiando a “tora” até a outra margem do velho Santo Antônio; num trabalho conjunto que unia todos, eu, minha irmã e o meu pai. Já em terra firme, na margem do rio onde ficava jandaira e os nossos apetrechos, pegávamos os paus-secos e amarrávamos com uma corda, puxávamos até um local mais seguro, um banco de areia, escorávamos as “toras” na cangalha de Jandaíra e rumávamos de volta para casa. Esso era um momento de festa e divertimento para todos nós.

Na volta, o caminho que nos conduzíamos a residência onde morávamos, boa parte do seu percurso era tomado por grandes roçados de milho, e aquele cortejo tendo como guia o jumento “jandaira”, fazia o bicho subir aquela imensa ladeira a reboque. E assim, seguíamos rumo ao terreiro de nossa casa, com meu pai sempre tocando infeliz animal à base do açoite. Vez por outra ele, parava e entrava no imenso milharal a beira do caminho e saia quebrando as espigas e jogando em nossa direção. Pegamos as gordas espigas verdinhas ainda regadas com pingos do orvalho da noite anterior e aos poucos eu e minha irmã íamos enchendo os caçoas.

Ao chegar a nossa casa, desbancávamos as toras de paus e os caçoas cheios com as espigas de milho. Minha mãe e as minhas outras duas irmãs, viravam os caçoas e ali mesmo, começavam a desfolhar as espigas que seriam usadas para fazer a costumeira canjica, além da pamonha e o bolo assado com gordura de porco, cuja forma era feita de palha de bananeira, assado em forno a lenha.

Na localidade onde morávamos, as residências não ficavam muito distantes uma das outras e o empenho de todos, para armar a maior fogueira do lugar, a cada ano ia se tornando numa saudável disputa. A queima no período das festas junina, era quase num ritual sagrada, pois era nelas que muita gente fazia seu pedido a São João e a São Pedro e se tornavam “Compadre” umas das outras. Dessa forma se firmava cada vez mais o laço de amizades que uniam todos. Era compadre e comadre “praquí” e “praculá”. E para tanto, as fogueiras tinham que serem grandes, pois a madeira colhida precisava queimar a noite toda indo até à tarde ou a noite do outro dia. Pois como era dia de São João, a tarde desse dia, o costumo de todos e meu pai não deixava passar em branco, era soltar o resto das bombas, traques e rojões guardados com carinho para festejar a tão importante ocasião.

O dia passava rápido, as tarefas de nossa família iam sendo compridas. Minha mãe já havia engomado todos as roupas que íamos vestir naquela noite. Vez por outra, ela saia para casa de um vizinho à procura de alguma coisa que faltava para os preparativos do grande baile. Da mesma forma, nossa casa também era visitada por uma comadre que chegava atrás de algo que faltava em sua casa. Todos naquela localidade, se ajudavam como podiam para não faltar nada e não perder o baile.

Casa do Senhor Zuza Emídio, onde eram realizados os grandes bailes de forró, 
a maioria animado por Manel Filipe.

Quando aproximava às seis da noite, já estávamos todos vestidos e perfumados. E assim... sem muito demora, seguíamos com as demais pessoas em direção a casa de Zuza Emídio. O primeiro e complicado obstáculo para se chegar ao grande baile, era o rio, pois naquele período junino, o mesmo sempre tomava muita água das últimas chuvas do inverno. Quando aproximávamos da margem do Santa Antônio, as mulheres tinham que parar, se acocorar e esperar que os homens e as crianças do sexo masculino chegassem até a beira do rio. E lá, se despissem, pegassem uma balsa feita de troncos de bananeiras - que já havia no local. Sobre a balsa, eram colocadas as crianças que não sabiam nadar e as roupas e os adereços de todos. Como todos os homens ali sabiam nadar muito bem, dois ficavam para conduzir, guiar a balsa até a outra margem onde seguia o caminho até o local do baile, e as outros enfrentaram as águas corretes do rio a braço. E assim atravessam o rio.

Chegando no outro lado do rio, na outra margem, todos vestiam suas roupas e andavam uns trinta metros, depois paravam para esperar as mulheres que viriam logo a seguir. Para que as mulheres atravessassem as correntezas do rio, um dos homens voltava sozinho, nadando, conduzindo a balsa até o outro lado do rio, para que as mulheres fizessem o mesmo trabalho que os homens haviam feitos, e assim, também atravessar. Ao chegar com a balsa na margem do rio onde as mulheres esperavam, o condutor da balsa ancorava a mesma no local combinado e gritava alto:
- Podem vir agora!
Imediatamente, esse mergulhava no rio de volta ao local onde os outros homens esperavam.  

Após atravessar o rio, seguíamos todos em direção ao local do forró, a residência de Zuza Emídio. Como era noite de São João, as casas que ficavam a margem do caminho onde passávamos, víamos as fogueiras queimando, crianças soltando bombinhas. Em muitas casas, as famílias estavam saindo para ir também ao forró e se juntavam conosco em direção a casa de Zuza Emídio. Quando chegávamos, já havia muitas gentes no meio do terreiro batido a maio. Bandeirinhas esticadas enfeitando o teto do terreiro. Uma magia de cores que meus olhos viam, que não havia igual. A elegância das moças e rapazes; das senhoras e dos senhores; das esposas e dos esposos, evidenciava que a festa seria grande.

No terreiro iluminado por lampiões a álcool e fachos de fogo provocado por algodão úmido em querosene, aparecia no canto da parede Manoel Filipe e o seu conjunto. Quando a sanfona vermelha do jovem tocador era retirada da caixa, crianças e curiosos faziam um círculo ao redor do forrozeiro. E assim, sobre os olhares de todos, se prepara Manoel Filipe até o início do forró. Quando começava o baile, os casais se atracavam no meio daquele terreiro, preparado com barro massapê e areia grossa, trabalhado com carinho em três camadas por homens da comunidade do entorno da casa de Zuza Emídio.

A animação tomava conta de todos. O sanfoneiro sem parar, rasgava a sua sanfona tocando músicas de Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Noca do Acordeom e outras estrelas do xote, do forró, do baião e do xaxado nordestino. Depois de algumas horas, a poeira tomava conta do terreiro, cobria todos de terra, de pó fino. E assim, o baile era interrompido, para que fosse aguado o terreiro, para em seguida ser recomeçado o baile.

Manel Filipe (in memoriam) era o melhor sanfoneiro da época

Quando o baile recomeçava, iniciavam também a cobrança da cota. Durante esse momento, duas pessoas de confiança de Zuza Emídio, apartava os casais que estavam dançando e cobrava apenas dos homens um valor simbólico, que dava direito ele dançar com qualquer parceira, até o final do baile, as seis da manhã, ao raiar do sol. As horas passavam, mas a noite parecia não ter fim. Por volta das duas da madrugada, muita gente no terreiro, prenunciava que o forró estava no seu maior momento. Nesse momento, as lembranças me vêm à tona, e me faz lembrar que as crianças, inclusive as minhas irmãs, já estavam dormindo nas redes improvisadas, nos quartos que ficavam nos fundos da casa do dono da festa.

A essas horas da noite, sobre a penumbra dos lampiões que ficavam distantes, alguns casais deixavam o terreiro do forró e se dirigiam aos arredores e encostavam nas cercas e nos carros, para iniciar nesses locais os primeiros namoricos. Os casais pegavam suas crianças embebecidas de sono e saiam por entre as bancas mostrando e oferecendo aos seus filhos, comidas e outros mangaios comuns do período junino, como: Bolos de milhos ou de caco, beiju, tapioca, garapa de cana, café e até kisuco de morango com pão doce. Misturados com os bombons, com os Chicletes Proc e PingPong, além dos Chocolates Sonha de Valsa e os pirulitos coloridos, constituíam os confeitos trazidos da cidade, que se tornavam nos olhos das crianças, uma novidade, já que não era de costume esse tipo de merenda nos paladares das crianças que moravam naquela região onde também ficava a casa de Zuza Emídio.

Nas banquinhas de festejos; as chuvinhas, os traques eram os melhores atrativos para as crianças, que se deslocavam com seus pais até a imensa fogueira, para soltá-los ou esquentar o frio da madrugada. Tudo isso acontecia sob o meu olhar, sob os olhares de muitas crianças que como eu viveu esse tempo. Sob os olhares das minhas irmãs, pois parte do forró meu pai ficava com Adonias ajudando Zuza Emídio na venda das bebidas e minha mãe na cozinha ou conversando com a comadres nos arredores daquele terreiro lotado de gente dançando, avivados e animados ao som da sanfona de Manel Filipe, principalmente por ser aquela noite, a noite de São João.

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Colaboração: Sag. Marcos Aurélio Ferreira Alves 

quinta-feira, 24 de maio de 2018

MOVIMENTO CULTURAL POESIA NO CORETO PRESTARÁ HOMENAGEM AO POETA IRISMAR DI LYRA





O Movimento Cultural Poesia no Coreto, vai realizar dia 07 de junho (Quinta-Feira), seu segundo sarau temático. O evento acontecerá às 19 horas, na Praça da Matriz de Nossa Senhora de Fátima – popularmente conhecida de Praça da Cultura. Nessa segunda versão, será prestada uma homenagem ao poeta e escritor contemporâneo Irismar di Lyra, ativista cultural e autor de vários livros. No decorrer da homenagem, haverá intervenções dos poetas Linaldo Guedes, Gildemar Pontes e Lenilson Oliveira sobre a poética do homenageado. Como será realizado muito próximo do dia 12, os Poemas Temáticos do Poesia no Coreto do próximo dia 7 de junho, versarão sobre o Dia dos Namorados, conforme aprovado na reunião preparatória realizada no dia 17 último, pelo grupo organizador do sarau. Na oportunidade, o homenageado recitará alguns de seus poemas e falará sobre seu processo de criação, das suas atividades artísticas e culturais.

Os poetas Lenilson Oliveira e Irismar di Lyra



sábado, 19 de maio de 2018

"BACURAU", FILME DE KLEBER MENDONÇA E JULIANO DORNELLES, TEM ATORES DE CAJAZEIRAS NO ELENCO


Buda Lira, Suzy Lopes, Thardelly Lima, integram o elenco do filmo "Bacurau".


Depois de dois meses de filmagem a produção do filme Bacurau - coescrito e codirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, teve suas gravações concluídas. O filme apresenta no seu enredo, a história de Bacurau um pequeno povoado do sertão brasileiro, onde morava Dona Carmelita, uma mulher forte e querida por quase todos, falecida aos 114 anos. Após a sua morte, dias depois, começam os sinais de que a tranquilidade de Bacurau estará sob ameaça. Umas sequências de incidentes mergulham o vilarejo numa tensão crescente. No entanto, muitos não contavam com um detalhe: que no passado desse lugar extraordinário estava adormecido um talento especial para a aventura. No filme, o vilarejo de Bacurau está localizado no sertão do Nordeste e as filmagens foram realizadas na localidade da Barra, município de Parelhas, Rio Grande do Norte, Região do Seridó Potiguar, divisa com a Paraíba. O filme é uma coprodução entre Brasil e França. A equipe técnica contou com mais 150 profissionais, entre técnicos e elenco, os esses profissionais de quatro países. O elenco foi composto de 44 atores, entre esses três atores de Cajazeiras: Suzy Lopes, Thardelly Lima e Buda Lira, além das estrelas, como, a atriz Sônia Braga, o ator alemão Udo Kier e Karine Teles, de Que Horas Ela Volta. O filme teve a cidade de Parelhas como base de apoio, desde janeiro na pré-produção até as filmagens.

O elenco durante as filmagens de Bacurau.







domingo, 13 de maio de 2018

O REISADO QUE CAJAZEIRAS TEVE

Cleudimar ferreira

IV Festival Nacional do Folclore - Imagens de uma apresentação 
do Grupo de Reisado de Cajazeiras nesse evento. 



O Grupo de Reisado; a Banda Cabaçal; Os Caretas e o Jaraguá de Cajazeiras; esse último, uma das atrações do carnaval de rua, juntamente com o mestre brincante João de Manezim, constituíam a autenticidade mais expressiva e popular do nosso folclore e da nossa cultura. Quem viu e quem viveu os momentos de brincadeiras, boa parte protagonizadas nos anos 70 e 80 pelo Reisado ou apresentadas por uma dessas vertentes do folclore da nossa cidade, sabe que não foi em vão o trabalho feito pelo antigo NEC/UFPB, na ajuda direta do soerguimento desses grupos brincantes. Entretanto, os tempos passaram, as mudanças surgiram e o tempo sucumbiu nossas raízes, jogando todos eles na linha do esquecimento.
Lembro as imagens que via nas consolidadas Feiras de Artesanato do NEC na Praça das Oiticicas. Quantas lembranças... Por mais distante que ficou, elas ainda não saíram do meu subconsciente. Elas, ainda me reportam aqueles momentos inesquecíveis, onde o destaque de tudo era o Grupo de Reisado, com suas coreografias ritualizadas por jogos de espadas, que quando batiam uma na outra, cuspia fogo, provocando tensão e perplexidade nos curiosos que visitavam a Feira de Artesanato e no local, viam suas apresentações.
Não temos mais essa magia diante dos nossos olhos. O desmanche, a inoperância provocativa de quem poderia ter cuidado mais de nossas raízes culturais, jogou tudo no esquecimento. Jogou dentro de um baú velho a inteligência cultural de nosso povo. Restaram as recordações, e essas, eles não vão tirar da cabeça de que amou, e nem tampouco, de quem ainda ama a cultura de Cajazeiras. De quem a defende. Quiseram banir tudo, varrer para debaixo das suas consciências falhas, nossas manifestações folclóricas e culturais, sem deixar procedência nem descendência.
Num pequeno texto de 1978, mas repleto de detalhes, o Professor da UFPB, na época, Roberto Benjamin, expõe as características e as dificuldades do nosso extinto Reisado de se manter vivo, promovendo cultura em Cajazeiras. O texto produzido por Benjamin, teve como base depoimentos de membros do grupo, durante uma das versões da Festa Cultural de Nossa Senhora do Rosaria, em Pombal, Paraíba, o qual transcrevo a seguir. Escreveu assim o professor Roberto Benjamin: 

Em 1973, o grupo estava constituído de dez a doze folgazões, que vestiam calças brancas e camisetas, com uns pouco vidrilhos, em forma de estrelas. [...] Um boi dançou na porta da igreja, enquanto o grupo dançava no interior. [...] havia outras figuras, como uma burrinha, que não viera por não terem conseguido pano para cobrir a armação. [...] A orquestra estava composta de violão e pandeiros, um apito que com a marcação do sapateado e o canto, completava a parte musical. [...] Naquele primeiro domingo de outubro de 1975, o Reisado apresentou-se com o "reis", o general, e o Mateus, além dos folgazões. Todos os participantes do grupo portavam espadas de madeira. [...] O entrecho dramático narra o que poderia ser uma revolta na corte do rei do Clarião, do Congo, comandada pelo Secretário. O Mateus trunca o sentido das embaixadas e precipita a guerra. Ao final morrem o "reis" e o secretário [...] O Mateus é consultado sobre a duração da guerra e verifica as horas em seu relógio ... A sequência é encerrada com uma exaltação cívica da bandeira brasileira. Roberto Benjamin, 1978.
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fonte: BENJAMIN, Roberto. Festa do Rosário de Pombal. Editora Universitária UFPB, 1978

sábado, 12 de maio de 2018

SURGE A NOVA POESIA DE CAJAZEIRAS


  Cleudimar  Ferreira  


Coreto da Matriz Nossa Senhora de Fátima, Cajazeiras.


A agitação literária em Cajazeiras, chegou nos dias atuais, carregada de história e amadurecimento. Isso por que, em meio a muitas e tantas experiências no campo da produção das letras na cidade, foram frenéticos os movimentos alternativos que surgiram, manifestando o enaltecimento da poesia como vitrine principal dessa produção. Até parece que Cristiano Cartaxo (1887-1975), já sabia que suas “musas”, haveriam de continuar sendo produzidas por gerações e gerações.

Mesma sendo frutificadas por poetas anônimos, a poesia em Cajazeiras seguiu numa incubadora lírica, a espera de momentos para se mostrar, se revelar. Foi assim mais altiva nos anos 70 e 80, com os recitais do Grutac e na afirmação dos festivais de poesias do Gimc, do Centro Cívico Olavo Bilac e depois com as esporádicas mostra da AUC, durante as realizações de suas semanas culturais. Esse período, talvez, tenha sido o mais efervescente momento da poesia cajazeirense, no qual se destacaram vários novos poetas, entre eles, o poeta e escritor Irismar di Lyra, autor de consagrados livros, como: "Cantata Para o Agora" e "Reflexos"

Na atualidade, surge do WhatsApp, nascimento do Grupo Poesia no Coreto, com objetivo de intervir de formar decisiva nas políticas culturas e literárias de Cajazeiras. Assim revela o “Poesia no Coreto”, que reúne poetas já consolidados no cenário literário, como Lenilson Oliveira, Carlos Gildemar Pontes e o recém-chegado Linaldo Guedes, a outros mais jovens. Lenilson Oliveira, idealizador do projeto, afirma que o Poesia no Coreto nasceu da ideia de um grupo de WhatsApp, inicialmente batizado de Cajazeiras de Poesia, com a intenção de aproximar poetas da cidade através da postagem de poemas próprios para leitura e discussão internas por parte dos membros.

“Pouco tempo depois, vimos a necessidade de sair da comodidade virtual e partir para encontros reais, tendo o primeiro acontecido em 5 de abril deste ano, considerada a data oficial de criação do movimento. A partir deste primeiro encontro, começamos a definir o que pretendemos com o Poesia no Coreto, sabendo ser um processo contínuo, sem nada muito ‘amarrado”. A primeira definição foi dos encontros sempre na primeira quinta-feira de cada mês no Coreto da Praça da Matriz, com uma reunião prévia da organização em locais alternados. Um dos passos principais a partir deste início será envolver mais e mais fazedores e leitores de poesia”, comenta.

Além dos saraus e homenagens a poetas e escritores da terra, o Poesia no Coreto pretende, também pretende organizar uma antologia dos poemas temáticos do grupo, realizar oficinas literárias e, ainda, ter vez e voz nas discussões sobre os espaços para a literatura em Cajazeiras. O grupo, que se reúne em torno do Coreto da Igreja Matriz da cidade, tem como fundadores os poetas: Lenilson Oliveira, Linaldo Guedes, Carlos Gildemar Pontes, Fernando Inácio da Silva, Wanderley Figueredo, Ronielle de Oliveira, José Paulino Bento Ferreira, Haldemy da Silva Lins, Suelli Dias de Freitas, Francisco Ernandes e Ana Cleuda.


Grupo de poetas integrantes do "Poesia no Coreto", em Cajazeiras.





  com informações:   osguedes.com.br  
  fotografias:   Haldemy Lima  

segunda-feira, 7 de maio de 2018

BONITA HOMENAGEM DO FILHO AO HISTORIADOR E ESCRITOR CAJAZEIRENSE DEUSDEDIT LEITÃO

   in memoriam...   




Wilton Cesar Leitão

Há pessoas que se encanta, não morrem. 07 de maio. Vivo Deusdedit Leitão faria mais um ano de vida. Deus criou uma estrela dando o seu contributo para que o mundo fosse melhor. E que fosse luz em cada escuridão por onde passasse. Fez Deusdedit colhendo risos e recolhendo lágrimas, se de alegria se transformando em orvalho de felicidade caído do céu da vida. Se lágrimas de tristeza, que fosse liquefeito gotejando em pedaços. Cada dia que passou foi distribuindo luz. Assim foi sua vida, no reino da escolha, que a vida oferecera.

Antes da primeira flor e da primeira ave, antes mesmo da primeira estrela e da criação do mundo, alguém pensou nele. Antes de nascer já era uma ideia de Deus, nos segredos de sua eternidade.

A saudade da sua presença vem como uma brisa. É como o vento, sinto sua presença, sem sentir, é quando me toca, sem tocar. Assim a saudade me envolve, me sopra, me tange.

Cada homem é palavra de Deus que Ele uma só vez pronuncia para a eternidade escutar. Aos filhos diria: Por onde passar leve a beleza que em você deixei. Você é minha ovelha hoje. Será meu pastor manhã, cada um terá o seu próprio rebanho...

Na realidade as lembranças do passado não nos permite trazer outro sentimento a não ser saudade. É pura nostalgia, é tudo o que fica de tudo o que se amou.

Aprendi que a vida se faz do que perdi amando, e do que amei perdendo, falemos então da saudade. No futuro ele será norte para minha caminhada, do presente a memória muitas vezes me fere.

No passado foi minha grande referência. Porque saudade mesmo não se localiza num ontem, hoje ou amanhã. Está em todos os momentos e em momento nenhum se basta. Passa o tempo e ele se recusa a passar. É um desajustado do mundo. O que ele quer mesmo é se eternizar.

Feliz aniversário pai...a nossa maior referência.... 
No amor e na vida quem ama não esquece...