quinta-feira, 10 de junho de 2010

Elias do Picolé, um personagem para todos

por: Cleudimar Ferreira

Elias do Picolé: antes de tudo, um folião, um carnavalesco.



Todo bom cajazeirense que se preze conhece um pouco das histórias dos personagens de sua cidade. Algumas delas, são esmiuçadas de figurantes com atitudes folclóricas, artimanhas e espertezas. Não é bem o caso de Elias do Picolé, mas poderia ser. Elias até o presente, dedicou boa parte do tempo que viveu a atividade da venda de picolé. Talvez tenha sido a sua principal ocupação e evidentemente, a sua principal fonte de renda.

Para vender o seu produto - o picolé, ele fazia da alma um picadeiro. Pra chamar atenção da sua clientela exagerava nas caretasno malabarismo com um cigarro na boca, gritavaberrava e contava piadas. Era um virtual palhaço de rua travestido de saltimbanco. Estava em todos os lugares onde houvesse aglomerações de pessoas, como por exemplo, nas feiras, eventos culturais, festas dançantes, partidas de futebol, velórios, comícios, quermesses e até em vaquejadas.

Vaquejadas... Certa vez, o mesmo saiu de Cajazeiras com destino a localidade de Poço da Pedra, na cidade de Santa Helena, onde estava sendo realizada uma vaquejada. Chegando lá, se fixou com sua carrocinha de picolé em determina área do "parque", quando de repente apareceu dois rapazes e um deles perguntou o que ele estava fazendo ali. Elias respondeu: “-estou vendendo picolénão tá vendo!”. Usando uma frase bastente conhecida "-aqui não há espaço para gente de sua laia" os rapazes maldosamente mandaram que ele se retirasse do local.

Encarando "na esportiva" a atitude dos rapazes, Elias tentou convencer os mesmos que estava no evento apenas para vender picolé. Mas os dois responderam ao mesmo que para ficar naquele espaço, teria que pagar uma taxa. Elias perguntou quanto era o valor da taxa. Ao descobrir que a referida taxa era mais alto duque o valor em dinheiro de toda vendo do estoque de picolé que disponha naquela tarde, o mesmo deu meia volta e contrariado se preparou para se retirar do local. 

Mas foi surpreendido com presença de um senhor que lhe perguntou o que estava havendo alí. Ai ele respondeu: “Dois rapazes apareceram aqui cobrando uma taxa maior que todo o estoque de picolé que eu tenho”O Homem tranqüilizou Elias do Picolé dizendo que ele poderia ficar no local, pois os dois rapazes eram seus filhos, que ele era o dono vaquejada. Elias já mais calmo viu o homem olhar em volta e mandar um garoto pegar uma bacia na cozinha.

Quando o garoto voltou, o referido senhor mandou Elias encher a bacia de picolé e disse: “-Pronto, o senhor não precisa pagar mais nada para continuar vendendo seus picolés na vaquejada”O homem saiu com a vasilha cheia de picolé. Como naquela época geladeira era um objeto estrenho para muita gente, principalmente para os habitantes daquela localidade, o mesmo, a colocou em cima de um armário. Mais tarde, quando a vaquejada havia terminado, o homem lembrou dos picolés e quando foi olhar, os picolés tinham virados suco. Apresado, o dono da vaquejada pegou a bacia e se deslocou até o local onde Elias estava, mas viu apenas o nosso folclórico picolezeiro, com sua carroça vazia, em cima de uma caminhoneta se retirando da localidade em meio à poeira da estrada.



               Imagens do nosso eterno palhaço no Carnaval de 1987  






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sábado, 24 de abril de 2010

Sobre o ataque do cangaceiro Sabino Gomes à cidade de Cajazeiras:

porCleudimar Ferreira



                                  
Dão por certo alguns historiadores que pesquisam sobre a atuação do cangaço Nordestino, que em umas das andanças de Virgulino Ferreira da Silva - Lampião, à Juazeiro - Ceará, o Padre Cícero havia pedido a Lampião que evitasse atacar a cidade de Cajazeiras, pois segundo ele, era uma terra abençoada, a qual existia um padre quase santo que era seu amigo e que tinha carinho e apreso ao mesmo. O religioso que Padre Cícero se referiu na conversa com Lampião, era o Padre Inácio de Sousa Rolim - o Padre Rolim. Fundador da cidade e do primeiro educandário escolar do sertão paraibano. 

Asseguram também esses mesmos estudiosos do assunto, que por volta de 1926, Padre Cícero - que naquela época além de ser anticomunista já misturava e confundia política com religião, teria aproveitado a lealdade que o rei do cangaço tinha a sua pessoa, e havia proposto a Lampião atacar a Coluna Prestes quando essa cruzasse o Nordeste. Em troca, o cangaceiro receberia uma patente de Capitão das Forças Patrióticas.

De fato, a história confirma que o acordo foi feito. O padre de Juazeiro juntamente com amigos donos de terras da Região do Cariri, equipou Lampião e seu bando com armas e munições. Relatam os historiadores, que Lampião recebeu as armas, as munições e a patente de Capitão, mas nunca atacou Luís Carlos Prestes e seus seguidores, configurando-se na primeira e única traição do rei do cangaço ao Padre Cícero. Mas, seria talvez essa a primeira e única ludibriada do famoso justiceiro do sertão ao padre de Juazeiro?

O ataque do cangaceiro Sabino Gomes - seu lugar tenente (como próprio Lampião afirmou no dia 6 de março de 1926, em entrevista ao médico de Crato, Octacílio Macêdo), a cidade de Cajazeiras não seria a segunda traição de Lampião a Padre Cícero, já que esse fato ocorreu em 28 de setembro de 1926, oito meses após o encontro de Lampião com Padre Cícero e de ter sido entrevistado pelo médico Octacílio Macêdo?

Será que os motivos alegados por Sabino Gomes; os de que ia atacar a cidade para vigar uma emboscada que havia sofrido por policiais comandados pelo oficial Lourenço Dunga; se vingar também do ex-cangaceiro Raimundo Anastácio, que naquele momento tinha se aliado as autoridades da Cajazeiras; prender o Prefeito e o Engenheiro das Secas para pedir resgate, não seriam pretextos para justificar ou encobrir o que havia por traz do ataque?

Portanto, se os fatos registrados pela história forem reais, há alguns pontos neste episódio que merecem também uma reflexão pelos estudiosos do cangaço. Será que Sabino Gomes quando atacou a cidade de Cajazeiras, não estavam com ele na empreitada, cangaceiros pertencentes ao bando de Lampião? E para fazer frente à defesa montada pela população cajazeirense, Sabino e os comparsas não estavam também reforçados com as armas cedidas a Lampião para combater a Coluna Prestes?

Para finalizar, uma pergunta que não me deixa calado veio a minha mente: Se Lampião tinha tanto apreso ao Padre de Juazeiro, porque permitiu que o seu “braço direito” Sabino Gomes, invadisse Cajazeiras? Será que Lampião não sabia da invasão do cangaceiro a cidade? Ou sabia? E assim, para não ficar caracterizado a sua segunda pérfida ao seu Santo Padim Ciço, será que Lampião ao invés de atacar Cajazeiras, preferiu de forma poltrão, mandar o seu principal homem de confiança? Com a palavra os simpatizantes do assunto.


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sábado, 17 de abril de 2010

S.O.S CRISTO REI



S.O.S. para o Cristo. Desprezado, esquecido, humilhado, o Cristo Rei segue sua via cruzes. Torturado, imprensado, camuflado, reduzido a minúsculo "ex-votos" pelas poderosas antenas que representam o disfarçado progresso tecnológico e a ambição dos grandes grupos das comunicações no Estado, o nosso principal monumento vive num estado letárgico sem precedentes. Só resta apelar para o Divino, já que as providências terrenas se distanciam cada vez mais e têm se revelado pusilâmine demais diante do problema que atinge o nosso principal ponto turístico. Salve o Cristo, Viva o Cristo.


Antiga sede do Colégio Normal das Carmelita


Antigo prédio onde funcionou por muito tempo o antigo Colégio Normal das Carmelitas. Com a transferência do educandário carmelita na década de 60 para suas novas instalações, uma área de esquina - na Rua Samoel Duarte com a Rua Manoel Medeiros, esse velho edifício passou a ocupar as instalações do Cine Teatro Pax, até os anos 80. Ainda na década de 80, o mesmo passou por uma reforma e ampliação da sua área externa, com a construção de uma estrutura física na frente, sendo construído e edificações - apartamentos no pavimento de cima e salas comerciais no térreo, como até hoje está.

PRAÇA CORAÇÃO DE JESUS



Esta foto é realmente uma viagem no tempo. Ela foi gravada no momento em que o calçamento da Av. Padre José Tomaz estava sendo feito. Observe bem que no canto esquerdo da mesma, há um monte de areia. Onde estão os postes de luz, o meio fio está inacabado. No lado direito, na esquina onde hoje funciona a Danielle Butique, dá pra ver - com detalhes, os operários trabalhando na pavimentação. Lá nos fundos - na calçada da antiga lanchonete São Braz, tem outro operário trabalhando. No meio da foto, estacionado, um caminhão usado para transportar a areia, está debaixo do antigo Pé de Trapiá.

sábado, 3 de abril de 2010

A DÉCADA DE 80 VIU A ARTE DE MARCOS PÊ



Frente do catálogo da mostra de artes plásticas que o artista gráfico cajazeirense Marcos Pê - hoje radicado no Estado do Piauí, realizou no final da década de 80, na Biblioteca Castro Pinto em Cajazeiras. Antigo integrante do já instinto Atelier de Artes do Núcleo de Extensão Cultural da UFPB, Marcos, sempre foi um artista figurativo embora realista. Como bem disse o poeta Adolfo Araújo é "uma avidez em cada traço", isso porque a sua arte traduzia naquela exposição, um eloquente sentimento de busca incessante pala expressão, pelo explicito, pelo desejo veemente de expressar-se e comunicar-se com seus expectadores. De técnica simples - parecendo até "ingênuo", Marcos aplicou pinceladas curtas e às vezes rápidas para definir a forma do seu trabalho, levando o observador a reviver naquele momento o fascinante princípio da escola expressionista alemã e por outro lado, também demonstrou nitidamente uma tendência para a temática surrealista.


Trabalho do Artista Marcos Pê para o intercambio de arte
entre Cajazeiras/Campina Grande em 1980



Um dos trabalhos do Artista
Exposto na Mostra






quinta-feira, 1 de abril de 2010

O DOURADO POR DO SOL EM CAJAZEIRAS



Sou o Tempo que passa, que passa.
Sem princípio, sem fim, sem medida! ...A correr, de segundo em segundo... Vou formando os minutos que correm... Vou correndo sereno e constante... E não há para o Tempo demoras! Não gasteis os minutos sem pena! Não façais pouco caso das horas! Trechos do soneto "O tempo" de Olavo Bilac.