quarta-feira, 26 de agosto de 2026

O QUE MEUS OLHOS VIRAM NA ENTRADA DO CINE TEATRO PAX.

By cleudimarferreira

Portaria (hoje) do Cine Teatro Pax, em Cajazeiras, com suas intalações bem preservadas.


Esse cinema – só na descrição – hoje desativado, foi, da segunda metade dos anos 70 até o início da segunda metade dos anos 80, o único ponto de convergência, de divertimento audiovisual da população da Zona Sul de Cajazeiras. Mas, como tudo está na ordem do tempo, esperando do tempo o destino que deve tomar, infelizmente a crise dos cinemas nos anos 80 – que saiu fechando salas pelo país a fora – numa cadeia de destruição de sonhos que a tela grande proporcionava – alcançou o Pax. Ele não ficou de fora dessa hecatombe, sucumbiu à crise e encerrou suas atividades também.

Passeando por Cajazeiras, estive em sua portaria e fixei meus olhos nas suas escadarias até a porta de entrada. O que meus olhos viram foi um prédio com suas instalações físicas repletas de boas lembranças deixadas pela garotada e jovens que viveram o seu período áureo. Seu hall com as caixas de bilheteria e os gradis, está como antes – ou quase nada mudou. Não sei se igual está o seu salão, onde se alojava o auditório com cerca de mais de 300 cadeiras longarina da marca Cimo. Assim também, não sei bem como está a estrutura que segurava a sua tela panorâmica: se ainda permanece lá, no vazio das lembranças, esperando um dia a volta dos equipamentos que a compunham para o seu devido lugar.

De toda a região, era só Cajazeiras que, nesse período, ostentava o orgulho de ter três salas devidamente equipadas, que recebiam um público apaixonado pela imagem do cinema – público esse vindo de diversos pontos da cidade. Só Cajazeiras tinha esse privilégio. Agora, com a volta e a abertura de muitos cinemas de rua, outrora fechados pela essa crise dos anos 80, bem que a nossa cidade poderia ter a benevolência de honrar a atuação de tantos atores e atrizes que brilham no cinema, reabrindo o único cinema na cidade – dos três que havia – com condições plenamente perfeitas para essa empreitada épica. Somos capazes sim, porque realizamos, produzimos e consolidamos a criação do Festival do Audiovisual Cine Açude Grande e o surgimento do Cineclube Avoador com sua mostra de cinema itinerante, revelando a nossa capacidade de estar à frente de uma iniciativa assim.

A possibilidade de transformar esse sonho em realidade, está bem ali na nossa frente. Parcerias com o setor privado; somadas à contrapartida do poder público – amplamente assegurada pela as leis de incentivo e pela política de fomento à cultura e a arte do Ministério da Cultura, que tem favorecido a reabertura de salas pelo país – seriam os caminhos, o nosso poço de mel, nossa fonte de esperança, de ver num futuro próximo, o nosso popular Cine Pax de portas abertas novamente.

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