sábado, 30 de outubro de 2010

Largo onde funcionou a Praça dos Carros



Praça Coração de Jesus - o coração da cidade. O centro comercial de Cajazeiras, popularmente conhecida dos cajazeirenses como a "Praça dos Carros". Que belo cartão postal não é? Parece uma daquelas cidadezinhas que costumeiramente víamos nos clássicos filmes de faroeste que passava no Cine Éden. (geralmente dirigido pelo diretor italiano Sergio Leone). Esse largo tem história, pois no local já funcionou o primeiro cemiterio público da cidade e, foi nesse espaço onde a reistência cajazeirense, em cima dos telhados dos prédio comerciais, encurralou o cangaceiro Sabino Gomes, botando o bandoleiro para correr da cidade junto com o seu bando.  







sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Homenagem a Piedade


Foto. 1 - A Catedral em construção. Foto. 2 - A Catedral sem o relógio.
Foto. 3 - A torre em construção. Foto. 4 - A Catedral sem o relógio.
Foto. 5 - A torre sem o relogio
A Primeira Imagem (do tempo de Mãe Aninha) de Nossa Senhora da Piedade

Foi preciso esperar cerca de 20 anos para que o lar da nossa "Pietá" fosse concluído. Registros históricos evidenciam que tudo começou com a construção de uma pequena casa de oração consagrada a Nossa Senhora da Piedade. Essa construção foi comandada em 1836, pela benfeitora e devota da santa, Ana Francisca de Albuquerque - Mãe Aninha.

Segundo alguns historiadores, Mãe Aninha para erguer a capelinha, teria aglutinado um grupo de mulheres na fabricação de tijolos e ainda havia sacrificado alguns bens particulares para investir na obra. Anos depois, em 29 de agosto de 1859, uma lei provincial facultou a criação da paróquia e a capela construída por Mãe Aninha foi finalmente elevada à categoria de matriz, tendo assumido o posto de primeiro vigário o Padre José Tomaz de Albuquerque.

O lançamento da pedra fundamental para construção da nova sede da Catedral de Nossa Senhora da Piedade, só veio ocorrer no dia 31 de janeiro de 1937, pelo Bispo Dom João da Mata Amaral. Com assinatura do decreto de criação da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, no dia 31 de janeiro de 1957, pelo o então Bispo Diocesano Dom Moisés Coelho; sete dias após a criação da Paróquia de Fátima, teria acontecido o translado solene da imagem da Piedade para a nova catedral, tendo como vigário, o Padre Francisco Licarião.

Hoje, a majestosa Catedral de Nossa Senhora da Piedade, com sua torre central imponente, é uma das principais atrações turísticas da cidade de Cajazeiras. O templo que é um símbolo da fé dos cajazeirenses, tem no seu interior elementos da arquitetura gótica e na parte externa, traços da arquitetura românica. De estilo eclético é uma das maiores catedrais da Paraíba.



sábado, 25 de setembro de 2010

Mulheres do pote, da lata, mulheres da água.


Os longos períodos de secas na Região Nordeste, são provocados por um problema climático. Uma afirmativa antiquada, atemporal, que ninguém há de contestar, e que no Nordeste inteiro todo mundo está careca de saber. Uma situação que cria momentos vexatórios e humilhantes, de dificuldades sociais para as populações mais distantes dos grandes centros urbanos.

Os inconvenientes para se viver numa terra assim, problemática, afetada pelo baixo índice pluviométrico, que transforma em flagelos sociais populações inteiras, causa problemas aparentes, difíceis de serem resolvidos, muitos por omissão dos poderes constituídos, que há séculos transforma a paisagem e afeta os seres que dela vivem e sobrevivem. Nesses períodos de escassez de chuvas, a falta de água nos municípios do interior sertanejo torna ainda mais difícil a sobrevida, piorando a situação de quem mora nos lugares mais afastados. Se tudo se torna difícil para o homem, a problemática afeta sensivelmente o desenvolvimento da agricultura e a criação de animais, causando danos irreparáveis à economia nordestina, provocando o desaparecimento de recursos financeiros na região, gerando fome, miséria e desespero ao seu povo.

De cara com essas dificuldades e a espera de soluções, os habitantes de lugares mais remotos  do Nordeste, se viram como pode para tentar sobreviver, como por exemplo, andar léguas e léguas, durante horas e horas sob o sol escaldante de 38 a 40c, a um calor forte, para adquirir um pouco d'água, seja em que lugar for. Às vezes quando encontra um poço com o precioso líquido, o mesmo ou é sujo demais ou está contaminado, com a água imprestável para o consumo humano.

As fotografias acima espelha essa realidade nua e crua, são um retrato desse problema crucial, onde geralmente as mulheres são as principais vítimas dessa conjuntura social. Como se ver, as fotografias mostram "elas" carregando água de um dos açudes - o "Lagoa do Arroz", da região de Cajazeiras. Uma água que certamente, como revela o cenário, é precária, sem nenhum tratamento, de péssima qualidade e imprópria para o uso doméstico. Uma água que pode trazer graves doenças que poderá afetar a saúde daqueles que vão consumir.



domingo, 12 de setembro de 2010

Zé do Norte cantando "LUA BONITA"

Alinhar ao centro
Cena do Filme "O Cangaceiro" do cineasta Lima Barreto, onde aparece (uma única vez
cantor e compositor cajazeirense Zé do Norte, cantando e tocando a música Lua Bonita.


Letra da Música "LUA BONITA" - Composição: Zé Martins/Zé do Norte

Lua bonita, / Se tu não fosses casada / Eu preparava uma escada / Pra ir no céu te buscar / Se tu colasse teu frio com meu calor / Eu pedia ao nosso senhor / Pra contigo me casar.

Lua bonita / Me faz aborrecimento / Ver São Jorge no jumento / Pisando no teu clarão / Pra que cassaste com um homem tão sisudo / Que come dorme faz tudo, dentro do seu coração?

Lua Bonita, / Meu São Jorge é teu senhor, / E é por isso que ele "véve" pisando teu esplendor / Lua Bonita se tu ouvisses meus conselhos / Vai ouvir pois sou alheio, / Quem te fala é meu amor / Deixa São Jorge no seu jubaio amuntado / E vem cá para o meu lado / Pra gente viver sem dor.




quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Cinema Alternativo em Cajazeiras: De Eutrópio a Zé Sozinho.

porClaudimar Ferreira


Exibidor Zé Sozinho, de mambembe as salas improvisadas na zona sul de Cajazeiras.

As primícias do cinema em Cajazeiras revelaram uma época mágica onde o rudimento das exibições era peculiar ao tempo, ao momento vivido e aos sentimentos e as paixões que os seus figurantes envolvidos, tinham por essa arte de sonhos, ilusões e magia. 

Por esse histórico túnel do tempo, desde que aportou na cidade o descendente de libanês João Bichara, responsável pela implantação, em 1926, do cinema moderno em Cajazeiras, a trajetória dos exibidores em nossa cidade não pareceu diferente de outros mais, em outros lugares. Teve também os sues personagens emblemáticos que vislumbrados pela magia que os fotogramas revelavam, fizeram de tudo para viver e oferecer ao público cajazeirense a oportunidade de ser parte desse entretenimento que até hoje encanta os olhos de gerações por ai a fora.

  
Exibidor Eutrópio Cartaxo - Um dos primeiros na cidade e na região. No inicio, atuou 
na Rua Dr. Coelho em Cajazeiras e na cidade de Ipaumirim, Ceará. 

EUTRÓPIO

Afirmam os mais antigos frequentadores das diversas salas de exibições que havia em Cajazeiras, que a primeira sessão de cinema na cidade se deu na antiga Ação Católica - Hoje 9ª Região de Ensino do Estado, onde já funcionou nos anos 70 a Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Cajazeiras (FAFIC). Mas a história lembra, que também uma figura bem conhecida de todos, chamado de Eutrópio Cartaxo, que segundo rumores costumava ficar de cueca durante as projeções de suas películas, teria sido um dos primórdios exibidores a improvisar salas de cinema pela cidade.

Eutrópio que era um pouco obeso, tinha uma fisionomia que o tornava bem engraçado. Uma virtude que contribuía para atrair o público as suas exibições. Ele se fixou por um bom tempo com seu projetor, em um dos diversos locais por onde atuou que ficava nas proximidades de um chafariz municipal, em um dos prédios que pertencia ao Senhor Luiz Barbosa e que posteriormente foi também a sede da agência do Banco do Brasil em Cajazeiras. Tudo era improvisado. Eutrópio passava os filmes numa cabine de madeira montada sobre uma plataforma de ferro onde ele subia com dificuldades com os rolos de fitas.

Dizia às pessoas que costumeiramente assistir os seus filmes, que os mesmos eram exibidos pelo próprio Eutropio e, que a sala era uma sauna, um calor insuportável. As cadeiras eram de madeiras e as imagens projetadas em um tecido de algodãozinho, eram trêmulas e não demonstravam sincronia entre a voz e gestos que os personagens faziam. Além disso, garotos, muitas vezes, atrapalhavam a projeção passando na frente do foco dos projetores, vendendo pipoca, picolé e balas. 

De vez em quanto, alguém aparecia na porta do cinema procurando e perguntando se o seu filho estava na sala de exibição. Comentavam que Eutrópio chagava a dormir enquanto os filmes passavam e que quando a fita quebrava era uma gritaria tremenda dentro do cinema, apressado e acuado, o mesmo emendava a fita com pedaços de outros filmes, quando voltava à exibição, o público delirava batendo nas cadeiras deixando a sala uma "zorra" total. Era uma loucura dentro do cinema.

ZÉ SOZINHO

Pernambucano de Pageú das flores, Zé Sozinho chagou à Cajazeiras como sempre aterrissou em outros lugares por onde andava, carregando em uma bicicleta, junto com o seu projetor de 16 mm, latas de fitas que variavam dos temas religiosos aos velhos faroestes, bem como, os esquecíveis filmes de Tarzan e os clássicos Sansão e Dalila, O Ébrio e as produções musicais da Cinédia. Para ele, que começou a viver essa paixão pelo cinema logo cedo, qualquer lugar era ideal para uma projeção de cinema. Podia ser no meio da praça, debaixo da ponte, em uma rua deserta, no tabuleiro da caatinga, num galpão abandonado, no adro de uma igreja, tudo era possível.

Na sua passagem por Cajazeiras, Zé Sozinho instalou sua visionária maquinaria de sonhos nas proximidades da Camilo de Holanda - mais precisamente em um galpão que ficava de frente para uma pracinha construída pelo então prefeito Antônio Quirino de Moura, intermediada pelo vereador na época João de Manoelzinho. No local, onde durante o dia era uma oficina mecânica e para ele, à noite, uma sala de cinema, Sozinho exibia seus filmas. O calor do teto de zinco e o cheiro do óleo e da graxa que existia no lugar, não nos desanimavam. Lembro-me muito bem que neste espaço, Zé Sozinho exibia filmes variados, cujas sessões podiam ser para menores de 14 anos, 16 e até 18 anos, embora nada fosse proibido na sua sala improvisada, pois adolescente de 14 anos, via filmes para maiores de 18 anos. 

Pessoas que viveu próxima a Zé Sozinho, costumava dizer que ele era uma cara ágil, disposto e inteligente. Nas suas andanças pelas cidadezinhas do interior da Paraíba, Ceará e Pernambuco, chegou a subir em uma árvore pra montar o seu alto-falante e logo abaixo instalar o seu velho projetor. E assim, o mesmo completava a alegria. Suas películas eram uma miscigenação de gostos, onde se podiam ver ao mesmo tempo filmes que começavam como as antigas chanchadas da Atlântida e finalizava com os filmes de Teixeirinha. O Dólar Furado com pedaços de humor dos comediantes Oscarito, Zé Trindade e Grande Otelo. A Paixão de Cristo versos Roberto Carlos em Ritmo de Aventura e Besouro Verde. E ai por diante, tudo se resumia na sua forma de entender e de como para ele, devia ser o cinema.

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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Arte Retirante - Josélio Amaro

Josélio Amaro é Músico e Compositor, natural de Cajazeiras. Residindo hoje em São Paulo. Começou a fazer música nos anos 70, tendo a partir dessa década, participado de várias versões do "Festival da Canção no Sertão". Evento que foi realizado nos anos 70 e 80, na cidade de Cajazeiras, pela AUC - Associação Universitária de Cajazeiras e depois pelo (GIMC) Grupo de Integraçãodo Menor na Comunidade, e que aglutinava músicos, compositores, arranjadores do interior da Paraíba, CearáPernambuco e Rio Grande do Norte. Por este festival passaram grandes nomes da música paraibana hoje, como Elba Ramalho, Chico César e outros.





sábado, 17 de julho de 2010

Ulisses Guimarães e Bosco Barreto


Impulsionados pela
abertura política e o projeto de redemocratização do país, destacadas figuras da política nacional, como Ulisses Guimarães e Teotônio Vilela, saíram de seus gabinetes em Brasília e começaram a peregrinação pelos Estados e interior do Brasil, divulgando e fazendo campanha pelas Diretas Já. Aqui, um registro desse momento histórico da política brasileira. O encontro do Velho Guerreiro Ulisses Guimarães, símbolo das lutas democraticas desse período marcante, com o nosso trupizupe da liberdade de expressão, João Bosco Braga Barreto, notório braço direito do antigo MDB no sertão paraibano. Como se vê, o encontro entre os dois ocorreu na entrada da cidade. De lá, Ulisses, Bosco e populares, seguiram em carreata pelas ruas de Cajazeiras até a Praça Camilo de Holanda, onde foi realizado um ato público em apoio ao projeto de raedemocratização, que pedia o fim da ditadura e a realização de eleições diretas para presidente. Na foto, por trás de Ulisses, vê-se o Vereador Osmildo Gomes.