sábado, 11 de maio de 2024

XAMEGÃO SEM O MEGÃO VIROU XAMEGO, APENAS.

por Cleudimar Ferreira




A frase “tudo como dantes, no quartel Abrantes” parece fazer sentido quando assunto em discussão é o Xamegão de Cajazeiras. Criado para ser o principal evento cultural e turístico da cidade, o Xamegão - festa popular de São João aberta ao público em geral, era programado para ser realizado durante todo mês de junho. Portanto, acontecia durante os trinta dias junino. Assim como são o Maior São João do Mundo, em Campina Grande e São João de Caruaru, Pernambuco.

As primeiras versões, foram verdadeiras apoteoses no alto sertão paraibano. Lembro que o espaço construído pela prefeitura para a realização do evento, cada ano foi ficando pequeno e, até questionamentos, passaram a ser feitos pela imprensa da cidade, onde os comentários mais calorosos era a urgência sobre possíveis transferências da praça de eventos, para outro local maior que pudesse alojar a grande festa com toda sua estrutura logística.  

De lá para cá, o poder público municipal, responsável direto pela realização do evento, foi aos poucos lapidando, encolhendo, tirando o brilho da festa, ou seja, afastando o público do Xamegão e com isso enfraquecendo a economia da cidade durante o período junino. Para uma cidade onde população alvissareira e festiva, não dispensa, por hipótese nenhuma, as festividades do mês junino, a desconstrução do Xamegão, marcado seguidamente por gestões inoperantes no campo cultural e turístico no município de Cajazeiras, é como se um breu ilutado maculasse avulso, a sua cultura e as suas tradições populares.

Para se ter uma ideia, as últimas edições, antes e depois da pandemia, sob a tutela do administrador municipal José Aldemir, praticamente não existiram ou não existiu. O ofuscamento do Xamegão até aqui, foi reconhecido tanto pela diminuição dos dias, como também pela qualidade das atrações nos shows, bem como pela logística no espaço da festa, seguido pela ornamentação e atrações secundárias ligadas ao período junina, que geralmente dava um colorido especial ao Xamegão.

Nesse ano de 2024, o Xamegão permanecerá escolhendo como dantes esteve nos quarteis dos coronéis quadrilheiros desse período. Basta ver a programação pare se ter uma ideia. Tirando a prata de casa, formada por talentosos artistas e forrozeiros, que sem saída submete a tocar por um cachê inferior aos artistas de fora; prata de casa essa, que realmente dão um show de interpretações e musicalidades; as atrações regionais e nacionais anunciadas, apresenta artistas quase em fim de carreira, de cachê baixo e brilho difuso patrocinado pela indústria cultural, muitos distantes dos holofotes, esquecidos pela mídia, como é coso dos cantores José Orlando, Beto Barbosa e o lendário forrozeiro pernambucano, Assisão.

Se esse ano 2024 não fosse é um ano político, talvez o Xamegão fosso riscado do mapa junino mais uma vez, como foi em 2023. Mas é! E o jogo de interesses apresenta um xadrez disputado com unhas e dentes pelo atual prefeito, que quer a todo custo continuar trafegando pelos corredores fantasmas da prefeitura, como se o cargo de prefeito fosse um cargo eterno e o Xamegão, uma festazinha qualquer que pode ser ou não realizado; que pode ser mudado ou não de período e, os seus dias de festas, encolhidos; pois cultura popular só dá votos em época de eleição.

Entendimento assim precisa ser revisto, pois na concepção do cantor Gilberto Gil, cultura não é uma coisa extraordinária. Cultura é ordinária, cultura é igual a feijão com arroz, é necessidade básica, tem que estar na mesa, tem que estar na cesta básica de todo mundo. Portanto, o Xamegão como festa popular que congrega cultura popular, não pode ser usado como moeda de troca em ano de eleição. Carece de mais atenção do poder público a cada ano. Precisa crescer cada vez mais e não diminuído e desprestigiado, como pensam aqueles que acha que cultura é um negócio qualquer.

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