segunda-feira, 6 de março de 2017

LEMBRANDO A HISTÓRIA DO ATOR CAJAZEIRENSE SÁVIO ROLIM

SÁVIO ROLIM
Transcrito do site: paraibacriativa.com.br



Ator, natural de Cajazeiras/PB, nascido em 1952, Sávio Max Sobreira Rolim foi um prodígio nas artes visuais. Com apenas 12 anos, atingiu o estrelato, ele interpretou Carlinhos, o protagonista do romance homônimo Menino de Engenho (1965), dirigido por Walter Lima, baseado no livro do escritor paraibano José Lins do Rego, no qual, com carisma distinto, contracenou com Geraldo Del Rey, Anecy Rocha, Maria Lúcia Dahl, Antônio Pitanga e Rodolfo Arena; entusiasmando a crítica e o público.
Segundo relatos do diretor, Sávio queria a todo instante ensaiar mais uma vez o beijo, enquanto a mãe de Maria de Fátima Almeida tentava evitar… Como ele sempre abria os olhos, a cena tinha que ser ensaiada mais uma vez.
O artista obteve reconhecimento nacional, mas não conseguiu emplacar na profissão, e acabou mergulhando de forma descontrolada no álcool, nas drogas pesadas e no isolamento, o que lhe acarretou diversos problemas psicológicos, e foi diagnosticado como portador de esquizofrenia paranoide.
Sávio Rolim também fez teatro, e atuou como repórter dos jornais paraibanos, “A União”, “Correio da Paraíba”, e o “Norte”. E ainda aventurou-se numa temporada em Serra Pelada, embalado pelo sonho do então “El Dorado” tupiniquim. Quando retornou a Paraíba, ele trabalhou como dedetizador para sobreviver. Com sérios problemas de saúde, sem amigos de verdade e, principalmente, faltou o afago materno, imerso em dificuldades emocionais e financeiras, tentou pedir socorro diversas vezes, sequer foi recebido na fazenda de sua família em Cajazeiras.
Ele viveu durante décadas de forma precária na periferia de João Pessoa, pelas esquinas e becos, encontrando sempre nas madrugadas quem lhe pagasse uma cachaça, ou lhe agredisse fisicamente após irritar-se com seus questionamentos filosóficos, mas nunca chegou a se envolver em crimes.  Seus irmãos (com exceção de uma irmã que mora no interior de Minas Gerais e já tentou ajuda-lo) morreram todos ainda na meia idade, enquanto sua mãe veio a falecer, em 2009.
Em 2004, a vida de Sávio foi retratada através do documentário “O Menino e a Bagaceira”, dirigido pelo professor Lúcio Vilar, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O documentário foi exibido no Festival de Cinema de Pernambuco, e foi o grande vencedor, premiado na categoria Vídeo Nordestino, considerado a melhor obra tanto pelo júri quanto pela crítica.
No dia 12 de abril de 2010, o Conselho de Cultura do Estado da Paraíba, por unanimidade, acolheu indicação da Associação Paraibana de Imprensa, na pessoa da sua presidente Marcela Suetônio, para que o ator Savio Rolim recebesse os benefícios da Lei Canhoto da Paraíba. O projeto foi defendido em plenário pelo conselheiro, jornalista Biu Ramos.
No ano de 2014, ao comentar sobre o filme, que foi rodado na Paraíba no ano de 1965, pelo diretor Walter Lima Júnior, o crítico de cinema Lúcio Vilar, salientou que as peças originais do filme estavam em processo de deterioração e foram recuperadas. “Já houve uma exibição, em Brasília, da cópia restaurada, e há alguns eventos programados para marcar os 40 anos desse filme, a história de menino de engenho que virou um bagaço humano”.
De acordo com Lúcio Vilar, o documentário surge num momento importante em que o filme está sendo resgatado. “Vamos aproveitar para resgatar também o ator que fez o Menino de Engenho, que fez o personagem Carlinhos, o cajazeirense Sávio Rolim, e que está numa situação de ostracismo artístico, de isolamento, de esquecimento”, afirmou.
Nós achávamos que o filme provocaria uma reação da sociedade e do poder público para ajudá-lo, mas não houve sensibilização. O Estado na época ofereceu tratamento, que em minha opinião era inadequado. Por tudo isso que ele passou, e merecia ter a sua história contada. Vilar, diz não saber mais do paradeiro de Saulo Rolim. “Fui a uma clínica que ele estava internado, mas ele já tinha saído para um abrigo”.
Segundo informações da imprensa da capital paraibana (26/06/2008), uma enfermeira e uma recepcionista de Casa de Saúde São Pedro, um hospital psiquiátrico localizado na Avenida Epitácio Pessoa, disseram que Sávio Rolim está de alta desde o mês de abril, mas a família se recusa a recebê-lo. Ele deu entrada naquela casa desde o mês de janeiro, estando lá há exatos seis meses. E foi internado pelo SUS e durante esse tempo todo nunca recebeu visita de familiares, nem mesmo da filha.
” A gente é que ajuda ele aqui, dando um cigarro, um lanchinho, pois ele vive totalmente abandonado”, disse a enfermeira, afirmando que ele está totalmente lúcido depois do tratamento de desintoxicação que foi feito para cuidar do vício do álcool e das drogas. “A gente sabe até que a filha recebe uma pensão dele, mas ela nunca apareceu por aqui com um pacote de biscoito… A gente sabe também que ele tem um irmão aqui que vive bem e que a família dele é rica em Cajazeiras, mas ninguém quer saber dele”, prossegue a enfermeira. Ainda segundo a enfermeira, Sávio sente muita falta dos parentes e amigos. A direção do Hospital vai entregar o caso ao Ministério Público.
O crítico de cinema Lúcio Vilar, comentou sobre a situação triste, e o desenrolar da história de vida do ex-menino de engenho, ator mirim. “Sávio não conseguiu desenvolver sua carreira com o mesmo brilho de sua estreia e foi condenado ao esquecimento e a precárias condições de subsistência”. Diz ainda, “Um retrato do ocaso de um ator precoce que participou de um dos títulos mais importantes da cinematografia brasileira”.
Vilar ressalta “Ele passa por tamanhas dificuldades, que, muitas vezes, chega a ser confundido com um mendigo (ou sem-teto) que perambulam pelas ruas das grandes cidades, anônimo, deletado da memória nacional, como se dela não fizesse parte”.
Para resgatar o ator Sávio Rolim do esquecimento, Lúcio Vilar pretende mostrar o documentário em festivais, universidades e redes de TV. “É claro que não conseguiremos devolver a ele os aplausos de outrora, mas pelo menos lhe ofereceremos um mínimo de reconhecimento e cidadania.” Afinal, segundo o diretor, Rolim ajudou, “com sua delicada interpretação, a tornar o filme Menino de Engenho mais lírico e próximo do aroma e atmosfera literários do escritor José Lins do Rego”.
Em Cajazeiras (2014), o ator Sávio Sobreira Rolim falou com a imprensa local, sobre o documentário do jornalista Lúcio Vilar. “O trabalho é uma extensão da obra de José Lins do Rego, porque faz uma análise literária, histórica e política das questões ideológicas, sem esquecer as preocupações básicas do ciclo da cana-de-açúcar, que foram colocadas pelo diretor Walter Lima Júnior”.
Afirmando que estreou no filme, aos 12 anos de idade, o ator cajazeirense disse que o Menino de Engenho foi um trabalho que lhe proporcionou muitas emoções, porque teve a participação direta de um grande público. “Foi um filme que teve uma aceitação muito grande, durante muitos anos, sendo até hoje, visto, estudado e questionado nas universidades. Continua vivo e palpitando nos corações do povo brasileiro”, completou.

Sávio Rolim não culpa o mundo por suas dores ou descaminhos, nem tampouco reclama a piedade de ninguém. Deseja apenas respeito, dignidade e o que lhe é de direito – Seu lugar na história do cinema brasileiro e na memória do povo paraibano”. (Palavras Finais/ Transcritas do Documentário – O Menino e a Bagaceira, Direção de Lúcio Vilar).






4 comentários:

Marcio dos Sabinos disse...

Meu caro,vejo em suas publicações uma transparência da realidade desse meu nordeste querido.
Ficaria muitíssimo honrado se o amigo entrasse em contato comigo,afinal acredito nos ajudaremos a esclarecer um assunto de interesse mútuo e que acredito que dará um novo e surpreendente rumo a uma história já foi contada por você.

Francisco Cleudimar F. de Lira disse...

Pois não, o meu contato é:cleudimar.f.l@gmail.com ou Facebook Cleudimar Ferreira ou 988822121 se você morar em João Pessoa. Podemos nos encontrar. Eu moro no Bairro dos Bancários próximo ao Carrefour. Ok?

Rodolfo Vasconcellos disse...

Venho reparar as inverdades do texto, a partir do parágrafo do sexto parágrafo. O filme de Lúcio Vilar "O Menino e a Bagaceira" não produziu nenhum benefício a Sávio, e sim ao próprio Lúcio Vilar.
Sávio, desde 2008, está protegido pela filha que reside em Recife. Está bem de saúde, bem alimentado, livre dos vícios, embora necessite do uso diário de medicamentos específicos.
A filha de Sávio tem hoje 39 anos e Sávio 70. Cobrar dela a proteção de Sávio há 20 anos, quando era ela quem deveria estar sendo protegida é no mínimo crueldade.
Se Sávio está desde 2008 sob nossa proteção (sou genro de Sávio - esposo de Nadja, sua única filha), não pode ser verdadeira a afirmação que em 2014, em Cajazeiras, ele tenha falado à imprensa. Também não são verdadeiras as afirmações de uma enfermeira que aproveitou a oportunidade para atender as expectativas de quem a entrevistava.
Para que Sávio se beneficiasse da Lei Canhoto da Paraíba, além de Biu Ramos, o ator Luiz Carlos Vasconcelos e o jornalista e escritor paraibano Robson Nóbrega foram peças importantes nesse merecido reconhecimento. Sávio ficou apenas seis meses na Clínica São Pedro (que inclusive foi fechada há mais de 10 anos) apenas por quatro meses enquanto conseguíamos vaga em um local mais acolhedor.
Rodolfo Vasconcellos
E-mail - bodeguerodez@hotmail.com
Fone: (81) 99129-8625

Francisco Cleudimar F. de Lira disse...

Fico feliz em saber que Sávio está bem. Era 1976, quando conheci Sávio em Cajazeiras, na porta de entrada do Cine Teatro Apolo XI, numa noite de estreia do filme: "Leão do Norte", no qual Sávio participou. Nessa noite, o ator era uma especie de desconhecido, estava de fora do cinema, entre o publico que se preparava para ver o filme, e se apresentava para todos como um dos atores do filme.

Não entendi por que a direção do cinema não entrou em contato com ele para o apresentar ao público, antes da exibição do filme "Leão do Norte".
Quanto ao conteúdo desta postagem, ele não foi produzido por mim e se pelo site Paraíba Criativa. Apenas republiquei.
Um abraço