cleudimarferreira
Umas das plenárias do Festival Brasileiro de Teatro Amador - Recife, Pernambuco, 1984.
O ano era
1984. Com 26 anos, saí de Cajazeiras para João Pessoa – seria a segunda vez que
viajava para a capital – dessa vez como representante oficial da classe teatral
cajazeirense. Recém-indicado presidente da ATAC – Associação de Teatro Amador
de Cajazeiras – por mais de sete grupos de teatro que existiam na cidade,
confesso que fiquei inseguro, pois viajava sozinho e conhecia pouco a principal
cidade paraibana.
Meu
objetivo era participar do Festival Brasileiro de Teatro Amador, que seria
realizado dias depois, na cidade do Recife. Outra insegurança. Se eu não
conhecia muito João Pessoa, imagine a metrópole recifense. Com fome e quase sem
dinheiro no bolso, eu precisava economizar cada centavo.
Cheguei no
final da tarde à capital da Paraíba. Abatido da viagem – feita num ônibus da
Trans Paraíba. Segui a pé da rodoviária para o NTU – Núcleo de Teatro
Universitário, onde iria me encontrar com Antônio Martins e representantes da
FPTA – Federação Paraibana de Teatro Amador. No dia seguinte, pegaria uma
carona com esses dirigentes rumo ao Recife, onde passaria uma semana
participando do festival.
Saí da
rodoviária perguntando a um e a outro onde ficava o Teatro Lima Penante, até
finalmente chegar ao local. Quando cheguei, quase desmaiando de fome, encontrei
um funcionário que me informou que os dirigentes da FPTA só chegariam ao NTU à
noite. Fui então a um fiteiro vizinho e comprei um guaraná com quatro bolinhos
de ló para matar a fome.
Quando
passava das oito da noite, Antônio Martins e Rodolfo – um dos membros da
diretoria da FPTA – chegaram ao NTU. Rodolfo veio ao meu encontro e perguntou
se eu já havia jantado. Respondi que nem almoço tinha comido. Em seguida, fui
convidado por ele para jantar em sua casa, no Valentina Figueiredo. Coloquei a
bagagem nas costas, pegamos um coletivo e seguimos para lá. Jantei e acabei
dormindo em sua casa.
No outro
dia, viajamos numa kombi para o Recife. Em meio ao glamour do festival,
conhecendo atores e dirigentes teatrais do Brasil inteiro, eu vivia minha
primeira grande experiência como dirigente da ATAC e representante da classe
teatral da minha cidade.
Entre as
figuras importantes da dramaturgia nacional, conheci nomes como o ator Antônio
Fagundes – que estava em cartaz no Theatro de Santa Isabel, com a peça:
"Morte Acidental de um Anarquista" – e Orlando Miranda, presidente do
INACEN – Instituto Nacional de Artes Cênicas, na época, o órgão do governo
federal responsável pelo fomento do teatro em todo o país.
Na véspera
do encerramento do festival, encontrei Orlando Miranda no segundo camarote do
Teatro de Santa Isabel. Ele me convidou para sentar em uma das cabines do
camarote. Entramos, e então perguntou como estava a finalização da montagem dos
equipamentos cenográficos do Teatro ICA. Disse que estava contente com a
construção do teatro e com a repercussão do sucesso do Grupo Teatral Terra pelo
Brasil.
Conversamos
por cerca de vinte minutos. Aproveitei para responder, dizendo que todos
estavam aguardando a chegarem desses equipamentos a cidade e, para pedir mais
agilidade no envio dos equipamentos de luz e som, que eram o principal entrave
para a inauguração do teatro.
Lembro que
ele ficou um pouco contrariado e respondeu que já havia liberado as verbas
necessárias para a compra e, que ia cobrar naquele dia mesmo, do governo do
Estado mais rapidez na aquisição dos equipamentos que estava faltando. Muito
simpático, culto, educado e prestativo durante toda a conversa.
Moral da
história: o festival aconteceu em julho de 1984 e, entre agosto e setembro
daquele mesmo ano, os equipamentos chegaram ao teatro, juntamente com a equipe
de montagem, sendo montados logo em seguida. O teatro acabou sendo inaugurado
em janeiro de 1985. Aconteceu assim, comigo.
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