sexta-feira, 27 de abril de 2012

Padre Levi. Padre, Político, Polêmico



Cartaz de uma das campanhas do Padre Levi Rodrigues a Deputado Estadual. Político polêmico, conservador, latifundiário, dono de terras na região de São Jose de Piranhas - a Fazenda Santa Rosa, seu refúgio natural. O religioso ficou conhecido na literatura folclórica da política sertaneja, durante a campanha de 1972, quando realizou naquele ano a "Passeata dos Jumentos".
 
O evento atraiu a atenção de todos e até da imprensa nacional e internacional. "Me entusiasmei com a idéia e fui a Santa Luzia onde tinha um circo armado em busca de um urso branco (apelido do então governador Ernani Sátyro), um leão (que quase pega Zé Gayoso, vestido de branco e montado a cavalo em frente à Ação Católica); um pavão e daí por diante o povo trouxe de tudo, até muriçocas em garrafas, tornando a manifestação em um verdadeiro zoológico, sem muita lógica, ambulante. Muitos países do mundo publicaram a matéria: Rússia, França, Inglaterra". 

Na década de 60, o folclórico Padre Levi, foi eleito prefeito do município de São José do Bonfim, na região de Patos, Paraíba, numa disputa acirrada com adversários políticos, onde chegou a sofrer até ameaças de morte. O Padre exerceu cargos importantes na Diocese Cajazeiras, sendo indicado vigário de mais de 10 paróquias do sertão do Estado. 

O religioso era natural de Patos, nasceu em 07 de setembro de 1926 e faleceu em 26 de abril de 2012. Era filho do senhor Alexandrino Rodrigues de Oliveira e Mariana Alves de Oliveira.

pintura do Padre Livi em uma igreja

Fotopintura. acervo: Cleudimar Ferreira

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Rivaldo Antônio Santana , o Maestro.

by cleudimarferreira


O ainda jovem maestro Rivaldo Santana


O Maestro Rivaldo Antônio Santana era natural da cidade de Vitória de Santo Antão no Estado de Pernambuco. No início dos anos 60, aportou em Cajazeiras através de um circo onde era integrante do grupo de músicos do mesmo. Com saída do circo, o maestro preferiu ficar na cidade, já que a mesma consolidava os primeiros acordes para formação de sua orquestra. Na orquestra cajazeirense, a sua primeira apresentação em público se deu na execução de duas peças, o Hino Nacional Brasileiro, com arranjos simplificados e o dobrado Capitão Caçula (Marcha do Soldado). 

Já entrosado com os músicos locais, participando ativamente de monitorias para formação de fanfarras escolares, bem como, as atividades ligadas a músicas na cidade, o maestro Rivaldo Santana, decidiu compartilhar a sua experiência na área com outros municípios vizinhos, como foi o caso do trabalho feito a partir de 1962, na cidade de Ipaumirim, onde o músico praticamente fundou a Banda Municipal e dividiu também as suas habilidades de arranjador na formação da primeira orquestra de baile daquela cidade cearense, citada abaixo pelo músico Francisco Joaquim Farias. 

“Foi no dia 07 de setembro daquele corrente ano de 1962 que a bandinha, pela primeira vez, fez ecoar seus acordes pelas ruas da cidade. Estava, naquela festiva data de comemoração da Independência, lançado em Ipaumirim aquele que foi, até o presente momento, o projeto que mais revelou talentos na arte, com alguns conhecidos em todo o Estado.” Sobre a orquestra de baile, acrescentou: “Essa Orquestra, que teve um copioso trabalho de ensaios, pela inexperiência dos músicos em atuar em um novo segmento, a música popular, teve a oportunidade de associar a qualidade notável dos arranjos do Mestre Rivaldo Santana.” 

Sua grande colaboração a cultura de Cajazeiras é irretocável e foi reconhecida no brilhante trabalho que fez como professor de música, regente da filarmônica Santa Cecília e no coral João de Deus, que na época era ligado ao NEC - Núcleo de Extensão Cultural, órgão vinculado  ao antigo Campus V da UFPB, pelo qual o maestro respondia pela coordenação de música. 

Rivaldo Santana foi um formador de uma geração de músicos e também um incentivador incansável da busca de novos talentos. Passou por quase todas orquestras formadas na cidade, como fui o caso das orquestras “Chaveron” e “Manaíra”, onde o maestro deu sua colaboração como músico e arranjador. A sua morte ocorrida na cidade de Campina Grande, Paraíba, em setembro de 2006. Foi uma perca para a música cajazeirense.
  
Na Banda de Música de Ipaumirim / Ceará.
 Rivaldo - o músico




terça-feira, 24 de abril de 2012

Cajazeirense Lúcio Vilar toma posse como diretor-executivo da Fundação Cultural de João Pessoa

 


O prefeito de João Pessoa, Luciano Agra, empossou nesta segunda-feira (23), novos auxiliares da administração direta e indireta, além de três coordenadorias especiais. A posse dos novos secretários aconteceu no Centro Administrativo Municipal (CAM), às 11h.

As mudanças também acontecem na Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope). O jornalista, cineasta e professor da UFPB, Lúcio Vilar, assume a função de diretor-executivo do órgão. Ele também possui formação superior em Arte Educação pela UFPB e Pós-Graduação em Ciências da Comunicação pela USP e é doutorando na mesma instituição. Lúcio Vilar é co-autor de dois livros e idealizador do Festival Aruanda do Audiovisual Brasileiro.

SECOM-JP


Confia em Deus Nodgi Andrade, Cantor e compositor cajazeirense.

Oligarquias Dominam a Política em Cajazeiras



        Famílias Rolim, Cartaxo e Coelho      
     comandaram o cenário político    
       por muitas décadas.    

.................................................................. por Juliana Santos, Jornal da Paraíba.

Dando continuidade ao projeto Eleições 2012, o JORNAL DA PARAÍBA inicia a partir deste domingo, uma série de reportagens sobre as dez cidades onde serão realizadas as pesquisas antecipadas para as eleições municipais deste ano. Cada reportagem vai trazer um breve panorama sobre o cenário político de cada uma das cidades e quais os principais desafios para os próximos gestores. A primeira cidade será Cajazeiras, a 476 quilômetros de João Pessoa. Apesar dos avanços conquistados nas últimas décadas, o município ainda amarga índices negativos em áreas prioritárias como saúde e educação.

A disputa política em Cajazeiras sempre foi ferrenha. De acordo com o escritor Francisco Cartaxo, a história da cidade não registra confusões partidárias sangrentas, salvo raríssimas exceções. “A razoável calmaria política de Cajazeiras remonta à sua formação baseada em um entrelaçamento familiar que congregou na origem de três famílias principais (Rolim, Cartaxo e Coelho)”, declarou o escritor. Os três sobrenomes estiveram juntos, ao longo de muitas décadas, no comando da sociedade local. 

Ao longo da Era Vargas (1930/1945), novas lideranças foram surgindo de modo que, quando Getúlio Vargas foi deposto, um novo arranjo político local se formou em Cajazeiras, sob o manto dos dois partidos mais fortes do Brasil: UDN e PSD. Entre 1988 e 2008 foram realizadas seis eleições municipais, nas quais só a de 1992 não foi vencida por um profissional de medicina. 

Ao longo dos 61 anos, dos 15 pleitos para prefeito, nove foram vencidos por médicos, representando uma singularidade da política de Cajazeiras, cuja explicação pode ser encontrada, entre outras razões, no papel clientelista desempenhado pelos médicos, sempre em contato com a população carente de cuidados permanentes com a saúde". 

       Ex-Prefeitos: Francisco Matias Rolim (Chico Rolim) e Epitácio Leite Rolim      

De acordo com Cartaxo, a euforia democratizante pelo fim do regime militar, sacramentado na Constituição de 1988, alterou o cenário político de Cajazeiras, por força da criação de novos partidos políticos em ambiente de amplas liberdades e, sobretudo, da redefinição nominal da histórica polaridade entre as duas lideranças cristalizadas sob a ditadura: Francisco Rolim e Epitácio Leite. 

      Ex-Prefeito Otacílio Jurema      

 A união de adversários também já foi vista na história política de Cajazeiras. E quem mais utilizou essa tática foi Otacílio Jurema. “Nos anos recentes, a aliança circunstancial mais importante se deu entre Chico Rolim e Epitácio Leite, rivais ferrenhos ao longo de mais de 20 anos, que se aliaram em 1988.
Dentre os acontecimentos recentes, três fatos ganham destaque. 

       Ex-Governador Ivan Bichara Sobreira      

O primeiro deles é o governo de Ivan Bichara que, embora não tenha ligação direta com os pleitos municipais, a escolha do cajazeirense Ivan Bichara Sobreira foi o acontecimento mais relevante da história política de Cajazeiras. “Não tanto pela influência eleitoral que exerceu no plano local, mas em virtude das ações e investimentos realizados pelo seu governo ou conseguidos por intervenção direta com o governador”, afirmou. 

O segundo acontecimento de destaque foi o atentado ao bispo Zacarias Rolim de Moura, em julho de 1975. Nessa data, a cidade foi abalada pela explosão de uma bomba de fabricação caseira, pertencente à diocese de Cajazeiras. Duas pessoas morreram dias depois e mais duas tiveram ferimentos graves que deixaram sequelas físicas e emocionais permanentes. 

      Ex-Prefeitos Epitácio Leite Rolim e Léo Abreu     

 O escritor lembra que o artefato encontrava-se embaixo da poltrona onde o bispo Zacarias costumava sentar-se para ver os filmes que ele mesmo selecionava. O resultado das investigações, as quais foram iniciadas pelas Forças Armadas, nunca foi divulgado. “Por isso, circulam muitas investigações em torno de possíveis autores ou executores materiais do atentado”, explicou. A renúncia de Léo Abreu (PSB), eleito em 2008 com 52,39% dos votos válidos, foi o terceiro e mais recente acontecimento de destaque em Cajazeiras. O jovem prefeito, que derrotou nas urnas o empresário Messias Filho, renunciou sem nenhuma motivação política identificável, sem que houvesse fato público capaz de justificar o gesto, conforme explicou Cartaxo. 

Colaboração: Valéria Sinésio


domingo, 22 de abril de 2012

História: Padre Rolim


      Vida Longa a Memória       
      do Nosso Mestre     
........................................................................................ Texto escrito por Gilvan Santos


Foi no dia 22 de agosto de 1800, no sítio Serrote, extremo oeste da capitania da Paraíba, que nasceu aquele que foi cognominado pelo imperador Dom Pedro II de "O Anchieta do Norte". Trazia nas veias o sangue ilustre de Jerônimo de Albuquerque - fidalgo português colonizador de Pernambuco - amalgamado ao do médico francês Isidoro Mons. Rolim, iluminista de Marselha. Na pia batismal, o menino recebeu o nome de Inácio de Souza Rolim. 

Contava poucos dias de vida quando seus pais, Ana Francisca de Albuquerque e Vital de Souza Rolim, passaram a residir na gleba de terra que receberam do sesmeiro Luís Gomes de Albuquerque pai de Ana como dote de casamento e onde Vital acabara de construir casa e currais, dando início a formação da fazenda das Cajazeiras. Pode-se dizer que Inácio e Cajazeiras nasceram juntos, e a ela ligou seu destino ao longo de todo o século XIX. Na primitiva fazenda das Cajazeiras, passou sua infância, ao lado dos irmãos mais velhos e os que vieram após ele, entregue às brincadeiras simples de menino da roça e exercitando-se nos trabalhos agrícolas. 

Desde muito cedo, o menino Inácio demonstrava vivo interesse pelas Letras. Aos dezesseis anos, já falava fluentemente o Francês e dedicava-se ao estudo do Grego e do Latim, o que levou Ana e Vital a encaminharem, a convite de D Bárbara de Alencar, o filho à cidade de Crato, no Carirí cearence, onde permaneceu, pôr quatro ou cinco anos, fazendo os estudos preparatórios para o ingresso no Seminário de Olinda.

    Ordenação Sacerdotal  l

Inácio de Souza Rolim ingressou no Seminário de Olinda a 3 de setembro de 1822. Seu avô, Luís Gomes de Albuquerque, doou a propriedade Serra Vermelha, para patrimônio de sua ordenação sacerdotal. O seminário de Azeredo Coutinho era celeiro de mentes brilhantes. Mas, a genialidade de Inácio Rolim logo o destacou entre os demais. No decorrer do curso, exerceu as atividades de censor e bedel, integrando, posteriormente, o corpo docente do seminário, como professor de Grego, idioma no qual foi versadíssimo. 

O brilhante exercício do magistério, no seminário de Olinda, credenciou-o, alguns anos depois, ao convite do Governador de Pernambuco para instalar a cadeira de Grego no Ginásio Pernambucano, quando teve oportunidade de realizar um dos seus mais acalentados sonhos: a edição da sua Gramática Grega, obra impressa no ano de 1856, em Paris. 

No ano de 1825, a 30 de julho, o menorista Inácio de Souza Rolim recebeu a primeira tonsura e, no dia 31 de julho, as ordens menores, em cerimônia realizada na Igreja da Congregação do Oratório do Recife. No dia 15 de agosto do mesmo ano, foi ordenado subdiácono, recebendo o diaconato a 25 de setembro, na capela do Palácio Episcopal, em Olinda. No dia 2 de outubro de 1825, foi sagrado Presbítero. Ordenado sacerdote, não pôde voltar de imediato, à sua terra natal como desejava. Por algum tempo, permaneceu em Olinda, como professor de Seminário, atividade que exerceu paralelamente aos encargos de Reitor.

     O primeiro colégio da Paraíba   

Em 1843, a obra do padre Rolim já repercutia em quase toda região sertaneja e nas províncias de Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco, levando-o a transformar seu estabelecimento de ensino em colégio de instrução secundária. Era o primeiro colégio da Paraíba! Essa primazia levou ao grande tribuno Alcides Carneiro a cognominar Cajazeiras de a cidade que ensinou a Paraíba a ler. 

Em 1853, o presidente da Província, Dr. Antônio Coelho de Sá Albuquerque, em sua mensagem à Assembléia Legislativa, fez entusiásticos elogios ao seu edificante trabalho: A moralidade e ilustração bem conhecidas desse distinto paraibano, e o assinalado serviço que presta à sua Província merecem a presente demonstração do meu reconhecimento. Em torno do colégio, foi crescendo o lugarejo, com tamanho progresso que, em menos de cinqüenta anos, passou de simples povoado à condição de vila, sede de comarca e cidade. Amado e adorado por todos, o Padre Mestre fora o mentor de tudo. 

Padre Rolim fizera-se um nome de projeção, consagrando-se em todo o Nordeste como um sábio. Poliglota, falava fluentemente francês, inglês, alemão, italiano, espanhol, latim, sânscrito, hebraico, tupí-guaraní e grego. A ciência teve nele um prosélito. Fez da História Natural seu campo de predileção, cujos segredos perscrutava, desvendando o que ela tinha de impenetrável. Publicou, já aos 82 anos, o Tratado de História Natural . Além desse e da Gramática Grega, escreveu ainda uma gramática da Língua Portuguesa, um tratado de Filosofia e outro de Retórica.

       A Árvore da Sabedoria    

Se é pelos frutos que se conhece a árvore, podemos destacar, entre outros, os inúmeros alunos do Padre Rolim: Padre Cícero Romão Batista, o Santo de Juazeiro; Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcante, o Cardeal Arcoverde; Desembargador Peregrino de Araújo, Governador da Paraíba; Deputado Estadual RN e Deputado Federal PB; Dr. João Gualberto Gomes de Sá; Dep. Provincial e Juiz de Direito; Dr. Leonardo Salgado Guarita; advogado, promotor e Desembargador do Tribunal de Apelações do Rio Grande do Sul; Padre Manoel Mariano de Albuquerque; Dep. Provincial e Dep. Constituinte; Dr. Joaquim Bilhar , magistrado e professor da Faculdade de Direito do Ceará; Dr. Francisco de Paula Primo, Dep. Provincial, Dep. Geral, Presidente do Partido Liberal e Presidente do Conselho da Intendência; Cel. Gustavo Augusto de Lima; Prefeito de Lavras da Mangabeira-CE. Presidente da Assembléia Legislativa do Ceará e vice-governador daquele estado; Tenente Sousa Assis, prefeito e juiz de paz; Desembargador José Manoel de Freitas, Juiz de Direito, Presidente das Províncias de Piauí, Maranhão e Pernambuco. Era sogro de Clovis Bevilacqua; Mons. Antero José de Lima, Dep. Provincial, presidente do Legislativo cearense, vice-presidente da Província do Ceará e senador; Dr. Joaquim Antônio do Couto Cartaxo, deputado provincial no Ceará, representou a Paraíba como deputado à Assembléia Nacional Constituinte de 1891; e Padre José Tomás de Albuquerque, entre dezenas de outros alunos que, igualmente, se projetaram nos cenários político cultural e social do país.


Memória FOTOGRÁFICA



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terça-feira, 10 de abril de 2012

A HISTÓRIA DA CAIXA D’ÁGUA DO MAJOR GALDINO

por: Pepé Pires Ferreira




Como somente comentei, nos meus textos anteriores, o problema (gravíssimo) das rebeliões e do crime organizado, fico pensando no que vocês, que tem o mau gosto de ler essas bobagens, que tanto mais poderiam ler coisas mais consequentes, que como só estou dissertando sobre coisas ruins, os senhores podem fazer como o sujeito que tendo um dia anormalmente ruim, foi comentar ao filho: ”Logo na saída, o pneu do carro estourou, peguei um táxi, e houve um acidente e fiquei preso no engarrafamento, depois quando cheguei no escritório, estava faltando energia…” e o filho interrompeu: “Pai, porque i Senhor não mudou de canal”: Assim, e com receio de que vocês não mudem de coluna, vou abordar um tema mais local, que no âmbito familiar (de minhas duas famílias, paterna e materna), e pode se considerar um exemplo de que como as coisas aconteciam no começo do Século passado, que pra mim, anda não terminou…

O “motor” do Major Galdino se situava na Praça major José marques, do outro lado de onde funciona o Posto Texaco, e lá era sobre um colchão de pedra, que nenhum cacimbão dava água suficiente para a que pudesse funcionar sua fábrica de óleo-sabão. Como aqui, em sua casa, corria próximo a revência do Açode Grande, em qualquer lugar que se cavasse era localização muito favorável para se ter um cacimbão – também conhecido como poço amazonas, e cavado o dito cacimbão, o Major tratou de fazer uma caixa–d’água alta o suficiente para que pudesse abastecer sua fábrica.

Contratou assim, o Mestre mais prestigiado de nossa cidade, o Sr. João José da Silva, que conhecemos sua descendência: Tio-avô do contador João Meireles, e avô materno de José Aldemir, (os nomes João e José podem estar trocados, mas vou conferir (que tinha construído o casarão de Cel. Peba, ao lado da Catedral, e depois construiria entre outas obras, o antigo Hotel Oriente e a casa de ferragens de Álvaro Marques, feitos os estudos, tratou-se de construir essa caixa d’água. Note bem, sem cimento, na areia, na cal e no tijolo maciço, com bases extremamente robustas, que assim permanece por quase um século.

Um parêntese: durante a construção dessa citada caixa d’água, se depositava ao pé da obra, enormes quantidades de areis que era bem fofa, sendo um amortecimento ideal para saltos da caixa d’água em construção para a areia, uma disputa ficou conhecida no âmbito familiar, a de do  futuro Dr. Lineto (filho do Major), e de Ivan Bichara, parente próximo e futuro Governador da Paraíba, eles pularam juntos da cinta que fica no meio da caixa d’água, e Lineto conseguiu a proeza (na minha opinião loucura) de pular do “olho”, dessa construção, mas quando foi para cima, nosso campeão não teve coragem.

Pronta a caixa d’água, foi o Major Galdino parar a encanação que levaria o “precioso líquido” para o “Motor do Major”, mas quando cavava as valetas para instalar essa tubulação, havia uma pedra (e que pedra) no meio do caminho, o Chefe da Cidade, era o Cel. Matos, concorrente e adversário político, que exigiu que o Major Galdino para passar esse encanamento, teria que construir e manter um chafariz no que hoje conhecemos como Praça da Prefeitura, para dar água de graça para o povo. O Major Galdino que também não queria fazer esse favor para benefício de deu adversário e daí em diante inimigo, retirou o encanamento e ficou levando água de carroça, até que se perfurou um cacimbão na usina, que era muito profundo, e eu ainda tive a oportunidade de conhece-lo e tinha medo de cair dentro. Esse pegou um veio d’água pequeno e com as chuvas do inverno, sustentava água para a usina, e era suplementada pela água do cacimbão da caixa d’água.

Resultado: os dois, o Cel. Matos e o Major Galdino, sequer caminhavam na mesma calçada, quando um via o outro, atravessava a rua, e seguia caminho pela outra calçada.

Posteriormente, meu pai, Dr. Waldemar, filho do Major, veio a casar-se com minha mãe D. Ica, neta do Cel. Matos, sou descendente de ambos, por isso tenho uma certa isenção para tocar nesse assunto, e o chequei dos dois lados. Hoje, por coincidência do destino, estão ambos enterrados, um quase de frente para o outro, no Cemitério Coração de Maria.

Hoje, numa homenagem às figuras do passado, a caixa d’água, permanece de pé.

P.S. – Oferece-se essas linhas a D. Tutu, a mãe de meus amigos Sinilson, Verônica, Sônia e Marcos Barros, que eu tinha uma grande estima. Vou contar só uma: quando seu filho Sinilson vinha do Rio de janeiro, a gente às vezes ia para a casa de D. Tutu, e lá no fim do quintal, acendíamos (eu Sinilson, Gutemberg, Zé Clementino e outros); o “cigarro do índio”, naturalmente, sem tragar, e ela, com o cuidado de mãe, antecipando acontecimentos atuais em mais de dez anos, comentava: “Isso aí tudo bem, mas não queiram saber de fumar o tal do traque, meu filho”. Isso é que é conselho materno. Eu sempre gostei muito de D. Tutu e considero mais uma mulher batalhadora que perdemos…


Torre da caixa d'água do casarão 
pertencente a família do Major Galdino Pires.

Uma relíquia da arquitetura cajazeirense: construída pelo Major Galdino Pires em um terreno vizinho a sua residência, que teria a finalidade de levar água até a sua indústria situada na Praça José Marques.  
A torre simboliza o poder econômico que família Pires Ferreira era detentor na cidade.
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   D i r e i t o s   R e s e r v a d o s  
F l i c k  G a l e r i a
Autor: Guaira 
Imagem concebida, em 26/jul./2006
Câmera Sony DSL-P73
 




 
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