quinta-feira, 21 de maio de 2026

Quem tem história, conta. Quem não tem, escuta e respeita.

 cleudimarferreira

Umas das plenárias do Festival Brasileiro de Teatro Amador - Recife, Pernambuco, 1984.


O ano era 1984. Com 26 anos, saí de Cajazeiras para João Pessoa – seria a segunda vez que viajava para a capital – dessa vez como representante oficial da classe teatral cajazeirense. Recém-indicado presidente da ATAC – Associação de Teatro Amador de Cajazeiras – por mais de sete grupos de teatro que existiam na cidade, confesso que fiquei inseguro, pois viajava sozinho e conhecia pouco a principal cidade paraibana.

Meu objetivo era participar do Festival Brasileiro de Teatro Amador, que seria realizado dias depois, na cidade do Recife. Outra insegurança. Se eu não conhecia muito João Pessoa, imagine a metrópole recifense. Com fome e quase sem dinheiro no bolso, eu precisava economizar cada centavo.

Cheguei no final da tarde à capital da Paraíba. Abatido da viagem – feita num ônibus da Trans Paraíba. Segui a pé da rodoviária para o NTU – Núcleo de Teatro Universitário, onde iria me encontrar com Antônio Martins e representantes da FPTA – Federação Paraibana de Teatro Amador. No dia seguinte, pegaria uma carona com esses dirigentes rumo ao Recife, onde passaria uma semana participando do festival.

Saí da rodoviária perguntando a um e a outro onde ficava o Teatro Lima Penante, até finalmente chegar ao local. Quando cheguei, quase desmaiando de fome, encontrei um funcionário que me informou que os dirigentes da FPTA só chegariam ao NTU à noite. Fui então a um fiteiro vizinho e comprei um guaraná com quatro bolinhos de ló para matar a fome.

Quando passava das oito da noite, Antônio Martins e Rodolfo – um dos membros da diretoria da FPTA – chegaram ao NTU. Rodolfo veio ao meu encontro e perguntou se eu já havia jantado. Respondi que nem almoço tinha comido. Em seguida, fui convidado por ele para jantar em sua casa, no Valentina Figueiredo. Coloquei a bagagem nas costas, pegamos um coletivo e seguimos para lá. Jantei e acabei dormindo em sua casa.

No outro dia, viajamos numa kombi para o Recife. Em meio ao glamour do festival, conhecendo atores e dirigentes teatrais do Brasil inteiro, eu vivia minha primeira grande experiência como dirigente da ATAC e representante da classe teatral da minha cidade.

Entre as figuras importantes da dramaturgia nacional, conheci nomes como o ator Antônio Fagundes – que estava em cartaz no Theatro de Santa Isabel, com a peça: "Morte Acidental de um Anarquista" – e Orlando Miranda, presidente do INACEN – Instituto Nacional de Artes Cênicas, na época, o órgão do governo federal responsável pelo fomento do teatro em todo o país.

Na véspera do encerramento do festival, encontrei Orlando Miranda no segundo camarote do Teatro de Santa Isabel. Ele me convidou para sentar em uma das cabines do camarote. Entramos, e então perguntou como estava a finalização da montagem dos equipamentos cenográficos do Teatro ICA. Disse que estava contente com a construção do teatro e com a repercussão do sucesso do Grupo Teatral Terra pelo Brasil.

Conversamos por cerca de vinte minutos. Aproveitei para responder, dizendo que todos estavam aguardando a chegarem desses equipamentos a cidade e, para pedir mais agilidade no envio dos equipamentos de luz e som, que eram o principal entrave para a inauguração do teatro.

Lembro que ele ficou um pouco contrariado e respondeu que já havia liberado as verbas necessárias para a compra e, que ia cobrar naquele dia mesmo, do governo do Estado mais rapidez na aquisição dos equipamentos que estava faltando. Muito simpático, culto, educado e prestativo durante toda a conversa.

Moral da história: o festival aconteceu em julho de 1984 e, entre agosto e setembro daquele mesmo ano, os equipamentos chegaram ao teatro, juntamente com a equipe de montagem, sendo montados logo em seguida. O teatro acabou sendo inaugurado em janeiro de 1985. Aconteceu assim, comigo.

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